Acaba de chegar às livrarias o último volume da ‘mini-colecção’ da DEVIR através da qual esta editora reuniu, entre álbuns inéditos e algumas reedições, um conjunto de obras premiadas no festival francês de Angoulême.
Uma bem intencionada iniciativa que pecou pela forma e consequentemente pela oportunidade perdida. Quando temos no mercado várias boas editoras (Ala, Arte, Asa) que lançam belas obras europeias em excelentes e cuidadas edições e sempre no generoso formato franco-belga, surgir agora a Devir a apostar no ‘formatinho“, é quase o mesmo que termos um carro em contra-mão numa auto-estrada. Queimar Editar autores como Enki Bilal ou André Juillard em formato reduzido é crime, e sendo crime vamos evitar. Mais vale continuarem a apostar tudo no bom trabalho que fazem na edição manga. Deixem o franco-belga para quem os sabe editar.
KIKI DE MONTPARNASSE da dupla Catel & Bocquet é assim o último livro desta aventura. Um biografia gráfica que presta homenagem a Kiki de Montparnasse, uma das figuras mais emblemáticas da boémia parisiense dos anos 1920. Modelo, cantora, atriz e símbolo maior da liberdade artística e feminina da sua época, famosa por frequentar os círculos boémios de Montparnasse, onde conheceu artistas como Chaim Soutine, Jean Cocteau, Amedeo
Modigliani, Man Ray e Alexander Calder, entre muitos outros.
Nascida Alice Prin, Kiki cresceu num contexto de dificuldades económicas e instabilidade familiar. Ainda jovem, instala-se em Paris, onde rapidamente se integra no vibrante meio artístico de Montparnasse. Torna-se modelo de inúmeros pintores e fotógrafos, entre eles Man Ray, com quem viveu uma intensa relação pessoal e criativa. Muito mais do que musa, Kiki foi protagonista do seu próprio percurso: independente, irreverente e ousada, construiu uma identidade artística singular, desafiando convenções sociais e afirmando-se como uma mulher livre num tempo de profundas transformações culturais.
A narrativa acompanha o seu trajeto desde a infância até à consagração como lenda viva da vida cultural parisiense, revelando uma existência marcada por excessos, vulnerabilidades, talento e resistência.
Prémio Essencial Angoulême 2008
Ficha técnica:
Kiki de Montparnasse
De Catel Muller e José-Louis Bocquet
(Colecção Angoulême)
Capa dura, 181x247, cores, 406 páginas.
ISBN: 9789895598076
PVP: € 22,00
Edição DEVIR
5 comentários:
Li o Original. Excelente livro. O Tamanho é o mesmo do Original pelo que aqui vejo. Indispensável.
Viva! Este em particular não conheço, agora ler Enki Bilal com lupa ou colocar esta amostra de formato junto, por exemplo, do integral Lena (da Arte de Autor) do Juillard é ridículo. Sou da opinião que se é para fazer mal não façam. E se já fizeram mal lá fora não copiem. Não tem obrigatoriedade de nos impingir edições mal paridas. Dispenso!
Existem várias versões deste título assim como dos outros presentes nesta infeliz coleção. Esta corresponde á versão do 50º Aniversário de Angoulême, daí o nome da coleção. Uma versão reduzida e trabalhada especificamente para o efeito. Alguns títulos acomodam melhor a redução, outros não. Por princípio, a redução de uma prancha de BD é sempre a diminuição de uma obra que é, acima de tudo, visual. Podemos discutir critérios de mercado, oportunidade de lançamento, mas ignorar ou desconsiderar a obra em si é prestar um mau serviço á 9ª arte e, por extenso, ao leitor.
"a redução de uma prancha de BD é sempre a diminuição de uma obra"
Por essa ordem de ideias, TODAS as obras de BD são uma diminuição da obra visto que os autores trabalham em tamanhos maiores do que a reprodução. Isto é verdade na indústria asiática, europeia ou americana ;)
Se a versão do 50º Aniversário de Angoulême corresponde 50% de redução então esqueçam lá o 75º aniversário :D Agora mais a sério, faz-me por exemplo confusão se a ideia original seria mesmo fazer uma versão em “livro de bolso” (que confesso que não conseguir perceber a mais-valia) então porque não suprimir aquela moldura em branco que contorna a página? É certo que não resolvia o problema do formato de edição mas atenuava a diminuição do desenho. Mas fico sempre com a sensação que a ideia não é agradar ao cliente/leitor mas impingir ao cliente/consumista.
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