Detalhe da exposição "O Decalogo"
Os baús dos autores portugueses
Brandoa (Amadora) é neste momento a capital da bd em Portugal. A primeira nota vai para o novo espaço, o Fórum Luís de Camões. Interiormente, finalmente um sítio que dispõe das condições mínimas exigíveis para um festival deste gabarito, espaços amplos de fácil circulação, arejados e bem iluminados, boa localização das zonas comerciais/autógrafos. Exteriormente, a localização não me parece ser das melhores. Para quem não se deslocar em automóvel, chegar ao festival não é tarefa fácil, principalmente se tiver a chover. Parece que a organização iria colocar à disposição dos visitantes um vai-vém para assegurar a ligação entre o Fórum e as estações de metro da Falagueira, Alfornelos e a estação de comboios da Reboleira. Confesso que não se já está a funcionar.
A poucos dias do início do 17º FIBDA, já se encontra disponível o programa dos lançamentos a decorrer durante o festival. O maior destaque vai para o (re)nascimento da editora Devir, que após uma longa ausência regressa com dois lançamentos agendados:
É o nome de um novo blogue de banda desenhada, que prima pela originalidade pelo facto de, tal como o nome indica, só tratar exclusivamente de Tex Willer, uma personagem do western americano, que apareceu pela primeira vez em 1948, pela dupla italiana Giovanni Luigi Bonelli (argumento) e Aurelio Gallepini (desenho).
Já aqui foi referido o lançamento oficial do trailer de "300". Na sequência desse lançamento houve quem se desse ao trabalho de fazer uma comparação entre o desenho original da bd e algumas das cenas do filme. O resultado é que o filme promete ser uma obra-prima da banda desenhada. É simplesmente espantoso e pode ser apreciado aqui.
O assunto já não novo e os rumores são tema de discussão em fóruns da internet. Na sua edição de hoje, o semanário SOL revela numa pequena notícia, que o novo projecto chama-se BdMania e é uma extensão, como editora, da loja de bd já existente em Lisboa e Coimbra. Refere ainda que as primeiras apostas vão para os super-herois da Marvel, não identificados, e para o anti-heroi Groo, do autor espanhol Sérgio Aragonês.
"O 17º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora (FIBDA), que começa dia 20, vai privilegiar as «periferias» da nona arte, afirmou hoje o director do FIBDA, Nelson Dona.
Comecei hoje uma relação de colaboração com o portal BDesenhada.com. Para além de continuar com as "notas", serei também o responsável pela coluna editorial “O Estado da Arte”, onde escreverei crónicas sobre o panorama bedéfilo português. Acredito que matéria não me faltará, só espero que inspiração e tempo também não.
Ontem no cinema, hoje em dvd. Talvez um dos filmes do ano, mas seguramente um dos melhores que vi este ano, “Uma História de Violência” de David Cronenberg, baseado na graphic novel “A History of Violence” de John Wagner (argumento) e Vince Locke (arte), já se encontra disponível em venda directa.
Já se encontra disponível aqui o trailer oficial do filme “300”, a história de um grupo de trezentos guerreiros espartanos que enfrentaram o poderoso exército da Pérsia, composto por mais de 250.000 homens, na batalha do desfiladeiro das Termópilas, numa fiel adaptação da obra de banda desenhada do autor Frank Miller.
Entre todas as peças que compõem uma colecção, hás sempre uma quer seja pelo seu valor monetário ou sentimental, o coleccionador considera como sendo a sua Jóia da Coroa. Pode-se definir como aquela que em caso de incêndio é a primeira a ser salva. A minha chegou esta semana pelo correio.
Durante todas as Segundas-Feiras do próximo mês de Outubro, o semanário AutoSport vai publicar cinco novos álbuns das aventuras de Michel Vaillant, famoso herói da banda desenhada franco-belga, criado em 1957, por Jean Graton. Assim, de 2 a 30 de Outubro, com o jornal, cada álbum custará a módica quantia de € 4,90.
Alguns dias depois de aqui ter escrito sobre o Fantasma, tive a sorte de comprar num leilão on-line, um álbum (ver imagem) que relata a infância do herói (argumento de Lee Falk e desenhos de Wilson McCoy). A história que nos mostra a educação do Fantasma e o seu primeiro encontro com Diana Palmer, embora cronologicamente seja a primeira aventura do Fantasma, é narrada no presente, em jeito de flash-back.
Já se encontra disponível em dvd, o filme “V de Vingança”, a adaptação da graphic novel “V for Vendetta” de Alan Moore (argumento) e David Lloyd (desenho), realizado por James Mcteigue, com Natalie Portman/”Evey” e Hugo Weaving/”V” nos principais papéis.
O FIBDA já abriu as inscrições para os concursos de banda desenhada e de cartoon da edição deste ano. O tema definido para os concursos é: "Um Olhar sobre o Resto do Mundo", tendo em conta que o tema deste ano do FIBDA "17 Graus Periféricos e o Resto do Mundo" quer dar a conhecer autores inéditos ou pouco conhecidos na Europa.
