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28 dezembro, 2013

José Ortiz (1932-2013)


Foi com algum pesar que li a noticia acerca do falecimento do autor espanhol José Ortiz no passado dia 23 de Dezembro. Embora não sendo um daqueles autores com grande obra editada em Portugal, parte do que foi publicado por cá, com a sua assinatura, retenho ainda na memória. Já lá vão umas boas dezenas de anos, e na altura começava a ganhar um enorme fascino pelo Oeste americano. Primeiro na literatura e depois na banda desenhada.

A descoberta da série Grandes Mitos do Oeste, sobre persongens que preenchiam o meu imaginário, publicada nas primeiras páginas da colecção Pantera Negra (Agência Portuguesa de Revistas), com o desenho de Ortiz, num traço rude e pouco dado a pormenores, mas que emanava aquela violência tão característica do Oeste selvagem, ajudou a a consolidar o meu gosto pela temática do western na banda desenhada, anos antes da descoberta de Blueberry.

A colecção Pantera Negra é composta por apenas 10 revistas, publicadas entre Junho de 1977 e Março de 1978, e hoje aproveitei para reler as histórias de Ortiz, num total de cinco, dedicadas a Jim Bowie (Pantera Negra n.º 1), Wyatt Earp (Pantera Negra n.º 2), Billy The Kid (Pantera Negra n.º 3), Buffalo Bill (Pantera Negra n.º 8) e Butch Cassidy (Pantera Negra n.º 10). Ficou-me a faltar Jesse James (Jornal do Cuto n.º 183). Foi um agradável regresso ao passado.

E a melhor homenagem que posso aqui prestar a José Ortiz em forma de agradecimento pela sua arte, é recordar o seu desenho, publicando algumas das suas páginas sobre o Oeste americano, para quem ainda não conhece.

Jim Bowie

Billy The Kid

Wyatt Earp

Buffalo Bill

Butch Cassidy

10 março, 2012

Imagem do dia: RIP Jean Giraud (1938-2012)


É noticia hoje o falecimento aos 73 anos de Jean Giraud/Gir/Moebius, um dos mais talentosos e criativos autores da bd mundial. É ele o responsável pela definição dos novos cenários da ficção científica na banda desenhada, com a criação de universos fantásticos e delirantes. Para mim fica como o autor de uma das minhas séries de eleição, que é simultaneamente, um dos melhores westerns de sempre da banda desenhada: Tenente Blueberry. Adeus e um grande obrigado pela sua arte e pela sua partilha.
 

10 agosto, 2009

As minhas BD preferidas #8: Buddy Longway

Depois de alguns(!) meses (bem, na verdade passaram-se dois anos…) após a publicação do último texto relacionado, retomo agora uma das rubricas deste blogue, de BD’s preferidas, para escrever aqui sobre um western diferente daqueles que tradicionalmente estamos habituados a ler, onde invariavelmente a figura do cowboy se sobrepõe a todas as outras.

Falo de um western que nos dá uma visão da riqueza dos primeiros anos da conquista do Oeste americano. Dentro deste contexto os espaços abertos e livres são indissociáveis desses anos, pelo que o autor (neste caso, em simultâneo, argumentista e desenhador) Derib promove a apresentação de cenários onde a natureza em estado bruto e selvagem, seja a floresta, a montanha ou a planície, são a constante geradora da riqueza estética da história. Trata-se também de uma história de relações e sentimentos humanos entre culturas diferentes, donde sobressai a assumida admiração do autor pela tribo índia “sioux”. Na narrativa é visível a defesa do modo de vida índio, através da promoção da sua cultura e tradição, ainda que curiosamente as aventuras tenham como personagem principal um não-indio.

É assim que surge Buddy Longway - que dá o nome à série - a figura central de uma saga familiar por onde passam todas as linhas de força da narrativa. Longway é um caçador de peles e um explorador, que por opção vive de forma pacífica em harmonia com a natureza, numa área situada no estado do Missouri. Um dia salva uma jovem índia, Chinook de seu nome, da tribo “sioux”, com quem mais tarde vem a casar e constituir família. E é aqui que Derib rompe com convenções. É no dia-a-dia, no envelhecimento e no desfecho trágico desta relação familiar, que somos convidados pelo autor para ser leitores atentos desta série composta por um total de vinte álbuns.
Derib escreve argumentos simples e fluidos, utilizando referências típicas do Oeste americano para criar as suas aventuras. O desenho é vigoroso e bastante agradável, compondo por vezes planos bastante originais. Tudo isto contribui para um western bem estruturado, de leitura fácil, composto por personagens bastante humanas, sólidas e realistas quer seja pela opção do autor no envelhecimento destas, quer seja pelo destino final que o autor lhes reservou.

