28 fevereiro, 2010
Héctor Gérman Oesterheld, O Homem como Unidade de Medida
26 fevereiro, 2010
Zona Fantástica
Começa hoje a 30ª edição do Fantasporto, festival de cinema que se realiza anualmente na cidade do Porto. Atendendo à sua temática, dedicado ao cinema fantástico, o evento deste ano é aproveitado para o lançamento da nova revista Zona. A “Zona” é um interessante projecto que visa através de publicação contribuir para a divulgação do trabalho de novos autores de banda desenhada. Assim, depois das edições de “Zona Zero” e “Zona Negra” publicadas em 2009, surge então agora a terceira revista intitulada “Zona Fantástica”.Tenho acompanhado o evoluir deste projecto através das “Zonas” anteriores, e notei uma melhoria qualitativa substancial do primeiro número para o segundo, não sé em termos de desenho como das histórias apresentadas. Agora tendo como fundo uma temática tão rica como o “fantástico” e contando com a participação de 34 autores, entre os quais o amigo Bongop que se estreia na qualidade de autor de BD (como argumentista) numa “Descida ao Inferno”, posso dizer que estou com alguma expectativa para ler este novo número. O índice apresenta-nos um total de 80 páginas.
Para os interessando em assistir ao lançamento oficial, que contará certamente com a presença de alguns dos autores, indico que a mesma está agendada para o próximo dia 4 de Março, por volta das 18:30, no Espaço Cidade do Cinema instalado no exterior do teatro Rivoli, na cidade do Porto.
Boas leituras!
Batman vence SuperHomem
O incrível mundo da banda desenhada continua a surpreender. Depois dos elevados valores pagos em leilões europeus, realizados no ano passado, por obras de autores como Hugo Pratt, Bilal, Moebius, entre outros, surge agora a noticia que no outro lado do Atlântico, num curto espaço de tempo, o recorde do valor pago por um único comic, foi batido por duas vezes.No inicio da semana, um exemplar do comic Action Comics #1 de 1938, com a primeira aventura do Super-Homem, avaliado numa escala de conservação com 8.0 em 10, foi vendido pela espantosa quantia de $1,000,000 (um milhão de dólares) batendo assim um antigo recorde do valor pago por um outro exemplar da mesma revista.
Surpreendentemente, três dias depois, um exemplar do comic Detective Comics #27 de 1939, onde surge pela primeira vez Batman (ver imagem), também avaliado em 8.0 em 10, com um preço de capa de 10 cêntimos, é vendido pelo valor de $1,075,500 (um milhão setenta e cinco mil e quinhentos dólares) vencendo assim o Super-Homem e tornando-se na publicação de BD mais cara de sempre, pelo menos até.... hoje!
Relacionado com a temática do valor da BD também se pode ler aqui.
21 fevereiro, 2010
Revista CHT
Após alguma ausência - mea culpa - retomo então a actividade neste blogue, com “obrigação” de voltar aqui a escrever com uma maior regularidade. Desta vez, vou falar de um interessante projecto, com origem aqui no país vizinho Espanha. Trata-se da revista CHT, um curioso título, que junta as iniciais de Cómic, Historietas, Tebeos e que deve a sua origem ao blogue espanhol com o mesmo nome. O seu primeiro número, oficialmente o n.º 0, que recebi esta semana pelo correio, pode ser solicitado de forma gratuita através daqui.
Introduzindo a revista, pode-se dizer que sobressai desde logo a forma cuidada como se apresenta, não só ao nível do papel utilizado, mas também pelo seu formato franco-belga e pela grande utilização de imagens. Este número exibe na capa uma magnífica ilustração (ver imagem à esquerda) da autoria de Alex Raymond, criador de Flash Gordon, para o cartaz do filme de “Captain Blood” (de 1935) protagonizado por Errol Flynn. Depois são 36 páginas dedicadas a BD, donde se destaca um extenso dossier (14 páginas) dedicadas à obra “A Mulher do Mágico” de Jerome Charyn e François Boucq, onde esta história é completamente dissecada. Acresce ainda textos sobre Antonio Hernandez Palacios e o seu “El Cid”, sobre Alex Raymond e o seu trabalho de ilustrador, excelentemente acompanhado por cerca de duas dezenas de desenhos e ainda sobre Carlos Meglia e o crossover “Superman/Tarzan” para a americana DC.Ainda não li tudo por completo, até porque o meu castelhano não é dos melhores, mas digo-vos que pela amostra, a primeira impressão é extremamente positiva. É certo que me vou tornar assinante, até porque a venda só é feita por assinatura. Mais detalhes: a revista anuncia-se de periodicidade trimestral e com um total de 60 páginas. O próximo número (n.º 1) previsto para Março dá destaque a “Mort Cinder” a obra-prima de Hector Oesterheld e Alberto Breccia. Para Junho está previsto um número extra dedicado a “Príncipe Valente”. Boas leituras!

02 fevereiro, 2010
Lançamentos da ASA para 2010
E pelo que foi possível apurar, o calendário destas publicações (não confirmado), é o que se segue:
Para Fevereiro:
Para Março:
- Borgia – vol. 2
- Blacksad – vol. 4
- Borgia - vol. 3
- A Teoria do Grão de Areia – vol. 2
- Murena
- Animal’z
- Tintin
21 janeiro, 2010
Alix é a nova colecção do Público
A coincidir com a noticia da morte de Jacques Martin, o jornal Publico revelou hoje, na edição electrónica, que a série ALIX, que conta as aventuras de um jovem gaulês no tempo da Antiga Roma, é a próxima colecção de banda desenhada a ser reeditada no âmbito parceira ASA/Público. Para já ainda pouco é adiantado sobre as datas de lançamentos ou quais os títulos incluídos na nova colecção, apenas a certeza que o Publico a vai “publicar brevemente”.Actualização:
Já depois da publicação do texto acima, foram divulgados mais pormenores acerca desta colecção. Assim, pode-se adiantar que a colecção terá inicio no próximo mês de Março e será exclusivamente composta pela reedição dos álbuns editados pelas Edições 70. A saber:
Comentário:
ALIX é uma excelente série, o que não evita alguma desilusão da minha parte com esta nova colecção. Afinal, trata-se de mais uma reedição e a ASA, mais uma vez, desperdiça uma excelente oportunidade de compor uma colecção que se encontra incompleta, ao não publicar qualquer titulo inédito, o que constituiria a mais-valia para os leitores. Depois esta colecção apresenta-se também com faltas. Editar uma série do 1 ao 19 em apenas 16 álbuns não a valoriza. E no meio disto tudo salva-se o facto da nova colecção poupar à leitura e ao desgaste os antigos álbuns das Edições 70. É o chamado prémio de consolação!
