07 maio, 2015

Colecção Novela Gráfica: #11 Mort Cinder e #12 Bando de Dois (duplo lançamento)

Com a publicação, em simultâneo(!), do 11º e 12º volumes chegou hoje ao fim uma das mais surpreendentes colecções de banda desenhada nos últimos tempos em Portugal. OK a Colecção Star Wars também surpreendeu. Mas Colecção Novela Gráfica ao apostar em obras e autores que são referências na BD mundial, proporcionou que subíssemos vários degraus no patamar da qualidade de edição de BD em Portugal. Dificilmente se esperaria que pudesse acontecer por cá, atendendo à nossa reduzida dimensão em termos de número de leitores. Felizmente aconteceu. As obras MORT CINDER, de Hector Oesterheld e Alberto Breccia e BANDO DE DOIS, de Danilo Beyruth fecham com chave de ouro aquela que será se dúvida das colecções do ano. Se o primeiro reúne dois nomes grandes da BD numa obra imortal; o segundo traz-nos uma revelação da BD brasileira, vencedor de vários prémios.

Mort Cinder - Hector Oesterheld e Alberto Breccia
Formato: 21 x 27 cm, capa dura, 232 pgs a preto e branco


Mort Cinder, o homem das mil mortes... Mort Cinder, o herói que morre e ressuscita, e que irá atravessar as eras e os acontecimentos, desde a Torre de Babel e a Batalha das Termópilas, até à Primeira Guerra Mundial, para contar ao seu amigo, o antiquário Ezra Winston, tudo o que os seus olhos viram da História.

Criada em 1962, Mort Cinder rapidamente atingiu uma popularidade enorme, sendo considerada uma das maiores obras de banda desenhada argentina, e uma das mais importantes no panorama da BD mundial. A série começaria em Julho de 62 na revista Misterix, mas a personagem que empresta o nome à obra apenas surgiria em Agosto, já que a primeira história da série é inteiramente dedicada a um prólogo que apresenta a personagem de Ezra Winston, um antiquário cuja vida será profundamente afectada pela chegada de Mort Cinder e da sua estranha imortalidade. Um antiquário que tem as feições do próprio desenhador Alberto Breccia, mas envelhecidas, prefigurando de modo perturbador essa viagem pelo tempo de que Mort Cinder é um símbolo. Alberto Breccia, o desenhador, e Hector Oesterheld, o argumentista, são dois dos maiores nomes da BD mundial. Oesterheld é justamente considerado como talvez o maior argumentista de BD de língua espanhola, tendo trabalhado com inúmeros desenhadores numa das épocas mais ricas da banda desenhada sul-americana.






Bando de Dois de Danilo Beyruth
Formato: 21 x 28cm, capa dura, 96 pgs a preto e branco


Dois cangaçeiros, últimos sobreviventes do seu bando, partem em busca de vingança e das cabeças decepadas dos seus companheiros, que se encontram na posse da força militar que os derrotou, numa aventura que os levará a enfrentar um verdadeiro exército. Bando de Dois é o livro que relançou a aventura na banda desenhada no Brasil, num registo entre o romance do sertão e o western spaghetti.


Bando de Dois é a história de Tinhoso e de Caveira de Boi, os últimos dois sobreviventes de um bando de cangaceiros que foi massacrado pelos polícias da volante (como eram designadas as unidades de combate aos cangaceiros) do Major Honório, que corta as cabeças dos cangaceiros mortos e leva-as com ele como troféus. Depois de uma visão sobrenatural, Tinhoso decide partir em busca das cabeças dos seus companheiros, e começa aqui a grande aventura, no mais puro estilo western spaghetti, adaptado ao ambiente do sertão brasileiro. Os cangaceiros ocupam um lugar especial na história e no imaginário do Brasil. Misto de salteadores e guerrilheiros revolucionários, o "cangaço" começou como uma luta contra a precariedade da vida no sertão, contra a injustiça, a falta de trabalho e a falta de terras. Bandos de camponeses pobres erravam pelos sertões do nordeste brasileiro, roubando e assaltando as grandes fazendas dos proprietários ricos, e enfrentando as suas forças mercenárias, os célebres "jagunços", sempre com algum apoio e popularidade junto das populações mais pobres dessas áreas. O cangaço tornou-se num dos grandes temas da literatura de cordel no Brasil, e os cangaceiros muitas vezes eram mostrados como verdadeiros heróis. No final dos anos 1930, o presidente do Brasil, Getúlio Vargas, decidiu erradicar finalmente o cangaço, e empenhou as forças federais nessa luta. É este ambiente duro e violento, que Danilo Beyruth vai retratar com grande dinamismo e eficácia, e com alguma ponta de humor e espírito poético, em Bando de Dois.




3 comentários:

Luis disse...

Para mim, é sem dúvida a melhor colecção de sempre destas levas da levoir e público e semelhantes.

Basta dizer que hoje em dia compro muito pouca coisa e desta colecção apenas não comprei 4, 2 deles porque já tinha.

Apenas deixei de comprar um porque não me interessava e outro porque já tenho várias coisas e achei que não seria imprescindível.
Mas o segundo até o queria comprar, fiz foi um esforço por cortá-lo para reduzir custos e por causa do espaço (foi o do Cosey) :-).

É verdade que entretanto vendi o da "Louca.." que não gostei por aí além, e tenho à venda o Mr. Natural porque, ainda percebendo alguma coisa do enquadramento, objectivo e do humor, não me fez fã.

Agora, A viagem, O diário do meu pai, a Sharaz-de (e a Arte de voar que já tinha), são fantásticos, embora com virtudes diferentes (embora seja fácil encontrar semelhanças no sentimento que fica depois de ler a Arte de voar e o Diário do meu pai...), e ainda me falta ler Mort cinder e o Bando de Dois.

Por um lado isto é a BD que me puxa e gostava que houvesse muitas colecções novelas gráficas.
Por outro, não quero ir à falência e não tenho espaço!!!

Ah, e uma nota que para mim é mais a cereja no topo do bolo.
Tenho alguns números soltos (poucos) das outras colecções de super-heróis da Levoir, e aquilo causa-me uma comichão imensa ver os números salteados.
O facto de terem mantido as dimensões originais e não terem colocado números nas lombadas nem na capa, é de uma visão que merece ser saudada.

Então e este ano? Beja, ou não?

abraço

Luis

Nuno Neves disse...

Viva Luís, tudo bem contigo?

Em termos de leituras já vais bem mais adiantado do que eu. Dos que já li destaco o Tardi. Absolutamente fantástica a forma como ilustrou a estupidez humana. Cosey foi assim-assim e não apreciei o Betarraba do Miguel Rocha. Todos os restantes estão em espera. Falta-me tempo de qualidade para os ler. Mas concordo contigo, esta colecção foi de uma qualidade que não estávamos habituados. Que venham mais.

Este ano marco presença em Beja. Vou Sábado e regresso Domingo. Bebemos um copo? Abraço

Luis disse...

Epá, podemos beber 2 para comemorar o bicampeonato (ou como constava na SMS que o Jesus enviou ao Lopetegui: "Ganhiemos el bicarbonato"!!

Até dia 30.

Abraço

Luis

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