“Buddy Longway” em Portugal
As aventuras de Buddy Longway surgiram em Portugal através da revista Tintin, tendo a primeira aventura (“O Inimigo”) sido publicada entre Abril (#876) e Junho de 1976 (#904). Ao todo, foram publicadas através desta revista um total de nove aventuras da série. Encontram-se também registos de aventuras nas revistas Selecções Tintin e Mundo de Aventuras.

Em formato álbum, e até à data, encontram-se publicados nove aventuras, distribuídos por três editoras – Livraria Bertrand, Editorial Futura e Asa/Público (álbum duplo). Deixo então aqui a lista dos álbuns publicados em Portugal, respeitando a cronologia original:

1. Chinook, Livraria Bertrand, 1978
2. O Inimigo, Livraria Bertrand, 1978
3. Três Homens passaram, Livraria Bertrand, 1979
4. Sozinho, Livraria Bertrand, 1980
5. O Segredo, Livraria Bertrand, 1981
6. O Alce, Editorial Futura 1, 1988
7. O Inverno dos Cavalos, Editorial Futura 2, 1989
13. O Vento Selvagem, Asa/Público 11, 2009
14. O Manto Negro, Asa/Público 11, 2009

Sites relacionados:
- Buddy Longway [link]

23 julho, 2009

Lance

Photobucket

É indiscutível que o presente ano tem ficado marcado pelo lançamento de banda desenhada em português de grande qualidade. E é neste campo, que a obra de que a seguir vou falar merece um destaque especial.

A “obra” é a colecção integral, em formato grande, de “Lance”, um clássico das tiras de quadradinhos publicadas nos jornais americanos em meados da década de 50, da autoria de Warren Tufts (1925-1982) argumentista e desenhador da série. A edição em português é o fruto do trabalho do editor Manuel Caldas, que depois do seu afastamento do projecto Príncipe Valente (ler aqui e aqui) se propôs editar integralmente todas as pranchas dominicais, publicadas entre 1955 e 1960, devidamente restauradas. E é todo o trabalho de restauração das pranchas originais que dá um brilho especial a esta colecção. O segundo de quatro tomos previstos, da editora Libri Impress, acaba de chegar agora às bancas.

É verdade que esta personagem Lance, ou melhor, Lance Saint Lorne, tenente do 1º Regimento de Dragões da cavalaria do exército americano é praticamente um perfeito desconhecido entre nós, não obstante algumas das suas aventuras sido publicadas nas saudosas revistas “Cavaleiro Andante” e “Mundo de Aventuras” (eu próprio, apesar de eventualmente ter lido algumas das suas histórias, sobretudo no MA, a verdade é só aquando da publicação do primeiro álbum desta colecção, em 2007, é que retive o nome).

A série é um puro western clássico, que recria com mestria uma época histórica, a do inicio da conquista do Oeste americano em meados do século XIX. Num universo rico de referências, acompanhamos as aventuras de Lance, um corajoso e temerário tenente, na sua conduta como militar nas difíceis relações com os índios, nas suas relações de amizades e nos seus amores.

No primeiro álbum, que abrange as aventuras publicadas entre Junho de 1955 e Setembro de 1956, a narrativa decorre sempre debaixo de muita acção, sucedendo-se as situações de confronto. As histórias são contadas sob a forma de ilustração com o texto narrativo no rodapé da vinheta. Em termos de desenho, reflecte os melhores anos da colecção. ”Os primeiros dois anos de Lance revelam realmente um labor apaixonado” – prefácio do editor. O desenho beneficia bastante da história ter sido concebida para ocupar a totalidade de uma página inteira de jornal, inspirada no modelo do Príncipe Valente. É verdade que para o leitor, a acção parece algo estática, mas em compensação o desenho é um regalo para a vista. Com espaço e tempo (a periodicidade de publicação era semanal) Warren Tufts criou magníficas pranchas que deslumbram não só pelo traço elegante e extremamente realista de personagens e paisagens mas também pelas espantosas cores aplicadas.

