14 agosto, 2008

A Casta dos Metabarões / Castaka

A recente reedição da magnífica série de ficção-cientifica da bd franco belga, “A Casta dos Metabarões” é talvez uma das melhores apostas da editora VitaminaBD. Com a publicação deste primeiro volume e a promessa de publicação da série completa (em mais dois volumes), teremos finalmente editada em português a saga completa dos Metabarões, depois da falência da Meribérica, editora que apenas publicou os cinco primeiros álbuns.

A série centra-se na história da linhagem do Metabarão, uma personagem do universo do "Incal", criada por Jodorowsky e Moebius, pertencente a uma casta de guerreiros espaciais com um código de honra muito rígido. O primeiro volume desta colecção, compreende os três primeiros álbuns da série, a história começa por recuar ao tempo de Othon, o trisavô do actual Metabarão, onde um pequeno incidente que revelará o segredo de família do clã Castaka, desencadeia uma sucessão de acontecimentos que levará á origem da casta dos Metabarões, os guerreiros supremos. No segundo álbum, conheceremos Honorata, a trisavó, uma personagem cuja força interior se revelará decisiva para asseguar a descendência de Othon e finalmente no terceiro álbum, com Aghnar, o bisavô, assistiremos ao começo da tradição do brutal ritual de iniciação de um Metabarão.

Com a assinatura de Alexandro Jodorowsky, talvez num dos seus melhores trabalhos (apesar de eu tambem ser grande apreciador da série "Bouncer"), acompanhada do desenho fantástico e irrepreensível de Juan Gimenez, a leitura dos "Metabarões" depressa se torna viciante, talvez influenciada pela tragédia que acompanha cada geração ou pelo ambiente tecnológico e futurista de ficção-cientifica onde decorre a acção ou então por ambos.

O único senão talvez desta colecção, é na minha opinião, a opção da editora pela edição em formato pouco maior que o comic americano em preterição do merecido formato franco-belga. Não obstante o factor económico associado e as vantagens que daí advêm – cada volume inclui três álbuns e é vendido pelo preço de um - considero que o conteúdo excepcional deste clássico da BD se encontra diminuído neste formato de edição, e é talvez o único ponto negativo desta colecção, mas não o suficiente para não deixar de atribuir a nota máxima.


A minha nota:

Edição:VitaminaBD, 1ª edição de Dezembro de 2007



Anteriormente, a VitaminhaBD já havia editado no devido formato franco-belga, o álbum "Castaka" que situa a história antes dos acontecimentos narrados no primeiro volume da "Casta dos Metabarões". Funcionando como uma prequela, este primeiro álbum centra a sua história em Dayal, o primeiro antepassado, fundador da casta dos Castakas.

Não alcançando a profundidade dos "Metabarões", Jodorowsky consegue mesmo assim criar uma outra linha narrativa, sem se repetir se sem desvirtuar, continuando a cativar o leitor, não obstante a colaboração no desenho do espanhol Das Pastoras, dono de um traço dificil de assimilar, principalmente se o compararmos com o argentino Juan Gimenez, desenhador dos "Metabarões".

Só uma chamada de atenção para o erro existente na primeia vinheta do lado esquerdo inferior da página 10, onde o texto troca as cores dos clãs. Segundo o responsável da VitaminaBD, o erro já vem da edição original e infelizmente não foi detectado na tradução para a versão portuguesa.





A minha nota:

Edição:VitaminaBD, 1ª edição de Dezembro de 2007

Revelações

O livro "Revelações" de Paul Jenkins e Humberto Ramos, editado recentemente pela BDMania, vale mais pela expectativa do que pelo conteúdo. Confuso? Passo a explicar. A historia conta-nos uma terrível conspiração que toma forma nos corredores do Vaticano, envolvendo adoradores do Diabo, a sucessão do Papa e um Quarto Segredo de Fátima. Parecia prometedor. Logo no inicio o assassinato de um Cardeal é o pretexto para a entrada em cena, da personagem principal, o (jovem?) detective inglês Charlie Northern, cujo cepticismo e desconfiança serão postos à prova e necessários no salto de fé para a descoberta da verdade.

O argumento que prometia torna-se entretanto confuso com o desenvolvimento da conjectura e perde-se o rumo para um final que, ao contrário do que dizia o poeta, não se entranha, estranha-se. Esperava (eu) mais certezas e menos abstracções! Os apreciadores da arte de Humberto Ramos, ainda encontrarão motivos suficientes para valorizar este livro, o que manifestamente não é o meu caso. Talvez seja do desenho, talvez seja da cor, não sei, sei que não gostei!




Revelações
Autores: Paul Jenkins e Humberto Ramos
Álbum único, cores, capa mole
Editora: BDMania, 1ª edição de Abril de 2008

A minha nota:

13 agosto, 2008

Curiosidades: Chihuahua Pearl

Quarta-feira. Dia de publicação de mais um álbum da colecção Blueberry pelo jornal Público.

Aproveito esta rubrica para reproduzir aqui a magnifica capa da 1ª edição portuguesa do álbum Chihuahua Pearl publicado em 1990 pela editora Meribérica, que apresenta como curiosidade o facto da editora portuguesa ter optado por utilizar na capa o desenho da edição americana, do rosto de Blueberry com a assinatura de Moebius, em vez do desenho o rosto da personagem, que dá o titulo ao álbum, com a assinatura de Gir, da edição original francesa como foi norma ao longo da colecção.

