06 julho, 2009

A Teoria do Grão de Areia – Tomo 1

Neste primeiro tomo, não há respostas. Fica apenas montado o cenário. Cidade de Brusel. Na narrativa, personagens e histórias sem ligação aparente são introduzidas num enredo surrealista requintado. O sr. Abeels vê aparecer misteriosamente dentro de sua casa pedras de peso igual; a D. Kristin Antipova, mãe de dois filhos, de forma inexplicável vê a sua casa inundada diariamente por areia; o Sr. Maurice, chefe de cozinha, vai perdendo peso todos os dias sem emagrecer. Tudo num lento começo, de soma de pequenas coisas, que vai evoluindo, transformando um mundo aparentemente tranquilo, numa situação deliciosamente caótica.

Graficamente, as imagens de grandes esplendores arquitectónicos tão características de álbuns anteriores, dão aqui lugar a pequenos espaços urbanos – o apartamento, o restaurante, etc. A arte de Schuitten é excelente, transformando os desenhos em quase gravuras. Um jogo de cores é uma das particularidades deste álbum. Ainda que trabalhado essencialmente a duas cores – preto e branco sujo – a utilização de uma terceira cor, um branco puro que caracteriza os fenómenos sobrenaturais, que embora não seja distinguido pelas personagens da história, não deixa indiferente o leitor, pela atmosfera que cria, fazendo com que o desenho ultrapasse a sua natureza meramente ilustrativa.

Achei todo o álbum viciante. Chegado ao fim e fico na expectativa de saber mais. Não será um ano de espera para a edição do tomo 2 em português pesado castigo?

Ainda que não ponha em causa a qualidade do álbum, não posso deixar de fazer os seguintes reparos à edição:
- o dialogo entre Senhora Von Rathen e o Comissário na página 66, saiu trocado;
- a “tradução” do nome da personagem na página 91 parece-me completamente descabida: Tónio?!

A Teoria do Grão de Areia – Tomo 1
Autores: Schuiten (desenho) e Peeters (argumento)
10º álbum da série “As Cidades Obscuras”, preto e branco, capa mole
Editora: ASA, 1ª edição de Maio de 2009

A minha nota:

02 julho, 2009

#6 BERNARD PRINCE: A Fortaleza das Brumas / Objectivo Cormoran

O sexto volume da colecção “Clássicos da Revista Tintin” dedicado a Bernard Prince, distribuído no passado dia 24 de Junho com jornal Público, foi muito bem-vindo. Afinal Hermann é um dos meus autores preferidos.

Com histórias publicadas originalmente entre 1977 e 1978, este álbum recorda-nos uma das mais interessantes séries de aventuras criadas na banda desenhada franco-belga, até os seus autores, primeiro Hermann e depois Greg, também responsáveis pela excelente série “Comanche”, decidirem seguirem outros caminhos.

Terminada a leitura, deixo aqui as minhas impressões sobre estas duas aventuras:

Na primeira história “A Fortaleza das Brumas” (é dela a excelente imagem que ilustra a capa do álbum) tudo se desenrola sob um jogo de enganos. Começa quando um misterioso Sr. Smith “contrata” Bernard Prince para intermediar a libertação da sua filha. O pagamento do resgate de um milhão de dólares em diamantes é o mote para uma aventura passada nas montanhas, onde o aparecimento de uma curiosa personagem de nome Koubhak influenciará decisivamente o desfecho da história. O argumento de Greg revela-se aqui bastante habilidoso, manipulando todas as personagens, que com excepção dos nossos heróis, assumem papeis que não os seus. A arte de Hermann mostra-se bastante apurada, sendo expressiva nas personagens e autêntica no desenho da paisagem seca onde decorre praticamente toda a acção.

A segunda história “Objectivo Cormoran”, passada no sul de França, na costa dos milionários, Bernard Prince e os seus companheiros são envolvidos num estranho plano que tem como objectivo assassinar um rico empresário com ligações á máfia. Numa narrativa com personagens bem estruturados, diálogos bem construídos, e como convêm cheia de acção, sucedem-se os volte-faces no desenrolar da história, cujo desfecho termina com um sacrifico final inesperado. Mais uma vez, Hermann domina, não só em termos gerais, com as suas paisagens em vários planos a revelarem-se grandes imagens, mas também ao nível do detalhe, não se inibindo no desenho de cenas de violência.

Em resumo, excelente leitura de duas grandes histórias de aventuras, ainda que pessoalmente tenha gostado mais da segunda. Aproveito para deixar aqui a sugestão de publicação em álbum do inédito “A Fornalha dos Condenados” correspondente ao n.º 7 da colecção original que cairia muito bem, numa eventual segunda série destes “Clássicos da Revista Tintin”.

Aguardo agora com expectativa Buddy Longway (álbum nº 11 da colecção).

Bernard Prince A Fortaleza das Brumas / Objectivo Cormoran
Autores: Greg e Hermann
Álbum nº 6 Colecção “Clássicos da Revista Tintin”, Cores, Capa mole
Editora: ASA/Público, 1ª edição de Junho de 2009

A minha nota:

28 junho, 2009

Super-Heróis em DVD

Talvez para ajudar a combater a crise, alguns periódicos portugueses, socorrem-se de uma super-ajuda.

O semanário SOL, na sua última edição, de Sexta passada, oferece para os mais pequenos, o DVD “Homem de Ferro” em versão animada (ver imagem).

O jornal Público vai dar inicio a uma colecção de filmes em DVD, a partir do próximo dia 3 de Julho, intitulada colecção "Super-Heróis". Assim, durante 15 semanas, todas as Sexta-Feiras, serão distribuídos com este jornal, com um preço adicional que varia entre € 3,95 e € 7,95, os quatro primeiros filmes de Batman, a trilogia do Homem-Aranha (de Sam Raimi), os cinco filmes do Super-Homem (incluindo Super-Homem, O Regresso, de Bryan Singer) e os três primeiros filmes da saga dos X-Men.

Ainda que alguns destes filmes deixem muito a desejar, nomeadamente os Batman’s de Joel Schumacher, temos outros que foram grandes sucessos de bilheteira, caso dos filmes do Homem-Aranha (que se encontram no TOP 5 das mais rentáveis adaptações de uma personagem de BD ao cinema). Uma iniciativa interessante, que se adivinha de algum sucesso, pelos preços de venda. Uma chamada de atenção para o 3º DVD da colecção – “Superman” de Richard Donner, que virá acompanhado de um livro de BD, do qual até data desconheço pormenores.

27 junho, 2009

O Estranho Caso do Livro Fantasma “Um Boi sobre o Telhado”


No seguimento do que foi aqui comentado, revelo o episódio sobre a publicação do segundo volume da Black Box Stories (BBS), como de um lançamento anunciado pela Devir se passou para uma edição rara da Sétima Dimensão, que traduz bem a forma como é tratada a BD portuguesa em Portugal.

Tudo começa, quando a editora Devir na posse de todo o material (textos e desenhos) da autoria de José Carlos Fernandes e Roberto Gomes, respectivamente agendou para lançamento na 35ª Feira do Livro do Funchal, que decorreu no passado mês de Maio, o novo álbum das BBS “Um Boi sobre o Telhado”.

Foi então que a Livraria Sétima Dimensão se disponibilizou para organizar o lançamento, tendo preparado os convites aos autores, a logística, agendadas as entrevistas nos meios de comunicação social, marcado sessões de promoção, etc. Tudo parecia correr bem quando chegada a altura do Feira se aperceberam que afinal…. não havia livro! Simplesmente, e sem qualquer explicação, a Devir nem publicou o livro nem se dignou a avisar os autores, os organizadores, enfim os interessados.

Para salvar então a face perante a organização da Feira, Roberto Macedo Alves, da Sétima Dimensão, preparou com o autor Roberto Gomes, em dois dias, uma pequena edição sobre os bastidores de todo o processo de criação que esteve na base do conto “Um Boi sobre o Telhado”. É assim oferecida ao leitor uma inédita viagem ao interior do autor, de forma a perceber o porquê das escolhas gráficas que conduziram ao resultado final. Escusado será dizer que esta interessante edição foi objecto de uma tiragem limitadíssima destinada à feira e que rapidamente esgotou. E assim "Um Boi sobre o Telhado" atingiu o estatuto de livro fantasma, ou seja, um livro que praticamente ninguém viu!

Quanto à possivel edição do segundo volume das BBS, pergunto se depois disto alguém ainda acredita que a Devir existe?


