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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Já saiu o segundo álbum de Islander!

Outubro não desilude. Tem sido assim há vários anos, mas este mês já foram batidos todos os recordes de lançamento de livros de banda desenhada em Portugal. Obviamente não vou conseguir aqui dar nota de todas as novidades, pelo que vou saltitando entre editoras que disponibilizaram imagens. Já anteriormente tinha referido que a ARTE DE AUTOR se tinha preparado bem para o Amadora BD, e no festival pude confirmar os belos lançamentos.

Hoje trago aqui este ISLANDER. O primeiro volume foi lançado precisamente há um ano, e temos agora o segundo álbum desta trilogia de sobrevivência. 

O desenho quase realista de Corentin Rouge é por si só um garante de qualidade. Assinado por Caryl Férey, temos aqui uma história de ficção mas que num futuro próximo pode ter mais de realidade do que possamos pensar. O continente europeu é assolado por múltiplas catástrofes, o que obriga a um forte fluxo migratório das populações em busca de refúgio seguro. Os autores invertem a ordem do mundo tal como o conhecemos hoje.

A ALIANÇA
Enquanto o continente europeu é assolado por catástrofes, a Islândia continua poupada. Mas, agora, a ilha está à beira do caos. A sul, um governo autoritário tenta manter a ordem. A norte, áreas entregues a milícias de sobrevivencialistas fecham-se sobre si mesmas e, entre as duas regiões, a fronteira é brutal. Milhares de migrantes são rejeitados como intrusos. Neste cenário explosivo, os "Rejeitados", liderados por Yuri, revoltam-se e tomam a central geotérmica. Em breve cercam Reykjavik, mergulhando a capital no frio e na fome… Perante a onda de violência, Erika e Elektra iniciam uma perigosa fuga pelas paisagens nevadas para se juntarem aos sobrevivencialistas antes que a crise devore a ilha. No meio desta turbulência, Liam e Lívia tentam encontrar os últimos defensores. Mas, quando as forças da natureza se desencadeiam, o pânico apodera-se da Islândia e inicia-se uma luta feroz pela sobrevivência... 
 
Álbum já disponível nas livrarias. 
 
 
Ficha técnica:
ISLANDER vol. 2 – A Aliança
Argumento de Caryl Férey e desenho de Corentin Rouge
Capa dura, formato 232x310, cores, 160 páginas.
ISBN: 978-989-9094-93-2
PVP: € 35,00
Edição ARTE DE AUTOR
 

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Entre tendas fez-se mais um Amadora BD!

Feito. Não tenho memória de ter passado tantas horas num festival como aconteceu nesta edição do Amadora BD. Mas já lá vou. Primeiro, a avaliação geral: excelente. Arrisco uma analogia com o mundo dos vinhos e decreto que o 37.º Amadora BD foi um “ano Barca Velha”. Das exposições aos autores, das conversas aos autógrafos, dos lançamentos às novidades, tudo esteve à altura e em bom. E até o estado do tempo tão incerto nesta altura, ajudou à festa, não chovendo. Endereço desde já os parabéns à Catarina e à sua equipa pelo trabalho magnífico. E uma palavra especial para quem presta apoio nas sessões de autógrafos, e que foi com quem mais contactei. Simpatia e disponibilidade totais. Verifico que a equipa se tem mantido constante nos últimos anos, e também seja o esse o segredo do bom trabalho que realizam.
 
Claro que nem tudo foi correu sobre rodas, mas nada significativo que não possa ser trabalhado e melhorado em futuras edições. Mas já lá chego, até porque no meio das tantas conversas que fui tendo, soube que, entre promessas e tendas, a Câmara Municipal vai finalmente avançar com o tão desejado investimento nas infraestruturas naquele que é o maior evento cultural do município (não sei se isto era segredo!). Um novo edifício estará já a ser estudado para aquele espaço. Espero que a ideia não seja só o de trocar uma tenda por quatro paredes e um telhado. É preciso mais que isso: mais área de exposição, melhor zona comercial, um verdadeiro espaço para conversas e apresentações sem ruído de fundo, e uma digna zona de autógrafos. Esta última sobretudo mais espaçosa e melhor iluminada. Basta dizer que no Domingo os autores estiveram a trabalhar à meia-luz e num espaço exíguo. E também não fica nada bem “despachar” um autor para dar lugar a outro. Os atrasos acontecem, seja porque o autor gosta de conversar com quem o lê, seja porque um desenho leva o seu tempo. Tem de existir lugares extras para estas circunstâncias. E até a zona de circulação em redor merece atenção, para evitar que se transforme numa zona de atabalhoamento colectivo. Portanto há aqui muito a melhorar.
 