Ficha técnica:
Chihuahua Pearl
Colecção Blueberry
Capa mole, cores,
Edição MERIBÉRICA, 1990

12 agosto, 2008

Polémica sobre o Principe Valente

Esta é para mim talvez uma das noticias bedefilas mais negativas do ano, apesar de ter passado quase despercebida e de poucas reacções ter suscitado neste nosso meio, para grande espanto meu ou não se tratasse de uma das melhores colecções que tem sido publicadas entre nós nos últimos anos e, da qual, eu era grande apreciador. Quando finalmente sai o sétimo álbum (ver imagem) da colecção integral do Príncipe Valente surge a polémica, com uma história mal explicada entre os editores Manuel Caldas e José Vilela que culminou no afastamento do primeiro do excelente projecto que tinha vindo a desenvolver. O portal Central Comics - único sítio onde encontrei uma referência a esta noticia, publicou mesmo uma carta aberta de Manuel Caldas, que tomo a liberdade de transcrever de seguida na integra:

"Estimados seguidores do Príncipe Valente:

Alguns já o sabem, mas outros não: apareceu este mês nas livrarias um novo volume da edição da obra de Hal Foster por mim concebida e a cujos volumes antes publicados dediquei anos de trabalho. No entanto, com o novo volume, o sétimo (1949-50), EU NÃO TENHO ABSOLUTAMENTE NADA A VER. É muito importante que todos compreendam isto, pois, apesar de o meu nome não estar na ficha técnica, há ainda quem tenha dúvidas, sendo para esses que estou a escrever.

Não devia haver razões para dúvidas: o novo volume é mau, muito mau, desde a capa à contracapa; um absoluto arremedo da qualidade e do espírito dos seis anteriores; uma edição que deveria envergonhar todos os que a tornaram possível, mesmo que, com o devido bom-senso, não se tenham arvorado em restauradores das páginas de Hal Foster. Em qualquer parte do mundo, edições assim tão más do PV, com aspecto de fotocópias em sétima ou oitava mão, já não se faziam desde os anos 80 do século XX.

E por que motivo apareço eu agora desligado dum projecto editorial que fora por mim concebido e só graças ao meu trabalho aturado e apaixonado transformou finalmente em êxito comercial uma edição do PV em Portugal? Tinha o actual editor (que anteriormente foi comigo co-editor) poder para me "despedir"?

Era ele o verdadeiro e único editor, apesar de na ficha técnica aparecermos os dois como editores?

Não, ele não tinha poder para me excluir e éramos mesmo ambos os editores. E nem ele era, como muitos pensam, o sócio capitalista, aquele graças a cujo dinheiro fora possível iniciar a edição; não: TODAS as despesas para publicar cada um dos primeiros seis volumes foram suportadas em PARTES IGUAIS pelos dois. Mas, sim, o contrato para a obtenção, da King Features, dos direitos de publicação da obra foi tratado por ele e só por ele assinado.

Não que assim tivesse de ser, mas apenas porque eu vivo na Póvoa de Varzim e ele em Lisboa, onde se situa a agência que representa a King Features em Portugal. No entanto, se os direitos de publicação do PV em Portugal estão na mão dele, entre nós dois foi feito (não logo no início, mas mais tarde, na altura em que resolvemos sanar conflitos que haviam surgido) um contrato que me consagrou como fazedor da edição. E então, porque é que, mesmo assim, resolveu arrumar comigo? Porque, publicados os volumes que implicavam mais trabalho de restauro, considerou ele que a partir do sétimo já qualquer pessoa seria capaz de me substituir, permitindo-lhe a ele ganhar mais dinheiro.

O resultado está à vista nas livrarias e o tribunal decidirá qual a extensão dos direitos de cada um de nós.

Para muitos, a ideia de que, apesar de tudo, eu esteja por trás de tão execrada edição dever-se-á ao facto de nas badanas do livro os textos serem os mesmos dos volumes anteriores. Sim, são os que eu escrevi, mas foram usados sem a minha autorização e, pior ainda, desacreditando-me junto de qualquer pessoa quando a certa altura neles se lê, a propósito da edição: "os 22 volumes que a formarão constituirão a edição a preto e branco definitiva do 'Prince Valiant' de Hal Foster." Que arrojo sem escrúpulos: usar as minhas palavras para impingir gato por lebre! Também disto terei de pedir contas. No entanto, elucidados, só comerão o que é mau os que com tal não se importarem.

Para terminar: que todos saibam também que nada tenho a ver com a actual edição do 'Tarzan' do Russ Manning nem com a futura (e de qualidade muitíssimo duvidosa) edição do 'Flash Gordon' do Alex Raymond. Neste momento, o que eu publico é o 'Hagar', o 'Lance' (segundo volume em preparação) e uma edição em espanhol para venda só por correio do 'Príncipe Valente' (cinco volumes saídos); e preparo o primeiro volume de 'Ferd'nand', com as primeiras tiras (de 1937) da série.

Para todos, saudações cordiais do Manuel Caldas"

Apesar de ainda só conhecermos a versão de uma das partes, quer-me parecer a mim, até pelo conteúdo duro da carta, que esta confusão não terá um final feliz, sendo certo que já existe um lado perdedor e esse é de certeza os leitores e coleccionadores desta colecção. Já tinha adquirido o sétimo volume, bem antes de ter conhecimento desta polémica, apesar de ainda não o ter lido. Agora que folheei algumas páginas, nota-se efectivamente um decrescente de qualidade, não só ao nível da legendagem que se apresenta agora um tipo de letra menos harmonioso com o desenho, como o próprio desenho em algumas das pranchas a não se apresenta tão nítido e com tanto detalhe como nos volumes anteriores.