PS Para os interessados, refiro que o magnifico conto que dá o nome ao livro pode ser encontrado no volume 18 da colecção “Série Ouro - Os Clássicos da BD”, dedicado a José Carlos Fernandes, que foi distribuído com o jornal “Correio da Manhã” em Outubro de 2005.

24 junho, 2009

A Teoria do Grão de Areia – Tomo 1

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A imagem acima reproduz o magnífico desenho da capa do 10º álbum, na colecção original, da série “As Cidades Obscuras”, intitulado A Teoria do Grão de Areia – tomo 1, edição ASA, que amanha é distribuído juntamente com o Jornal Público (com um preço adicional de € 17,50).

Inédito em Português, este álbum é a primeira parte de uma história cuja conclusão será apenas publicada no próximo ano. Apresentando-se num formato italiano, disposição horizontal, pouco comum no género franco-belga, o álbum vem acompanhado por uma caixa dura arquivadora que facilitará a sua arrumação na vertical.

As Cidades Obscuras é um ciclo que a dupla Peeters, Benoit (argumento) e Schuiten, François (desenho) tem vindo a criar desde 1982, que se traduz, até à data, num total de 11 álbuns publicados, tendo ganho inclusive diversos prémios. A narrativa da série desenvolve-se em redor de espaços urbanos dotados de grandes esplendores arquitectónicos, que se assumem invariavelmente como protagonistas das histórias.

Em Portugal, as Cidades Obscuras são dignas de figurar na rubrica series incompletas deste blogue. A colecção com esta edição da ASA, conhece a sua 4ª editora, e não obstante todo este interesse demonstrado ao longo do tempo na publicação da série, a verdade é que estão ainda por editar os álbuns n.º 4 e 9 (na cronologia original).

A colecção é composta então pelos seguintes álbuns (com a indicação do título, editora, ano de publicação em Portugal):

#. O Arquivista, Meribérica, 2003
1. As Muralhas de Samaris, Witloof, 2003
2. A Febre de Urbicanda, Edições 70, 1987
3. A Torre, Edições 70, 1989
4. La route d'Armilia – NÃO PUBLICADO EM PORTUGAL
5. Brussel, Meribérica, 1993
6. A Menina Inclinada, Meribérica, 1999
7. A Sombra de um Homem, Meribérica, 2000
8. A Fronteira Invisível – Tomo 1, Witloof, 2002
9. La frontière invisible - 2 – NÃO PUBLICADO EM PORTUGAL
10. A Teoria do Grão de Areia – tomo 1, ASA, 2009
11. A Teoria do Grão de Areia – tomo 2 (a publicar em 2010)

Deste 10º álbum fica aqui a sinopse da história:
Constant Abeels colecciona pacientemente uma série de pedras de igual peso que aparecem misteriosamente em diferentes divisões do seu apartamento. Num prédio vizinho, uma mulher, mãe de dois filhos, verifica que, da mesma forma, acumula grandes quantidades de areia. Um pouco mais longe, Maurice, o patrão e chefe de cozinha de um restaurante, descobre que perde peso sem, contudo, emagrecer. Com o passar dos dias, estes estranhos fenómenos continuam a suceder-se sem que se consiga encontrar solução.

Boas leituras!

14 junho, 2009

Séries Incompletas: Largo Winch

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Regresso atrás no tempo, para me situar em 2006, ano em que a editora Gradiva pega na colecção “Largo Winch” - tinha ficado “pendurada” depois da Bertrand em meados dos anos 90 ter publicado os três primeiros álbuns da colecção - e retoma a série, com um salto na sequência original, com a publicação dos álbuns H e Dutch Connection (n.sº 5 e 6 da numeração original, respectivamente). Ficava também a promessa de publicação (e passo a citar) de “(…) toda a série segundo a sequência da edição original" inclusive "(...) os quatro primeiros álbuns, para que os leitores possam completar a colecção”.

Da autoria de Van Hamme no argumento e de Philippe Francq no desenho, Largo Winch é uma das mais populares séries franco-belgas, que conta as aventuras de Largo Winczlav, um órfão de nacionalidade jugoslava adoptado por Nerio Winch, um dos homens mais ricos do Mundo, e que depois da morte inesperada deste, se torna o único herdeiro de um colossal império económico-financeiro. A acção decorre nos dias de hoje, num mundo empresarial, onde negócios de milhões despertam as mais variadas intrigas, cobiças e traições.

Na sua edição original da editora Dupuis, a colecção já vai no 16º álbum, a saber:

-1. L'héritier, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 11/1990
-2. Le groupe W, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 09/1991
-3. O.P.A., Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 11/1992
-4. Business Blues, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 10/1993
-5. H, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 09/1994
-6. Dutch connection, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 06/1995
-7. La forteresse de Makiling, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 06/1996
-8. L'heure du tigre, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 06/1997
-9. Voir Venise ..., Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 09/1998
-10. ... Et mourir, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 09/1999
-11. Golden Gate, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 12/2000
-12. Shadow, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 06/2002
-13. Le Prix de l'Argent, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 06/2004
-14. La loi du dollar, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 11/2005
-15. Les trois yeux des gardiens du Tao, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 03/2007
-16. La voie et la vertu, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Dupuis, 11/2008

Em 2007, aproveitando o lançamento mundial do novo álbum intitulado “Os Três Olhos dos Guardiães de Tao”, a Gradiva num esforço louvável (uma salva de palmas, se faz favor) lança também em Portugal este 15º álbum da colecção. E aqui se conclui a prestação desta editora!

E assim, num espaço curto de quatro anos (até à data) ficam três álbuns, uma colecção retalhada sem “ponta por onde segue” e promessas por cumprir.

Iniciou a colecção com a publicação de uma história completa (álbuns 5 e 6) mas esqueceu-se que leitura da primeira história (álbuns 1 e 2) é fundamental para entender o contexto e universo de Largo Winch (e estes álbuns da Bertrand são difíceis de encontrar pela sua antiguidade). Saltou mais do que devia para publicar o 15º álbum mas esqueceu-se que esta edição só se justificava se garantisse a publicação da conclusão da história no 16º álbum.

O resultado desta política editorial(?), teve como único desfecho um total desinteresse por parte do público português, que conduziu inevitavelmente à “suspensão” da edição da série!

Fica então aqui para memória futura o registo da curta vida de Largo Winch em português:

-1. O herdeiro, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Bertrand Editora, 1993
-2. O grupo W, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Bertrand Editora, 1994
-3. O.P.A., Jean Van Hamme & Philippe Francq, Bertrand Editora, 1995
-5. H, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Gradiva, 2006
-6. Dutch Connection, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Gradiva, 2006
-15. Os três olhos dos guardiães de Tao, Jean Van Hamme & Philippe Francq, Gradiva, 2007

VII Troféus Central Comics: Vencedores

Foi ontem, em Beja integrado na programação do Festival de Banda Desenhada, que ficamos a conhecer os vencedores dos VII Troféus Central Comics. Numa votação decorrida on-line, com bastante participação, as escolhas dos leitores bedefilos premiaram as editoras BDmania e a Plátano.

Fiquei agradado com as vitórias da editora BDMania nos troféus de Melhor Publicação Estrangeira, Melhor Desenho (Niko Henrichon) e Argumento Estrangeiro (Brian K. Vaughn), todos pela obra Fábula de Bagdad, que já aqui tinha considerado como uma das melhores de 2008; e pela Plátano na categoria de Melhor Publicação Nacional, pelo álbum Camões, de vocês não conhecido nem sonhado?, e no respectivo autor, Jorge Miguel, como Melhor Desenho Nacional.

Destaque também e merecido para o vencedor do troféu de Melhor Editora para a parceria ASA/Público, uma vez que que as colecções editadas (ainda que reedições) se traduziram em cerca de 40 álbuns de bd, o que fez desta parceria a editora mais produtiva (quantitativamente falando) do ano passado.

Uma palavra para os Murmúrios, vencedor da categoria de Melhor Fanzine, que premiea um projecto nascido em 2007, que reúne diversos autores portugueses, coordenados pelo dinâmico Rui Ramos e cujo primeiro trabalho foi este Murmúrios das Profundezas baseado na obra de HP Lovecraft.

