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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Fim da linha para a Gradiva BD!

O panorama da banda desenhada em Portugal está em movimento, mas a verdade é que nem tudo são boas notícias. Se por um lado sopram bons ventos na edição, por outro lado a vitalidade num mercado também se faz de ajustes. 

Quando em Outubro de 2025 a GRADIVA integrou o grupo Guerra e Paz Editores, era quase inevitável o que viria a seguir. Nos últimos anos, os números da editora já evidenciavam um claro desinvestimento no selo Gradiva BD do seu catálogo: em 2022 lançava trinta e dois títulos; em 2023 caíram para dezoito; em 2024 ficou-se pelos quinze; no ano passado foram apenas quatro. Uma queda que não deixou margem para dúvidas.

À saída de cena do editor Guilherme Valente juntou-se a integração da editora num grupo editorial que não tem experiência na edição de banda desenhada. E quando não se entende um mercado, torna-se difícil justificar um investimento. Não é assim surpresa os descontos agressivos que começaram a aparecer nas campanhas para liquidar o catálogo da Gradiva BD. O espaço físico que os álbuns ocupam em armazém são neste momento um encargo.

Apesar de não existir um comunicado oficial, consta que títulos de séries em curso como ALIX SENATOR, com altos e baixos nas histórias e custos de direitos de publicação considerados caros, e AS GRANDES BATALHAS NAVAIS, uma autêntica desilusão e vendas fracas, foram cancelados. Quanto ao TANGO, talvez por apresentar números de venda interessantes, encontra-se ainda em avaliação, mas acredito que seja difícil a sua continuação. A conclusão da adaptação de O Nome da Rosa para banda desenhada, editado em Fevereiro deste ano, ficará, em princípio, como o último título da Gradiva BD que já não terá qualquer stand no próximo Amadora BD. 

Não estou aqui a considerar as enésimas reedições dos livros de Calvin & Hobbes, que será talvez o título de maior interesse do actual catálogo da Guerra e Paz em termos de banda desenhada, mas ao qual a editora já nada tem a acrescentar senão mais do mesmo. 


6 comentários:

Antonio disse...

Crónica de uma morte anunciada. A reentrada da Gradiva no mercado BD nunca se revelou auspiciosa, revelando inconsistências, incongruências, hesitações e quiçá, desorientação. Nunca criou um catálogo consistente e sólido. Mais uma perda para o mercado. Outros selos surgirão, esperemos.

Nuno Neves disse...

Eu ainda me recordo quando a Gradiva há largos anos decidiu publicar a série Largo Winch com um salto na numeração para edição de um álbum que acabou por ser o único que publicou... portou-se como uma aventureira. Depois regressou de novo ao mercado e até acabou por publicar algum material interessante como o Guardião, Lonesome, A Bomba, Tango no meio de muitas apostas parvas. Concordo que construiu um catalogo inconsistente e desorientado. Quanto à perca para o mercado, não sei se deixará assim tantas saudades. A verdade é que acho que o mercado começa agora a ajustar e muito provavelmente outros selos se seguirão.

Paulo disse...

A Gradiva será das poucas Editoras em Portugal, senão a única, a publicar BD Franco Belga adulta a preços que o Português médio pode pagar, e com elevada qualidade e quase sempre (senão sempre) em capa dura. A ASA edita sobretudo Franco Belga para um público mais juvenil e normalmente com menor qualidade (capa mole). A Ala dos Livros e a Arte de Autor têm edições realmente excelentes e de elevadíssima qualidade, mas apenas multi-milionários as podem pagar. Tenho para mim que o Guilherme Valente saiu de cena porque percebeu que não seria possível salvar a BD da Gradiva, quando ele era o seu grande defensor. Alix Senator em capa dura e já com tantos volumes não foi uma aposta consistente?! O Guardião, mais uma vez em capa dura e com a colecção completa não foi uma aposta ganha? Estou devastado com esta notícia, e agradeço de coração ao Guilherme Valente a coragem pela aposta da Gradiva na BD. Pode ser que a Gradiva agora saia, mas que volte em breve. Gosto muito de Mangá, mas o futuro não pode ser apenas esse!!!

Optimus Primal disse...

A anos que não lhes compro nada desde o fim do Guardião e dos aumentos do ppreço de capa de álbum, é só mais uma a desaparecer e ser absorvida por outra editora como a Saída de emergência que agora faz parte da penguin e edita 0 bds.

Nuno Neves disse...

Olá Paulo! Não concordo que a Gradiva fosse e única a praticar um pvp acessível na bd franco-belga. Posso conceder que a Ala dos Livros tenha os preços um bocado mais altos, mas a ASA, por exemplo, tem boas edições com preços de capa entre os 20 e os 25€, à semelhança do que a Gradiva praticava com o Alix Senator (€ 20,99) ou o Nome da Rosa (€ 24,50). Penso que o problema da Gradiva BD foi alguma desorientação e apostas falhadas na construção do seu catalogo de bd num mercado muito atento às boas edições.

Nuno Neves disse...

A Saída de Emergência há muito que deixou de editar banda desenhada. Aliás não foi certamente pelo seu catalogo de bd que foi adquirida pela Penguin.