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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A revelação

 O Mercenário, volume 14: O Último Dia


Em 2021 escrevi um texto que começava assim:

 

“Ninguém conhece o seu nome ou o seu passado. Dele só se sabe que é um soldado da fortuna a soldo de quem lhe retribuir os seus méritos – um mercenário.


Num país envolto em nuvens eternas, isolado do resto do mundo e com uma cultura muito própria, o Mercenário viaja de cidades altaneiras ou flutuantes para picos solitários e extensas mesetas, montado em dragões e em busca das mais fantásticas aventuras nas quais nunca podem faltar as mais belas mulheres desnudadas.”


Deste modo, assinalei a segunda vida de O Mercenário de Vicente Segrelles no mercado português.


Série criada pelo autor espanhol para a revista Cimoc em 1980, publicada pela primeira vez em álbum em 1983, chegou a Portugal no ano seguinte pelas mãos da Meribérica. De 1984 a 1999, esta editora publicou os primeiros nove volumes da série. Os leitores portugueses ficaram por isso sem conhecer os cinco volumes restantes.


Até que, em 2021, a Ala dos Livros surpreendeu o mercado nacional da BD ao relançar O Mercenário. Mas não o fez de qualquer maneira. Cada volume tinha agora capa dura com lombada em tela, papel de alta qualidade com uma “boa mão” e um caderno de extras no qual o autor explicava os bastidores da série.


Ao leitor português restava esperar que a Ala dos Livros não o defraudasse e levasse a série a bom porto, mesmo até ao seu final. Pois bem, 6 anos depois foi exactamente isso que aconteceu com “O Último Dia”, o 14.º e último volume da série.

 

O Mercenário é ambientado no género Alta Fantasia e situado em plena Baixa Idade Média, por volta do ano 1000. O seu enorme sucesso deveu-se (e deve-se), em parte, ao facto de o autor pintar a óleo cada vinheta, transformando-as em verdadeiros quadros. Só 14 anos após o começo da série é que o americano Alex Ross faria (também com grande sucesso) algo do género.


Ao longo de 13 álbuns, somos levados ao País das Nuvens Permanentes; montados em criaturas aladas, planamos na Zona dos Grandes Frios; encontramos refúgio no Mosteiro da Ordem da Cratera e viajamos para paragens longínquas, atravessando até os oceanos. Enfrentamos todo um bestiário que, por vezes, parece retirado do próprio Inferno. Somos aconselhados por Lama, o ancião do Mosteiro; vivemos as maiores aventuras ao lado da jovem e bela guerreira Nan-Tay; somos constantemente perseguidos pelo perigoso Claust; e tomamos contacto com estranhas civilizações alienígenas.

 


Agora, neste derradeiro volume, Vicente Segrelles resolve unir todos os pontos e concluir a odisseia d’O Mercenário. E fá-lo escrevendo uma novela de 23 páginas acompanhadas por 23 ilustrações de página inteira. Um festim para os olhos dos leitores; uma revelação em termos da narrativa. Digo-vos apenas que a história e a fantasia fundem-se por fim, e na sua totalidade, com a ficção científica, transportando o Mercenário, Nan-Tay e a jovem Ky para novas e misteriosas paragens.

 


Mas não é tudo! O habitual caderno de 16 páginas de extras é aqui substituído por umas meras 4 páginas que dão depois lugar à última banda desenhada do Mercenário que, na verdade, foi a primeira em que o personagem enveredou pela ficção científica e que foi realizada em 1984.

 

Com o título A Evidência, esta banda desenhada curta, de apenas dez páginas, está em perfeita sintonia com o final da série e bem que também se poderia intitular de A Revelação.


O certo é que o leitor habitual de O Mercenário não se sentirá defraudado com este derradeiro volume. E os novos leitores não só podem descobrir uma arte fantástica como têm agora a oportunidade de ler toda a série sem interrupções. Cá por mim, vou fazer uma maratona de Mercenário no próximo fim-de-semana e deixar-me levar até um dos imaginários mais fortes da minha adolescência.



Por Francisco Lyon de Castro


 

4 comentários:

Luis Alves disse...

Bom dia,

Antes de mais, quero agradecer pelo excelente trabalho que têm feito ao longo de todos estes anos de existência do blog.

Graças ao vosso trabalho, tenho conseguido agregar informação mais correta e concisa na minha aplicação, MyBookShelf.

Se puderem e tiverem algum tempo, gostava muito que experimentassem a aplicação e me dessem o vosso feedback.

https://play.google.com/store/apps/details?id=pt.luisalvesweb.bookshelf

Obrigado e continuem com o excelente trabalho!

Nuno Neves disse...

Olá, Luís! Começo por agradecer as generosas palavras de inventivo. Relativamente à app, em tempos efectuei um estudo e estive a testar sobre qual seria a melhor aplicação disponível na loja PlayStore da Google para o sistema android para catalogação de obra de banda desenhada. Na altura, em 2020, a melhor escolha recaiu sobre a app Handy Library (ver aqui https://notasbedefilas.blogspot.com/search?q=aplicações).
Agora depois da ler a tua mensagem, estive a pesquisar na loja e com a designação de “bookshelf” encontrei quatro diferentes aplicações! A minha primeira sugestão, seria desde logo arranjar uma designação/nome que se diferenciasse das demais. Instalei a My BookShelf – Book Inventory e fiz duas tentativas de registo mas a aplicação não identificou qualquer dos livros, nem por leitura do código de barras nem por fotografia da capa.

Luis Alves disse...

Boas Nuno,

Essa não é a minha aplicação, a minha aplicação é o link que pus no comentário em cima (este link https://play.google.com/store/apps/details?id=pt.luisalvesweb.bookshelf)

Na altura que comecei a faze-la no inicio do ano, era para ser só BookShelf e reparei que havia muitas aplicações com o mesmo nome então resolvi mudar para MyBookShelf atualmente já tenho mais de 50 utilizadores, poucos mas bons.

A diferença da minha APP para as outras é que todos os dias estou a preencher a minha base de dados com as informações mais recentes de todas as editoras, sejam portuguesas ou internacionais, e estou constantemente aberto a feedback e a melhorias na APP para facilitar o uso.

Tem também mais a componente social de poder-mos adicionar amigos ver a coleção deles e a lista de desejos, e partilhar as nossas coleções ou mesmo informações de livros.

Se pesquisares na google playstore a minha APP é MyBookShelf ícone com livro azul com M e qrcode, tem mais de 100 transferências.

Obrigado,
Luís Alves.

Nuno Neves disse...

Olá Luís, já instalei a aplicação. Nos próximos dias vou fazer alguns testes as funcionalidades disponíveis e depois deixo aqui o meu comentário (e também o posso fazer na aplicação). Assim, à primeira vista tem bom aspecto e parece-me de utilização simples e intuitiva, o que é positivo. Um abraço