sábado, 25 de julho de 2026

O gato do Rabino regresssa!

Ok. Estou de volta a estas lides! Esperava eu que nestes dois meses de Verão (Julho e Agosto) eram meses “mortos” sem actividade relevante até porque historicamente são dos mais fracos em termos de novidades, e percebe-se porquê, mas 2026 está a revelar-se um ano excepcional. De depois há editoras que não foram de férias, e uma delas é a ALA DOS LIVROS. Promete um segundo semestre cheio e já começou a trabalhar nisso! 

E este primeiro lançamento tem tanto de surpreendente como de arriscado. Trata-se de um novo álbum (o sétimo) da colecção O GATO DO RABINO. É o regresso a um projecto acarinhado por Joann Sfar (em França soma já treze álbuns editados) que retrata com ironia uma identidade judaica, que também faz parte das suas raízes, numa Argélia colonial multicultural dos inícios do século XX. 

Mais que numa óptica comercial, parece-me que se trata aqui de uma aposta muito pessoal da parte dos responsáveis da Ala, até porque passaram-se cerca de cinco anos desde a edição do anterior álbum no nosso mercado. Vamos ver como evolui a partir daqui. 

Este novo episódio leva-nos de volta a Argel. O rabino Sfar e o seu primo, o imã Sfar, discutem as suas diferenças, que consideram irreconciliáveis. No entanto, quando a mesquita é inundada, o rabino e o imã concordam que os muçulmanos podem rezar na sinagoga enquanto são realizadas as reparações. Enquanto isso, o gato do rabino está a passar por um momento difícil: não só Zlabya deu à luz uma criança adorável, mergulhando-o em profundo ciúme, como, para piorar a situação, alguns gatinhos refugiaram-se na sinagoga... Como ousam esses gatinhos estrangeiros beber o seu leite? 

Numa bela edição no formato que se gosta, já se encontra disponível nas livrarias!
 
Ficha técnica:
O Gato do Rabino – volume 7: A Torre de Bab-El-Oued
De Joann Sfar
Capa dura, dimensões 226 x 302, cores, 88 páginas.
ISBN: 9789899108899
PVP: € 19,90  |   Editor: ALA DOS LIVROS
 

 
 
 

domingo, 5 de julho de 2026

Novidades fresquinhas para os mais novos!

Em plena onda de calor, nada melhor que novidades fresquinhas! E como nos próximos dois meses de Verão não se espera grandes surpresas das editoras mais activas, trago hoje leituras leves e dirigidas para um público-alvo infanto-juvenil. Já tenho aqui por várias vezes referido da importância deste público no nosso mercado, e para o qual existe uma oferta dirigida que varia entre os 10% e 15% do total de lançamentos. 

A BERTRAND é uma dessas editoras que mais aposta neste segmento, e acaba de somar mais duas novidades ao seu catálogo. Trata-se de novos volumes de séries em curso. 

A primeira dá pelo nome de ELAS, e é o segundo livro desta colecção. A Ella é uma adolescente como todas as outras, só que Ella tem cinco personalidades, cada uma com a sua cor de cabelo. Neste segundo volume, a Azul - a sua versão mais manipuladora - assume o controlo total, mentindo, enganando e afastando todos à sua volta no mundo real, e os amigos começam a suspeitar de que algo está errado.

Ficha técnica:
Elas – volume 2: O Universo Delas
De Kid Toussaint e Aveline Stokart
Capa mole, 184x247, cores, 96 páginas.
ISBN: 9789722551076
PVP: € 15,50
Editor: BERTRAND Editora 

 

A segunda novidade traz-nos a INCRÍVEL ADÉLE, um fenómeno de popularidade em França e também em Portugal, ou não fosse este novo volume, o 17º da colecção. Neste KARMASTRÓFICO, a Adele decidiu… portar-se bem! Não é preciso dizer mais nada! 

Ficha técnica:
A Incrível Adele - Karmastrófico!
Coleção: A Incrível Adele – volume 17
De Mr Tan, Diane Le Feyer
Capa mole, 160x202, cores, 80 páginas.
ISBN: 9789722550536
PVP: € 12,20
Editor: BERTRAND Editora 


 

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

Hoje há Chabouté nas bancas!

Abre-se o mês de Julho, e abre muito bem. Chegou hoje às bancas o quarto volume da nona série de Novelas Gráficas da LEVOIR. E chegou aquele que é o mais interessante entre todos os volumes desta colecção, que está cada vez mais menos cativante mas que de vez em quando lá acerta num título. Este é um desses!