Já aqui por vezes tinha elogiado esta colecção, não só pela sua ambição - a publicação integral das aventuras do Príncipe Valente, em 22 volumes, mas também pelo nível qualitativo a que se propunha, ou não estivesse Manuel Caldas, reconhecido especialista da obra de Hal Foster, por detrás deste projecto, defendendo mesmo como a edição do ano.

Uma vez alterados os pressupostos qualitativos, da minha parte a colecção termina aqui e lamento que num meio tão pequeno como o nosso, os entendimentos sejam tão difíceis e que projectos válidos raramente chegam ao fim porque valores (egoístas) se sobrepõem ao amor pela banda desenhada!

05 agosto, 2008

E os vencedores são...

Bem sei que este tema não é dos mais actuais, até porque a festa já se realizou (no passado dia 26 de Julho) e já foi falada e discutida noutros blogues, nomeadamente aqui, mas no entanto não posso deixar de registar aqui os vencedores do VI Troféus Central Comics, até por uma questão de arquivo e memória futura deste blogue.

Organizados, desde sempre, pelo portal Central Comics, os troféus destinam-se a eleger, com o voto dos leitores, os melhores autores e obras publicados no ano anterior.

E a lista completa dos vencedores deste ano é a que se segue:

- Melhor curta não editada em álbum: Adeus tristeza de Suza Monteiro (Venham+5)

- Melhor projecto em BD: Série Documental VerBD (Pedro Moura)

- Melhor Fanzine: Venham+5 (Bedeteca de Beja)

- Melhor Revista: BDjornal (Pedranocharco)

- Melhor Livro Técnico: Hergé, Filho de Tintim (Verbo Difusão)

- Melhor Argumento Estrangeiro: Mike Mignola (Hellboy 4)

- Melhor Argumento Nacional: José Carlos Fernandes (A Pior Banda do Mundo 6)

- Melhor Desenho Estrangeiro: Frank Miller (Elektra – O Regresso)

- Melhor Desenho Nacional: Luís Louro (O Corvo v3)

- Melhor Cartoon Estrangeiro: Peanuts – Obra Completa 1957-1958 (v4) (Afrontamento)

- Melhor Cartoon Nacional: Os Portugas no Dakar 2 (Plátano Editora)

- Melhor Publicação Estrangeira: HellBoy 4 – A Mão Direita do Apocalipse (Devir/G-Floy)

- Melhor Publicação Nacional: Obrigado, Patrão (Asa Edições)

- Melhor Editora: Vitamina BD

- Troféu Especial do Júri: Manuel Caldas (editor da Livros de Papel)

Comentário: ao contrário do que sucedeu na edição do ano passado, onde na minha opinião alguns "vencedores" pouco fizeram para merecer esse estatuto, o que aliás motivou o meu desencanto e a minha abstenção na eleição deste ano, considero que os vencedores deste ano, apesar de alguns não coincidirem as com as minhas escolhas pessoais, reflectem de forma mais sóbria e fiel o que melhor se fez em termos bedéfilos durante o ano de 2007. Os votos de parabéns aos vencedores!

De regresso...

... a este espaço depois de umas (merecidas, digo eu) férias para carregar baterias! E entre tantos acontecimentos que houve, começo por assinalar o 3º aniversário de existência aqui das "notas" (em rigor foi no passado dia 31 de Julho). Acreditem que não é fácil manter um blogue, mas existe vontade em o manter. Olho para os números (de textos publicados) no último ano e admito que o blogue não foi tão activo como eu desejava, até porque a sua produção resultou mais "de transpiração do que de inspiração". Olho também para os números (de visitantes) e confesso que fico satisfeito por saber que há por ai quem ainda vá lendo o que por aqui (por vezes) escrevo.

Aliás, não posso deixar de valorizar os visitantes deste espaço, que a partir dos feedbacks obtidos, quer seja através de simples comentários, criticas, sugestões ou outros, contribuíram para novos olhares, novas descobertas (da minha parte) no mundo da BD, sendo talvez esta a principal mais-valia que retiro do blogue deste último ano.

Para este novo ciclo (o quarto) que agora se inicia (já se iniciou) renovo os objectivos traçados inicialmente, ou seja, falar de banda desenhada, nas suas mais diversas formas, contribuindo para uma sua maior divulgação e... de preferência com uma maior actualidade. Tenho previstos alguns ajustamentos e melhoramentos aqui no sitio, a começar por um novo topo. Pretendo ainda rever as listas dos links, recuperar algumas rubricas que se perderam no tempo e iniciar outras. A seu tempo, tudo se revelará.

Então, até já!

22 julho, 2008

O Batman já chegou?

Apesar do filme "Batman: o Cavaleiro das Trevas" estrear entre nós, só na proxima Quinta-Feira, corria o rumor que afinal o Batman já tinha chegado a Portugal. Diversos testemunhos juravam ter obervado um figura vestida de negro, com semelhanças a um morcego, em pose de vigilante no topo de um edificio em Lisboa. Bem, interrompi as minhas férias, peguei na maquina fotografica e fui confirmar se os rumores eram verdadeiros. E conforme se se pode observar nas diversas fotografias aqui reproduzidas, confirmo que o BATMAN ESTÁ EM PORTUGAL!

Brincadeira á parte e o boneco faz parte do marketing que o CC Monumental, no Saladanha, decidiu promover para a estreia do novo filme do Batman, que promete ser apenas “o” acontecimento cinéfilo do ano!


