domingo, 10 de maio de 2026

Quatro evangelhos para o fim dos tempos

 O Deus Selvagem


Característica indelével da humanidade, a violência marca o percurso da História desde aqueles tempos longínquos em que a escrita surgiu na Suméria. E mesmo antes, como nos mostram vários artefactos arqueológicos.


Em estado de paz, até podemos pensar quais os mecanismos mentais que levam o homem a cobiçar o território do outro, a querer roubar-lhe recursos, a desejar tirar vidas e a fazer da arte da guerra o seu permanente objectivo temporal. Em estado de guerra, atacantes e defensores pouco equacionam os motivos, pois a urgência está na sobrevivência e no vencer o conflito.


O certo é que, a pretexto de mil pretextos, como é bem visível na actualidade que nos cerca, as guerras levam ao escalar de uma violência que só é minimamente digerível enquanto nos encontramos a uma boa distância dela. Uma violência que ensombra a humanidade e nos inibe de evoluirmos, como um todo… para um destino melhor.


Pois é sobre essa violência, no limite da sanidade mental e muito para além dela, que o leitor vai poder ler num dos mais recentes lançamentos editoriais da Ala dos Livros. O Deus Selvagem, de Fabien Vehlmann (argumento) e Roger (desenho) é uma magnífica e triste fábula de tempos imemoriais ou, talvez, de tempos futuros. O certo é que não pode deixar de a ler…

 


Vamos à história!


Os tempos são difíceis para os símios do clã dos Que-Se-Mantêm-de-Pé.

 

Exércitos de formigas-ceifeiras vermelhas devoraram tudo à sua passagem. Aquela terra, outrora fértil, já não tem caça nem frutos.

 

É preciso partir para novas paragens. Pelo menos, é isso que pensa a líder do clã, a Nova-Mãe, seguida de perto pelo órfão que adoptou, o Sem-Voz.

 


Sem-Voz é forte e rápido e anseia provar ao clã o seu valor. E o momento parece ter chegado pois, durante o êxodo, avistam um velho e gigantesco crocodilo ferido durante uma luta e que procura, desesperado, um local com água. Se forem pacientes, aquela é uma presa fácil, uma boa fonte de alimentação. Basta seguirem-no até que o velho crocodilo sucumba aos ferimentos.

 


Mas a intentona leva perseguido e os seus perseguidores até ao limite das terras onde é proibido ir, as Terras do Fim-do-Mundo, as terras do antigo medo, de onde apenas lhes chegam por vezes lamentos monstruosos e distantes. Os Que-Se-Mantêm-de-Pé hesitam; o crocodilo prossegue, na sua busca por água. Quebra-Cabeças lança um grito às Terras Proibidas e o clã imita-o num clamor que indica que aquele será o caminho a tomar.


No dia seguinte, a coberto do capim, as sentinelas do clã observam o crocodilo moribundo imóvel, talvez já morto. Os insectos rodeiam a sua carcaça malcheirosa. É preciso agir. Todos os mais jovens avançam imprudentes. Todos menos Sem-Voz. Quem tocar primeiro no monstro ascenderá no clã. Quebra-Cabeças e Costas-Vermelhas tomam a dianteira e este último consegue tocar no crocodilo. O ataque do réptil gigantesco é fulminante. Costas-Vermelhas é devorado de uma assentada. Quebra-Cabeças é varrido pela cauda do animal, embatendo violentamente contra uma rocha. O crocodilo avança rapidamente sobre ele. É o momento pelo qual Sem-Voz aguardava. Saltando sobre ele, espeta-lhe um graveto afiado no olho.

