domingo, 14 de junho de 2026

Lançamento ASA: Pátria

PÁTRIA, o romance gráfico de Toni Fejzula adaptado da obra original homónima de Fernando Aramburu, editado recentemente pela ASA, tem hoje a sua apresentação na Feira do Livro de Lisboa.

Traz uma história que decorre no País Basco, no tempo da ETA e das suas consequências: os atentados, o medo instalado nas ruas pequenas onde toda a gente se conhece, e onde um assassinato político não é um evento abstracto, mas algo que destrói vizinhanças inteiras. 

No centro da narrativa estão duas mulheres, Bittori e Miren, amigas de longa data que a violência e a política puseram em lados opostos de uma linha que nenhuma das duas escolheu verdadeiramente atravessar.

PÁTRIA
No dia em que a ETA anuncia o abandono das armas, Bittori dirige-se ao cemitério para contar junto do túmulo do seu marido, o Txato, assassinado pelos terroristas, que decidiu voltar para a casa onde viveram. Poderá conviver com aqueles que a perseguiram antes e depois do atentado que transformou toda a sua vida e a da sua família? Poderá saber quem foi o encapuzado que num dia chuvoso matou o seu marido, quando voltava da sua empresa de transportes? Por mais que chegue às escondidas, a presença de Bittori irá alterar a falsa tranquilidade da terra, sobretudo da sua vizinha Miren, amiga íntima noutros tempos, e mãe de Joxe Mari, um terrorista preso e suspeito dos piores receios de Bittori. O que aconteceu entre essas duas mulheres? O que é que envenenou a vida dos seus filhos e dos seus maridos tão unidos no passado? Com as suas angústias disfarçadas e as suas convicções inquebrantáveis, com as suas feridas e as suas valentias, a história incandescente das suas vidas antes e depois do estouro que foi a morte do Txato, fala-nos da impossibilidade de esquecer e da necessidade de perdão numa comunidade desfeita pelo fanatismo político. 

A apresentação da obra decorre a partir das 17h30, na Praça LeYa da Feira do Livro de Lisboa e contará com a presença dos autores Fernando Aramburu e Toni Fejzula. A moderação estará a cargo do jornalista Pedro Cordeiro. 

Ficha técnica:
Pátria
Adaptação e desenho de Tony Fejula
Capa dura, 20,6 x 27,5 cm, cores, 304 páginas.
ISBN 9789892368238
PVP: € 40,90
Editor Edições ASA
 

sábado, 13 de junho de 2026

Chegam as Gotas!

A novidade do dia é este anúncio. E há há tanto algumas coisas para dizer sobre isto. Para começar, parece finalmente que vai mesmo avançar a publicação da série manga AS GOTAS DE DEUS na sua tradução para português (Kami no Shizuku no original japonês), anunciada pela editora LEVOIR já há três anos, com o primeiro volume a chegar às bancas já no próximo dia 19 de Junho.

Para quem não conhece, temos aqui um manga sobre vinhos, uma incursão sobre o universo vinícola, centrada na personagem de Shizuku Kanzaki, um jovem cujo testamento do pai o obriga a uma longa busca pelos 13 melhores vinhos do mundo.

Agora um pequeno grande pormenor. A colecção é composta por um total de 44 volumes. O anúncio publicado hoje nas páginas do jornal Público refere apenas uma “colecção de 2 livros”!!! Mesmo admitindo que que se trate de uma referência aos dois primeiros volumes distribuídos com o jornal, convenhamos que não fica bem ao Público esta publicidade enganadora.

O preço de capa também merece uma nota: os € 14,95 por volume anunciados ficam alguns euros acima da média do que é praticado pela Devir e pela Distrito Manga, as referências do mercado neste tipo de coleções. Tentar apanhar um comboio em movimento com um bilhete mais caro, não sei se será a melhor opção.

Agora alguma curiosidade em ver esta aposta num compromisso a tão longo prazo numa editora que nunca se aventurou em colecções manga. Considerando que não terá lançamentos a conta-gotas, e especulando uma periodicidade de lançamento com dois volumes por mês, temos aqui um compromisso, não só com a editora titular dos direitos, mas igualmente com os leitores portugueses para dois anos. Será? 