- Alix o Intrépido (corresponde ao n.º 1 na colecção original)
- A Esfinge de Ouro (n.º 2)
- A Ilha Maldita (n.º 3)
- A Tiara de Oribal (n.º 4)
- Garra Negra (n.º 5)
- As Legiões Perdidas (n.º 6)
- O Último Espartano (n.º 7)
- O Túmulo Etrusco (n.º 8)
- O Deus Selvagem (n.º 9)
- Iorix, O Grande (n. 10)
- O Espectro de Cartago (n.º 13)
- O Deus Vulcão (n.º 14)
- Herkios, o Jovem Grego (n.º 15)
- A Torre de Babel (n.º 16)
- Vercingétorix (n.º 18)
- O Cavalo de Tróia (n.º 19)
Comentário:
ALIX é uma excelente série, o que não evita alguma desilusão da minha parte com esta nova colecção. Afinal, trata-se de mais uma reedição e a ASA, mais uma vez, desperdiça uma excelente oportunidade de compor uma colecção que se encontra incompleta, ao não publicar qualquer titulo inédito, o que constituiria a mais-valia para os leitores. Depois esta colecção apresenta-se também com faltas. Editar uma série do 1 ao 19 em apenas 16 álbuns não a valoriza. E no meio disto tudo salva-se o facto da nova colecção poupar à leitura e ao desgaste os antigos álbuns das Edições 70. É o chamado prémio de consolação!
Jacques Martin (1921-2010)
Este inicio de ano está a ficar irritavelmente marcado pelo desaparecimento de grandes nomes da bd franco-belga.Primeiro foi Tribet, e hoje é a triste notícia da morte de um dos últimos desses grandes nomes: Jacques Martin.
Excelente desenhador, criou, entre outros, a popular série ALIX, com vendas totais superiores a 15 milhões de álbuns, cuja acção decorria na Antiga Roma, e que se caracterizava pelo enorme rigor histórico que o seu autor a delineou.
Na colecção original, ALIX conta publicados um total de 28 álbuns, dos quais 21 encontram-se publicados em Portugal, através das Edições 70 (dezanove álbuns) e ASA (dois álbuns).
13 janeiro, 2010
Kick-Ass
Tenho por regra, só falar aqui no blogue de edições de bd’s publicadas em língua portuguesa, o que não invalida que por vezes sinta necessidade de destacar uma qualquer edição estrangeira. Hoje é uma dessas excepções. A razão é simples: divirto-me a ler o comic e a história foi adaptada ao cinema. O filme é um dos mais esperados por mim para ver este ano. O seu nome, como já puderam observar, é “Kick-Ass”.
Com o selo da ICON da editora MARVEL, surge-nos a história de Dave Lizewski, um normal estudante de liceu igual a tantos outros, fan de super-heróis, que inspirado nos comics que lê, resolve tornar-se ele próprio num super-herói de verdade. “Why do people want to be Paris Hilton and nobody wants to be Spider-man?” interroga-se. Afinal, vestir uma máscara e ajudar as pessoas tão deve ser assim tão difícil. Mas Dave, logo na sua primeira confrontação, é fortemente espancado e esfaqueado por um gang e na atrapalhação da fuga é ainda atropelado por um carro. Após uma longa recuperação, retoma a sua dupla identidade, e após uma, desta vez, bem sucedida intervenção, torna-se objecto de curiosidade por parte da comunicação social e colecciona fans na sua página na internet. É desta vida dupla e do mediatismo que lhe proporciona que Dave se alimenta. Nasce aqui “Kick-Ass”. Um super-herói sem poderes movido por uma vontade férrea de combater o crime. E uma coisa leva a outra e “Kick-Ass” conhece outros “vigilantes” (destaco aqui a pequena Hit-Girl) que se movem por uma vontade mais forte. E o que se segue são explosões de violência que terminam invariavelmente em banhos de sangue. “Kick-Ass” é uma história brutal, ultra-violenta, com sequências de imagens dos confrontos entre o “bem” e o “mal” a atingirem níveis extremos, como nunca vi em banda desenhada. Vale tudo!
Mark Millar (Wanted) explora a ideia da existência de “super-herois” num mundo real, numa narrativa pretensamente realista, mas cujo o resultado conseguido, invariavelmente subverte algumas regras, se falarmos de capacidade humana e dos seus limites, sobretudo em termos de capacidade de fazer e principalmente capacidade de sofrer. Com a violência que o desenho (este sim realista) do excelente John Romita Jr. (Amazing Spider-Man) nos transmite, não é credível que qualquer pessoa humana, depois de fortemente espancada, esfaqueada e brutalmente atropelada, numa forte sequência, ainda sobreviva para contar a história. Mas no mundo da banda desenhada, esta história de extremos, com múltiplas referências ao universo dos super-heróis de papel, é de leitura deliciosa e intensa!Segue-se a (inevitável) adaptação ao cinema, que não sei se visualmente será tão forte como o comic, mas que espero que seja uma boa e credível adaptação. Para já as garantias são dadas por Matthew Vaughn na realização e por um elenco com os nomes de Nicolas Cage, Chloe Moretz, Aaron Johnson, Christopher Mintz-Plasse, Mark Strong e Xander Berkeley. A estreia do filme nos Estados Unidos está prevista para Abril deste ano. Em Portugal ainda não está agendada… mas vai estar!
Se despertei a vossa curiosidade, regozijai-vos:
06 janeiro, 2010
O que dizer de 2009?