A principal novidade no festival foi a utilização de uma nova tenda, de tamanho maior, para a zona comercial. Fala-se num desperdício de 100 mil porque na prática apenas permitiu disponibilizar mais lugares sentados na zona de apresentações. Não dei conta que tivessem sido preenchidos na sua totalidade alguma vez. A falta, nesta área, de um painel informativo com a chamada para as sessões de autógrafos que decorriam em paralelo no lado oposto, leva a que muita gente mesmo com interesse em assistir, não o possa fazer justamente por falta de informação do que se passa no outro lado. Parece uma questão de pormenor, mas faz toda a diferença. O novo espaço também me pareceu óptimo mas para os dias frios de inverno. Agora se serviu para reforçar a ideia que o festival precisa mesmo de novas infraestruturas, então pode-se dizer que foi um bom investimento.
 
E se já falei aqui de desperdício, então nem preciso de dizer mais nada sobre a tenda dita “do gaming”. Continuo sem perceber o seu propósito. Parece que este ano também albergava um artist alley… mas esqueçam lá isso. 
 
Agora, a edição deste ano veio revelar, pela primeira vez, o lado mais perverso do sistema de senhas para autógrafos que vigora no festival há já alguns anos. É verdade que existiu um alinhamento de factores que contribuiu para que tal acontecesse: a presença de um elevado número de muito bons autores, a sua concentração num único fim-de-semana e a distribuição de um número reduzido de senhas (entre 15 a 20 por autor). E o que sucedeu, perante uma elevada procura para tão reduzida oferta, foi que as filas para as senhas de autógrafos começaram-se a formar às 06:00(!) da manhã de Sábado e repetiu de novo no Domingo. Recordo que as portas do festival só abriam às 10:00. É fácil perceber que qualquer pessoa que integrasse a fila depois das 08:00 (duas horas antes da abertura do festival) simplesmente não conseguiria obter qualquer senha para os autores principais. Oficialmente atingimos aqui o ponto da insanidade, e contra mim falo porque fui um dos insanos (resultando daqui o meu elevado número de horas acumuladas de festival). E sinceramente não queria que fosse este o caminho para futuras edições.
 
Não há sistemas perfeitos, e cada um tem a liberdade de dispor do seu tempo da forma que melhor achar, mas pode-se sobretudo evitar aqui que se caia numa loucura colectiva. O sistema de senhas é talvez o preferível entre todos os sistemas, e serve bem aquela regra universal do primeiro a chegar primeiro a servir-se. Funciona assim em quase todo o lado. Agora compreendo a frustração de um qualquer visitante que não tenha a possibilidade de chegar de madrugada ao evento.
 
E alternativas? Uma das formas de tentar garantir que mais visitantes tivessem oportunidade, sugeria por exemplo que cada pessoa na fila e na sua vez, pudesse levantar no máximo três ou quatro senhas escolhendo entre os vários autores disponíveis, ao invés do “sem limite” que funciona actualmente. Em compensação cada senha garantia no máximo dois livros autografados. Em alternativa a este sistema, ou mesmo em cumulativamente, o festival abria dois momentos distintos de sessões de autógrafos: um no período da manhã e outro da tarde, com a distribuição das senhas a fazer-se exclusivamente no início de cada período. Não resolve todos os problemas, mas permitiria uma melhor distribuição por um maior número de interessados, e talvez dispensássemos a hora do galo. Fica a sugestão!
 
Agora madrugadas à parte, e por ter conseguido estar com todos os autores que pretendia, não me posso queixar. A colheita (continuando com a analogia) foi das melhores dos últimos anos. Já tinha conhecido o Craig Thompson em Beja em 2009, o Peter Van Dongen em Beja em 2019 e o Joseph Homs na Comic Con em 2022, portanto as surpresas foram para outros. Nesta edição, pessoalmente destaco o italiano Bruno Brindisi. Esta malta da casa Bonelli é talento puro. Cosa Vuoi? perguntava ele. E logo de seguida a pagina em branco enchia-se de traços fantásticos. O seu, agora meu, "Blueberry" encheu-me as medidas! Fiquei igualmente bem impressionado com o Andrea Artusi (O caso Vargas) e com Alexis Nesme (El Diablo), e entre outros juntei um “obrigatório” Lucky Luke da Joana Afonso e mais um “boneco” da Rita Alfaiate. Custou-me levantar muito cedo, mas pela minha colecção de desenhos originais valeu o esforço, não o posso negar. De coração cheio com estes autores! 
 