Para a história, ficam aqui os resultados da votação (em % de votos) e a negrito os vencedores em cada categoria:

Melhor Editora
Edições Asa/O Público – 26%
BDmania – 23%
Vitamina BD – 21%
Gradiva – 13%
Edições Asa – 11%
Chili com Carne – 6%


Melhor Publicação Nacional
Camões, de vocês não conhecido nem sonhado? (Plátano) – 26%
Terra Incógnita – A Metrópole Feérica (Tinta da China) – 21%
O Menino Triste – A Essência (Qual Albatroz) – 19%
Venham+5 nº5 (Bedeteca de Beja) – 18%
Vencer os Medos (Assírio & Alvim) – 12%
O Futuro tem 100 anos (Bizâncio) – 4%


Melhor Publicação Estrangeira
Fábula de Bagdad (BDmania) – 37%
O Principezinho (Presença) – 24%
Silver Surfer – Requiem (BDmania) – 12%
Sonno Elefante – As paredes têm ouvidos (Campo das Letras) – 12%
Universal War One 4 – O Dilúvio (Vitamina BD) – 8%
Wanted (BDmania) – 7%


Melhor Publicação Cartoon
Mutts 4 – Shim! (Devir) – 35%
Hägar, o Horrendo 1 – Um Viking de Sorriso Inofensivo e Feliz (Librimprensa) – 28%
Cartoons do Ano 2007 (Assírio & Alvim) – 14%
Pérolas a Porcos 6 – Os Sopratos (Bizâncio) – 10%
Geração Lasca, BC – 50 Anos de Tiras de Johnny Hart (Bonecos Rebeldes) – 7%
Grimmy – Cão Fedorento (Gradiva) – 7%


Melhor Desenho Nacional
Jorge Miguel (Camões, de vocês não Conhecido nem Sonhado?) – 31%
Luís Henriques (Terra Incógnita – A Metrópole Feérica) – 28%
Susa Monteiro (Vencer os Medos) – 20%
Ricardo Ferrand (Venham+5 nº5) – 10%
Jorge Mateus (O Futuro tem 100 Anos) – 6%
Marco Mendes (Tomorrow the Chinese will deliver the Pandas) – 5%


Melhor Desenho Estrangeiro
Niko Henrichon (Fábula de Bagdad) – 34%
Xúlio Das Pastoras (Castaka – Dayal, o Primeiro Antepassado) – 23%
Mike Mignola (Hellboy 6 – O Verme Conquistador) – 15%
Esad Ribic (Silver Surfer – Requiem) – 13%
John Cassaday (Astonishing X-Men 1 – O Regresso) – 11%
Kim Jae-Hawn (Warcraft – Trilogia do Poço do Sol v1) – 4%


Melhor Argumento Nacional
José Carlos Fernandes (Terra Incógnita – A Metrópole Feérica) – 33%
Jorge Miguel (Camões, de vocês não conhecido nem sonhado?) – 26%
João Paulo Cotrim (Vencer os Medos) – 14%
Marco Mendes (Tomorrow the Chinese will deliver the Pandas) – 13%
Ricardo Ferrand (Venham+5 nº5) – 9%
Marcos Farrajota (Noitadas, Deprês e Bubas) – 5%


Melhor Argumento Estrangeiro
Brian K. Vaughan (Fábula de Bagdad) – 28%
Johann Sfar (O Principezinho) – 22%
Alessandro Jodorowsky (Castaka – Dayal, o Primeiro Antepassado) – 18%
Joe M. Straczinsky (Silver Surfer – Requiem) – 13%
Mark Millar (Wanted) – 12%
Denis Bajram (Universal War One 4 – O Dilúvio) – 7%


Melhor Publicação Técnica
Catálogo World Press Cartoon 2008 (vários) – 31%
BDjornal (Pedranocharco) – 23%
10º Porto Cartoon World Festival – Direitos Humanos (Afrontamento) – 21%
João Abel Manta – Caprichos e Desastres (Assírio & Alvim) – 14%
Catálogo 19º Festival Internacional BD da Amadora (CNBDI) – 7%
Arte Digital – Técnicas de Ilustração Digital (FCA) – 4%


Melhor Fanzine
Murmúrios das Profundezas (R’lyeh Dreams) – 23%
Cabeça de Ferro (Imprensa Canalha) – 22%
Colecção Toupeira 04 – A Carga (Bedeteca de Beja) – 18%
The Trute is Aute Der (Dr.Makete) – 14%
Efeméride 03 – Super-Homem no séc.XXI (Geraldes Lino) – 12%
Gambuzine (vol.2) 01 (Teresa Câmara Pestana) – 11%


Melhor Obra Curta
Analepse (Filipe Pina e Filipe Andrade; in Venham+5 nº5) – 27%
O Dia que o Mundo Acabou (José Lopes; in 4 Salas, 4 Filmes) – 20%
Cansado (Ricardo Cabral; in Efeméride 03) – 18%
Super-Carlos (Ken Nimura; in Venham+5 nº5) – 17%
A Luta Continua (Marco Mendes; in Efeméride 03) – 11%
Rádio Medo (Kike Benlloch e Paulo Monteiro; in Venham+5 nº5) – 7%


Melhor Projecto em BD
Plano editorial de publicações Mangá, da Edições Asa – 29%
Projecto BD de Fresco – Aldeia das Amoreiras, pelo Centro de Convergência de Odemira – 25%
Projecto Murmúrios das Profundezas, coord. Rui Ramos – 25%
Exposição Dave McKean – VI Festival Internacional de BD de Beja – 14%
Evento Furacão Mitra, coord. Chili Com Carne e Imprensa Canalha – 4%
Workshop Construção de Action Figures – VI FIBDB, cood. Filipe Messias – 3%

11 junho, 2009

75 anos de Mandrake

Em semana de efemérides, celebra-se hoje o 75º aniversário de Mandrake, o Mágico, um dos mais conhecidos heróis da banda desenhada americana criados por Lee Falk. Curiosamente, esta personagem foi criada em 1924, mas só depois da venda dos direitos à King Features Syndicate e o inicio da publicação das suas aventuras em tiras nos jornais americanos, em 11 de Junho de 1934 é que despertou grande interesse. Desenhado por Phil Davis, Mandrake torna-se bastante popular, pela sua figura distinta e enigmática de fraque, capa e cartola - inspirado num ilusionista real de nome Leon Mandrake - que utilizava o hipnotismo e a ilusão como as suas únicas armas e pela exploração do fantástico, com a acção a decorrer por vezes em mundos imaginários distantes e exóticos.

Mandrake juntamente com o seu irmão Derek, passou a sua infância a estudar num mosteiro no Tibete, tendo como mestre Theron, que o iniciou nas artes da magia, ensinando-lhe todos os seus segredos. Um de seus professores, Lúcifer, resolve mais tarde usar os seus poderes para o mal, adoptando o nome "Cobra", tornando-se assim o seu maior inimigo. A acompanhar Mandrake está Lotário (Lothar), um príncipe africano dotado de uma musculatura impressionante, que se torna um dos seus maiores amigos. Mais tarde surge Narda, uma princesa do reino de Cockaigne por quem Mandrake se apaixona, formando assim um trio que percorrerá os quatros cantos do mundo em inúmeras emocionantes aventuras, ainda hoje publicadas em tiras de jornais americanos, escritas e desenhadas actualmente por Fred Fredericks.

09 junho, 2009

Donald Fauntleroy Duck

...ou simplesmente Pato Donald (Donald Duck) comemora hoje 75 anos de idade. Personagem da animação dos estúdios de Walt Disney, teve a sua primeira aparição numa curta-metragem intitulada The Wise Little Hen (A Pequena Galinha Sábia), dirigida por Wilfred Jackson e estreada em 9 de Junho de 1934. Tal como a maioria das personagens do universo Disney, o Pato Donald não tem uma data de aniversário definida, razão pela qual foi assumida esta como data oficial do seu aniversário, apesar de existirem referências em algumas histórias que apontam para o nascimento a uma Sexta-Feira, 13. Nessa curta-metragem, Donald surgiu já com os traços que o viriam a celebrizar: pato branco, bico laranja, camisa de marinheiro, o quépi na cabeça e um temperamento sempre pronto a explodir. A voz original de Donald foi feita por Clarence Nash, um homem que tinha o dom natural para imitar animais, inclusive sons de patos.