No segundo álbum, que inclui o período Outubro de 1956 a Outubro de 1957, assistimos a desenvolvimentos na vida pessoal de Lance. Nesta edição, verifica-se a inclusão de tiras diárias (por opção do editor). Isto acontece porque Tufts, por pressão dos jornais, no inicio de 1957, viu-se obrigado a criar uma tira diária, a preto e branco, para além da habitual prancha dominical a cores. Ainda que as tiras permitam um maior desenvolvimento da narrativa, para além do facto do autor ter acrescentado balões para as falas das personagens, o que dita uma nova dinâmica na leitura, a verdade é que esta pressão ditou uma perda de qualidade nas pranchas dominicais. “O excesso de trabalho matara para sempre a paixão que animara Tufts até ao inicio de tira diária” – prefácio do editor.

Em resumo, manifesto aqui a minha admiração por esta magnífica colecção, que beneficia do selo de qualidade que o empenho e a paixão do editor Manuel Caldas imprime aos seus projectos. IMPERDÍVEL!

Lance
Autor: Warren Tufts
Volume 1 (de 4), cores, formato grande, capa mole
Editora: Livros de Papel, 1ª edição de Dezembro de 2007
Volume 2 (de 4), cores, formato grande, capa mole
Editora: Libri Impress, 1ª edição de Março de 2009

A minha nota:

27 fevereiro, 2009

Fort Wheeling



Numa passagem recente por uma feira do livro, adquiri a um “preço simpático” os dois tomos de “Fort Wheeling” da autoria de Hugo Pratt. O autor revela em obras como “Fort Wheeling” uma versatilidade em termos temáticos, por vezes, esquecida ou absorvida pelo enorme sucesso que Corto Maltese alcançou.

Nesta aventura, a acção remete-nos para uma América de colonos, na segunda metade do século XVIII, nos inícios da Guerra da Independência Americana, centrando-se a história na relação de amizade estabelecida entre dois jovens, Criss Kenton, um filho de colonos americanos e Patrick Fitzgerald, um aristocrata inglês emigrado, que se conhecem nos exércitos coloniais da coroa inglesa que combatiam as tribos índias, e que mais tarde durante a guerra da independência se vão encontrar em campos opostos do conflito.

A riqueza visual desta banda desenhada é dada pelas pranchas originais a preto e branco, que permitem, sobretudo no primeiro volume, apreciar o desenho simples de Pratt que beneficia de um jogo de sombras pouco dado a pormenores mas bastante eficaz. Tendo como fundo acontecimentos verídicos, a mistura de personagens reais (Lew Wetzel, Daniel Boone entre outros) e de ficção, sugere um trabalho aprofundado de pesquisa e de recolha de elementos por parte do autor italiano, que se vê expresso na densidade, variedade e riqueza da vasta galeria de personagens intervenientes na história, e que ajudam o leitor a perceber os ódios e as tensões latentes que culminaram na revolta dos índios contra os colonos, dos colonos contra os ingleses, dos ingleses contra os franceses.

Apesar da obra valer pelo seu todo, até pelo seu conteúdo histórico, o 1º volume encontra-se bastante mais conseguido do que o segundo. A própria estrutura narrativa seguida no primeiro volume não é mantida no segundo, e nota-se claramente que o desenho na parte final da história apresenta-se tosco, sem o rigor e vigor do traço inicial. Também a conclusão final da própria história pareceu-me algo insípida… mesmo inconclusiva, talvez a merecer um melhor desfecho.

Apesar de tudo, trata-se de uma boa bd de Hugo Pratt que merece uma leitura, não só pelos valores que transmite mas também pela particularidade de simultaneamente versar sobre um período histórico, que foi a guerra da independência dos Estados Unidos.