01 julho, 2008

Wanted

Num dos lançamentos mais oportunos deste ano, a editora BdMania lançou agora para as bancas a edição portuguesa da “graphic novel” Wanted de Mark Millar (argumento) e JG Jones (desenho), apanhando, e muito bem, a boleia da estreia da adaptação cinematográfica entre nós já no próximo dia 10 de Julho.

Wanted é talvez das histórias mais alternativas e subversivas que já li, ou não decorresse a acção num mundo desequilibrado, de super-vilões sem super-herois. Como consequência, uma fraternidade de vilões pratica todo o tipo de crimes com uma total impunidade. E é neste cenário que vamos conhecer e acompanhar a vertiginosa “transformação” de um pacato vegetariano chamado Wesley Gibson, cuja existência é marcada pelas traições da namorada com o seu melhor amigo, pelas perseguições dos gangues do seu bairro e pelas humilhações da sua chefe afro-americana.

Mark Millar criou aqui um universo excessivo, com uma história critica, que não obstante a violência explicita, não só em termos de linguagem (onde a tradução portuguesa também não se poupou) mas também visualmente - sendo este último capitulo da exclusiva responsabilidade do excelente desenho de JG Jones - tem algum humor e o seu ritmo narrativo conduz a uma leitura bastante fluida. Apesar de não ter ficado seduzido com o final da história, talvez tivesse preferido que tivesse seguido outro rumo com diferentes desenvolvimentos, acho que o seu desfecho serve os fins a que se destina. No global uma história muito boa. Confio agora que a adaptação cinematográfica tenha talvez outra liberdade, apostando numa narrativa com continuidade.

Esta edição portuguesa, em softcover, vem bem recheada, pois para além da série completa (publicada originalmente em seis comics), inclui também um dossier das personagens principais ilustradas por grandes autores da bd americana, uma galeria das capas dos comics publicados, incluindo edições alternativas, e ainda os esboços e estudos iniciais da concepção de personagens e cenas suprimidas. Tudo isto por um preço a rondar os € 15 numa banda de jornais perto de si.

A minha nota:

Edição: BdMania, 1º edição de Dezembro de 2007

24 junho, 2008

Cinema: “O Incrivel Hulk” (2008)

Este novo despertar do gigante verde peca, a meu ver, pela sua narrativa algo simplista. Não que isto seja mau, significa apenas que se optou por seguir um caminho diferente do seu antecessor.

Enquanto que no “Hulk” de Ang Lee assistíamos a uma interessante luta emocional e psicológica de Bruce Banner com o seu alter ego, no “Incrível Hulk” de Louis Leterrier temos uma verdadeira demonstração de força bruta do monstro, com obvias vantagens ao nível do impacto visual e da acção do filme. Com o reformular da origem do Hulk, logo no genérico do filme, e ainda não foi desta que a verdadeira história foi contada, apaga-se definitivamente o Hulk de Ang Lee e apresenta-se o novo Hulk da Marvel, sendo que a diferença passa por deixar de centrar toda a lógica do filme no desenvolvimento da(s) personagem(s) para ser pensada em termos de êxito nas bilheteiras. Pode ser discutível esta opção, mas sente-se que já imperam as “Marvel Rules”!

Depois a história é básica, o cientista que procura a cura para a sua “doença” ao mesmo tempo que é perseguido pelo exército americano e pelo meio lá surge o inevitável vilão para o inevitável confronto final. Tudo isto apresentado em duas horas, com momentos de grande intensidade, onde por vezes “Hulk esmaga”, excelentes efeitos especiais (que verdade seja dita, já é trivial no cinema actual) e grandes interpretações, nomeadamente de Edward Norton/Bruce Banner e William Hurt/Gen. Thaddeus “Thunderbolt” Ross.

Face às minhas reticências iniciais, devo dizer que fiquei bastante agradado com o resultado final, não obstante pensar que o filme ideal seria uma mistura dos dois “Hulks” já realizados, da densidade emocional do primeiro com a acção do segundo, mas a perfeição é uma utopia!

Aguarda-se agora com expectativa os “crossovers” que se adivinham!

As minhas estrelas: 4 em 5

01 junho, 2008

Desenhos autografados (3): Mulher


De um encontro casual no aeroporto resultou um interessante troca de palavras sobre o estado da bd portuguesa feita por autores portugueses para a conclusão que faltam autores e obras com contéudo. Mas o que falta aos outros, sobra ao talentoso José Carlos Fernandes, que confirmou o lançamento ainda este ano de "Terra Incógnita", do 2º volume das "Black Box Stories" (pela Devir) e o 1º volume da "Agencia de Viagens Lemming" (Devir). O seu desenho de uma mulher, acima reproduzido, foi feito a aguarela em Outubro de 2004, aquando da realização do 15º FIBDA.

27 maio, 2008

A colecção "Clássicos Disney em BD", pelo Público

Dando um forte abanão neste marasmo em que se encontra a publicação de BD em Portugal, o jornal Público continua a sua excelente aposta na promoção e distribuição de BD. Depois do anúncio da colecção "Blueberry", prepara-se agora para lançar nova colecção, desta vez pensada para os mais novos. Vai reunir os grandes clássicos da Disney, desde dos mais antigos até aos mais recentes, numa única colecção intitulada "Clássicos Disney em BD". São no total 20 volumes, com distribuição todos os Sábados e Domingos, entre 7 de Junho próximo e 10 de Agosto, com um preço de € 2,90 cada. O primeiro volume "Branca de Neve e os 7 anões" é grátis.