 


O crocodilo jaz morto na terra seca. O clã exulta de alegria. Todos se reúnem para o festim. Quebra-Cabeças oferece a Sem-Voz o melhor pedaço de carne. Mas uma força invisível ataca-os de surpresa, sem piedade. Sem-Voz observa tudo, impotente. A Nova-Mãe é atingida, a chacina é geral. E aquela força invisível acaba por chegar a Sem-Voz. Mal sabe ele que aquele dia é o que o transformará numa lenda que ecoará o seu novo nome pelos tempos vindouros: o Deus Selvagem…

 

 

Fabien Vehlmann é um bem-sucedido argumentista francês, talvez mais conhecido pela série Seuls (em conjunto com o desenhador Bruno Gazzotti), da qual foram já publicados 16 volumes. Com O Deus Selvagem não faz mais do que provar ao leitor a sua genialidade narrativa. E é mesmo isso que queremos, um autor que se reinventa a cada obra e que nos consegue deslumbrar com a sua originalidade.

 

A obra começa logo por ter uma localização temporal incerta, o que adensa o mistério da trama. Tanto pode decorrer há milhares de anos como passar-se num futuro apocalíptico longínquo. Dividida em quatro capítulos e um violento epílogo, cada um deles tem a particularidade de se centrar num personagem diferente da intriga e colocá-lo como narrador. Temos assim quatro diferentes vozes e sensibilidades a contarem-nos em sequência a história de Sem-Voz e do povo de humanos que o capturou.


Até se pode classificar a história dentro do género fantasia-heróica, sabendo de antemão que elfos, anões, magia ou dragões primam pela total ausência. Mas os autores criam um mundo de raiz num universo imaginário, no qual o protagonista, parecendo ter o dom da ubiquidade, deixa sentir a sua omnipresença no relato de cada um dos narradores. Prosseguindo a sua silenciosa demanda por vingança, o pobre Sem-Voz, que é o mesmo que dizer o temido Deus Selvagem, vai-nos sendo apresentado através de uma narrativa coral que rapidamente se afasta dos estereótipos do género da fantasia e surpreende o leitor. Como se disse, quatro capítulos, quatro narradores, prosseguindo cada um destinos que se cruzam, que colidem e que se despedaçam, numa trama bem arquitectada por Fabien Vehlmann.

 


Para tornar mais complexa (e “deliciosa”) a trama, para além dos quatro narradores, Vehlmann faz correr a narrativa em dois tempos. Aquele que é percepcionado por Sem-Voz, capturado por uma caravana de humanos exilados, e a viver num inferno enlouquecedor. Educado e treinado a golpes de chicote e de pau, o quotidiano de Sem-Voz é pautado pelo sofrimento, pelo temor e pela desesperança infinita. É um tempo lento, sem perspectiva de futuro apaziguador. O seu sonho é a liberdade e o seu alimento é a raiva… que não cessa de crescer.


Em simultâneo, corre o tempo dos humanos, nomeadamente o da Casa Matsia, recentemente exilada pela Casa Imperial. Mas este mundo está à beira do precipício, atingido por uma manifestação apocalíptica da Natureza que vai abalar todas as regras e destruir a ordem social. Uma civilização em agonia que corre em tempo acelerado na sobrevivência quotidiana.


Independentemente do narrador ou de como correm os dias, o motor da trama é a violência, sendo mesmo o elemento central da história. A violência entre animais, entre homens ou destes contra as “feras” ou ainda a violência da natureza. É a violência que governa a interacção entre os personagens e que impulsiona o tempo. É a violência das batalhas, a violência das lutas, a violência de um tsunami de proporções bíblicas, a violência na arena. Mas é também a violência no seu expoente máximo quando se alia à crueldade.

 


Apesar disso, Vehlmann não entrega por completo o reinado da sua história à violência. É o momento que o autor encontra para melhor manipular a leitura e o leitor. Cada um dos quatro narradores vai-se questionando sobre o destino, sobre o infortúnio, a sobrevivência, a maldade, a violência e até sobre o Deus Selvagem. Para o fazerem, Vehlmann utiliza em cada capítulo uma voz-off distinta que leva o leitor a mudar de ponto de vista em função do que cada narrador lhe vai contando. Tomamos como nossas as razões de cada narrador e, pelo menos no breve correr de cada capítulo, somos o personagem e identificamo-nos com as suas tomadas de decisão. Mesmo que não reconheçamos em nós a capacidade de produzir determinados actos, é inevitável sentirmos empatia pelos narradores e pelas suas emoções, e penar pelos seus destinos.