Começo por concluir que não foi um ano particularmente rico em termos de edição bedéfila, mas que trouxe álbuns de muita qualidade. Ainda que persista a política de reedições, que em meu entender e com algumas excepções, pouco valor trazem, a mais-valia foi que se inverteu uma tendência do que se verificou em 2008. Tivemos mais novidades e menos reedições. E a cereja no topo do bolo foi que se fecharam algumas colecções. Sem querer ser exaustivo, passo então revista ao ano que findou:
É sabido que em Portugal, é a ASA, por força do seu catálogo, que marca o ritmo. Bem, se o marcou foi um ritmo lento. Em doze meses do ano, tivemos, feitas as contas… uma mão-cheia de novos álbuns estrangeiros. Não é mau mas é pouco.
Por razões diferentes destaco aqui alguns. O excelente “A Teoria do Grão de Areia – Tomo 1” que marca o regresso da dupla Schuiten e Peeters ao universo arquitectónico das “Cidades Obscuras”, série que figura no panteão do melhor que a BD franco-belga tem produzido. É indiscutivelmente uma das edições do ano e inclusive, foi a vencedora do prémio na categoria do “Melhor Álbum Estrangeiro" no 20º Amadora BD. A segunda e conclusiva parte da história é aguardada para o corrente ano. O “Quatro” de Enki Bilal, que, finalmente, encerrou a Tetralogia do Monstro (nota: 1ª série fechada)
E uma palavra também para o sofrível álbum comemorativo do 50º aniversário de Asterix. Não pela falta de história só confirmou que Uderzo à muito que já chegou ao fim da linha (em tempos de renovação, aguarda-se agora por melhores álbuns desta personagem), mas porque o intitulado “Livro de Ouro” foi um campeão de vendas em Portugal em 2009. Depois da primeira edição (anunciada) de 60.000 exemplares, já vi à venda uma 2ª edição. Para o álbum que é só me oferece dizer que estes lusitanos devem estar doidos!!!
A parceria ASA/Público continuou e produziu a oportuna colecção “Passageiros do Vento” de Bourgeon que trouxe dois álbuns inéditos, sendo que o 2º é lançado amanha e fecha a colecção (nota: 2ª série fechada).
Quanto à colecção “Clássicos do Tintin”, considero-a perfeitamente dispensável, porquanto a edição de histórias soltas “canta mas não encanta”.
A edição de autores nacionais continua tímida. A aposta da ASA, foi para “BRK”, que marcou a estreia de uma nova dupla, Filipe Pina (argumento) e Filipe Andrade (desenho) e “Asteroid Fighters – O inicio” de Rui Lacas. Enquanto que no primeiro caso, estamos perante uma história com uma linha narrativa oca, onde nada evolui mas que é compensado com uma boa parte gráfica; no segundo álbum verifica-se precisamente o contrário, um argumento interessante, de rápido desenvolvimento, mas com pranchas onde o desenho por vezes raia o sofrível. Lacas já nos habitou a bem melhor. Teria assim de juntar o melhor dos dois para se obter um bom álbum de BD nacional. Como em ambos os casos, a conclusão das histórias deixa em aberto uma possível continuação, devo dizer que a fasquia da qualidade terá ser elevada para que se justifique os segundos volumes.
Pela mão da KingpinBooks, fica o lançamento de “Mucha” de David Soares, Osvaldo Medina e Mário Freitas, um curto registo de terror, numa interessante história de repulsa, bem suportada no desenho de Osvaldo, que merecia um melhor desenvolvimento com um outro final, mais, talvez, arrepiante.
Verificou-se também uma tendência para o aumento da publicação de bd’s de temáticas com o patrocínio de Câmaras Municipais, com o objectivo declarado de dar a conhecer figuras, lendas e histórias que fazem parte do nosso património cultural. Moura, Arronches, Amarante ou Tomar são alguns dos felizes exemplos.
Bastante discretas mas activas estiveram as editoras BDMania/VitaminaBD. A primeira que continua a explorar o universo Marvel, lançou, entre outros, uma luxuosa edição de “Marvels” de Kurt Busiek e Alex Ross, a origem do universo Marvel (re)vista pelo olhar do cidadão comum. De leitura obrigatória; a segunda, continua muito bem a dispor do seu catalogo franco-belga. Primeiro, com “Matteo” de Gibrat, continuou com a conclusão da série “O Diabo dos Sete Mares” de Hermann (nota: 3ª série fechada) e terminou o ano em beleza com o regresso do universo Incal, com os álbuns “As Armão do Metabarão” e o primeiro volume de “Final Incal”.
Uma palavra também para o incansável Manuel Caldas, e o seu incondicional amor pelos clássicos da BD, que nos deu a ler “Tarzan dos Macacos” a primeira aventura desenhada desta personagem; o segundo álbum de “Lance” que prima pelo magnifico trabalho de restauração de cores; e “Krazy Kat” ou como repetindo exaustivamente a mesma situação se cria uma das mais invulgares strip comics alguma vez desenhadas.
Em resumo, um ano pautado mais pela qualidade do que pela quantidade e que haja mais assim!
E o que esperar para 2010?
A avaliar pelas intenções já manifestadas, as perspectivas são de + boa leitura. Da parte da ASA, começa já amanha, conforme referido, com a publicação de "A Menina de Bois-Caïman - livro 2", o sétimo e último álbum da colecção “Passageiros do Vento”. Depois segue-se "Borgia 2" cuja edição já constava no plano editorial da editora para 2009. É também é quase certa a edição da “Teoria do Grão de Areia – Tomo 2” até porque os autores serão convidados do 21º Amadora BD. Teremos ainda uma nova colecção (reedição, pois claro) pela parceria ASA/Público.
Para a VitaminaBD esperam-se as conclusões de “Universal War” e de “Incal Final”.
A KingpinBooks já anunciou o lançamento da conclusão de “A Fórmula da Felicidade”.
E depois em ano de comemoração do Centenário da Republica, é certo que não faltarão edições associadas ao tema. Portanto renovam-se os motivos de interesse.
Para finalizar, deixo então registadas a minha escolha dos Melhores Álbuns editados em Portugal ao longo de 2009:
É sabido que em Portugal, é a ASA, por força do seu catálogo, que marca o ritmo. Bem, se o marcou foi um ritmo lento. Em doze meses do ano, tivemos, feitas as contas… uma mão-cheia de novos álbuns estrangeiros. Não é mau mas é pouco.