PARTIR, FICANDO (Plus loin qu’ailleurs no seu original) tem a assinatura no argumento e no desenho do magnifico Christophe Chabouté. E está praticamente tudo dito. Compra obrigatória.

A história de Alexandre que tinha tudo preparado para a sua viagem de sonho, até que uma fractura provocada por uma queda o vai obrigar a alterar drasticamente os seus planos e a fazer, antes, uma viagem… Interior. Preso a uma rotina aparentemente imutável, este homem solitário vê-se levado a redescobrir o bairro onde vive, os rostos que o rodeiam e um mundo que sempre esteve ali, à espera de ser visto.

Num extraordinário preto e branco, rasgado por subtis apontamentos de cor, Chabouté constrói uma obra bela, poética e profundamente humana sobre o tempo, a solidão e a capacidade de reencontrarmos o sentido da vida. 

Ficha técnica:
Partir, Ficando
De Christophe Chabouté
Colecção Novela Gráfica IX – vol. 04 
Capa dura, 195x270, p/b, 160 páginas.
PVP: € 16,90
Edição LEVOIR
 

terça-feira, 30 de junho de 2026

Zidrou e Lafebre reencontram-se numa esquadra de Paris!

O belga Zidrou é dos poucos argumentistas estrangeiros que conseguiu cativar de forma quase unânime o mercado português. A sua obra por cá publicada, espalhada por diferentes editoras e em diferentes registos, desde o crime ao romance, da aventura ao drama, há muito que caiu no gosto dos leitores portugueses de banda desenhada. O espanhol Jordi Lafebre é outro caso. O seu Apesar de Tudo elevou a fasquia, e a partir daí ficou logo debaixo do radar. A colaboração dos dois autores numa mesma obra já não é nada de inédito (leia-se Verões Felizes ou Lydie) mas como se calcula é sempre muito bem-vinda. E volta a acontecer aqui. 

A dupla reencontra-se agora numa esquadra de Paris na década de 1930! 

BRIGADA DE COSTUMES é uma história em duas partes, aqui publicada em edição integral, que retrata o quotidiano de uma esquadra. O jovem inspetor Aimé Louzeau inicia-se na infiltração e vigilância para desvendar segredos cruciais para os mais altos escalões governamentais. Mas a polícia também tem os seus segredos, e Aimé, filho de um padre excomungado, não é excepção... 

A edição resulta, uma vez mais, da parceria entre a Arte de Autor e A Seita, e está disponível a partir de hoje, devendo chegar às livrarias a partir dos próximos dias.

Ficha técnica:
Brigada de Costumes
De Zidrou e Jordi Lafebre
Edição cartonada, 210x285, cores, 136 páginas.
ISBN: 978-989-9094-89-5
PVP: € 27,00
Co-edição Arte de Autor e A Seita

domingo, 28 de junho de 2026

Primeiros vencedores dos Prémios Nacionais de Banda Desenhada

 

Ainda há dias falei destes Prémios pela sua inclusão no programa de festas do próximo festival Amadora BD e hoje foram anunciados os nomes dos vencedores. O Prémio Nacional de Banda Desenhada, é uma iniciativa do Ministério da Cultura, Juventude e Desporto, gerida pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), que tem como "objetivo valorizar e promover a criação artística e literária no domínio da banda desenhada portuguesa". Para esta primeira edição, foram aceites um total de 45 candidaturas, sendo 11 candidaturas ao Prémio Carreira, 15 ao Prémio Obra do Ano e 19 ao Prémio Inovação em Banda Desenhada.

A carreira de António Jorge Gonçalves foi distinguida pela trajetória "permanentemente inovativa e eclética, que nunca estagnou ou se acomodou a um tipo de traço". Recordo que ainda há dois anos atrás, a ASA reeditou a Trilogia Filipe Seems, assinada pelo autor.

Dormindo entre Cadáveres, de Luís Moreira Gonçalves e Felipe Parucci (ed. Zigurate), vencedora como Obra do Ano, é descrita pelo júri como "um testemunho muito relevante sobre a pandemia da Covid-19 no Brasil, particularmente no espaço amazónico", construído a partir de um registo pessoal e crítico que não reduz. 

O Prémio Inovação em Banda Desenhada atribuído a Rumo ao Eclipse, de Ana Matilde Sousa, Ana Simões, André Nóvoa e Hugo Soares, uma obra editada pela Chili Com Carne. A obra é descrita pelo júri como "um jogo de role 'play' a partir de um livro de banda desenhada preexistente", que expande as possibilidades do meio sem o simplificar, antes tirando partido das suas lógicas narrativas. 

Apreciei particularmente as fundamentações do júri.