As Gotas de Deus, volumes 1 e 2, nas bancas nos dias 19 e 26 de Junho. 

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O último dia do Mercenário

Ainda no início deste mês, na nota de divulgação do lançamento do penúltimo álbum da colecção, referia que o álbum final (o 14º) seria certamente editado no segundo semestre deste ano.

Bem, surpresa das surpresas, e a viagem final do MERCENÁRIO já está disponível em álbum no stand da editora na Feira do Livro de Lisboa. A editora ALA DOS LIVROS fez a antecipação do seu lançamento e fica assim concluída no primeiro semestre e integralmente editada em Portugal na sua versão definitiva, uma das obras-primas da fantasia medieval em banda desenhada. 

Agora um pequeno esclarecimento, este álbum que fecha a história, e ao contrário dos anteriores, não é em banda desenhada. O autor, Vicente Segrelles, conta a história de O ÚLTIMO DIA em prosa, à qual acrescenta 24 ilustrações a página inteira. Ficaremos a saber assim o que aconteceu ao pérfido Claust, qual será o fim do País das Nuvens Permanentes e o que acontecerá aos nossos amigos do Mosteiro da Cratera. 

Como suplemento, em homenagem à origem desta banda desenhada, este álbum inclui ainda uma história curta de dez páginas com o título A Evidência

Conforme referido, disponível na feira do Livro e chegará às livrarias durante a próxima semana. 

Ficha técnica:
O MERCENÁRIO – vol. 14: O último dia
Argumento e desenho de Vicente Segrelles
Cartonado, 235 x 310 mm, 64 páginas.
ISBN: 978-989-9108-91-2
PVP: € 23,90
Editor ALA DOS LIVROS 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Fim das operações secretas CoBrA

Chega, por agora, ao fim a saga ficcionada do grupo de operações secretas CoBrA, com a publicação do álbum COBRA: PORTO, que fecha a trilogia pensada por Marco Calhorda, numa edição da ALA DOS LIVROS.

A acção tem agora lugar em território nacional, mais de uma década depois do assalto a Conacri, operação relatada na história anterior que foi repartida por dois volumes (ver aqui e aqui). No início dos anos '80, uma onda de acções terroristas varre o nosso país, fundamentadas por uma luta ideológica pelo poder que levou ao surgimento de organizações revolucionárias saídas das forças militares em convulsão. COBRA: PORTO tem como contexto os anos mais activos das FP-25, entidade responsável por mais de 20 mortos e dezenas de feridos, o maior número de vítimas mortais entre todas as organizações terroristas em Portugal. 

COBRA: PORTO
Com o fim do regime, da guerra colonial e a morte de Jorge Jardim em 1982, no Gabão, Afonso Costa e Ivone Reis, elementos essenciais na história do CoBrA e ainda no activo, envolvem-se nas investigações que a Polícia Judiciária leva a cabo para desmantelar as Forças Populares 25 de Abril (FP-25). Enquanto procuram o seu lugar num mundo em rápida mudança, este será um brutal acto de vingança; o derradeiro acerto de contas com a memória. 

Álbum já disponível no stand da editora presente na Feira do Livro de Lisboa e em livrarias a partir de 16 de Junho.

Ficha técnica:
CoBrA: Porto 
Argumento de Marco Calhorda e desenho de Paulo Montes
Cartonado, 210 x 270mm, p/b, 88 páginas. 
ISBN: 978-989-9108-94-3
PVP: € 21,90
Edição ALA DOS LIVROS 
 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Beja BD: Boa Mesa, Boa Conversa!

Acerca do passado fim-de-semana. A fotografia aqui ao lado é propositada. Em Beja, a banda desenhada é, oficialmente, o motivo da visita. Mas existe todo um programa não-oficial do Beja BD, feito de tertúlias espontâneas e encontros à mesa que se prolongam mais do que o planeado. De tal forma, que logo na sexta, ao jantar o díptico boa-mesa e boa-conversa levou a que perdesse a abertura do festival. Desculpa, Paulo! É esse lado que cativa em Beja e que o distingue dos demais festivais portugueses. Há um sentimento genuíno de informalidade que em outros festivais porventura não se encontra ou não conseguem ter. Noutra refeição tive o prazer de me sentar ao lado de uma simpática malta de Torres Vedras: os editores do fanzine Impulso, um dos mais antigos em publicação em Portugal. Celebrou 50 anos em 2023. Na verdade, de fanzine pouco tem, porque cada revista é um autêntico manancial de banda desenhada e de informação sobre banda desenhada. Se quiserem conhecer mais cliquem aqui.
 