Uma palavra final para o público. Não tenho números de visitantes mas a sensação que já vi este festival mais bem composto. Esta alteração no calendário, a colocar o evento a realizar-se talvez no período mais critico do mês em termos financeiros não me parece nada uma boa ideia.
 
E está feito. Temos um festival que tem qualidade mas que ainda procura um espaço. Esperemos que se concretizem as obras, para que próximo ano o festival consiga cumprir o sonho de trocar a tenda por uma casa!

 

sábado, 24 de outubro de 2026

Uma história sobre Domingos!

«Chamo-me Sidney Domingos Gusman. Domingos é o nome do meu pai. Ele nasceu num domingo. E num domingo partiu. E esta é a história sobre domingos que ambos partilhámos.» 

É esta memória passada para registo gráfico, um dos lançamentos deste fim-de-semana no Amadora BD. A ALA DOS LIVROS trouxe para o mercado nacional DOMINGOS, a primeira obra como autor do editor e jornalista Sydney Gusman, que bem conhecemos pelo seu excelente trabalho nas edições Graphics MSP do Maurício de Sousa. O próprio Sydney estará presente na apresentação (e nas sessões de autógrafos) - dia 25 às 14:20h - juntamente com o ilustrador Jefferson Costa.

Sobre a edição portuguesa, eu diria sem surpresas vindo de onde vem, apresenta uma capa mais sóbria que foge à digamos “capa mauricio” que a obra original brasileira exibe. Sobre o livro, Sidney (Domingos) Gusman assume nesta obra o papel de argumentista para nos contar a história de outro Domingos - o seu pai - com quem partilhou muitos domingos. Alguns, banais, outros, memoráveis. Alguns, alegres, outros nem por isso, mas todos eles únicos e especiais. 

DOMINGOS
Muita coisa acontece aos domingos. As famílias encontram-se, partilham juntas almoços, gargalhadas, jogos de futebol. As pessoas aproveitam para descansar antes de retomarem a rotina uma nova semana.
 
Ficha técnica:
Domingos
De Sidney Gusman e ilustração de Jefferson Costa
Capa dura, dimensões 210x285, cores, 208 páginas.
ISBN: 9789899363069
PVP: € 31,00
Editor: ALA DOS LIVROS
 

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Zeina Abirached fecha a IX colecção de novelas gráficas

Saiu hoje para as bancas O PIANO ORIENTAL, o 12º e último volume da colecção Novela Grafica IX da LEVOIR. É a libanesa Zeina Abirached, autora que tem visto várias das suas obras publicadas nesta colecção – A Dança das Andorinhas (2016), Ovelha (2024), O Profeta (2025) – a escolhida para fechar esta série. 

Propõe de novo um registo autográfico, um regresso à sua Beirute de memórias familiares. O Piano Oriental é uma história inspirada na vida do seu antepassado, inventor de um novo instrumento musical na Beirute dos anos 60. Uma tentativa ousada de aproximar as tradições musicais do Oriente e do Ocidente, este piano de destino desconhecido só chegou a ser fabricado num único exemplar, pouco antes de a guerra civil se abater sobre o Líbano. 

O traço de Zeina ganha aqui uma dimensão abstrata e poética para "desenhar a música" e o som. Ruídos, melodias e o silêncio da guerra são transformados em elementos gráficos palpáveis inseridos nas vinhetas. Como refere a própria autora: “Desde o início que a minha ideia foi fazer um livro que fosse tanto sonoro como visual, traduzindo através do desenho o ritmo e a melodia".

O Piano Oriental está a partir de hoje disponível em banca e tem apresentação no Festival Amadora BD no próximo Domingo às 16:20H, com a participação do compositor e maestro da Fundação Calouste Gulbenkian, Sérgio Azevedo e da editora Silvia Reig.

Ficha técnica: 
O Piano Oriental 
De Zeina Abirached
Colecção Novela Gráfica IX – vol. 12
Capa dura, 170x240, p/b, 212 páginas.
PVP: € 16,90
Editor LEVOIR