Por razões diferentes destaco aqui alguns. O excelente “A Teoria do Grão de Areia – Tomo 1” que marca o regresso da dupla Schuiten e Peeters ao universo arquitectónico das “Cidades Obscuras”, série que figura no panteão do melhor que a BD franco-belga tem produzido. É indiscutivelmente uma das edições do ano e inclusive, foi a vencedora do prémio na categoria do “Melhor Álbum Estrangeiro" no 20º Amadora BD. A segunda e conclusiva parte da história é aguardada para o corrente ano. O “Quatro” de Enki Bilal, que, finalmente, encerrou a Tetralogia do Monstro (nota: 1ª série fechada)
E uma palavra também para o sofrível álbum comemorativo do 50º aniversário de Asterix. Não pela falta de história só confirmou que Uderzo à muito que já chegou ao fim da linha (em tempos de renovação, aguarda-se agora por melhores álbuns desta personagem), mas porque o intitulado “Livro de Ouro” foi um campeão de vendas em Portugal em 2009. Depois da primeira edição (anunciada) de 60.000 exemplares, já vi à venda uma 2ª edição. Para o álbum que é só me oferece dizer que estes lusitanos devem estar doidos!!!
A parceria ASA/Público continuou e produziu a oportuna colecção “Passageiros do Vento” de Bourgeon que trouxe dois álbuns inéditos, sendo que o 2º é lançado amanha e fecha a colecção (nota: 2ª série fechada).
Quanto à colecção “Clássicos do Tintin”, considero-a perfeitamente dispensável, porquanto a edição de histórias soltas “canta mas não encanta”.
A edição de autores nacionais continua tímida. A aposta da ASA, foi para “BRK”, que marcou a estreia de uma nova dupla, Filipe Pina (argumento) e Filipe Andrade (desenho) e “Asteroid Fighters – O inicio” de Rui Lacas. Enquanto que no primeiro caso, estamos perante uma história com uma linha narrativa oca, onde nada evolui mas que é compensado com uma boa parte gráfica; no segundo álbum verifica-se precisamente o contrário, um argumento interessante, de rápido desenvolvimento, mas com pranchas onde o desenho por vezes raia o sofrível. Lacas já nos habitou a bem melhor. Teria assim de juntar o melhor dos dois para se obter um bom álbum de BD nacional. Como em ambos os casos, a conclusão das histórias deixa em aberto uma possível continuação, devo dizer que a fasquia da qualidade terá ser elevada para que se justifique os segundos volumes.
Pela mão da KingpinBooks, fica o lançamento de “Mucha” de David Soares, Osvaldo Medina e Mário Freitas, um curto registo de terror, numa interessante história de repulsa, bem suportada no desenho de Osvaldo, que merecia um melhor desenvolvimento com um outro final, mais, talvez, arrepiante.
Verificou-se também uma tendência para o aumento da publicação de bd’s de temáticas com o patrocínio de Câmaras Municipais, com o objectivo declarado de dar a conhecer figuras, lendas e histórias que fazem parte do nosso património cultural. Moura, Arronches, Amarante ou Tomar são alguns dos felizes exemplos.
Bastante discretas mas activas estiveram as editoras BDMania/VitaminaBD. A primeira que continua a explorar o universo Marvel, lançou, entre outros, uma luxuosa edição de “Marvels” de Kurt Busiek e Alex Ross, a origem do universo Marvel (re)vista pelo olhar do cidadão comum. De leitura obrigatória; a segunda, continua muito bem a dispor do seu catalogo franco-belga. Primeiro, com “Matteo” de Gibrat, continuou com a conclusão da série “O Diabo dos Sete Mares” de Hermann (nota: 3ª série fechada) e terminou o ano em beleza com o regresso do universo Incal, com os álbuns “As Armão do Metabarão” e o primeiro volume de “Final Incal”.
Uma palavra também para o incansável Manuel Caldas, e o seu incondicional amor pelos clássicos da BD, que nos deu a ler “Tarzan dos Macacos” a primeira aventura desenhada desta personagem; o segundo álbum de “Lance” que prima pelo magnifico trabalho de restauração de cores; e “Krazy Kat” ou como repetindo exaustivamente a mesma situação se cria uma das mais invulgares strip comics alguma vez desenhadas.
Em resumo, um ano pautado mais pela qualidade do que pela quantidade e que haja mais assim!
E o que esperar para 2010?
A avaliar pelas intenções já manifestadas, as perspectivas são de + boa leitura. Da parte da ASA, começa já amanha, conforme referido, com a publicação de "A Menina de Bois-Caïman - livro 2", o sétimo e último álbum da colecção “Passageiros do Vento”. Depois segue-se "Borgia 2" cuja edição já constava no plano editorial da editora para 2009. É também é quase certa a edição da “Teoria do Grão de Areia – Tomo 2” até porque os autores serão convidados do 21º Amadora BD. Teremos ainda uma nova colecção (reedição, pois claro) pela parceria ASA/Público.
Para a VitaminaBD esperam-se as conclusões de “Universal War” e de “Incal Final”.
A KingpinBooks já anunciou o lançamento da conclusão de “A Fórmula da Felicidade”.
E depois em ano de comemoração do Centenário da Republica, é certo que não faltarão edições associadas ao tema. Portanto renovam-se os motivos de interesse.
Para finalizar, deixo então registadas a minha escolha dos Melhores Álbuns editados em Portugal ao longo de 2009:
- A Teoria do Grão de Areia – Tomo 1, de Schuiten e Peeters, ASA
- Matteo, de Gibrat, VitaminaBD
- Marvels, Kurt Busiek e Alex Ross, BDMania
- Colecção “Passageiros do Vento”, de François Bourgeon, Publico/ASA
- Krazy+Ignatz+Pupp: Uma Kolecção de Pranchas a Kores, de George Herriman, Libri Impressi
Boas Leituras!
04 janeiro, 2010
Tibet (1931-2010)
O ano de 2010 começa com triste notícia do falecimento do autor Gilbert Gascard, mais conhecido no mundo da banda desenhada franco-belga pelo pseudónimo de Tibet.