Para além disso, os recitativos hipnotizantes parecem lançar-nos o estranho sortilégio do conhecimento. Pois, afinal é através deles que nos é permitido percebermos as motivações de cada protagonista e a sua densidade psicológica. É através deles que o autor consegue torná-los mais reais e fazê-los viver no nosso imaginário muito tempo depois de a leitura terminar.

 


O Deus Selvagem é uma obra que poderia valer apenas pela força da história e da narração. Mas para a sua magistralidade há que juntar-lhe o talento de Roger na arte.


Num estilo realista e detalhado, com um traço e composição de página dinâmicos, o desenhador espanhol não mitiga em nada a violência e a crueldade dos acontecimentos. O seu desenho é perfeito para o ritmo nervoso da narrativa e realça a urgência e tensão que compõem o manto que cobre toda esta história de uma natureza hostil.


E a sua capacidade de encenação minuciosa, alternando cenas de acção com outras mais introspectivas, faz-nos mergulhar naquela sensação de fim dos tempos, quando esperamos que tudo seja resolvido no derradeiro minuto de vida.


Saibam que o artista é também mestre na representação das expressões faciais. Não há nos rostos que desenha qualquer ambiguidade, excepto quando é isso que quer representar. As expressões faciais dos seus personagens não nos enganam; sabemos quando estão felizes, tristes, irados ou aterrorizados. Mais ainda, conseguimos distinguir as classes sociais através do que nos transmitem os seus rostos: os nobres e a corte imperial mais inexpressivos; os altos funcionários num misto de superioridade e encantamento; e o povo, entre rostos sofridos e de exaltação de felicidade, ainda que momentânea.


Mais ainda, Roger é capaz de criar cenas de grande composição, algumas delas dignas de passarem a óleo e figurarem num grande museu, como é o caso da que se segue e que, de algum modo, me lembra o quadro de Géricault, A Jangada da Medusa.

 


Outras, absolutamente adequadas à narrativa, e de grande força cinematográfica, como a que se segue, na qual se pode ver o exército de escravos que puxam as embarcações pelo rio, enterrados na água até ao peito, debaixo de uma chuva copiosa, todos eles exibindo expressões de desalento e conformação.

 


O Deus Selvagem de Vehlmann e Roger é uma obra sombria e cruel que nos fala de sobrevivência e resiliência. Uma fábula na qual a violência dos homens e dos animais é eco da violência do mundo no qual habitam.


O leitor é levado numa viagem tão desestabilizadora quanto tocante, tão bela quanto violenta, através de uma narração original e poderosa que nos é trazida por quatro vozes como que nos apresentando os quatro evangelhos para o fim dos tempos.


Como nos tem vindo a habituar, a Ala dos Livros oferece-nos uma edição muito cuidada à qual acrescenta um muito interessante “caderno gráfico” de 15 páginas no qual podemos apreciar esboços, pranchas a lápis, estudos de personagens e estudos para a capa.


Único reparo a fazer: a opção da editora em publicar a edição a preto e branco. Bem sei que assim se pode apreciar melhor (será?) o traço de Roger, mas não nos podemos esquecer que é ele próprio o colorista e que as cores da versão original são muito impactantes e criam, elas também, a atmosfera adequada aos acontecimentos, sejam eles luminosos ou sombrios. Para além disso, sem cor há pormenores que escapam ao leitor e que têm relevância narrativa, como é o facto de Sem-Voz ser um macaco albino.


Reparo aparte, O Deus Selvagem é uma obra eloquente que marca o leitor e que não o deixa indiferente. Mas é também uma obra que tem uma dimensão muito actual.

 

 

Por Francisco Lyon de Castro.