É isto Beja, ir é como experimentar novos sabores.

Esta 21ª edição do Beja BD apresentava, aparentemente, o cartaz menos apelativo dos últimos anos. Nomes como Thomas Ott, Benjamin Bachelier, Philippe Girard ou Lucas Iohanathan acredito que pouco digam a uma grande maioria dos leitores, e isso acabou por se reflectir também na afluência. Mas como em tudo, só perde quem não vai.

E quem ficou em casa perdeu Thomas Ott. E isso foi uma perda genuína. O autor de O Número 73304-23-4153-6-96-8 e, mais recentemente, de A Floresta, foi a grande figura desta edição. Um artista de talento singular, que desafia a arte com um x-ato num cartão preto. O que sai dali tem uma precisão de um relojoeiro e o resultado é só magnífico. Pensar que os livros dele são feitos assim é qualquer coisa de extraordinário. Não admira que a oferta portuguesa disponível no mercado do livro, e que se encontrava complementada com edições espanholas, tenha rapidamente esgotado.

Gostei de conhecer Diniz Conefrey, um autor de uma grande sensibilidade. Tive o prazer de apresentar uma conversa com ele, e de assinar o texto para a revista Splaft! Trouxe o seu último livro, A Estância do Sino Coberto, ao qual foi dedicada uma bela exposição. E por falar em exposições, os originais expostos de Benjamin Bachelier eram magníficos, os pequenos quadros de Ott extraordinários, e o trabalho de Beatriz Brajal, vencedora do prémio Geraldes Lino, muito interessante. Também aqui falhou a editora portuguesa no envio de livros da autora para venda. Faltou conhecer as meninas do colectivo espanhol Aventureras Gráficas, que infelizmente cancelaram a sua vinda.


Nos concertos desenhados, uma imagem de marca do Beja BD, o cartaz deste contou com um nível artístico elevado. Para além do Ott, participaram os autores Nuno Saraiva e o Vasco Colombo, este último, que também não tinha lá livros, a ilustrar o som dos Club Makumba, o projecto artístico de Tó Tripps. Foi assim a edição deste ano.

Feita de pequenos mas saborosos apontamentos. 

Agora há uma questão que fica no ar depois desta edição, e que não é fácil de ignorar.

O festival encontra-se agora numa posição ingrata no calendário. De um lado, o Maia BD veio dar às gentes do Norte o seu próprio evento, e do outro lado a Feira do Livro de Lisboa, que a cada ano apresenta mais banda desenhada no seu programa. Para quem está ali no meio, em pleno Alentejo profundo, o cenário não se mostra propriamente favorável. Senti esse esvaziamento. Não de forma dramática, mas sente-se. Percebe-se que não haverá muito mais espaço para crescer. A geografia não ajuda e o calendário conspira. O novo museu de banda desenhada pode trazer uma nova dinâmica, um novo argumento, uma razão adicional válida para a visita. Não sei se há a pressão dos números, a ansiedade de crescer, mas confesso o meu egoísmo. Beja é um pequeno grande festival. Erguido com paixão, ano após ano. Espero genuinamente que nunca perca a sua essência. Que se mantenha assim, como um pequeno grande, feito de encontros e descobertas. Aquele lugar onde sempre voltamos todos os anos para um fim-de-semana com amigos e para comer, beber e respirar banda desenhada.

PS A primeira imagem foi de um saboroso arroz de cabidela no restaurante Tem Avondo.


 

domingo, 7 de junho de 2026

A biografia gráfica de Dostoiévski

Não sei se alguém deu por isso mas na passada sexta foi distribuída pelas bancas nacionais o segundo volume da colecção Novela Gráfica IX da editora LEVOIR, que nos apresenta mais uma obra dedicada a Fiódor Dostoiévski. 

