12 março, 2008

Quanto Vale a BD?

Sempre que compro alguma revista ou álbum de BD em 2ª mão, interrogo-me sempre se, em termos de preço, estou fazer uma boa aquisição. Obviamente, que me interessa comprar a revista ou o álbum em questão, mas será que estou a pagar por ele um preço justo?

Como aferir do valor de uma BD?

É talvez a pergunta para a qual muitos coleccionadores de banda desenhada gostariam de ter uma resposta objectiva. Qual o valor real justo de uma colecção ou de uma edição de bd?

A resposta, obviamente, é difícil de obter, até porque somos confrontados com inúmeras variáveis, sendo algumas delas completamente incontroláveis, por exemplo o valor de estimação. Se em termos económicos, define-se “justo valor” como a quantia pela qual um bem, pode ser trocado, entre um comprador conhecedor e interessado e um vendedor exactamente nas mesmas condições; em termos bedéfilos, é bem possível que este valor seja aquele absurdo preço que por vezes estamos dispostos a pagar para ter aquele exemplar na nossa colecção. Irracional? Não nos podemos esquecer que estamos a falar de uma paixão, onde a intuição e a convicção valem mais que qualquer ciência exacta na formação do preço.

No entanto, no meio de tanta subjectividade, é possível encontrar alguns factores objectivos que nos ajudam a definir, não direi o “justo valor”, mas um preço de referência actual e de valorização futura de uma edição, sendo de destacar essencialmente a RARIDADE e o ESTADO DE CONSERVAÇÃO.

Assim, para uma qualquer edição atingir o estatuto de RARIDADE, muito contribui a antiguidade, a qualidade e tiragem da edição, bem como os seus autores e por vezes a própria história/personagens. O seu valor pode então ser definido por um destes factores isoladamente ou em alguns casos pela conjugação de vários ou mesmo de todos. No mercado português, exemplos não faltam de fortes valorizações de algumas edições antigas e mais recentes e, seleccionei, entre muitos outros, alguns casos que podemos considerar como perfeitos exemplos de raridades bedefilas portuguesas:

• Na bd nacional, a 1ª série do “Mosquito” composta por 1.412 números (publicada entre 1936 e 1953), pela sua antiguidade, quando completa, pode ser encontrada à venda por valores que variam entre os €3.000 e os €6.000, consoante o estado de conservação;

• Uma colecção completa do “Mundo de Aventuras” pode valer €3.500;

• O álbum editado em 1967, pelas Edições Camarada, “O Feiticeiro de Vila Nova de Milfungos” (1º álbum publicado em Portugal com aventuras de Spirou e Fantásio), foi vendido por €250, num leilão on-line;

• Do universo franco-belga, os primeiros álbuns da 2ª série de “Blueberry” editados em 1984 pela Meriberica, com tiragens de 4.000 exemplares e nunca reeditados, são difíceis de encontrar e quando disponíveis atingem valores de venda em alfarrabistas que podem variar entre €70 a €100;

• Mais recentemente, o segundo álbum da série “A Pior Banda do Mundo”, “O Museu Nacional do Acessório e do Irrelevante” da autoria de José Carlos Fernandes, editada em 2003 pela Devir, encontra-se à muito esgotadíssima e por isso bastante difícil de encontrar (e eu que o diga!);

• O álbum “Os Pesadelos Fiscais de Porfírio Zap” também de José Carlos Fernandes, editado em Maio de 2007, numa inédita iniciativa institucional da Direcção-Geral dos Impostos, apesar da sua distribuição gratuita, os canais de distribuição adoptados (para escolas e bibliotecas) levaram que este álbum se tornasse difícil de obter pelos coleccionadores.

• Algumas edições da Disney, nomeadamente a editora Morumbi, da década de 80, com preços de capa que rondavam os 20$00-35$00 são hoje vendidos por valores a rondarem o €1 o que traduz uma valorização de 20% ao ano!

Num mercado bedéfilo tão pequeno como o português, não é fácil adivinhar se uma determinada edição irá ou não valorizar-se num futuro próximo, mas é certo que o primeiro número de uma qualquer colecção, álbuns nunca reeditados e edições de editoras inactivas tenham uma tendência de valorização mais forte.

Lá fora, nomeadamente no mercado americano de comics, também encontramos raridades bedéfilas, quer pela antiguidade, quer pela história/personagens:

• Um exemplar do comic Action Comics #1, de 1938, com a primeira aparição do Super-Homem, foi vendido em Abril/2004 por $55.595; dois anos depois, em Janeiro/2006, outro exemplar é vendido em leilão por $69.000. Ou seja, verificamos uma valorização de 24% em apenas 2 anos!

Detective Comics #38, de 1940, com a primeira história do Robin, foi vendido em leilão em Maio de 2005, por $126.500;

All-Star Comics #3, de 1940, que introduziu a Sociedade da Justiça, o primeiro grupo de heróis (incluindo o Lanterna Verde, o Gavião Negro e o Flash), alcançou o valor de $126.500 em Outubro de 2002;

Superman #1, de 1939, o primeiro número deste título, que republicou a origem do Super-Homem, foi vendido em Setembro de 2006, por $35.850.