Versátil, elegante e incansável desenhador, criou em 1955, juntamente com André-Paul Duchâteau, o repórter detective Ric Hochet, cujas aventuras contam com mais de 70 álbuns publicados.
Entre nós, as aventuras de Ric Hochet têm sido publicadas de forma bastante irregular. O primeiro álbum foi editado em 1972 pela Bertrand que posteriormente editou mais quatro aventuras, seguiu-se depois a Edições Dom Quixote (2 álbuns), Futura (mais 2 álbuns), Correio da Manha (volume com 4 aventuras) e mais recentemente, em 2009, através da colecção “Clássicos da Revista Tintin” foram publicadas mais duas aventuras.
Para recordar Tibet, o melhor é ler Ric Hochet, pelo que deixo aqui a lista completa dos álbuns publicados em Portugal com a indicação da respectiva editora e ano de publicação:
- Ric Hochet contra o Carrasco (Bertrand, 1972)
- Os 5 fantasmas (Bertrand, 1972)
- Investigação no Passado (Bertrand, 1974)
- O Monstro de Noireville (Bertrand, 1975)
- Os signos do medo (Bertrand, 1976)
- Operação 100 Biliões (D. Quixote, 1983)
- Fantasma do Alquimista (D. Quixote, 1983)
- Alerta Extraterrestres (Futura, 1988)
- Inimigo através dos séculos (Futura, 1989)
- Os Espectros da Noite / O Escândalo Ric Hochet (Colecção Série Ouro – Correio da Manha, 2005) (*)
- Uma Armadilha para Ric Hochet / Ric Hochet contra “O Serpente” (ASA/Público, 2009)
(*) O volume 10 – Ric Hochet da colecção Série Ouro do Correio da Manha, inclui ainda as histórias "Investigação no Passado" e "Inimigo através dos Séculos".
02 janeiro, 2010
Tarzan dos Macacos

Uma das propostas de leitura do ano que passou, foi a edição em capa mole pela Libri Impressi de Manuel Caldas, da primeira adaptação a banda desenhada do conto “Tarzan dos Macacos”, de Edgar Rice Burrroughs, por Harold R. Foster, criador do Príncipe Valente, e que foi publicado inicialmente em tiras de jornais em Março de 1929.
É um álbum importante porque vem colmatar uma falha na edição bedéfila nacional, porque não obstante as aventuras de Tarzan terem sido publicadas nas mais variadas colecções e editoras – a estreia aconteceu nas páginas do Diabrete em Outubro de 1941 – a verdade é que a primeira história encontrava-se ainda inédita em português.
Considerada como a primeira banda desenhada realista, Tarzan dos Macacos, mostra-nos um Foster em inicio de carreira, com um traço bruto, a preto e branco, ainda bastante longe do recorte fino e perfeccionista que anos mais tarde irá aplicar nas aventuras do Príncipe Valente. A verdade é que Foster soube interpretar bem o conto de Burroughts imprimindo-lhe, através de um desenho expressivo, uma dinâmica de aventura onde a força das imagens quase que dispensam o texto que dirige a narrativa, no rodapé de cada vinheta. A história de Tarzan é um clássico. Um rapaz criado na selva pelos grandes símios africanos, que conquista o seu lugar dentro da tribo, e que resolve iniciar uma procura pela sua verdadeira identidade, acabando no fim por retornar aquela que considera ser a sua casa.
Já possuía uma versão desta história - edição brasileira da EBAL de 1975, intitulada “A Primeira Aventura de Tarzan aos Quadradinhos” - pelo que por comparação, percebo o trabalho de restauração levado a cabo por Manuel Caldas, que conforme explica recorreu a quatro fontes diferentes - as tiras originais perderam-se no tempo - para que tivesse sido possível apresentar as vinhetas com a qualidade de impressão que exibem nesta edição.

Resulta assim desta edição da primeira aventura de Tarzan, uma leitura bastante agradável, com um único senão derivado da opção do editor em dispor as tiras na vertical ocupando assim duas folhas. Seguindo a tendência natural de ler uma página de cada vez, faz com que se salte a meio de uma tira para o inicio de outra, sem se ter concluído a leituras de todas as vinhetas. Torna-se confuso enquanto não nos mentalizamos desta arrumação.
É um álbum importante porque vem colmatar uma falha na edição bedéfila nacional, porque não obstante as aventuras de Tarzan terem sido publicadas nas mais variadas colecções e editoras – a estreia aconteceu nas páginas do Diabrete em Outubro de 1941 – a verdade é que a primeira história encontrava-se ainda inédita em português.
Considerada como a primeira banda desenhada realista, Tarzan dos Macacos, mostra-nos um Foster em inicio de carreira, com um traço bruto, a preto e branco, ainda bastante longe do recorte fino e perfeccionista que anos mais tarde irá aplicar nas aventuras do Príncipe Valente. A verdade é que Foster soube interpretar bem o conto de Burroughts imprimindo-lhe, através de um desenho expressivo, uma dinâmica de aventura onde a força das imagens quase que dispensam o texto que dirige a narrativa, no rodapé de cada vinheta. A história de Tarzan é um clássico. Um rapaz criado na selva pelos grandes símios africanos, que conquista o seu lugar dentro da tribo, e que resolve iniciar uma procura pela sua verdadeira identidade, acabando no fim por retornar aquela que considera ser a sua casa.
Já possuía uma versão desta história - edição brasileira da EBAL de 1975, intitulada “A Primeira Aventura de Tarzan aos Quadradinhos” - pelo que por comparação, percebo o trabalho de restauração levado a cabo por Manuel Caldas, que conforme explica recorreu a quatro fontes diferentes - as tiras originais perderam-se no tempo - para que tivesse sido possível apresentar as vinhetas com a qualidade de impressão que exibem nesta edição.

Resulta assim desta edição da primeira aventura de Tarzan, uma leitura bastante agradável, com um único senão derivado da opção do editor em dispor as tiras na vertical ocupando assim duas folhas. Seguindo a tendência natural de ler uma página de cada vez, faz com que se salte a meio de uma tira para o inicio de outra, sem se ter concluído a leituras de todas as vinhetas. Torna-se confuso enquanto não nos mentalizamos desta arrumação.