O grande sucesso que o seu filme teve, promoveu-o a personagem principal de cartoons publicados diariamente, a partir de 16 de Setembro de 1934, em jornais americanos. A concepção da personagem foi fruto da parceria de dois colaboradores de Walt Disney: Carl Barks e Al Taliaferro, que o fazem crescer como personagem de banda desenhada. O Pato Donald não tem filiação precisa, sabendo-se apenas que foi abandonado ainda bebé à porta da Vovó Donalda, que o criou. Mais tarde passa a ter sobrinhos, uma namorada, um primo sortudo e um tio muito rico. O seu grande sucesso, que se alastrou à Europa, deve-se talvez às suas várias características: azarado e sonhador, corajoso e trapalhão e sobretudo a sua natureza irascível, que se consubstanciam em histórias de muito humor e aventura.

A primeira publicação Disney em Portugal data de 21 de Novembro de 1935. Em pouco menos de um ano, surgiu a revista Mickey que também publicava histórias do Pato Donald. Mas foi em 13 de Maio de 1981, que foi lançada a revista quinzenal Pato Donald, pela editora Morumbi, que ao longo dos anos passou por vários formatos, periodicidades e edições. Actualmente penso que não se publica qualquer história do Pato Donald em Portugal.

05 junho, 2009

Regresso da Devir?!

Segundo uma notícia avançada pelo Celtic, um post datado de 26-05-2009, num suposto blogue das Edições Devir anuncia o ambicioso plano de edições desta editora para o corrente ano:

Junho
  • Black Box Stories Vol. 2, José Carlos Fernandes & Roberto Gomes
  • Sin City Vol. 5 - Valores Familiares, Frank Miller
Setembro
  • Walking Dead Vol. 1, Robert Kirkman
  • Sin City Vol. 6 - Gajas, Copos e Balas, Frank Miller
Outubro
  • Blankets, Craig Thompson
  • Agência de Viagens Lemming, José Carlos Fernandes
  • Sin City Vol. 7 - Inferno, Ida e Volta, Frank Miller

Hum!!... Vamos por partes. O site oficial da editora nada anuncia. O 2º volume das “Black Box Stories” de JCF e Roberto Gomes com o título “Um Boi sobre o Telhado” anunciado para Junho, já foi lançado no passado dia 22 de Maio, na 35ª Feira do Livro do Funchal, com a chancela da... Editora Sétima Dimensão!! Craig Thompson esteve recentemente no FIBDB a autografar o “Blankets” (edição Top Shelff) e nada disse sobre o lançamento da sua obra em português! É verdade que em 2009 sairá em Espanha “A Agência de Viagens Lemming” mas a edição em português espera à anos a sua publicação. Ok, só para dizer que mantenho-me céptico sobre esse anunciado regresso da Devir portuguesa à BD!

“Sin City” volumes 5, 6 e 7? Ui…ver para crer!

31 maio, 2009

Finalmente, o FIBDB...

Beja. Estava prometida à muito a visita ao Festival de BD que anualmente se realiza nesta cidade. Foi este ano e foi ontem. Na boa companhia do Bongop rumei ao coração do Alentejo. A viagem pela planície foi bastante agradável (dispensamos bem o IP8) e o tema de conversa na viagem foi como não podia deixar de ser sobre banda desenhada. Falou-se muito e sobre muita coisa: sobre séries, autores, editoras, blogues, compras, vendas, figuras e figurões! Nem falo sobre as coisas que ficamos a saber durante um almoço!!




Cidade de Beja. 30º graus à sombra. Casa da Cultura. Este amigo também se juntou à festa. Centramo-nos no núcleo principal do Festival, até porque o calor definitivamente não convidava a passeatas pela cidade e os horários de abertura do festival nos restantes pólos (Biblioteca Municipal, Museu Jorge Vieira e Museu Regional) mostraram-se bastante tardios sobretudo para quem vem de fora. Verdade seja dita, também nunca fui adepto da descentralização de eventos nos festivais. Cá por mim, não havia núcleo principal mas sim um núcleo único.



Logo à entrada, um pequeno espaço comercial, bastante parco na oferta. Adorava saber como é que vamos de stocks nas nossas editoras? É que a avaliar pelo que eu (não) vi à venda, presumo que as vendas de algumas séries já tenham ultrapassado todos os patamares mínimos! Ainda assim aproveitei para comprar o “Blankets” por influência daqui. O facto de o autor estar presente, juntou o útil (autografo do autor) ao agradável (+500 páginas de bd)!





O ambiente do festival é bastante agradável, apesar de se mostrar algo alternativo, digo eu! Os autores estrangeiros não tem trabalhos editados em Portugal e alguns dos autores portugueses alinham claramente nesses riscos ditos alternativos. Se as exposições provam que talento não nos falta, e então para quando uma aposta séria em bd a sério, bem sustentada em termos de argumento e de desenho, comercialmente viável, a exemplo do que se produz lá fora? Tome-se por exemplo o “Blankets” de Craig Thompson!

Relativamente às exposições, gostei bastante do trabalho (sobretudo da aplicação de cor) de Deniz Deprez, autor que não conhecia (a imagem em baixo à esquerda foi roubada daqui) e do excelente traço de Gary Erskine (em baixo, à direita), não obstante o “diz que é uma espécie de Batman” que me desenhou no livro de sketch’s. Cruzo-me com caras já conhecidas de outros festivais, porque isto da bd corre-nos no sangue!

As sessões de autógrafos decorrem em tempo razoável. Pela negativa, só mesmo por omissão, e pelas razões referidas anteriormente, o facto de ter falhado as mostras de Hugo Teixeira, Luminus Box, Venham +5 e Voyager na Biblioteca Municipal.



Para a posterioridade, fica aqui o registo de um dia bem passado, num festival simpático e em excelente companhia. O FIBDB tem as portas abertas até ao próximo dia 14 de Junho e uma vasta programação paralela. Aproveitem!

30 maio, 2009

Mundo Tintim

Museu Hergé
No próximo dia 2 de Junho, é aberto ao público um novo espaço destinado a dar a conhecer a vida e a obra do criador de uma das bandas desenhadas mais conhecidas do séc. XX, o belga Georges Remi, mais conhecido pelo pseudónimo de Hergé. Dispondo de três andares e nove salas de exposições, num total de 3600 metros quadrados, o novo Museu Hergé dará a conhecer desenhos, pranchas originais, objectos pessoais, documentos e fotografias, com destaque natural para a sua criação maior: Tintim. Assim poderão "penetrar no mundo de Hergé, descobrir a sua vida, o que amava, as suas viagens, os animais de que gostava, a sua paixão por carros e sobretudo "o homem multifacetado" que ele era, disse na conferência de imprensa Laurent de Froberville, o director do Museu Hergé. Tintim, a criação maior de Hergé, "o artista do século XX", estará naturalmente "omnipresente", mas segundo aquele responsável, o museu quer ir "mais além de Tintim" para dar a conhecer "a obra de Hergé em toda a sua amplitude, que inclui muitas outras personagens, para além das suas criações como desenhador gráfico ou publicitário", e "submergir no seu processo criativo". Falta referir que este novo museu fica situado em Louvain-la-Neuve, nos arredores de Bruxelas.

fonte: Diário de Notícias on-line



Tintim no cinema
Noutras latitudes, encontra-se em filmagens o primeiro filme de uma série dedicada a Tintim. Steven Spielberg e Peter Jackson são os produtores, com o primeiro a realizar o filme inicial, cujo título oficial é «The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn» e que deverá estrear nos cinemas no Natal de 2011. A adaptação filmada em 3D, que tem como tema uma caça ao tesouro, é baseada numa das mais conhecidas aventuras de Tintim, que se encontra divida pelos álbuns «O Segredo do Licorne» e «O Tesouro de Rackham o Terrível». Já há nomes confirmados para o filme. Jamie Bell será o jovem repórter Tintin e vai enfrentar o terrível Red Rackham, interpretado por Daniel Craig. Do elenco fazem parte Simon Pegg e Nick Frost no papel da dupla de detectives Dupont e Dupond, e ainda Gad Elmaleh, Toby Jones e Mackenzie Crook.