Outros exemplos retirados do site de leilões eBay:

Amazing Spider-Man #1 CGC NM 9.4 $12.000 (sold 4/2004). Publicado em 1963 com um preço de capa de apenas 12 cêntimos, tem uma impressionante valorização de 240.000%/ano!!!!

Amazing Spider-Man #3 CGC 9.4 Origin of Doctor Octopus $15.106 (sold 11/2004)

Captain America Comics #1 (Fine) $19.000 (sold 12/2004)

De realçar que o mercado americano se caracteriza por ser um mercado com bastante liquidez, onde tudo o que é coleccionável é transaccionável. Nos exemplos atrás indicados, referem-se a comics publicados na chamada Golden Age (compreendida entre finais da década de ’30 e inícios da década de ‘50), mas exemplos mais recentes existem, de comics da designada de Modern Age (com inicio na década de ’80), cujo valor actual supera largamente o seu valor de capa:

• O comic Amazing Spider-Man #36 (#477 na actual numeração) publicado em Dezembro de 2001, que se distingue pela sua capa completamente negra e que foi editado em homenagem às vitimas do atentado terrorista de 9 de Setembro às torres do WTC, com um preço de capa de $2,25 vale hoje cerca de $50. Valorização: 350%/ano!

• O comic Amazing Spider-Man #529 publicado em Abril de 2006, onde o Homem-Aranha surge com um novo fato e onde se dá inicio ao arco “Civil War” cujo desfecho teve grandes implicações na vida desta personagem, com um preço de capa de $2,50 vale hoje cerca de $25. Valorização: 450%/ano!

Basta fazer as contas e olhar para os números, para se compreender que uma revista ou álbum de BD para além de objecto de paixão também pode ser considerado um excelente objecto de investimento.

Relativamente ao ESTADO DE CONSERVAÇÃO percebe-se quanto melhor estimado estiver uma edição, maior valor intrínseco terá.

No caso da BD portuguesa, são nas revistas mais antigas (publicadas entre o início do Sec. XX e finais da década de ’50) onde o problema do estado de conservação se coloca com maior importância, uma vez que toda a edição, capa incluída, era impressa no mesmo tipo de papel, de qualidade razoável. Com a explosão do álbum e as suas edições cartonadas, em que a capa reserva o papel de protecção da edição, consegue-se que o estado de conservação melhore substancialmente.

No entanto não temos entre nós, definida uma escala de avaliação objectiva que sirva de referência para avaliar devidamente o estado de conservação de uma edição. Não são raras as vezes comprar em leilões on-line edições de bd com o estado de conservação definido como “usado” quando na realidade verifico ser afinal “pouco estimado”. Aliás, nos sites de leilões portugueses, é bastante normal encontramos um proliferação de termos que vão desde de “usado” até ao “como novo”, sem que por vezes tal se traduza numa avaliação exacta e/ou correcta do verdadeiro estado de conservação da edição, ou seja, há um risco elevado de pagarmos caro "gato por lebre", principalmente nas edições mais antigas.

Para melhor ilustrar a importância do estado de conservação, veja-se, mais uma vez, o exemplo americano, onde existem regras comummente aceites e definidas, que permitem avaliar devidamente qualquer edição. Existem oito categorias, que vão desde do “poor” (péssimo estado de conservação), passando pelo “fair”, “good”, “very good”, “fine”, “very fine”, “near mint” até ao “mint” (considerado o estado de conservação perfeito, onde não é admitido o mais pequeno defeito).

A importância destas classificações, reflecte-se posteriormente na valorização, onde a diferença entre uma classificação de “very good” e “near mint” se quantifica em várias centenas ou mesmo milhares de dólares.

Portanto, aqui fica o conselho: se tiverem algumas raridades em bom estado de conservação, guardem-nas bem ou então ganhem um bom dinheiro!

Fontes consultadas: Wikipedia, eBay, Miau.pt, Comics Price Guide, BDPortugal.

15 comentários:

Anónimo disse...

OFF-topic:Algumas promos vistas na FNAC:

E para os interessados a 5 euros tambem tem o pack As Aventuras de Blake e Mortimer(sc) e os Hc a 15 euros.
A 1 euro Aterix e Cleopatra,e SpIROU 1 e 11.E mais bds a 5 euros pack Valerian,Hard Boiled.O Vagabundo dos Limbos,Luis Ma Sorte,Ulisses,Papyrus,Coleção Aventuras e Historias Fantasticas.

Grimlock

Bongop disse...