Aqui fica o anuncio da colecção, com indicação das histórias a publicar e respectivas datas de lançamento (clicar na imagem para uma melhor visualização).

26 maio, 2008

A colecção "Blueberry" da ASA/Público

Conforme já havia referido no post anterior, é já no próximo dia 4 de Junho, que o jornal Público em colaboração com a editora ASA, dará inicio à Colecção Blueberry.

Todas as Quartas-feiras, ao longo de 18 semanas, serão publicados os álbuns da melhor banda desenhada alguma vez feita sobre o Oeste americano, com a assinatura de Charlier e desenho de Giraud, pelo preço unitário de € 5,90.

Logo à partida, umas das mais-valias desta colecção é a publicação, logo no 1º volume, de uma historia inédita em Portugal. Trata-se de "Apaches" (ver imagem ao lado), um álbum fora da colecção, dedicado ao chefe índio Gerónimo, que inclui além de pranchas inéditas, a história completa de quando Blueberry o conheceu, e que já nos tinha sido dado a conhecer, em flashbacks durante o arco "Tombstone".

De destacar também, finalmente a re-publicação de alguns álbuns à muito esgotados, nomeadamente os nºs 13, 14 e 15 desta nova colecção, e que andavam a ser vendidos a preços de um barril de petróleo (passe o exagero!)


Assim, para os (muitos, espero eu) interessados deixo aqui o calendário completo da colecção:



E para quem quiser conhecer melhor esta magnifica colecção, deixo aqui também o excelente site oficial (em francês).

Boas leituras!

25 maio, 2008

A publicação do ano... (eu sei que o ano ainda não acabou)

No regresso das férias, algures por cima do Oceano, olho nas páginas do jornal Público e não acredito no que estou a ler: anuncia-se uma nova colecção de BD, que se propõe publicar todas as aventuras editadas de Blueberry... e logo para abrir um álbum inédito!!!

Bem sei que ainda vamos entrar em Junho, mas para mim já está encontrada a publicação do ano, a colecção do ano, o melhor do ano!

Já nada mais me interessa, entrei em contagem decrescente para o dia 4 de Junho!


15 maio, 2008

este blogue encontra-se...

Afrika

Tenho para mim que um dos melhores álbuns lançados no ano passado, em Portugal, foi "Afrika" de Hermann, da editora Vitamina BD.

Com a acção a desenrolar-se tendo por fundo a paisagem africana, este "Afrika" centra-se na figura de Dário Ferrer, um homem fechado e desencantado, ex-militar, agora responsável pela segurança de uma reserva natural da África Equatorial, com a missão de proteger os animais da caça furtiva.

Um dia, é contactado por Charlotte, uma jornalista que lhe solicita ajuda para fazer uma reportagem sobre caçadores furtivos e de forma inesperada, transformam-se ambos em testemunhas acidentais do massacre de uma aldeia organizado pelo exercito local com o apoio de uma empresa multinacional.

A partir daqui assistimos a uma fuga pela selva, numa luta pela sobrevivência, onde o maior predador é o próprio Homem, com um desfecho imprevisível mas obrigatoriamente trágico.

Uma história bem estruturada, auto-conclusiva, donde se destaca o traço extremamente fiel e realista de autor, nomeadamente no que respeita ao magnifico desenho de animais, transformando este álbum num dos melhores que já li de Hermann.

A minha nota:

Edição: Vitamina BD, 1ª edição de Outubro de 2007

09 maio, 2008

Desenhos autografados (2): Hunter

"Hunter"

Aproveitando a noticia que o desenhador português Daniel Maia foi um dos escolhidos num concurso internacional para a escolha de novos ilustradores, promovido pela editora americana Marvel, publico aqui um desenho autografado seu, da personagem "Hunter", feito em Outubro de 2005, aquando do 16º FIBDA.

08 maio, 2008

70 anos de Giraud

Nascido em Paris, a 8 de Maio de 1938, Jean Giraud é unanimemente reconhecido como um dos grandes nomes da bd franco-belga e uma referência incontornável da bd contemporânea, com uma vasta obra que ultrapassa fronteiras, abrange vários domínios, que vai desde da banda desenhada ao cinema.

Giraud também conhecido pelo pseudónimo de Moebius, teve o seu inicio de carreira em meados da década de 50, com a publicação de alguns trabalhos, nomeadamente "westerns" que serviram de antecâmara ao novo mundo que nos transporta para um Oeste selvagem, que se estende desde das pradarias dos Estados Unidos até ao Novo México, admiravelmente recriado em todo seu ambiente e paisagens, com todas as sua referências, algumas históricas, que iria ser criado, juntamente com Jean-Michel Charlier, em 1963, nas páginas da revista Pilote, daquela que tenho para mim, como a minha banda desenhada preferida, a série "Tenente Blueberry".

A partir de 1973, colabora na criação da revista Metal Hurlant, publicando aqui algumas das suas obras. Dono de um traço único, cria sob a assinatura de Moebius, universos ricos centrados essencialmente numa ficção científica delirante.

Na década de 80, regista-se a passagem pela Marvel americana, colaborando com Stan Lee numa história da personagem Surfista Prateado.

Do trabalho desenvolvido com Alexandro Jodorowsky na série Incal, surge a oportunidade de entrar no mundo do cinema, colaborando como argumentista ou desenhador de cenários, em filmes de ficção cientifica como "Alien", "Tron" ou o "Quinto Elemento", entre outros.