 

sábado, 9 de maio de 2026

Segue a IX série de Novela Gráficas

A LEVOIR e o Jornal Público voltam a fazer aquilo que já se tornou uma tradição: lançar mais uma nova leva de novelas gráficas. Este mês, chega a Colecção Novela Gráfica Série IX, composta por 12 volumes, com um preço de capa de €16,90. A distribuição arranca nas bancas no próximo dia 22, com uma cadência quinzenal.

Assim à primeira vista, e do que me agrada, destaco o regresso de Chabouté com Ficar Partindo (Plus loin qu’ailleurs no original), ficando desde já na expectativa cautelosa que a edição faça jus ao material. Outro destaque, será para a inclusão de um autor nacional, o Daniel Silvestre, cujo trabalho tive oportunidade de conhecer em Beja no ano passado, e que entretanto arrecadou o prémio de Melhor Fanzine ou Publicação Independente no Amadora BD 2025, justamente com este Armação, que será agora editado. Quanto ao resto da coleção, ficará entre a agradável surpresa e aquilo que já aprendemos a não esperar demasiado por parte da Levoir.

LISTAGEM COMPLETA DOS TÍTULOS: 

Nº Título  Autor(es)   |  Lançamento

1 ● A Aranha de Mashhad, de Mana Neyestani a 22/05/2026
2 ● Dostoiévski: O Sol Negro Chantal, de Van Den Heuvel e Henrik Rehr a 05/06/2026
3 ● Dez Mil Elefantes, de Pere Ortín e Nzé Esono Ebalé a 19/06/2026 
4 ● Partir Ficando, de Christophe Chabouté a 03/07/2026
5 ● Formosa, de Li-Chin-Lin a 17/07/2026
6 ● Albert Londres Tem de Desaparecer, de Frédéric Kinder a 31/07/2026
7 ● Saint-Exupéry e A Origem do Principezinho, de Pierre-Roland Saint-Dizier a 14/08/2026
8 ● Estamos Todas Bem, de Ana Penyas a 28/08/2026
9 ● O Anjo Pasolini, de Arnaud Delalande, Denis Gombert e Éric Liberge a 11/09/2026
10 ● Armação, de Daniel Silvestre a 25/09/2026
11 ● No Sleep Till Shengal, de Zerocalcare a 09/10/2026
12 ● O Piano Oriental, de Zeina Abirached a 23/10/2026
 

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Um western distópico chamado HP

Hoje trago aqui a primeira novidade do ano da editora ESCORPIÃO AZUL. Trata-se de HP, um curto título para uma obra realizada entre 1973 e 1974, com argumento de Alexis Kostandi e desenho de Guido Buzzelli. Pode-se definir este livro como um misto de ficção-cientifica e western distópico, ambientado num mundo pós-apocalíptico. 

Nos arredores de uma cidade ultra-tecnológica, dominada por uma oligarquia de militares e cientistas, um grupo de rebeldes sobrevive à caça e ao saque dos destroços de guerra. No centro da narrativa está um cavalo mecânico chamado “HP”, uma presença enigmática que concentra boa parte da singularidade da obra.

Com um traço rude e agressivo, Buzzelli constrói aqui um quase manifesto em defesa dos desfavorecidos, dos que ficam à margem e não encontram lugar numa sociedade em que o progresso tecnológico surge enquanto instrumento de domínio. O resultado é uma história marcada pela violência, pela degradação moral e social e por uma inquietante sensação de ruína civilizacional. 

O livro já pode ser encontrado nas livrarias. 

Ficha técnica:
HP 
De Guido Buzzelli e Alexis Kostandi
Capa mole, 17x 24, p/b, 112 páginas.
ISBN 9789893607947 
PVP: € 24,90
Editor ESCORPIÃO AZUL 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Novo álbum daquela edição especial de Blacksad

Já pouco há a acrescentar sobre a excelência de BLACKSAD, a série que cruza o policial negro com a fábula animal, assinada pela dupla espanhola Juan Díaz Canales e Juanjo Guarnido. Todos os álbuns da coleção encontram-se editados no nosso país, mas em 2022, a ALA DOS LIVROS retomou o título e iniciou uma reedição absolutamente irrepreensível. 