Dostoiévski: O Sol Negro é uma biografia gráfica que mergulha na vida intensa, contraditória e atormentada do escritor russo, que revela revela o homem por detrás do génio e os conflitos interiores que deram origem a algumas das obras mais marcantes da literatura moderna.

Epiléptico, jogador inveterado, endividado, amante frustrado, rebelde e ex-presidiário, a sua relação com a sociedade da época é complexa. Dostoiévski abomina o capitalismo e questiona-se sobre a religião: «A questão principal é precisamente aquela com que sofri, consciente ou inconscientemente, toda a minha vida: a existência de Deus».

A narrativa documentada e séria de Chantal Van den Heuvel, o desenho detalhado e preciso de Henrik Rehr, fazem-nos sentir o sofrimento interior, os dilemas e as dúvidas do escritor. Da falsa execução em 1849 ao exílio na Sibéria, passando pelas dívidas, pela epilepsia, pelos amores turbulentos e pela obsessão pelo jogo, esta novela gráfica acompanha os momentos decisivos que moldaram a mente e a obra do escritor russo. Entre sofrimento, fé, culpa e criação literária.

Ficha técnica:
Dostoiévski: O Sol Negro
Colecção Novela Gráfica IX – volume 2
De Chantal Van den Heuvel e Henrik Rehr
Capa dura, 195x270, cores, 136 páginas.
PVP: € 16,90
Edição LEVOIR
 

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Começa o XXI Festival de BD de Beja

É hoje. O calendário marca peregrinação. Começa a 21ª edição do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, vulgo Beja BD, evento o qual sentimos que fazemos parte, e como tal já se entranhou nas nossas vivências. A programação deste fim-de-semana promete a já habitual trilogia de conversas com autores, lançamentos de livros e sessões de autógrafos. Paralelamente há oficinas e concertos desenhados e pela primeira vez, o Interstício – Mercado da Autoedição, onde vamos poder encontrar pequenos editores como Bolo de Arroz | Erva Daninha | Gorila Sentado | Goteira | Magma Bruta | Massacre | Opuntia Books | Palpable Press | Zé Burnay.

Olhando agora para a lista de autores convidados, a verdade é que não teremos a presença daqueles nomes estrangeiros capazes de arrastar multidões, e assim sendo os destaques maiores irão talvez para o suíço THOMAS OTT, autor do qual já vimos por cá publicadas obras como O Número 73304-23-4153-6-96-8 (Levoir, 2019) e mais recentemente A Floresta (Levoir, 2025) e para o canadiano PHILIPPE GIRARD, autor de O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo (Asa, 2026). Há é a oportunidade para os colectivos de autores, presentes em bom número, mostrarem a sua voz.

Como habitualmente deixo a lista das exposições do festival e dos autores convidados:

AS EXPOSIÇÕES AVENTURERAS GRÁFICAS – Espanha, BEATRIZ BRAJAL – Portugal, BENJAMIN BACHELIER – França ,LUCKAS IOHANATHAN – Brasil, DINIZ CONEFREY – Portugal, DRACULA IN COMICS – Roménia, FILIPE PINA – Portugal, H-ALT – Portugal, INÊS LOURO – Portugal, PEDRO CLETO – Portugal, PHILIPPE GIRARD – Canadá, PORTUGAL EM BRUXELAS – Portugal, SIMONE BAUMANN – Suíça, THOMAS OTT – Suíça, TOUPEIRA – HÁ MOVIMENTO DEBAIXO DA TERRA – Angola | Brasil | Espanha | Inglaterra | Portugal

OS AUTORES BEATRIZ BRAJAL | BENJAMIN BACHELIER | LUCKAS IOHANATHAN | DINIZ CONEFREY | INÊS LOURO |PEDRO CLETO | PHILIPPE GIRARD | SIMONE BAUMANN | THOMAS OTT | Autoras e autores das coletivas AVENTURERAS GRÁFICAS | DRACULA IN COMICS | FILIPE PINA | H-ALT | PORTUGAL EM BRUXELAS | TOUPEIRA – HÁ MOVIMENTO DEBAIXO DA TERRA 

O Festival decorre entre 5 e 21 de Junho na Casa da Cultura de Beja. Sintam-se convidados!