Tintim na Rússia
A Rússia foi talvez o último país do mundo aonde chegaram os livros de Tintim, não obstante este herói da BD ter tido a sua primeira aventura precisamente no "País dos Sovietes". O primeiro e, por enquanto, único livro de aventuras de Tintim chegou aos leitores russos apenas em 2004 e chama-se "Os Charutos do Faraó".
Os especialistas russos em história da banda desenhada não têm dúvidas de que este enorme atraso na chegada das aventuras de Tintim à Rússia se deveu ao primeiro álbum de Hergé "Tintim no País dos Sovietes" (1929), obra que esteve proibida na União Soviética por ser considerada "anticomunista" e que pelo mesmo motivo continua a não chegar às mãos dos leitores chineses.
Georges Remi (Hergé) coloca os seus heróis, Tintim e Milú, no período revolucionário em que os comunistas instauravam o poder pela força, tendo-se baseado na obra "Moscou sans voiles", de Joseph Douillet, diplomata belga que viveu e trabalhou durante nove anos na Rússia soviética. Alguns episódios do primeiro álbum de Hergé são uma ilustração exacta de episódios descritos por Joseph Douillet, como, por exemplo, "as eleições democráticas" na aldeia com uma pistola apontada à cabeça. Sendo o diplomata belga um anticomunista, os estudiosos russos de banda desenhada europeia consideram aí residir uma das causas da "falta de qualidade" dessa obra.
"Não obstante a abordagem extremamente pormenorizada [da situação na Rússia soviética], a primeira experiência falhou, pois deu origem a uma banda desenhada bastante primitiva que contém numerosos disparates", como a existência de um agente da polícia política soviétiva OGPU que adora bananas, considera Elena Bulakhtina, reconhecendo, porém, que "há lugares divertidos".
Opinião semelhante tem Mikhail Khatchaturov, chamando a atenção para o facto de "Tintim no País dos Sovietes" ter sido "o único volume da série das Aventuras de Tintin que não foi posteriormente trabalhado e que, durante muito tempo, não foi reeditado".
"Só recentemente ele voltou a ser publicado, muitos anos após a morte do autor, e por isso agora surge orgulhosamente no catálogo da série como o número um", sublinha Khatchaturov.
Não obstante o comunismo ter caído na União Soviética/Rússia há quase 18 anos, Tintim continua a ser desconhecido entre o grande público russo, ao contrário de outros heróis da banda desenhada como Astérix. "Os Charutos do Faraó" foi a primeira e única das aventuras de Tintim a chegar à Rússia com uma edição de cinco mil exemplares, o que é extremamente pouco para um mercado livreiro tão imenso como é o russo.
Tintim parece ter-se irremediavelmente atrasado na sua chegada à Rússia, mesmo sem sovietes.

fonte: Público on-line

28 maio, 2009

Os 125 anos do Zoo

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O Zoo de Lisboa está de parabéns pela comemoração de 125 anos de existência. Associado a esta efeméride, saiu hoje juntamente com o jornal Público numa edição em parceira com a ASA, uma proposta bedéfila traduzida no álbum “Jardim Zoológico – 125 Anos”, da autoria, argumento e desenho, de José Garcês, dedicado a espécies em vias de extinção. São cinco curtas histórias sobre cinco espécies animais: o gorila ocidental das terras baixas, o gorila da montanha, o jaguar, o tigre de Sumatra e o tigre da Sibéria.

A utilização da banda desenhada como veiculo na transmissão de uma mensagem revela-se aqui bastante pedagógica, uma vez que o objectivo do álbum passa por dar a conhecer o habitat natural destas espécies e identificar os perigos reais que põe em causa a sua sobrevivência e, simultaneamente sensibilizar o leitor para a importância e contributo dos Zoo’s enquanto instituições cuja função principal passa também pela preservação, conservação e reprodução de espécies selvagens ameaçadas de extinção.

Ainda que as histórias sejam apresentadas de uma forma bastante resumida, focando apenas o essencial, com ausência de uma sequência narrativa, a arte de José Garcês no desenho de animais compensa, e o propósito subjacente a este álbum, transformam-no numa interessante proposta de leitura.

Jardim Zoológico – 125 Anos
Autor: José Garcês, desenho e argumento
Álbum único, cores, capa mole
Editora: ASA/Público, 1ª edição de Maio de 2009

A minha nota:

23 maio, 2009

V Festival Internacional de BD de Beja

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É já daqui a uma semana que se inicia o V Festival de BD de Beja. Entre os dias 30 de Maio e 14 de Junho, a bela cidade de Beja, volta a ser capital da Banda Desenhada em Portugal. São 15 dias de tudo o que um festival bedéfilo pode oferecer. A programação apresenta-se bastante diversificada, e inclui exposições individuais e colectivas de mais de 70 autores, lançamentos, sessões de cinema, workshops, conferências, sessões de autógrafos. Para uma melhor detalhe sobre estas e outras informações relacionadas com o festival, recomendo uma visita ao site oficial que já está disponível aqui.

17 maio, 2009

Leitura: W.E.S.T.

Começo aqui esta uma rubrica de séries incompletas a fim de recuperar algumas colecções, que se traduziram em propostas interessantes de leitura e cujos primeiros álbuns foram editados em Portugal mas que por razões que a própria razão (provavelmente) desconhece a sua continuação parece ter caído no esquecimento das nossas editoras.

Para iniciar, resgato do silêncio a série “W.E.S.T.”, uma colecção com a chancela das Edições ASA, cujo 1º álbum “A Queda da Babilónia” foi editado já no longínquo ano de 2005.

Misturando factos reais com ficção, é um acontecimento verídico – o desastre de comboio ocorrido em 22 de Outubro de 1895 na estação de Montparnasse, em Paris – o ponto de partida deste WEST, as iniciais de Weird Enforcement Special Team, uma task-force de 4 homens que é reunida para investigar uma sinistra conspiração que atenta contra os Estados Unidos, e que aparentemente está por detrás de uma série de injustificadas mortes de um conjunto de influentes pessoas, que tinham em comum o facto de pertencerem a um misterioso Clube Century. A acção desenrola-se numa América dos inícios do século XX.

Gostei bastante da elaborada narrativa, que muito apresenta sem muito revelar – assinada pela dupla Xavier Dorison e Fabien Nury, complementada com o bastante sóbrio e expressivo desenho do francês Christian Rossi, colorido em aguarela de tom sépia adequado – que constrói uma teia envolvendo sociedades secretas, forças ocultas e sinistras conspirações, o que complica a história o suficiente para que à medida que a leitura avança, ficamos nós leitores, presos pela curiosidade dos desenvolvimentos seguintes.

A desilusão chega com o final do álbum, mas não por culpa da história em si, mas sim porque encontrando-se a série dividida em ciclos, e correspondendo este álbum a primeira parte de um díptico, a sua conclusão acontece invariavelmente no 2º álbum “O Clube Century”, que ainda não foi editado em Portugal, mas cuja edição mais que se justifica, mais não seja para completar o arco.

Na série original, a editora francesa Dargaud prepara-se para lançar o 5º álbum, de uma colecção composta pelos seguintes títulos:

- 1. La chute de Babylone
- 2. Century Club
- 3. El Santero
- 4. Le 46e état
- 5. Megan

Fica aqui a minha parte feita, e parafraseio Fernando Pessoa, para lembrar que no que a WEST diz respeito, “O por-fazer é só com a ASA”.

WEST – 1. A Queda da Babilónia
Autores: Rossi, Dorison, Nury
1º Álbum, Cores, capa dura
Editora: ASA, 1ª edição de Maio de 2005

A minha nota:

14 maio, 2009

V Festival Internacional de BD de Beja

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Para além dos variados autores que estarão presentes no V Festival de BD de Beja, dos quais tenho aqui dado noticia (para saber + basta clicar na etiqueta FIBDB em baixo), também as exposições fazem parte do ambicioso programa do festival. E parte das propostas mais interessantes e promissoras no campo da Banda Desenhada nacional encontram-se no seio de projectos colectivos. Três exposições - dezenas de proposta diferentes:

All-Girlz (com Ana Biscaia, Ana Freitas, Andreia Rechena, Carla Pott, Cláudia Dias, Inês Casais, Joana Pereira, Joana Sobrinho, Kati Zambito, Marta Monteiro, Rosa Baptista, Sara Franco, Sara Mena Gomes, Sofia Verdon e Sónia Oliveira); Venham + 5 (com Agonia Sampaio, Carlos Apolo Martins, Carlos Bruno, Diego Blanko, Diogo Campos, Inês Freitas, João Lam, Ken Niimura, Kike Benlloch, Lobato, Luís Guerreiro, Maria João Careto, Paulo Monteiro, Pedro Brito, Pedro Ganchinho, Pedro Rocha Nogueira, Susa Monteiro, Véte e Zé Pedro); e Voyager (com Diogo Campos, Diogo Carvalho, Luís Belerique, Luís Maiorgas, Nelson Nunes, Phermad, Ricardo Reis e Rui Ramos).