Fort Wheeling
Autor(es): Hugo PRATT, desenho e argumento
Tomo 1 e 2, Preto e Branco, Capa Dura
Editora Asa, 1ª Edição de Novembro de 2002

A minha nota:

17 dezembro, 2008

Leitura: As Aventuras de Lucky Luke segundo Morris

Lucky Luke no Quebeque

Começou aqui o ressuscitar do “cowboy que dispara mais rápido do que a sua própria sombra” depois da morte do seu autor. Nesta nova era pós–Morris, a dupla Achdé-Gerra começa muito bem com este Lucky Luke no Quebeque e recupera, com grande qualidade, esta personagem, não só ao nível do desenho, que mantêm a qualidade e onde a introdução de diversidade e detalhe dos elementos não só não desvirtua a matriz do desenho original como o enriquece, mas também ao nível do argumento, com uma narrativa bastante movimentada e bem-humorada com o uso e abuso de anacronismos e palavras de duplo sentido, tão ao gosto de Goscinny e a introdução de um rol de novas personagens. Indubitavelmente, faz-se sentir a diferença e a marca pessoal desta dupla neste novo ciclo.

Na história deste primeiro álbum, o nosso herói viaja até ao Canadá, inicialmente atrás de um perigoso fora-da-lei e depois por causa da paixão de Jolly Jumper por uma linda égua de seu nome Província. Os trocadilhos começam logo aqui, porque o título original do álbum “La Belle Province” revela logo um duplo sentido, porque tanto se refere à bela égua como ao território francófono Quebeque onde toda a acção se desenrola. E desde logo ficam abertas as portas para uma sucessão de deliciosas referências “francesas” e divertidos anacronismos, donde destaco as personagens miss Céline, famosa cantora canadiana, em formato “bardo”, que depois desaparecerá num naufrágio de um conhecido transatlântico em 1912, ou Joshua Bové, um agricultor quebequense que se manifesta furiosamente contra a instalação da cadeia de pronto-a-comer(!) MacHabann ou ainda o caixeiro viajante Bernard Henry Levi Strauss, que se dedica á venda de roupa.

Se a esta injecção de humor inteligente, disser que a aventura encontra-se recheada dos tradicionais duelos e lutas de saloon, posso afirmar que se está perante uma excelente história e um óptimo (re)começo de uma série, que a avaliar por este primeiro álbum, julgo estar muito boas mãos.

Edição ASA, 1ª edição de Outubro de 2004

A minha nota:



O Nó ou a Forca

O segundo álbum da colecção “As Aventuras de Lucky Luke segundo Morris”, revela logo no título um excelente jogo de palavras que faz uma analogia entre o nó da forca e a instituição “casamento”. E o que aparentemente parece ser de escolha óbvia – opção entre casar ou morrer enforcado – vêm-se a revelar, de uma forma bastante bem humorada como a pior das decisões. É desta forma que o álbum O Nó ou a Forca recupera, de forma inteligente, os irmãos Dalton – que cumpriam uma pena de 387 anos de cadeia - dando-lhes o papel central numa original e bem divertida aventura.

Para fazer face ao excesso de lotação das prisões, a pena de prisão dos irmãos Dalton foi comutada em pena de morte por enforcamento. Mas uma quase desconhecida lei datada de 1858, permite que esta sentença seja comutada em casamento para toda a vida e começa assim o "inferno" para três dos irmãos Dalton, porque as únicas mulheres que aceitaram casar foram as filhas do grande chefe índio dos “cabeças chatas”. E os costumes índios são para se respeitar, incluindo mesmo a celebração do grande banquete (uma tradição em todas as tribos irredutíveis) numa clara homenagem dos autores a Goscinny. Com o desenvolvimento da história, percebemos que afinal por detrás destes casamentos havia segunda intenções.

Uma história encontra-se bem estruturada, com uma excelente dinâmica e momentos de humor muito bem conseguidos, não só no dia-a-dia da nova vida “índia" dos Dalton como também na execução do plano de ataque índio ao deus todo-poderoso do homem branco: o dólar que tem como consequência a primeira greve(!) da história. O desenho de Achdé mostra-se irrepreensível e está tudo dito!

Pela originalidade da história e a pela sucessão de gags protagonizados pelos Dalton, que me deram tanto prazer a ler, dou nota máxima a esta aventura!