Verbal, o quen eu descobri às minhas custas, foi que os livros valem consoante a procura. No mes de Dezembro comprei uma serie de Absolutes mais antigosa preços mais em conta devido ao aparecimento em leilão de mais que um livro desses. Não te vou dizer a quanto comprei... foi muito para uma bolsa portuguesa, mas só para teres uma ideia acompanha um leilão de um Absolute Planetary ou um Absolute Authority vol.1. Já vi o Planetary chegar aos 1200 dólares, mas o valor normal são 400/500 dólares (pronto ... comprei por 210 dolares :-S ), mas se fores a ver naquelas tabelas oficiais de cotação esse libro vale à volta de 100 dólares apenas!
http://www.amazon.com/gp/offer-listing/1401203272/ref=dp_olp_2?ie=UTF8&qid=1205581418&sr=8-1
http://www.amazon.com/gp/offer-listing/1563898829/ref=dp_olp_0?ie=UTF8&qid=1205581478&sr=8-2&condition=all
E agora um livro mais pequeno de preço de capa de 20 dolares Green Lantern Rebirth HC
http://www.amazon.com/gp/offer-listing/1401207103/ref=dp_olp_0?ie=UTF8&condition=all
Por isso eu acho que o valor tb está no interesse do público nas series , ou não!

Anónimo disse...

Eu tambem tenho algumas raridades da Devir Batman ano 1 1a edição devir,Demolidor MILLER/ROMITA JR hc,os numeros 1 da Devir alguem sabe quanto valem??

Grimlock

Bongop disse...

Grim, eu sei que os numeros 1 da Devir estão esgotados... agora quanto valem, não sei!
A melhor maneira de veres isso é em sites de leilão, aí sabes sempre quanto é que estao dispostos a dar por um livro.
Há pouco tempo "embarquei" num leilão no miau, para o livro Comanche - O Corpo de Algernon Brown, que é o único que me falta em portugues desta serie e fui até aos 72 euros... desisti aí, aquele livro é raríssimo ! O outro tipo tinha mais €€€€€ que eu ! looool

Anónimo disse...

Pois depende de livro para livromas um que deve valer bem é PP:Homem-Aranha devir,assinado pelo agora falecido Weringo,mas esse eu não vendo.
E ja nem fale Nas bds da Abril/jovem e cj.

Grimlock

verbal disse...

Boas

Concordo contigo Bogtop, que o valor das edições depende muito do momento. Eu, por exemplo, também já estive envolvido em disputas em leilões por Amazing Spider-Man’s, que não ganhei para depois mais tarde comprar a outros vendedores por valores muito mais baixos. Mas quem é que garante que voltava a encontrar aquela edição de novo e a preços convidativos? O contrário também é verdade, ou seja, já perdi leilões de edições que ainda hoje (infelizmente) não voltei a encontrar. È mesmo tudo uma questão de “momento”!

Relativamente ao valor das nossas edições, faz falta no nosso meio bedéfilo é um anuário de BD, que reunisse toda as edições alguma vez editadas em Portugal e com valores de referência, a exemplo do que existe para selos ou moedas, que servisse para informar tanto o vendedor como o comprador.

Quanto a loucuras, também tenho embarcado em algumas, mais uma vez em Amazing’s Spider-Man! Lol!

Anónimo disse...

eu por exemplo tenho a colecção completa do mosquito em perfeito estado e gostaria de o vender por 5000€ apesar de saber q o valor dele é superior. alguem interessado? contacte-me 961014381

verbal disse...

Caro anónimo, certamente que interessados haverá alguns, pelo que para melhor visibilidade sugeria a publicação do anuncio nos sites de leilões on-line!

maverick disse...

gostava de saber o valor da colecao do homem aranha que foi lancada apos o lancamento do seu primeiro filme...e ja agora o valor e se haver alguem interessado em comprar a banda desenhada do homem aranha em homenagem as vitimas do 11 de setembro...eu tenho e vendo..

maverick disse...

tenho tambem a edicao america de homem aranha com a primeira aparicao do punisher....interessados?

João Pedro Gonçalves disse...

Na verdade estava interessado em saber o valor de uma BD que tenho comigo, a issue 2 de the amazing super man de 1963, editora abril- alguem quer?

João Pedro Gonçalves disse...

Na verdade estava interessado em saber o valor de uma BD que tenho comigo, a issue 2 de the amazing super man de 1963, editora abril- alguem quer?

jose pereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
jose pereira disse...

Boa noite. Talvez me podessem ajudar indicando me um avaliador para a minha caderneta. Pois tenho uma caderneta de 1946/47 "A Oriental O terror do texas" uma só lhe faltando o cromo 105.
Com os melhores cunprimentos

Nuno Neves disse...

Viva José! Apesar de não ser o meu forte, sei que as colecções antigas de cromos quando bem conservadas tem alguma procura. Perguntava-lhe se já tentou em grupos do facebook de coleccionadores? Em alternativa, sugiro um contacto com Leonardo de Sá (http://historiasdosquadradinhos.blogspot.pt/2009/03/aventuras-de-fred-bill-coleccao-de.html).
Abraço

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