Muitos destes autores estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

09 maio, 2009

Nova colecção de BD pelo Público

A parceria ASA/Público prepara-se para uma nova colecção, desta vez, dedicada a heróis da banda desenhada que há muito desapareceram dos habituais escaparates. São personagens clássicos publicados à muito pela extinta revista Tintin (edição portuguesa) e que são agora resgatados ao tempo para a Colecção Clássicos da Revista Tintin.

As propostas de leitura dadas por esta nova colecção, composta por 12 álbuns duplos (alguns triplos), é bastante diversificada, e passa desde da ficção científica (com Luc Orient), ao western (com Buddy Longway), do desporto automóvel (com Michel Vaillant), ao exotismo (com Bernard Prince), do policial (com Ric Hochet) à aventura (com Lester Cockney) e não esquecendo os mais novos (com Clorofilia), entre outros.

Uma verdadeira colecção para “saudosistas” com a aliciante de publicar em álbum histórias ainda inéditas em Portugal, pelo preço de € 6,90 cada álbum.

Destaco o álbum de Bernard Prince (publicação em 24 de Junho) que inclui as histórias “A Fortaleza das Brumas” e “Objectivo Cormoran” que possibilitará aos coleccionadores preencherem o vazio que existia nos álbuns publicados anteriormente em Portugal, que saltava do n.º 10 para o 13 (na numeração original). As aventuras referidas correspondem assim aos álbuns n.º 11 e 12.

COLECÇÃO CLÁSSICOS DA REVISTA TINTIN (Títulos e datas de lançamento):
  1. 20 de Maio - Luc Orient - Os Dragões de Fogo / Os Sóis de Gelo
  2. 27 de Maio - Clorofila - Contra os Ratos Negros / Clorofila e os Conspiradores
  3. 03 de Junho - Jonathan - O Sabor do Songrong / Ela ou Dez Mil Pirilampos
  4. 10 de Junho - Michel Vaillant - O 8.º Piloto / Suspense em Indianápolis
  5. 17 de Junho - Rock Derby - Os Tubarões do Ringue / Os Ladrões de Bonecas/Pânico no Paraíso
  6. 24 de Junho - Bernard Prince - A Fortaleza das Brumas / Objectivo Cormoran
  7. 01 de Julho - Clifton - Meu Caro Wilkinson / O Rapto
  8. 08 de Julho - Vasco - O Ouro e o Ferro / O Prisioneiro de Satanás
  9. 15 de Julho - Spaghetti - Spaghetti e os quadros a Óleo/Encontro de Ciclistas / Spaghetti em Paris
  10. 22 de Julho - Ric Hochet - Uma armadilha para Ric Hochet / Ric contra "O Serpente"
  11. 29 de Julho - Buddy Longway - O Vento Selvagem / O Manto Negro
  12. 05 de Agosto - Lester Cockney - A Ruptura / Oregon Trail 



08 maio, 2009

Novidades da BDMania e da VitaminaBD

Não uma, não duas, não três, mas sim quatro lançamentos em simultâneo. É verdade, as “irmãs” Vitamina BD e BDMania, numa inédita acção, acabam de lançar de uma só vez, quatro álbuns de BD, que farão de certeza a delícia de muitos leitores de BD. Assim temos:



  • A conclusão da saga O Diabo dos Sete Mares (Hermann & Yves H.) com a edição da segunda parte desta história fantástica de piratas, tesouros, maldições e zombies, da autoria de um dos grandes mestres da BD europeia.

  • Do outro lado das nuvens - 1. Duelos (Hautiére & Hugault) - o primeiro volume (de uma série de dois) apresentando uma história passada antes e durante a 2ª Guerra Mundial, com a aviação como tema de fundo. Do autor de O Último Voo.

  • Universal War One : A Torre de Babel (Bajram) – o 5º e penúltimo número desta incrível história de ficção cientifica. A conclusão está prevista para Outubro deste ano!

  • Astonishing X-Men: Imparável (Whedon & Cassaday) - o 4º tomo e conclusão do épico run da "dupla fantástica".

Boas leituras para o fim-de-semana!

V Festival Internacional de BD de Beja


Continua o desfile dos autores que vão estar presentes no Festival Internacional de BD de Beja. A comprovar que a banda desenhada europeia respira vitalidade por todos os poros, anuncia-se a presença de (mais) dois grandes autores: Alberto Vázquez e Lorenzo Mattotti.

Alberto Vázquez é um dos talentos emergentes da moderna banda desenhada espanhola (em 2007 ganhou o Prémio do Público para o Melhor Desenho com El Evangelio de Judas, em Barcelona). Depois de expor o seu trabalho um pouco por todo o lado, de Buenos Aires a La Paz, passando por Nápoles, chega agora ao nosso país, para deslumbre dos olhares mais exigentes.

Lorenzo Mattotti, é um ”gigante” da banda desenhada mundial, um dos autores mais significativos do nosso tempo. A exposição que traz a Beja constitui uma ocasião rara para observar de perto um autor incontornável, dono de um traço único e de uma poética muito pessoal.

Os autores estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

04 maio, 2009

Vasco Granja (1925-2009)

Faleceu Vasco Granja. Foi através do seu programa televisivo, que entre milhares de outros filme de animação de origem da Europa de leste, cujos nomes dificilmente ficariam na memória, toda uma geração teve contacto com personagens como Bugs Bunny, Mr. Magoo ou ainda a Pantera-Cor-de-Rosa.

No entanto, gostaria aqui de destaca aqui a sua prolifera actividade como divulgador da banda desenhada em Portugal. Aliás, o próprio termo “banda desenhada” foi utilizado pela primeira vez por Vasco Granja num artigo publicado pelo “Diário Popular” em Novembro de 1966. Vasco Granja foi editor do fanzine "Quadrinhos", director da 2ª série da edição portuguesa da revista "Spirou" e ainda o último director da revista Tintim. A Vasco Granja deve-se ainda a publicação de "Corto Maltese", pela Bertrand, na qual trabalhou como coordenador de edição de BD.

Vasco Granja foi também figura determinante no arranque do Festival Internacional de BD da Amadora, que o homenageou com o Troféu de Honra em 1996. Um obrigado a um nome grande da BD portuguesa!

03 maio, 2009

Pela ASA em 2009

Uma passagem pela (concentrada) Feira do Livro de Lisboa e na habitual falta de novidades bedéfilas nas bancas, procurei saber outro tipo de novidades e fiquei a saber que... a editora ASA tem previsto para a publicação em 2009, entre as habituais reedições (de Lucky Luke), os seguintes títulos inéditos:

  • Da série Borgia:
Finalmente a continuação desta excelente série da dupla Jodorowsky/Manara, logo com a publicação dos volumes 2 e 3, “O Poder e o Incesto” (um dos meus 12 desejos para 2009) e “As Chamas da Pira”, respectivamente.

  • Da série As Cidades Obscuras:
A continuação de uma série que já passou por diversas editoras e que chega agora á ASA. O álbum a publicar é “A Teoria do Grão de Areia” – tomo 1, de Schuiten e Peeters, que corresponde ao 10º na colecção original.

  • Da série Bilal:
Depois da conclusão da tetralogia de “O Monstro”, a ASA aposta no mais recente título deste autor: “Animal Z”.

Estranha-se no entanto a falta de aposta naquelas séries “penduradas” e porventura comercialmente mais conhecidas tal como Blueberry, Alix ou Thorgal, às quais eu ainda acrescentaria XIII ou Bouncer, mas claro está são opções!

O Sandokan inacabado de Hugo Pratt

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Quando Alfredo Castelli, autor e estudioso de banda desenhada, revelou ter descoberto há pouco mais de um ano 64 pranchas originais de uma versão incompleta das aventuras de Sandokan desenhada por Hugo Pratt em 1971, o mundo da BD reagiu como se tivesse sido encontrado um tesouro.

Hoje, quando a primeira edição destas duas histórias inacabadas - Tigri di Mompracem e La Riconquista di Mompracem - se prepara para chegar às livrarias italianas (a versão em francês só é lançada no Outono), a expectativa é ainda maior. Sobretudo porque Castelli, que está envolvido nesta publicação com a chancela da editora italiana Rizzoli Lizard, revelou apenas a primeira das pranchas desenhadas por Pratt, o criador do indomável e romântico Corto Maltese e do pragmático Sgt. Kirk.

Basta uma pesquisa rápida na Internet para perceber que há muitos leitores de BD que esperam ansiosamente "as novas aventuras" da personagem criada pelo escritor Emilio Salgari (1862-1911) e que, na versão de Pratt, tem a sua história contada pelo guionista Mino Milani.