Edição ASA, 1ª edição de Junho de 2007

A minha nota:



O Homem de Washington

No terceiro e mais recente álbum de Lucky Luke, O Homem de Washington, as ultimas eleições presidências norte-americanas revelaram uma fonte de inspiração para a dupla Achdé-Gerra, que aproveitaram para nos dar uma visão bastante satírica do mundo da política.

A história deste álbum centra-se em torno do candidato presidencial republicano Rutherford Birchard Hayes (sendo verídico que foi o 19º presidente americano) que decide fazer campanha eleitoral no Oeste selvagem, sendo confiada a Lucky Luke a responsabilidade pela sua protecção. Assim, acompanhamos o nosso herói na sua complicada missão, ao mesmo tempo que tenta revelar quem está por detrás de uma conspiração que visa atentar contra a vida do candidato, numa bastante atribulada viagem pela América selvagem.

Ao longo da aventura, somos brindados com inúmeras referências, cujas algumas semelhanças com a nossa actualidade, são certamente felizes e divertidas coincidências. Sem esquecer de personagens do passado como o hilariante Billy the Kid, o universo de personagens secundários de Gerra continua a aumentar, a começar por Perry Camby, um autoproclamado candidato republicano, cujo pai fez fortuna com o petróleo e curiosamente se mostra bastante parecido com um tal de George W. Bush, ou Sam Palin, o presidente da “Nacional Rifle Associaton” que defende o direito de cada americano possuir um colt, cujo nome traz algumas semelhanças com uma ex-candidata presidencial a vice-presidente ou ainda miss Britney Schpires, uma cantora de can-can. Ainda assistimos à queda do muro de Berlim (de um forma literal fruto de um excelente trocadilho) e à consagração da cidade de Memphis com a cidade da música, onde não falta o Elvis, e onde o candidato tem uma afirmação profética, ao prever “que um dia haverá um candidato negro às eleições presidenciais americanas”.

Ainda que tenha gostado mais dos álbuns que o antecederam, este “O Homem de Washington” revela assim uma visão actual e critica bem-humorada de leitura bastante agradável.

Edição ASA, 1ª edição de Dezembro de 2008

A minha nota:

26 maio, 2008

A colecção "Blueberry", pelo Público

Conforme já havia referido no post anterior, é já no próximo dia 4 de Junho, que o jornal Público em colaboração com a editora ASA, dará inicio à colecção "Blueberry". Todas as Quartas-feiras, ao longo de 18 semanas, serão publicados os álbuns da melhor banda desenhada alguma vez feita sobre o Oeste americano, pelo preço unitário de € 5,90.

Logo à partida, umas das mais-valias desta colecção é a publicação, logo no 1º volume, de uma historia inédita em Portugal. Trata-se de "Apaches" (ver imagem ao lado), um álbum fora da colecção, dedicado ao chefe índio Gerónimo, que inclui além de pranchas inéditas, a história completa de quando Blueberry o conheceu, e que já nos tinha sido dado a conhecer, em flashbacks durante o arco "Tombstone".

De destacar também, finalmente a re-publicação de alguns álbuns à muito esgotados, nomeadamente os nºs 13, 14 e 15 desta nova colecção, e que andavam a ser vendidos a preços de um barril de petróleo (passe o exagero!)


Assim, para os (muitos, espero eu) interessados deixo aqui o calendário completo da colecção:



E para quem quiser conhecer melhor esta magnifica colecção, deixo aqui também o excelente site oficial (em francês).

Boas leituras!

24 julho, 2006

Leitura: Mister Blueberry - Dust

Três anos após o último álbum publicado em Portugal pela extinta Meribérica, Blueberry está de regresso ao mercado nacional. O novo álbum, “Dust”, agora sob a chancela da editora ASA, constitui o 28º título (devidamente assinalado na lombada) da série.