De volta aos clássicos, desta vez para falar de uma das mais extraordinárias bandas desenhadas que conheço. O Fantasma, criação imortal do autor americano Lee Falk (1911-1999), foi uma personagem inovadora, por ter sido o primeiro herói a apresentar-se com uma identidade secreta, inaugurando assim a longa tradição na bd americana dos heróis mascarados. A história do Fantasma é, na realidade, a saga de uma família, que de geração em geração, através de um juramento (da caveira), renova a promessa de dedicar a sua vida a combater o mal.
O ambiente natural do Fantasma é a região selvagem onde vive. Aqui desenrola-se a maior parte das suas aventuras. No coração da selva, vive numa gruta em forma de caveira. Numa das salas guarda os registos escritos em forma de crónicas das várias gerações e noutra, a sala do Tesouro, encontra-se cheia objectos históricos recolhidos ao longo dos tempos por vários Fantasmas. Depois, existem ainda lugares exóticos como a espantosa praia dourada de Keela Wee com as suas areias de ouro ou a extraordinária Ilha de Éden, onde animais selvagens convivem amistosamente com monstros pré-históricos.
Rezam as crónicas que o primeiro Fantasma foi Sir Christopher Standish, filho de um antigo marinheiro da frota de Cristóvão Colombo. No século XVI, numa das viagens, o navio que o seu pai era comandante, foi atacado por piratas Singh ao largo da costa de Bengala, país imaginário situado algures no continente africano, sendo o jovem Kit (diminutivo de Christopher) o único sobrevivente. Socorrido pelos pigmeus Bandar da selva africana, faz pela primeira vez o juramento, sobre a caveira do assassino de seu pai, dando assim origem à linhagem do Fantasma. Desde então, os habitantes da selva (excepto os pigmeus Bandar) acreditam que ele seja eterno, quando na verdade o actual Fantasma pertence à 21º geração.
Além da máscara, que nunca tira, e do trajo (curiosamente, o seu autor tinha previsto um trajo cinzento, mas quando a primeira edição a cores foi impressa, em 1939, por problemas na gráfica, a cor que saiu foi roxa, e assim foi mantida), Lee Falk dotou este herói de outros símbolos. O símbolo do Fantasma é uma caveira. Para além da já referida gruta da caveira, usa na sua mão direita o anel da caveira ou a marca do mal, utilizado frequentemente para marcar a face dos seus inimigos, quando utiliza os punhos; na mão esquerda, usa outro anel, cujo símbolo significa a marca do bem, que garante a quem usar que estará sempre sob sua protecção.
No ano em se comemora os 70 anos da sua primeira publicação, a editora brasileira Opera Graphica aproveitou para lançar uma edição comemorativa, "O Fantasma - Sempre aos Domingos", que reúne todas as histórias do Fantasma escritas por Lee Falk e desenhadas por Ray Moore, que foram publicadas originalmente entre Maio de 1939 e Outubro de 1942, cuja capa reproduzo aqui ao lado. Um autêntico tesouro!
Maurício de Sousa, o mais conhecido autor de banda desenhada brasileiro, que recentemente se mudou de “armas e bagagens” para a PANINI, editora que ganhou assim a exclusividade para Portugal e Brasil (a partir de 1 de Janeiro de 2007) das revistas da TURMA da MÓNICA, é um dos autores cuja presença já está confirmada para a edição deste ano do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Depois da sua passagem pelo Festival em 2003, Maurício de Sousa certamente não deixará de aproveitar esta ocasião para nos apresentar a sua nova personagem, o Ronaldinho, inspirada no famoso jogador do Barcelona, com o mesmo nome.
Em “Superman Returns” o sabor da frustração começa logo com as cores do novo uniforme do Super-Homem. O vermelho dá lugar a um bordeuax, que visualmente desbota. Há cores que não se mudam. Depois temos um argumento fraco, básico, sem desenvolvimento e por vezes sem nexo, cheio de personagens secundárias inúteis (Martha Kent, Jimmy Olsen ou Richard White) e nem os salpicos de uns bons efeitos especiais se mostram suficientes para justificar a expectativa que este “regresso” criou. Três ou quatro bons momentos no filme não são suficientes. Aliás nem se percebe porque que o filme tem a duração de duas horas e meia, quando não afinal não há muita história para contar. Está bem que houve a necessidade de recuperar o herói e criar condições para as sequelas, mas também é verdade que Bryan Singer já nos habituou a muito melhor e tinha a “obrigação” de cumprir. Afinal tem o talento, havia os meios e o Super-Homem tinha o potencial. Infelizmente falhou. Ao nível dos actores principais cumpririam com o exigido, tendo pessoalmente gostado da interpretação de Kevin Spacey como Lex Luthor. Mas isto sou eu que sempre gostei dos vilões.