Os novos volumes apresentam-se com lombada em tecido, capa com verniz localizado e incluem ainda um extenso e muito interessante dossier, intitulado A História das Aguarelas, que é praticamente uma leitura paralela do álbum pelo olhar de quem o desenhou, que conduz o leitor pelas páginas da história, revelando, passo a passo, cada sequência e cada detalhe do processo gráfico. É, no fundo, uma verdadeira masterclass de Guarnido.

Para quem está a entrar agora neste universo, esta é a coleção para seguir. 

Chega agora ao volume 4, O INFERNO, O SILÊNCIO, obra vencedora dos PNBD do Amadora BD de 2011 na categoria de Melhor Álbum Estrangeiro editado em Portugal. Nova Iorque, anos 50. Um lendário pianista de jazz desaparece misteriosamente, e a investigação de John Blacksad mergulha-o no ambiente dos clubes de jazz nocturnos, de música carregada de fumo e de talentosos músicos consumidos pelo vício.

O INFERNO, O SILÊNCIO
Nova Orleães, década de 1950, onde as celebrações do Carnaval estão ao rubro. Graças a Weekly, um produtor de jazz chamado Faust conhece Blacksad. Faust pede a este último que assuma um caso: um dos seus músicos, o pianista Sebastian, desapareceu. Não há notícias dele há meses, pondo em risco a editora particular que só tem aquela estrela. Faust teme que Sebastian tenha, com demasiada frequência, caído no vício da droga. O seu pedido é ainda mais urgente, pois Faust sabe que tem cancro. Blacksad aceita a missão e, aos poucos, descobre que Faust não lhe contou tudo. Percebe que está a ser manipulado, mas decide, mesmo assim, encontrar Sebastian para perceber os motivos do seu desaparecimento. Mas o que ainda não sabe é que está prestes a viver a sua investigação mais angustiante, em mais do que um sentido.

Já disponível nas livrarias.
 

Ficha técnica:
Blacksad (tomo 4) - O inferno, o silêncio (Inclui A História das Aguarelas)
Argumento de Juan Díaz Canalès e desenho de Juanjo Guarnido
Capa dura, lombada em tecido, 235 x 310 mm, cores, 104 páginas. 
ISBN: 978-989-9108-80-6
PVP: € 29,90
Editor ALA DOS LIVROS 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Capítulo VIII das Águias de Roma já chegou!

Álbum anunciado há já algum tempo, chegou finalmente às livrarias este oitavo volume da coleção AS ÁGUIAS DE ROMA, assinado por Marini e publicado pela ASA. Uma história romana, que, em teoria, já deveria estar concluída, mas o entusiasmo do autor suíço pela narrativa levou-o a prolongá-la, adiando o tão aguardado confronto entre os dois “irmãos” desavindos. Da minha parte sem razões de queixa, vou gostando da história e adorando o desenho. A edição portuguesa (imagem da esquerda) apresenta na capa a figura de Armínio, líder dos Queruscos, uma das tribos germânicas que enfrentam Roma. Já em França, este oitavo álbum foi lançado com duas capas distintas, sendo a segunda dedicada a Marcos, oficial do exército romano (imagem da direita). Confesso que esperava que a ASA neste lançamento optasse por uma edição 50/50 com ambas as capas, mas, infelizmente, não veio a acontecer. 