Escrito e desenhado por Jean Giraud, este álbum vem encerrar o ciclo “Mister Blueberry” (ver “Mister Blueberry”, “Sombras sobre Tombstone”, “Gerónimo, O Apache” e “OK Corral”). A acção desenrola-se em Outubro de 1881, na cidade de Tombstone, onde encontramos Blueberry a recuperar dos graves ferimentos que sofreu após ter sido alvejado pelas costas (ver álbum "Mister Blueberry"). O relato final das suas histórias ao escritor Campbell, incluindo o episódio que dá o nome ao álbum, bem como as situações que se desenrolam nos intervalos desta narrativa, confirmam a singular natureza deste herói. Entretanto, toda a sucessão de acontecimentos e histórias desencontradas ocorridas anteriormente têm agora aqui o seu desenlace final. O autor, com mestria, aproveitou e soube enquadrar na trama, o histórico duelo em "OK Corral", que opôs os irmãos Earp/Doc Holliday aos irmãos Clanton/McLaury, melhorando um argumento que por si só já é rico por natureza, tal as histórias e a singularidade das suas personagens. No final, assistimos ao renascimento de Blueberry, “teso mas vivo”, nas suas palavras, e preparado para novas aventuras.

Toda a narrativa de “Dust” encontra-se bem estruturada, que conjugada com a perfeição do desenho consegue transmitir uma sensação de movimento ao leitor, que facilmente o cativa, no entanto, não posso deixar de recomendar uma leitura prévia dos álbuns que o antecedem para um refrescar de memória e/ou melhor entendimento da história. Aconselho os saldos da FNAC, onde se podem comprar os álbuns anteriores com preço a partir de €2,90.

Dust” marca o regresso de uma excelente BD ao mercado nacional, e quando se trata provavelmente do melhor "western" em banda desenhada do mundo (desculpem a minha parcialidade), a recomendação que deixo é que é de LEITURA OBRIGATÓRIA. Por todos os motivos, considero-a a edição do ano!

A minha nota:

Edição: ASA, 1º edição de Maio de 2006.

26 novembro, 2005

As minhas BD preferidas #1: Tenente Blueberry

Muito naturalmente. Desde miúdo que as historias do Oeste Americano sempre me fascinaram. E o formato em banda desenhada ocupou sempre um lugar de destaque. Mas a leitura da aventura de “Forte Navajo” (publicada pela primeira vez na revista Pilote n.º 210, em 31 de Outubro de 1963) e dos álbuns seguintes marcaram desde logo a série Blueberry como a minha banda desenhada preferida. Considero não existir melhor. Prova disso são os trinta e sete mais um (tenho o “Chihuahua Pearl” na versão francesa, apenas porque o desenho da capa nesta edição, diferente na versão portuguesa, é simplesmente espantoso!) álbuns da minha colecção, publicados pela Meribérica-Liber, orgulhosamente arrumados na prateleira.

Os excelentes textos e desenhos de Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, respectivamente, transportam-nos para um Oeste selvagem, que se estende desde das pradarias dos Estados Unidos até ao Novo México, admiravelmente recriado em todo seu ambiente e paisagens, com todas as sua referências, algumas históricas, tais como a Guerra da Secessão ou a construção do Caminho de Ferro Transcontinental, onde se cruzam personagens cheias de vida (Jimmy Mcclure ou Chihuahua Pearl, entre outras) com personagens reais (Cochise ou Wyatt Earp, entre outros) onde Mike S. Donovan a.k.a. Mike Steve Blueberry a.k.a. Mike Blueberry, acusado de um crime que não cometeu, se torna tenente das fileiras do exército americano, e assume o papeis de anti-herói, defensor de causas, renegado, jogador e pistoleiro. O protagonista principal dá mesmo o seu nome ao título principal da série, a qual se designa de forma genérica como “Uma Aventura do Tenente Blueberry”.

O sucesso e a evolução da própria narrativa justificou que surgissem novos títulos complementares, onde se desenvolveram novas linhas de acção. Assim surgiu a segunda série “Tenente Blueberry” ainda da dupla Charlier/Giraud que permitiu o início de um novo ciclo com o título “Nariz Partido” mas cujo falecimento de Charlier em 1989 veio interromper; a série “Mister Blueberry” escrita e desenhada apenas por Giraud, que nos álbuns já publicados nos mostra um Blueberry mais velho e cansado, a viver tranquilamente a vida como jogador profissional, cuja acção decorre em Tombstone, local onde ocorreu um dos episódios mais míticos do velho oeste: o duelo em O.K. Corral; a série “A Juventude de Blueberry” de Charlier/Giraud e continuada por Cortegianni/Wilson, que desenvolve o passado de Blueberry e finalmente a série “Marshal Blueberry” de Giraud, onde encontramos Blueberry a assumir as suas funções de Marshal interino numa pequena cidade fronteiriça chamada Heaven.