Pela obra já realizada, devemos estar gratos e neste dia dar os parabens ao extraordinário criador de histórias que é Jean Giraud aka Moebius!

Exposição "Como se Desenham os Sonhos"

É hoje inaugurada a exposição Como se Desenham os sonhos, homenagem a José Ruy, no Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI), na Amadora.

A exposição é dedicada à cidade e à sua importância no surgimento das histórias aos quadradinhos, ao seu património e ao autor José Ruy. A mostra revela-nos, igualmente, todo o processo criativo do autor, nomeadamente para a criação dos álbuns “Levem-me nesse sonho” e “Levem-me nesse sonho… acordado” (versão mais actualizada), dedicados à História da Amadora em banda desenhada: ideia, guião, planificação, esboços e textos, a passagem à cor e o acompanhamento da impressão.

Nas duas salas da galeria de exposições, podem ser vistas as pranchas originais da História da Amadora em Banda Desenhada, fotografias da época e actuais de alguns dos elementos patrimoniais mais significativos da Cidade e objectos pessoais do autor José Ruy.

A exposição tem o propósito, igualmente, de homenagear José Ruy, autor que, com mais de sessenta anos de trabalho em prol da BD, doou a obra de toda uma vida à Amadora. São mais de cinco mil trabalhos originais, que constituíram a primeira pedra na construção de uma colecção única no País.

José Ruy nasceu na Amadora a 9 de Maio de 1930, na actual freguesia da Venda Nova. O fascínio pela banda desenhada surgiu desde cedo, ao ponto dos seus pais fazerem uma assinatura de O Mosquito, logo ao segundo número da revista. Cursou na Escola António Arroio, primeiro em Belas-Artes e depois em Litografia. É o artista português com o maior número de álbuns de banda desenhada, 42 títulos publicados até meados de 2008, sem contar as reedições, as versões em línguas estrangeiras, as brochuras publicitárias ou as participações em álbuns colectivos.

A exposição pode ser visitada até ao dia 27 de Março de 2009, no seguinte horário:

de 2ª a 6ª feiras, das 9.30h às 12.30h e das 14h às 17.30h

Desenhos autografados (1): Alix

"ALIX"


Resolvi abrir uma nova rubrica aqui nas "notas" destinada a divulgar desenhos autografados de autores de banda desenhada da minha colecção, que tive a felicidade de obter nos últimos anos, dos contactos com os vários autores nos vários festivais de BD que visitei.

Assim, o primeiro desenho escolhido é um desenho a lápis de carvão, de perfil da personagem Alix, feito pelo autor Jacques Martin, aquando da sua passagem por Lisboa, salvo erro em 1995(?), na capa interior do álbum "Alix, o Intrépido" correspondente ao n.º 1 da colecção da editora Edições 70 .

07 maio, 2008

IV Festival Internacional de BD de Beja











É já no próximo dia 10 de Maio, pelas 15 horas, que terá inicio o IV Festival Internacional de BD de Beja que promete "arrastar a cidade e o país num turbilhão de mil imagens".

Assim, entre os dias 10 e 25 deste mês, todo o centro histórico da cidade de Beja exibirá 16 exposições, espalhadas pela Casa da Cultura de Beja (o núcleo principal do evento), pela Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago, pelo Conservatório Regional do Baixo Alentejo, pelo Museu Jorge Vieira - Casa das Artes, pelo Museu Regional de Beja, e pela Pousada de S. Francisco.

São cerca de 500 pranchas de banda desenhada em exposição, de mais de 80 autores de países como a Alemanha, o Brasil, a Espanha, os Estados Unidos, a França, a Inglaterra, a Itália e Portugal, no maior evento ligado à banda desenhada do Sul do país!

Os autores convidados a estarem presentes são DAVE MCKEAN (Inglaterra), DINIZ CONEFREY, FILIPE ANDRADE, FILIPE PINA, FRANTZ DUCHAZEAU (França), GIPI (Itália), JOÃO LEMOS, MARTIN TOM DIECK (Alemanha), NUNO SARAIVA, OSVALDO MEDINA, PEDRO LEITÃO, PEPEDELREY, SUSA MONTEIRO, e TERESA CÂMARA PESTANA e ainda os autores do colectivo TOUPEIRA, entre muitos outros!

Mais informação e o programa oficial poderá ser consultado na página oficial do festival.

BD no Cinema: Batman

aproveitando o balanço, aqui fica o novo trailer de "The Dark Knight"!

Cinema: "Homem de Ferro"

Não sei se é um bom prenúncio para a temporada de super-heróis que se avizinha mas este "Homem de Ferro" surpreendeu-me pela positiva!

Apesar da personagem não ter o estatuto de grande super-heroi, como o Homem-Aranha ou o Batman, a verdade é que a sua arriscada adaptação ao cinema é talvez uma mais bem conseguidas até à data.

O mérito do filme é devido não só à extraordinária interpretação de Robert Downey Jr no papel principal do arrogante milionário playboy Tony Stark mas tambem ao quase desconhecido realizador Jon Favreau, que soube adaptar sem desvirtuar, mostrando conhecer bastante bem a matéria prima (leia-se "banda desenhada") que trabalhou. Veja-se, por exemplo, as várias referências que foram sido deixadas ao longo do filme (S.H.I.E.L.D, "nova Liga", etc).

O facto da origem do Homem de Ferro ter sido actualizada dos anos 60 para os nossos dias é uma questão de pormenor, depressa esquecido pela voragem da narrativa. As sequências da evolução da armadura estão bem desenvolvidas e intercaladas com as espantosas cenas de acção que recheiam o filme e que justificam muito bem o milionário orçamento desta produção.