Tarzan dos Macacos
Autor: Harold R. Foster (desenho)
Álbum único, capa mole, preto e branco
Edição Libri Impressi, Novembro de 2009
A minha nota:

29 dezembro, 2009
A Menina de Bois-Caïman – Livro 2
É oficial e talvez o primeiro lançamento do novo ano. A continuação das aventuras de Isa já tem data marcada, com a publicação do novo e conclusivo álbum A Menina de Bois-Caïman - livro 2, de François Bourgeon (a imagem apresentada é da edição francesa) no próximo dia 7 de Janeiro, juntamente com o jornal Público.O ano é de 1863 e a Guerra da Secessão que opõe os Estados Confederados do sul ao resto dos Estados Unidos continua. Dos poucos locais seguros longe da guerra, está a quinta de Lananette, junto ao Mississipi, agora habitada pela quase centenária Isa e a sua bisneta Miss Zabo. Isoladas, as duas desenvolvem uma relação temperamental e divergente, mas tudo começa a melhorar quando Isa, aos poucos, lhe revela as dolorosas e dramáticas aventuras que assombram seu passado.
Com o preço adicional de € 9,90 este novo álbum apresenta-se no mesmo formato com que foram editados recentemente todos os anteriores álbuns da colecção “Passageiros do Vento”. Ficará assim fechada e integralmente publicada em português seguramente uma das melhores histórias da banda desenhada franco-belga.
05 dezembro, 2009
Lançamentos 2
A editora VitaminaBD aproveitou também o 15º aniversário da “irmã” BDMania para lançar três novos álbuns. Começo por destacar o regresso à edição portuguesa do fantástico universo Incal, criado por Jodorowsky e Moebius. Dois dos novos álbuns centram-se exactamente neste mundo de ficção-cientifica: o one–shot As Armas do Metabarão do trio Jodorowsky, Charest e Janjetov, que conta a história do último descendente das casta dos Metabarões e a forma como reuniu em si as armas mais poderosas do universo; e o primeiro “Incal Final” intitulado Os Quatro John Difool de Jodorowsky e Ladrönn, que promete novas desaventuras do herói mais improvável do Universo John Difool, numa série que se espera a continuação.

O terceiro lançamento da editora é Vassya o mais recente álbum da excelente série A Herança de Bois-Maury, do belga Hermann, que conta as histórias dos vários membros da família Bois-Maury, e cuja acção decorre durante a Idade Média. Recordo aqui, que apesar da série não estar totalmente editada em Portugal, os dois anteriores álbuns (“Rodrigo” e “Dulle Griet”) foram já publicados por esta editora.
Boas Leituras!
Marvels em português
De volta aqui às lides bloguísticas para informar que o mês de Dezembro começou com boas notícias para os leitores de banda desenhada.
A BDMania decidiu celebrar o seu 15º aniversário da melhor maneira e lançou agora uma luxuosa edição do clássico Marvels, escrito por Kurt Busiek e magnificamente desenhado por Alex Ross, uma obra incontornável na banda-desenhada americana.
Marvels mostra o inicio do universo Marvel Comics, sob o olhar de um jovem fotojornalista, que em 1939, é testemunha privilegiada do aparecimento de nova ordem com o surgimento de indivíduos dotados de estranhos poderes, que mais tarde serão conhecidos por super-herois.
De leitura obrigatória e com lugar cativo em qualquer boa bedeteca.
A BDMania decidiu celebrar o seu 15º aniversário da melhor maneira e lançou agora uma luxuosa edição do clássico Marvels, escrito por Kurt Busiek e magnificamente desenhado por Alex Ross, uma obra incontornável na banda-desenhada americana.
Marvels mostra o inicio do universo Marvel Comics, sob o olhar de um jovem fotojornalista, que em 1939, é testemunha privilegiada do aparecimento de nova ordem com o surgimento de indivíduos dotados de estranhos poderes, que mais tarde serão conhecidos por super-herois.
De leitura obrigatória e com lugar cativo em qualquer boa bedeteca.
30 novembro, 2009
Os 35 anos de Wolverine
Não podia deixar fechar Novembro sem fazer aqui referência ao 35º aniversário do aparecimento de Wolverine. Um mutante com um sentido animal, que se rege pelos seus próprios códigos de conduta, dotado de um factor de regeneração que lhe permite recuperar de quaisquer ferimentos e de garras retrácteis revestidas a adamantium, que resolve todos os seus problemas com a violência que achar necessária.Criado por Len Wein e desenhado por Herb Trimpe e John Romita Sr., tecnicamente, a sua primeira apresentação, foi uma fugaz aparição na última página do comic The Increditle Hulk # 180 (publicado em Outubro de 1974), mas é no número seguinte (The Incredible Hulk # 181 de Novembro) onde se regista a sua primeira grande participação, no papel de super-agente ao serviço do governo canadiano, logo numa confrontação com o gigante Hulk. Mais tarde é integrado na nova equipa de mutantes X-Men liderados pelo professor Charles Xavier (Giant-Size X-Men # 1).
Wolverine aliás Arma-X aliás Logan aliás James Howlett tem um passado misterioso, que tem sido revelado aos poucos em várias histórias, por inúmeros autores, aos longo destes 35 anos de existência. É preciso juntar os melhores pedaços para se perceber as origens de Wolverine.
Outra importante história é aquela onde é contada a origem de Wolverine. Escrita por Paul Jenkins, Bill Jemas e Joe Quesada e desenhada por Andy Kubert e Richard Isanove, “Wolverine: Origem” (reunida num único álbum e publicada em Portugal pela Devir, Dezembro de 2004), revela que Wolverine é na verdade James Howlett, nascido no Canadá e filho de boas famílias, vítima de um drama familiar, provocado por um triângulo amoroso, cujo desfecho termina num banho de sangue, com o filho a matar o verdadeiro pai (que ele desconhece) que por sua vez tinha morto o padrasto (que ele julgava ser o seu pai) e o suicídio da mãe.