"Blueberry" em Portugal

Em Portugal, podemos encontrar as aventuras de Blueberry, em formato de revista, nas seguintes publicações: Tintin, Flecha 2000, Flecha 2000 (Diário Popular), Jornal da BD, Selecções BD, Selecções BD (2ª série) e Clássicos da Banda Desenhada (Correio da Manhã).

Em formato de álbum, a Editorial Íbis (inactiva) começou por publicar em 1969, os dois primeiros álbuns da colecção: "Forte Navajo" e "Tempestade no Oeste". Infelizmente ficou-se por aqui.

Mais tarde, a desaparecida editora Meribérica-Liber pegou no título e publicou 37 álbuns no periodo compreendido entre 1991 e 2003 (o último album publicado foi "O.K. Corral"). No entanto, a série “A Juventude de Blueberry” encontra-se incompleta, uma vez que a editora não respeitou a cronologia da história. Os álbuns publicados foram os seguintes:

"Blueberry" (Primeira Série)
- Forte Navajo
- Tempestade no Oeste
- A Águia Solitária
- O Cavaleiro Perdido
- A Pista dos Navajos
- O Homem da Estrela de Prata
- O Cavalo de Ferro
- O Homem do Punho de Aço
- A Pista dos Sioux
- O General Cabeça Amarela
- A Mina do Alemão Perdido
- O Espectro das Balas de Ouro
- Chihuahua Pearl
- O Homem que Valia $500.000
- Balada Para um Caixão
- O Fora-da-Lei
- Angel Face
- Mister Blueberry
- Sombras sobre Tombstone
- Gerónimo, o Apache
- OK Corral

"Blueberry" (Segunda Série)
- Nariz Partido
- A Longa Marcha
- A Tribo Fantasma
- A Última Cartada
- O Fim da Pista
- Arizona Love

Série "Marshal Blueberry"
- À Ordem de Washington
- Missão Sherman
- Fronteira Sangrenta

Série "A Juventude de Blueberry"
- A Juventude de Blueberry
- Um Ianque Chamado Blueberry
- Os Demónios do Missouri
- Terror no Kansas
- O Raid Infernal
- Perseguição Implacável
- Três Homens para Atlanta


Actualmente, com a falência da Meribérica (anterior detentora dos direitos de publicação) existe um vazio relativamente a este título, desconhecendo-se mesmo a quem pertencem actualmente os direitos ou se os mesmos se encontram negociados para Portugal. Com esta indefinição, resta reler as aventuras de Blueberry já publicadas e aguardar com esperança que alguma editora portuguesa, continue a publicar esta excelente colecção.

(actualização em 26/08/2006)
A editora ASA editou em Julho deste ano, o 28º album da série "Blueberry". O novo album "DUST" vem encerrar o ciclo "Mister Blueberry". Esta é um excelente noticia, dado que ficam assegurados os direitos de publicação para Portugal daquela que é provavelmente a melhor banda desenhada da escola franco-belga.

Sites de consulta:
- Site oficial de Blueberry [link]
- Site oficial de Jean-Michel Charlier [link]
- Blueberry em Portugal [link]

21 setembro, 2005

Jonah Hex está de volta!

Ora aqui está uma boa noticia. A editora americana DC anunciou (e disponibiliza algumas imagens) que vai voltar a publicar Jonah Hex, com os argumentos escritos por Jimmy Palmiotti e Justin Grey e desenhos do brasileiro Luke Ross.
A acção passa-se no Oeste americano e Jonah Hex é um antigo tenente do exército sulista, que acabada a guerra, vive como pistoleiro e caçador de recompensas no velho Oeste. identifica-se pelo seu rosto bastante desfigurado e pelo seu peculiar sentido de justiça. Nesta primeira aventura, Hex é contratado por um milionário para resgatar o filho que foi raptado.
Jonah Hex #1 tem uma capa de Frank Quitely e sai em Novembro.
Fico satisfeito com esta notícia. Lembro-me de ler as aventuras deste anti-heroi quando era mais novo, apesar de já não conseguir identificar em que publicação. Salvo erro, era uma edição portuguesa. Mas adiante. Agora aguardo pelas novas aventuras, em edição americana.
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