No dia da notícia do falecimento da iraniana Marjane Satrapi, das primeiras autoras a trazer para a banda desenhada a realidade iraniana despida de qualquer exotismo, em obras como Persepolis e Frango Com Ameixas, ambas já publicadas em Portugal, trago aqui uma nova voz iraniana, na sua primeira novela gráfica.
AS LINHAS QUE TRAÇAM O MEU CORPO, da autoria de Mansoureh Kamari, numa edição já disponível da ARTE DE AUTOR, é também um registo auto-biográfico, onde autora se socorre das recordações da sua infância e adolescência, para levantar o véu sobre a opressão das mulheres no Irão, onde vigora um sistema de controlo e de medo constante.
No Irão, segundo a lei islâmica, o pai de uma família é dono do sangue dos seus filhos e, por isso, não pode ser processado se prejudicar a sua descendência. Isto explica, em parte, a estrutura da sociedade iraniana, onde os homens detêm o poder absoluto, principalmente sobre as mulheres, com total impunidade.



2 comentários:
Triste notícia de facto numa altura em que estamos a ser assoberbados de obras de autores iranianos e outros de latitudes próximas. De longe o maior valor que emergiu daquele país. Vamos sentir falta.
Sempre de lamentar a partida. Admiro a coragem de Marjane Satrapi enquanto representante da mulher iraniana e voz viva contra a repressão no seu país. Sem dúvida que merece o reconhecimento, pelo seu valor enquanto artista, pelo seu testemunho, pela sua resistência e sobretudo por ter plantado a semente que abre agora caminho a uma vaga de novas autoras iranianas.
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