Sem dúvida que este super-heroi da 9º arte tem propulsão para voar no cinema!

Resumindo, um filme sóbrio, muito bem conseguido, excelentemente bem interpretado, que faz com que a nova produtora da "Casa das Ideias", a Marvel Studio tivesse entrado com o "pé direito". Obviamente, os fans dos comics agradecem!

As minhas estrelas: 4 em 5


Nota: no final do filme, aconselho os irredutiveis leitores de comics a esperarem 5-10 minutos pelo fim dos créditos... para aqueles que já foram ver o filme e não esperaram e querem saber o que acontece... cliquem aqui!

01 maio, 2008

Trailer de "The Incredible Hulk"

... e aproveitando que estamos numa de "cinema bedefilo" o novo trailer do filme do "Hulk" pode ser visto aqui no site oficial!

A estreia oficial está prevista para o dia 13 de Junho de 2008.

Fazendo aqui uma declaração de interesses, digo que gostei bastante da anterior adaptação, realizada por Ang Lee, apesar da chuva de criticas negativas que recebeu. A aposta clara em explorar o lado psicológico e humano da personagem em detrimento de uma narrativa de constante acção, sem contudo a excluir, é talvez a maior virtude do filme, que foi injustamente esquecida.

Assim, este "Hulk" de Louis Leterrier (?) que me parece caminhar na direcção contrária, encontra-se sob reserva, não obstante a grande participação de um dos meus actores preferidos, que é Edward Norton.

Daqui a uns meses voltarei certamente a este tema!


"Homem de Ferro"



Numa semana quase toda ela dominada por super-herois, seja pelo lançamento de novos posters de promoção do filme do “Batman” ou pela divulgação do novo trailer de “Hulk”, estreia hoje em Portugal, a mais recente aquisição pelo cinema de um herói de banda desenhada, desta vez, o HOMEM DE FERRO.

Em Março de 1963, nas páginas do número 39 da revista “Tales of Suspense”, surge a história do milionário e engenheiro da indústria de armamento Anthony Stark, que durante uma visita a uma base americana no Vietname é feito prisioneiro pelas forças comunistas vietcongs e obrigado a criar uma nova arma para eles. Em vez disso, desenvolve uma armadura de ferro dotada de diversas armas que utiliza para fugir. De regresso à América, Tony Stark resolve continuar a desenvolver a sua armadura, dotando-a de novo e poderoso armamento, e adopta o nome de Iron Man. Por curiosidade, a sua armadura é que após alguma indefinição quanto ao seu aspecto (de prateado a dourado) viria a adoptar, por influência do desenhador Steve Dikto (o mesmo do Homem-Aranha) as famosas cores vermelho e dourado.

Com a adaptação ao cinema, o Homem de Ferro vê a sua origem actualizada e adaptada ao cenário político dos dias de hoje, trocando as selvas do Vietname pelas montanhas do Afeganistão.

Este novo filme é também a estreia da Marvel Studios na produção de filmes de super-herois. Esperemos que ao tomar conta das operações de adaptação cinematográficas das suas personagens, a Marvel, garanta para além da qualidade a fidelidade às histórias originais!

Deixo aqui a sinopse do filme:

Robert Downey Jr. actor já nomeado para um Óscar da Academia surge como Tony Stark / Homem de Ferro na história de um bilionário da indústria e génio da invenção que é raptado e forçado a construir um arma de destruição devastadora. Em vez disso, e utilizando a sua inteligência e engenho, Tony constrói um fato armadura high-tech e escapa ao cativeiro. Ao desvendar uma perversa trama com implicações mundiais, ele assume a sua poderosa armadura e jura proteger o mundo como o Homem de Ferro. O filme conta ainda com as interpretações de Gwyneth Paltrow, Terrence Howard e Jeff Bridges, sendo realizado por Jon Favreau.

A classificação no site IMDB (à data): 8.3/10

Site oficial do filme aqui.

28 abril, 2008

BD no Cinema: Batman

Em contagem decrescente para o dia 18 de Julho, continua a promoção do filme "The Dark Knight", desta vez com a divulgação de cinco novos posters (os últimos quatro foram revelados em exclusivo pelo site brasileiro Omelete), desta vez descentralizados da figura do Joker. Para aumentar a expectativa juntamente com os seis já anteriormente divulgados!




















15 abril, 2008

Mundo de Aventuras



Ao receber hoje pelo correio, um lote de revistas do "Mundo de Aventuras", adquirido recentemente, vieram também recordações da minha infância, quando com os meus 10, 11 anos descobri o mundo da banda desenhada. E se revista houve que contribuiu para essa descoberta, foi sem sombra de dúvidas o "Mundo de Aventuras". E posso dizer sem exagero que eu não lia, eu “devorava” as aventuras de tal forma, que bastava olhar para a capa da revista para saber qual a história publicada. Assim, numa de nostalgia, resolvi reproduzir aqui integralmente, até para memória futura, o texto (revisto) escrito, aquando da minha colaboração com o desactivado portal BDesenhada.com, sobre essa saudosa revista que foi o "Mundo de Aventuras".