O seu papel de anti-herói contribuiu para o desenvolvimento da indústria de comics e apesar dos altos e baixos na qualidade das suas histórias não o impedem de ser actualmente uma das mais consistentes e das mais populares personagens do universo Marvel. Nas suas modestas palavras: "I’m the best there is at what I do, but what I do isn’t very nice".
21 novembro, 2009
Krazy + Ignatz + Pupp: Uma Kolecção de Pranchas a Kores
O editor Manuel Caldas continua a sua “missão” de recuperar, restaurar e publicar clássicos da BD americana. A sua mais recente edição é dedicada a Krazy Kat, uma comic strip criada por George Herriman e publicada entre 1913 e 1944, sob a forma de tiras diárias, em jornais americanos. As histórias, simples, contam, num registo humorístico muito próprio, sobre o relacionamento de Krazy Kat com estranho rato de nome Ignatz, cujo maior prazer é atirar tijolos à cabeça do gato, que por sua vez interpreta isso como uma demonstração de amor. Depois temos Pupp, um cão polícia, cuja missão é manter a ordem e evitar (nem sempre com sucesso) que Ignatz atire tijolos a Krazy. Portanto, um estranho e divertido triângulo de relações, que apresenta como particularidade o facto de muitas vezes o autor subverter a narrativa, interagindo com as próprias personagens.Ao longo de 48 páginas, este livro apresenta-nos 42 pranchas de Krazy Kat a cores, restauradas e legendadas por Manuel Caldas e traduzidas por João Ramalho Santos, incluindo um desdobrável que reproduz a cores uma prancha de Krazy Kat no exacto tamanho em que foi desenhada.
Aos interessados, atendendo às especificidades do nosso mercado de distribuição, informo que garantidamente que é mais fácil encomendar o livro directamente ao editor aqui do que encontra-lo nas lojas.
Aos interessados, atendendo às especificidades do nosso mercado de distribuição, informo que garantidamente que é mais fácil encomendar o livro directamente ao editor aqui do que encontra-lo nas lojas.
20 novembro, 2009
Lançamento ASA: Blake e Mortimer 19 - A Maldição dos Trinta Denários
É hoje colocado á venda em Portugal (a par com a França e Bélgica) o 19º álbum da colecção Blake e Mortimer, A Maldição dos Trinta Denários, da autoria de Van Hamme no argumento e de René Sterne (entretanto falecido) e Chantal De Spiegelee no desenho. O mote, para o regresso desta excelente dupla criada por Edgar P. Jacobs, é a sensacional descoberta arqueológica do que se julga ser os denários pagos a Judas pela sua traição a JC. De regresso, após uma espectacular fuga da prisão, está também Olrik. As primeiras páginas desta nova aventura, na sua edição francesa, podem ser vistas aqui.Repetindo o que já anteriormente tinha sido feito no álbum que antecedeu este, O Santuário de Gondwana, a edição portuguesa apresenta-se com a singularidade de ter duas capas diferentes, a original (ver aqui) e outra de venda exclusiva nas lojas FNAC (ver imagem acima).
De referir que esta nova aventura encontra-se dividia em duas partes, e a segunda está previsto o seu lançamento apenas para inícios de.... 2011, portanto isto é para ler com calma!!!
16 novembro, 2009
O Aniversário de Asterix e Obelix - O Livro de Ouro
Foi anunciado com pompa e circunstancia porque a efeméride também assim o exigia, ou não se tratasse do 50º aniversário de uma das personagens mais populares da BD. Assim, os 50 anos de Asterix e Obelix foram o pretexto para o seu sobrevivo autor Albert Uderzo, editar o 34º álbum da colecção. O Livro de Ouro é um álbum que já ninguém esperava, sobretudo depois disto, mas agora depois de o ter lido também digo… dispensava!
É verdade que o desenho de Uderzo continua elegante como sempre nos habituou, e é talvez o que melhor se aproveita deste álbum, porque o principal problema prende-se (como sempre) com o argumento, e neste “Livro de Ouro”, manifestamente com a falta dele.
Uderzo quis fazer uma apologia aos seus heróis. E nos preparativos para a festa surpresa de aniversário, faz desfilar ao longo das páginas do álbum, todo o universo de personagens que, ao longo de 50 anos de aventuras, se cruzaram com Asterix e Obelix. Apesar das boas intenções, o resultado é uma narrativa pouco conseguida para onde foram sendo "despejadas" personagens,. Valeu inclusive o aproveitamento de um pequeno "guia de viagens" escrito por Goscinny. A estrutura do álbum encontra-se alicerçada no somatório de pequenas histórias que se vão ligando, intervaladas com a introdução de pequenos “gags” e paródias promovidas pelo autor, nem sempre bem conseguidas, diga-se, o que manifestamente contribui para algum desinteresse na sua leitura.
Curiosamente, é no álbum que celebra a festa o único da colecção onde a vinheta final não mostra o famoso banquete dos gauleses. Ficamos assim sem imagens, daquilo que o próprio Uderzo definiu como “o maior banquete festivo já preparado pelos irredutíveis gauleses”.
Em resumo, este Livro de Ouro, que eu classifico como um (último) delírio fantasioso de Uderzo, não é a melhor das despedidas, mas ironicamente relembra-nos que a seu melhor talento é o desenho e não o argumento. Uma vez que o autor cedeu os direitos de publicação da personagem, permitindo assim que as aventuras de Asterix continuem mesmo depois da sua morte, abre-se uma nova etapa, com outros autores, argumentistas e desenhadores, de quem se espera que consigam recuperar o humor de velhos tempos!
O Aniversário de Asterix e Obelix - O Livro de Ouro
De UDERZO, Albert
Álbum n.º 34, Cores, Capa Dura
Editora ASA, 1ª edição de Outubro de 2009
A minha nota:

11 novembro, 2009
As "notas" esmiúçam o Amadora BD – parte III
Não obstante o sucesso, os vinte anos de experiência, o modelo do Amadora BD continua a apresentar, na minha opinião, algumas falhas. Uma delas prende-se logo com a política de descentralização das exposições do festival. Ponho sobretudo em causa a sua eficácia em termos de visibilidade. O fim a que se destinam estas exposições é serem vistas por um público bedéfilo interessado e conhecedor, público esse que se encontra reunido no núcleo central. Assim, pergunto porquê privar este público em detrimento de uma necessidade camarária de justificar a utilidade de outros espaços? Não haverá ao longo do ano quaisquer outros eventos capazes de dar uso devido aos restantes equipamentos do município?