Chegado o mês de Agosto, torna-se normal a ausência de novidades em matéria de banda desenhada, pelo que a principal noticia nos tempos que correm, é mesmo o regresso do Super-Homem .....mas no cinema.
Para além de todo o marketing associado ao filme, a DC Comics aproveitou a ocasião para fazer o lançamento de quatro edições especiais "Superman Returns" (uma por personagem), escritas por Bryan Singer, que servem de lançamento do filme, e basicamente fazem a ligação entre o final de “Super-Homem 2” e o este novo filme, contando ao que se passou durante a ausência do Super-Homem. “Krypton to Earth”, “Ma Kent”, “Lex Luthor” e “Lois Lane” são os títulos desta colecção, existindo ainda uma "quinta edição", totalmente digital, que pode ser lida aqui.
Três anos após o último álbum publicado em Portugal pela extinta Meribérica, Blueberry está de regresso ao mercado nacional. O novo álbum, “Dust”, agora sob a chancela da editora ASA, constitui o 28º título (devidamente assinalado na lombada) da série.
Depois de escolhido o tema para a edição deste ano, chegou agora a vez das instalações. Assim, após dois anos na estação de Metro da Falagueira, local que não deixa saudades, a 17ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora, a decorrer entre os dias 20 de Outubro e 5 de Novembro, vai mudar mais uma vez de casa, transferindo-se para o novo Fórum Luís de Camões, localizado na freguesia da Brandoa.
Acabei de receber e ler as “24h Volta a Portugal em BD”, uma iniciativa inédita da responsabilidade das edições DrMakete, que através de um original desafio lançado a autores portugueses, conseguiu reunir vários estilos e tendências do panorama da BD portuguesa. O resultado foi um livro de Banda Desenhada com 24 histórias diferentes, em 24 horas em 24 locais diferentes.
Chega agora ás bancas e chama-se HL Comix. “O HL deriva de herpes labial que quando se apanha é para a vida e assim espero que o mesmo aconteça com a HL Comix”. É assim que é anunciada pelo seu autor (Derradé) esta loucura: uma revista de BD, Humor e Cultura Alternativa. Convenhamos que não deixa de ter uma certa razão, afinal estamos a falar de uma revista portuguesa de bd. Assim, bimestralmente, nas bancas de todo o país, são 36 páginas b&w e capa a cores por apenas 2 €. Caem bem estas iniciativas, nem que sirvam para abanar as “águas estagnadas” do panorama bedéfilo português. Ao novo projecto em prol da banda desenhada, os votos de maior sucesso! Amanhã já vou ver se a descubro numa banca perto de mim!
Era uma vez uma criança e o seu tigre de peluche. Poderia ser este o início para uma das mais divertidas histórias em tiras de banda desenhada que alguma vez li (e continuo a reler). A criança chama-se Calvin e têm 6 anos e o seu companheiro é um tigre de peluche chamado Hobbes e as suas aventuras imaginárias têm a extraordinária capacidade de sintetizar toda a lógica de um universo infantil, bem construído onde não falta nenhuma das suas referências, desde dos pais até à professora, passando pela ama e pelos colegas da escola, desde dos monstros debaixo da cama, até às naves espaciais, passando pelos dinossauros e pelas viagens no tempo, onde as todas as situações são possíveis e a filosofia infantil prevalece. É um universo com que facilmente nos identificamos, que nos contagia, delicia e principalmente nos faz rir.
Todo este trabalho é fruto do génio de Bill Watterson, um desenhador americano avesso a entrevistas e fotografias, onde o desenhos e os diálogos são o reflexo perfeito, em forma de humor, dessa mistura inocente de sentimentos que é a infância. Uma das principais características que mostra a genialidade do autor, é o pormenor das expressões faciais das várias personagens quando confrontados com as variadas situações. Simplesmente delicioso!
Infelizmente, Bill Watterson deixou de desenhar as histórias de "Calvin & Hobbes" em 1996, na sequência de desentendimentos com a editora, detentora dos direitos de publicação da sua obra, tendo a última tira inédita sido publicada em 31 de Dezembro de 1995. Apesar disso, as aventuras de "Calvin & Hobbes" continuam ainda a ser publicadas e republicadas em jornais de todo o mundo, sendo que em Portugal, as tiras diárias destas personagens são asseguradas pelo jornal “Público”, desde do seu inicio.
Maio. Este mês o BDjornal não sai para as bancas. Com a publicação do seu n.º 12 no mês de Abril de 2006, o BDjornal fez um ano de existência. Atente-se que se trata de uma publicação que só trata de Banda Desenhada, pelo que a sua duração foi um feito notável. Nas palavras do seu director Jorge Machado-Dias, irá agora sofrer uma necessária reestruturação, visível a partir do n.º 13 que sairá em apenas em Junho. O jornal reduzirá o seu formato, aumentará o número de páginas, de 32 para 48, das quais 16 a cores, passará (temporariamente) de mensal a bimestral e o preço subirá de €2,00 para €3,00.