Segundo o El País de ontem, e a avaliar pela primeira das 64 pranchas originais - a única que Castelli acedeu a mostrar -, o aspecto do Sandokan de Pratt nada tem a ver com o da versão cinematográfica e televisiva celebrizada pelo actor indiano Kabir Bedi. Nestas duas tiras já conhecidas, o autor italiano prefere representar o príncipe malaio - um homem corajoso que se insurgia contra a tirania britânica, tinha uma namorada chamada Marianna e um amigo português - sem barba, sentado numa cadeira de vime numa pose muito semelhante às que podemos encontrar no próprio Corto Maltese.

O Sandokan de Pratt-Milani foi uma encomenda do Corriere dei Piccoli, o célebre suplemento infantil do diário italiano Corriere della Sera. Quando revelou a sua descoberta, que só pensou em publicar depois de receber autorização da Cong SA, a sociedade que detém os direitos da obra de Hugo Pratt, Castelli explicou aos jornalistas que a obra se manteve inédita porque o autor italiano não conseguiu cumprir os prazos de entrega que os editores do Corriere dei Piccoli tinham estipulado.

Johnny Depp, o actor que dá vida a Jack Sparrow, o desarmante corsário dos filmes da série Piratas das Caraíbas, disse já ter ido buscar inspiração a Sandokan para compor a sua personagem. Poderá vir a ser Depp o autor do prefácio do Sandokan de Pratt na edição francesa.

fonte: jornal Publico on-line

02 maio, 2009

V Festival Internacional de BD de Beja

gary

A organização do Festival de BD de Beja continua (e bem) a privilegiar este excelente canal de comunicação que é a internet. Na última newsletter recebida foi então confirmado o que já havia sido aqui objecto de comentários, ou seja, a presença do autor Gary Erskine...

Nos últimos vinte anos passaram pelas mãos de Gary Erskine séries notáveis como Judge Dredd, Hellblazer, The Authority ou Justice Society of America, entre outras. Um autor polivalente que ultimamente nos tem mostrado o seu talento com Dan Dare, escrito por Garth Ennis e publicado com o selo da Virgin Comics.

O autor estará presente em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

30 abril, 2009

Cinema: X-Men Origens Wolverine

Ano Wolverine parte II. Aproveitando um convite, assisti à (ante)estreia do filme a solo de Wolverine. Funcionando como prequela dos acontecimentos cinematográficos da saga X-Men, este "spin-off" revela-se em termos gerais como uma satisfatória fita de super-heróis. Não encanta mas por outro lado, por força das cenas de acção e efeitos pirotécnicos também não desencanta.

A história assenta sobretudo na relação tumultuosa de Wolverine/Logan (Hugh Jackman) com o seu irmão (penso que não é segredo para ninguém!) Victor Creed/Dentes-de-Sabre (Liev Schreiber) O desenrolar dessa relação tensa entre irmãos irá culminar no envolvimento de Wolverine no projecto Arma-X e consequente implementação de adamantium no seu esqueleto. Ainda que identifiquem influências da banda desenhada na história, nomeadamente no único momento retratado da infância de Wolverine, que vai beber da história da origem de Wolverine, “Origins” de Paul Jenkins e Andy Kubert (editado em Portugal, “Wolverine: Origem”, edição Devir, 2002) e no projecto Arma-X inspirado na clássica história “Weapon X” de Barry Windsor-Smith (editado em português-brasileiro, “Wolverine Extra” n.º1, editora Abril, 1995), a verdade é que a adaptação cinematográfica de Wolverine destina-lhe um papel clássico de herói que manifestamente não lhe cabe no mundo dos comics.

Ainda que visualmente o filme funcione bastante bem, até porque Hugh Jackman (no seu 4º filme como Wolverine) mostra-se bastante à vontade no papel, o que se torna explícito no aproveitamento das suas explosões de fúrias filmadas em grande plano, a verdade é que a realização falha. O filme passeia a sua superficialidade suportado em fortes cenas de acção, disfarçando assim a sua falta de conteúdo. A narrativa foge rapidamente aos diálogos procurando desesperadamente o confronto, por mais absurdo que às vezes isso possa parecer. Veja-se a título de exemplo o encontro de Wolverine com Gambit. A história pouco traz de novidade ao que já se tinha assistido anteriormente, limitando-se por isso a responder a algumas questões e a fazer a ponte com a trilogia X-Men.

Manifestamente não fiquei entusiasmando!

As minhas estrelas: 3 em 5

26 abril, 2009

V Festival Internacional de BD de Beja

Fernando Gonsales é, sem dúvida, um dos mais geniais autores de banda desenhada do país irmão. As piadas com as tiras de Níquel Náusea, o rato de esgoto que queria ser o Mickey no lugar do Mickey, têm feito rir os mais mal-humorados um pouco por todo o lado… Além do Níquel, a galeria de Gonsales é composta pelo Rato Ruter (um rato mutante, gordo como um gato), pelo Sábio do Buraco (rato velho, entendido em várias matérias), pela rata Gatinha (quem tem ninhadas de dez em dez minutos), pela barata Fliti (viciada em Baratox), e por dezenas de personagens… humanos.

O autor estará presente em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

E porque o Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja é um Festival aberto a todas as tendências e a todos os públicos, estão previstas exposições para os mais pequenos, dos autores: Carlos Rocha e Rui Cardoso.

Carlos Rocha é um talentoso autor algarvio (que verá lançado pela Bedeteca de Beja o livro "O Maior de Todos os Tesouros", logo no segundo dia do Festival).

Rui Cardoso é talvez o mais popular autor de banda desenhada e cinema de animação português entre os mais novos... Quem é que nunca ouviu falar n'Os Patinhos?

Os autores estarão presentes em Beja nos dias 30 e 31 de Maio…

25 abril, 2009

Os 70 anos de Batman

Faz hoje uma semana e passou quase despercebido. Batman comemorou o seu 70º aniversário. Foi em 18 de Abril de 1939, que este super-herói surgiu pela primeira vez nas páginas do comic Detective Comics #27. Criado por Bob Kane (desenho) e Bill Finger (argumento) e num registo bastante diferente do que conhecemos actualmente, Batman era apresentado como “a mysterious and adventurous figure fighting for righteousness and apprehending the wrong doer, in his lone battle against the evil forces of society… His identity remains unknown”. A sua primeira aventura intitulava-se “The Case of Chemical Syndicate”.

Setenta anos depois, os tempos mudaram. Apesar de considerado um ícone popular, imortalizado por grandes autores de BD, Batman é actualmente fruto de uma exploração ecónomica intensiva da personagem, atravessando por isso uma fase paradoxal: enquanto a sua adaptação ao cinema se traduz em recordes de bilheteira – o último filme O Cavaleiro das Trevas é mesmo a mais rentavél adaptação de sempre de uma BD ao cinema – nos comics, Bruce Wayne/Batman está dado como morto (Batman # 681) e discute-se a sua sucessão (nos arcos Whatever Happened to Caped Crusader? e Battle for the Cowl). Mas como no mundo dos comics nada é o que parece, há sempre a possibilidade de tudo dar uma volta de 360º, seja lá o que isso represente no mundo da BD!

19 abril, 2009

Desenhos autografados (11): Jeanne e François



Acerca de Gibrat, autor francês nascido em 1954, relembro que foi um dos autores estrangeiros convidados no 16º FIBDA realizado em Outubro/Novembro de 2005. Na altura autografou-me os dois álbuns de “O Voo do Corvo”, fazendo o retrato, a lápis de carvão, das duas personagens principais da história: Jeanne e François (ver imagens). Da sua obra encontram-se já publicados em Portugal os seguintes álbuns (por título, editora, ano):

  • Pinóquia – Meribérica, 1997
  • Maré Baixa – Meribérica, 1999
  • Destino Adiado - Tomo 1 – ASA, 2002
  • Destino Adiado - Tomo 2 – ASA, 2002
  • Destino Adiado - Tomos 1 e 2 (reedição) – Colecção Grandes Autores de BD n.º 7, Público/ASA, Fevereiro de 2008
  • O Voo do Corvo - Tomo 1 – ASA, 2002
  • O Voo do Corvo - Tomo 2 – ASA, 2005

18 abril, 2009

Leituras: Mattéo - Primeira Época (1914-1915)

Retomo a actividade aqui do blogue, após um período de ausência forçada não desejada, mas a verdade é que o tempo é cada vez mais um bem escasso!