Numa altura em que escasseiam revistas de banda desenhada de publicação regular em Portugal, e as que existem(?) lutam desesperadamente por se manter “à tona da água”, proponho um regresso ao passado, para uma leitura sobre talvez um dos mais importantes projectos editoriais da banda desenhada que se fez em Portugal, não só pela sua longevidade mas também porque ajudou a criar gerações de bedéfilos, que semanalmente acompanhavam um mundo novo de aventuras. Pessoalmente, esta publicação, na sua segunda série, é para mim uma das mais fortes referências bedéfilas da minha juventude.

Começou por ser publicado semanalmente à quinta-feira, inicialmente num formato de grandes dimensões (280x400) e chamava-se “O Mundo de Aventuras”. Tendo como primeiro director Mário de Aguiar, surgiu nas bancas portuguesas pela primeira vez no dia 18 de Agosto de 1949, com um preço de capa de 1$50, e logo na sua primeira folha dava início a uma história, uma aventura de um piloto de aviação chamado “Luís Ciclon”, cujo nome português foi curiosamente importado de Espanha para personagem “Steve Canyon” (nome original), criada por Milton Caniff, autor que ganhou notoriedade com a criação das aventuras de “Terry e os Piratas”.

Ao longo de quase 38 anos, o “Mundo de Aventuras” trouxe-nos os grandes clássicos da banda desenhada americana, permitindo descobrir personagens como o “Fantasma” de Lee Falk, “Rip Kirby” de Alex Raymond, “Príncipe Valente” de Harold Foster, “Cisco Kid” de José Luís Salinas, “Johnny Hazard” de Frank Robbins ou o já referido “Luís Ciclon” de Milton Caniff, para além de publicar banda desenhada europeia como “Garth” de Steve Dowling ou “Kit Carson” de Rino Albertarelli, entre muitos outros.

O aparecimento posterior de outros projectos, de igual qualidade, nomeadamente as revistas “Cavaleiro Andante” (em 1952) e “Tintin” (em 1968), que publicavam essencialmente banda desenhada de origem franco-belga, levaram que o “Mundo de Aventuras”, propriedade da sociedade Aguiar & Dias (Agência Portuguesa de Revistas), sofresse ao longo dos anos, alterações de vária ordem, sendo das mais visíveis as relacionadas com a sua dimensão, que passou do formato inicial de “jornal” para o formato final de “livro” e a publicação de histórias completas, sendo que antes estas encontravam-se repartidas por vários números. A título de curiosidade acrescenta-se que a partir do número 81, publicado em 1 de Março de 1951, o título deixou cair o “O” passando a designar-se apenas “Mundo de Aventuras”.

A partir da década de 50, na sequência da implementação de medidas de auto-regulamentação por parte de editoras americanas de banda desenhada, com a criação do famoso selo da “Comics Code Authority”, o “Mundo de Aventuras” torna-se em Portugal, a primeira publicação a adoptar estas orientações, passando a excluir séries consideradas como não juvenis. A censura, então vigente no nosso país, encarregou-se do resto, dedicando-se a truncar textos e vinhetas, chegando mesmo a tornar obrigatório que as personagens estrangeiras adoptassem nomes portugueses. Assim, “Rip Kirby” transformou-se em “Ruben Quirino”, “Prince Valiant” passou a “Príncipe Valente”, “Johnny Hazard” a “João Tempestade”, “Flash Gordon” a “Capitão Relâmpago”, “Big Ben Bolt” a “Luís Euripo”, Brick Bradford” a “Brigue Forte”, entre muitos outros caricatos exemplos.

O “Mundo de Aventuras” entre o período compreendido entre 1949 e 1987 passou pelo que se convencionou designar por duas séries. A primeira com início no primeiro número terminou em 20 de Setembro de 1973 com a publicação do número #1252. A segunda série, cuja numeração começou de novo no número #1, teve início em 4 de Outubro de 1973 e terminou no dia 15 de Janeiro de 1987, com a publicação do número #589, o número final.

Como actualmente já não existem projectos deste calibre, resta a memória e para aqueles que possuem revistas desta magnifica colecção, o prazer de ler e reler grandes aventuras, grandes clássicos da banda desenhada, em português.

Publicado originalmente no portal BDesenhada.com em 11-12-2006.

10 abril, 2008

O sucesso tambem se mede no preço...

Um comentário do Grimlock no post relativo ao novo álbum de Blake & Mortimer, chamou-me a atenção para o aparente sucesso de vendas que está a ser esta nova aventura, que se encontra no top de vendas da FNAC. No entanto não pude deixar de reparar que o preço de venda praticado pela FNAC também acompanhou o ritmo das vendas. Senão vejamos, enquanto no dia 27 de Março, paguei € 12,60 na loja do Chiado, o álbum encontra-se agora à venda no site pelo preço FNAC € 13,05 (já inclui um desconto de 10%). Não há dúvida que BD começa a ser um óptimo investimento, porque em pouco menos de duas semanas, a minha aquisição já valorizou 4%!

02 abril, 2008

Uns extraordinários € 764.218

foi o valor pelo qual foi vendida, no passado dia 29 de Março num leilão de páginas e desenhos originais de banda desenhada, uma pintura original a guache de Hergé datada de 1932 para a capa do álbum “Tintin na América” (ver imagem ao lado).

Este alucinante valor constitui um record absoluto no que respeita a valorizações de originais de banda desenhada!

Entre as centenas de lotes a leilão, para além de Hergé, encontravam-se ainda vários desenhos originais de Giraud (Blueberrry), Franquin (Spirou e Fantasio), Jacobs (Blake e Mortimer), Hugo Pratt (Corto Maltese), Morris (Lucky Luke) entre muitos outros, o que originou um volume de vendas total de € 3.441.896!!!


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