A edição deste ano alicerçou-se na comemoração de vários aniversários redondos. A começar pelo aniversário do próprio festival. Sob o tema central o Grande Vigésimo decorreu a exposição principal, uma mostra bastante sóbria que valeu sobretudo pelos originais reunidos na colecção do CNBDI. Poderia ter-se mostrado os trabalhos dos primeiros premiados, mas preferiu-se outra abordagem. Outra data redonda foi a dos “50 anos de carreira de Maurício de Sousa”. O pai da Mónica é quase “prata da casa” do festival. Foi devidamente homenageado (o próprio Maurício fez questão de partilhar esse momento via twitter e até revelar o interesse do município da Amadora em ter um parque da Mónica na cidade). Claro está, a “sua” exposição, com um elevado número de pranchas originais, foi uma mais bem conseguidas do festival.

Outra exposição que se destacou foi a dedicada a Lepage, vencedor do prémio de “Melhor Álbum Estrangeiro” da edição do ano anterior. Os originais expostos despertaram-me para este autor. As esplêndidas cores que exibiam contrastavam em absoluto com a palidez da versão papel dos álbuns editados em Portugal pela ASA, que agora sim podemos dizer que deixam muito a desejar.
Uma palavra também Rui Lacas e Osvaldo Medina, cujo talento encontrava-se bem evidenciado em espaços próprios bem construídos e com motivos cénicos, que sempre ajudam na criação da atmosfera própria que emana do universo dos autores.
No lado oposto ao que foi bem feito, tivemos a mostra (das mais beras que já tenho visto) destinada a celebrar os “50 anos de Asterix”. Pela expectativa que se tinha criado em função da enorme popularidade da personagem, esta exposição ainda conseguiu ser pior do que uma coisa que andava para ali perdida e que dava pelo nome de “F.E.V.E.R.”. Sem perder mais tempo com isto, acrescento só que, em relação a ambas, foi um desperdício o espaço que ocupavam, que poderia ter sido melhor empregue, por exemplo, com a retrospectiva de Hector Oesterheld que está no CNBDI.
As sessões de autógrafos são um dos pontos altos do festival. O ponto baixo destas sessões é o incumprimento dos horários por parte dos autores. Atrasos que muitas vezes forçam o fecho da fila quando ainda o autor não começou a assinar. Atrasos que colidem com realização de outros eventos. É um problema que evidencia uma injustificável falta de organização e porque não dizer também, uma falta de respeito pelos leitores que esperam horas nas filas. Garantidamente, não há autor que esteja presente para começar às 15H. Em vez das 15-19H porque não se marca das 16-20H? Porque razão não se define no programa, um dia exclusivamente para autógrafos e o outro dia exclusivamente para conferências, entrevistas e apresentações?
Como já vem sendo hábito o festival apresentou mais uma vez um cartaz de autores bastante diversificado e representante dos vários géneros. Comparativamente confesso que gostei mais da edição do ano passado. Os autores franco-belgas dominaram como naturalmente não podia deixar de ser, mas gostei bastante do elevado número de autores portugueses que se mostraram. É verdade que não é fácil para um autor português editar em Portugal, mas já se começam a abrir algumas portas, e aqui gostaria de destacar o trabalho feito por uma pequena editora, a Kingpin Books, que aposta na edição própria, na promoção de novos autores portugueses e que soube tirar proveito do festival. Lançamentos, conferências, sessões de autógrafos, exposições. Tudo o que se espera que possa acontecer durante um festival de BD aconteceu com a Kingpin. Sempre entendi o Amadora BD como o ponto alto da “onda” bedéfila em Portugal. Há que aproveitar este palco!
Sobre os PNBD, já exprimi a minha opinião aqui e aqui, pelo que só acrescento que a atribuição do prémio à dupla Schuiten e Peeters teve pelo menos o condão de garantir na edição do próximo ano, uma exposição sobre as “Cidades Obscuras” que esperemos que esteja ao nível da elevada qualidade da obra destes autores.
Na zona comercial, fiz as habituais compras das (poucas) novidades. Senti a falta de uma grande livraria comum que tenha uma oferta mais alargada em termos de edição nacional e edição estrangeira, bem como abrangendo um maior número de editoras. Resumindo uma “Dr. Kartoon” em tamanho maior. Como visitante, compreendi perfeitamente a unanimidade das críticas que se gerou à volta do funcionamento da zona comercial do festival, sobretudo por parte dos livreiros. O espaço com obstáculos arquitectónicos de gosto e utilidade duvidosos não era manifestamente propício à circulação de pessoas nem acolhedor.
Depois temos as eternas questões, da apresentação do festival apenas três semanas antes deste se iniciar, que pouca margem dá a visitantes, livreiros e editoras de se organizarem em função dos autores presentes, da falta do programa e catalogo logo no inicio do festival, que é imprescindível para o visitante estabelecer uma identificação com festival, das constantes alterações dos autores presentes e tudo junto, passa a imagem que se não é parece que é tudo tratado à ultima da hora. Não abona nada em favor de um festival com 20 anos de experiência.
Relativamente à edição do próximo ano, é dedicada a mais um aniversário redondo, desta vez o Centenário da República. Também promete ser um ano em grande em termos de produção nacional, a avaliar pelas intenções já manifestadas por vários autores em trabalhar em projectos directamente relacionados com o tema. A ver vamos. Até para o ano!
Para terminar, ficam então aqui as minhas notas finais sobre o 20º Amadora BD:
Notas positivas:
+ Exposição Lepage “Muchacho”
+ Maurício de Sousa
+ Forte presença de autores portugueses
+ Parceria com o FIBD Lodz (Polónia)
Notas negativas:
- Exposição “50 anos de Asterix”
- Descentralização das exposições
- Modelo dos PNBD
- Incumprimento de horários nas sessões de autógrafos
Também sobre o 20º Amadora BD:
- As "notas" esmiúçam o Amadora BD - parte I
- As "notas" esmiúçam o Amadora BD - parte II
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