Seja como for, estou de volta e dou (re)inicio às hostilidades (no bom sentido) para falar então no recentíssimo “Mattéo – Primeira Época (1914-1915)” do autor francês Jean-Pierre Gibrat lançado este mês pela VitaminaBD. Este álbum é o primeiro de uma série prevista de quatro tomos, que abrangerá o período compreendido entre 1914 e 1940. O fio condutor é a história da personagem que dá o nome á série: Mattéo, um jovem de 20 anos, antimilitarista, filho de um anarquista espanhol, que vive exilado em França com a sua mãe, e que por força do destino participará nos principais conflitos do século XX, desde da Primeira Grande Guerra até à Segunda, passando pela Revolução Russa e ainda pela Guerra Civil Espanhola.

Este primeiro volume, começa então em Agosto de 1914, com a declaração de guerra da Alemanha. É no exílio, numa pequena vila francesa, que encontramos o espanhol Mattéo, cujo estatuto de estrangeiro, o livra da mobilização. No entanto, não obstante os relatos, feitos pelo seu melhor amigo, dos horrores da frente de batalha, e da forte oposição de sua mãe, Mattéo, levado pelas emoções e numa tentativa de (re)conquistar a jovem Juliette, resolve alistar-se, não por convicção mas por amor.

Com "Mattéo", Gibrat afirma-se definitivamente como um autor completo. Socorre-se mais uma vez, dos tempos de guerra – já o havia feito anteriormente em “Destino Adiado” e com o díptico “O Voo do Corvo” (ambos editados entre nós pela ASA) – para contar uma história de amor, de sacrifício, onde todos os actos das personagens são condicionados pelas emoções. Apesar de reconhecidamente ser um excelente desenhador, nada o impede de utilizar (mais uma vez) como modelo para a personagem Julliette, a bela Cécile (ver “Destino Adiado”) que por sua vez já tinha servido de modelo para a bela Jeanne de “O Voo do Corvo”, dotando assim (mais uma vez) de grande sensualidade as jovens personagens femininas da história. As aguarelas em tons mornos cuidadosamente escolhidos, feitas em painéis de dimensões largas, cumprem exemplarmente a função gráfica, às quais se juntam magníficos diálogos e pensamentos, o que torna esta série num excelente registo merecedora de ser seguida com atenção. Que venha rapidamente o tomo dois!


Em resumo, um excelente álbum que é simultaneamente o primeiro lançamento da editora este ano, o que se espera que seja prenuncio de uma boa safra bedéfila.

Mattéo - Primeira Época (1914-1915)
Autor: Jean-Pierre GIBRAT, desenho e argumento
1º Volume, Cores, Cartonado
Editora: VitaminaBD, 1ª edição de Abril de 2009

A minha nota:

22 março, 2009

Ano Wolverine - Parte I

Wolverine comemora este ano o seu 35º aniversário. A sua primeira aparição aconteceu em Outubro de 1974, como personagem secundária, nas últimas páginas do comic The Incredible Hulk # 180, mas rapidamente o seu feitio irascível e a sua fúria animal lhe granjearam grande popularidade, levando a que fosse incluído na renovada equipa de mutantes X-Men. Dotado de factor de regeneração que lhe permite sarar qualquer tipo de ferida e munido de seis (três em cada mão) garras retracteis, este canadiano, nascido James Howlett, mas também conhecido por Logan é sem dúvida uma das personagens mais populares do universo Marvel.

Aproveitando o ano de aniversário, a editora americana, na linha da sua tradição de capas variantes, prepara-se para promover nas várias série sque publica, uma colecção de capas variantes comemorativas que intitulou de "Wolverine Art Appreciation", tendo como figura central Wolverine adaptado a tema central de grandes obras da pintura mundial assinadas por pintores tão diferentes como Van Gogh, Dali, Gustav Klimt, Picasso, Andy Warhol, entre muitos outros, o que deixa antever mais um sucesso de vendas junto dos coleccionadores.

Em baixo deixo reproduzidas as imagens das capas inspiradas nas obras de dois dos pintores que mais aprecio: Van Gogh (imagem da esquerda correspondente à capa da edição Uncanny X-Men # 508) e Salvador Dali (imagem da direita - edição Amazing Spider-Man # 592).


21 março, 2009

COMIC$ (2) - Action Comics # 1

Relativamente ao valor de um comic, foi estabelecido ainda este mês, através de um leilão on-line, um novo máximo para uma única revista.

Trata-se do exemplar Action Comics" # 1 (1938), o chamado ”Santo Graal” da BD, uma vez que foi aqui surgiu o primeiro super-heroi da banda desenhada, o Super-Homem. Neste leilão que se prolongou durante varias semanas, o preço final foi fixado nos astronómicos $317.200 (cerca de €245.000), o que constitui assim um recorde mundial.

Em termos de valorização, lembra-se que no passado outros exemplares da mesma revista já haviam sido vendidos por $55.595 em Abril de 2004 e por $69.000 em Janeiro de 2006. É o que se pode chamar de um rico investimento!

COMIC$ (1) - Edição "Obama"

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Mais que uma paixão, a banda desenhada hoje em dia revela-se também como um excelente negócio. Que o diga a editora americana MARVEL, que aproveitou (inteligentemente, digo eu) o chamado efeito “Obama”, para a inclusão no comic Amazing Spider-Man" # 583 de uma pequena história, desprovida de qualquer interesse, mas que envolve o Homem-Aranha e o novo presidente no dia da tomada de posse presidencial. Foi o suficiente para que a chamada edição “Obama” (com a imagem do novo presidente na capa) fosse reimpressa cinco vezes, traduzindo-se em vendas superiores a 350.000 unidades, o que torna esta revista uma das mais vendidas, até à data. Para se ter uma ideia, refere-se que as vendas normais de ASM rondam as 60.000 unidades e que no topo dos recordes de vendas deste século encontrava-se a edição “Captain America” # 25 (2007), com a história da morte deste, com um total de 250.000 unidades vendidas.

Uma simples pesquisa no eBay e podemos encontrar a primeira reimpressão de ASM # 583, com valores de venda a rondar os $80 ou o conjunto das seis edições (original mais as cinco reimpressões) a $100. Se atentarmos que estamos a falar de uma revista cujo preço de capa é de $3.99 e onde não se aplicam quaisquer factores de valorização (i.e. alteração da personagem principal, nova personagem, novos autores), estamos perante uma valorização despida de qualquer factor racional de… 1.900%! Existirá nos tempos que correm melhor negócio?

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V Festival Internacional de BD de Beja


Começaram a sair as primeiras notas sobre o Festival de BD de Beja que vai já na sua 5ª edição. Assim nos 15 dias de festival, que decorre entre 30 de Maio e 14 de Junho anunciam-se 20 exposições e a presença dos autores estrangeiros Craig Thompson, o autor de Goodbye, Chunky Rice e Blankets, e Denis Deprez, autor de Frankenstein e Moby Dick, que estarão presentes nos dias 30 e 31 de Maio naquela cidade alentejana.

Aguarda-se por mais novidades!...

19 março, 2009

Estreia hoje...

… mas parece que a “coisa” é tão má, tão má, que a galeria das piores adaptações de BD ao cinema ganhou um novo herói… THE SPIRIT !

Os visitantes do site ”IMDB” atribuem 5.1 em 10
Os visitantes do site “Rotten Tomatoes” dão 3.5 em 10

e a malta do Público também dá uma ajuda!

Depois não digam que não foram avisados!

13 março, 2009

E o próximo herói de BD a ser editado pelo Público é...

... de acordo com a edição de hoje do jornal, não se trata de um herói nem de uma série (e aqui somam-se as expectativas expectativas frustradas!). A aposta vai para um único álbum, ainda inédito em Portugal: QUATRO?, e é o último volume da Tetralogia do Monstro, de Enki Bilal.

Com esta edição, com data de lançamento no dia 19 de Março próximo, fica assim completa a colecção, que é composta pelos seguintes álbuns:

- Volume 1 – O SONO DO MONSTRO
- Volume 2 – 32 DE DEZEMBRO
- Volume 3 – ENCONTRO EM PARIS

todos já publicados em Portugal pela ASA, sendo que o primeiro volume foi ainda recentemente editado pelo jornal Público na colecção “Grandes Autores de BD”.

A imagem apresentada é a capa da edição conjunta Publico/ASA e reproduz a capa original da edição francesa.

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