ÁGUIAS DE ROMA VIII A rivalidade entre Marcos e Arminio está mais acirrada do que nunca. Marcos quer encontrar o seu filho e levá-lo de volta para Roma, na esperança de salvar o irmão de Cabar. Mas é tarde demais: Morfea já matou o seu refém com as próprias mãos. Marcos, ainda encarregado da missão que Germânico lhe confiou há muito tempo, parte para recuperar as águias perdidas, uma das quais estaria nas mãos dos brúcteros. Por seu lado, Arminio, perturbado com a captura de Thusnelda, está mais determinado do que nunca a aniquilar os romanos. A sua agressividade e sede de vingança não param de crescer. Nas sombras, Morfea e Sejanus conspiram para assassinar Thusnelda, que está prestes a dar à luz seu filho. Marcos, por sua vez, continua determinado a matar Arminio. Enquanto as tensões atingem seu auge, o destino de cada um parece mais incerto do que nunca... 

Ficha técnica:
As Águias de Roma - Livro VIII 
De Marini
Capa dura, 318x242, cores, 64 páginas.
PVP: € 17,90
ISBN: 9789892368078 
Editor Edições ASA 

terça-feira, 5 de maio de 2026

Chega o 3º Ciclo de Adopção

Após a edição dos volumes integrais 1 e 2 de A Adopção - publicados em 2022 e 2024, respetivamente - a ALA DOS LIVROS apresenta agora o terceiro ciclo da coleção. Se, inicialmente, a editora optou por reunir dois álbuns em cada integral, neste novo livro, O REI DOS MARES, temos apenas uma história, correspondente ao quinto álbum da série original, Le Sourire du plombier. 

Como é habitual em Zidrou, estamos perante mais uma narrativa profundamente humana, feita de personagens e situações que podiam ser perfeitos, e por vezes imperfeitos. retratos da vida real. Neste volume, a história deixa de se centrar apenas na adoção para se transformar numa reflexão mais ampla sobre memória, transmissão afetiva e envelhecimento. Zidrou escolhe aqui olhar para uma vida já consolidada, mostrando como ela pode ser revisitada pela memória quando a perda obriga a recuar e a reconstituir o passado.

O REI DO MARES
Um nascimento e pedidos de adopção que se concretizam quando menos se espera. Depois, a dor que vira tudo de cabeça para baixo. Uma família onde o pai espanhol entrou com um pedido de adopção em Espanha enquanto a mãe francesa entrou com um pedido de adopção em França. Uma família onde ambos os pedidos se concretizam ao mesmo tempo e, como costuma acontecer nesses casos, uma família onde a natureza assume o controlo e a mãe engravida. É uma família onde a terceira menina é repentinamente adoptada. É também uma família onde quem mais sofre é quem sai do ventre da mãe, porque ela não foi adoptada como as suas duas irmãs. E é uma família onde a dor ataca, deixando o pai sozinho com as suas três filhas adoptivas. 
 
Ficha técnica:
A Adopção (3º Ciclo) - O Rei dos Mares
De Zidrou e desenho de Arno Monin
Capa dura, 241x317, cores, 72 páginas.
ISBN: 9789899108882
PVP: € 25,90  |   Editor ALA DOS LIVROS 

  

domingo, 3 de maio de 2026

A história de um escritor-aviador suspenso entre a escrita e o voo

Com a chancela da editora ASA já está disponível na generalidade das livrarias este O PRÍNCIPE DOS PÁSSAROS DE ALTO VOO, da autoria de Philippe Girar, um romance gráfico que combina biografia e ficção histórica sobre o escritor-aviador Antoine de Saint-Exupéry, tendo como pano de fundo a vida deste durante o seu exílio norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial. Não encontramos aqui uma obra com um retrato de um génio triunfante, mas sim a história sobre a vulnerabilidade do autor de O Principezinho, com os seus estados de alma. Um homem que se mostrava angustiado e atormentado por se encontrar longe da “sua” França. A narrativa ganha força nessa tensão, fazendo uma reflexão sobre o processo criativo de alguém que só se sentia bem a dez mil pés de altitude. Um autor suspenso entre a escrita e o voo. O desenho é feito de linha clara, e a cor ajuda a marcar a diferença entre os momentos mais pesados e os momentos onde a imaginação ganha espaço. 

O PRÍNCIPE DOS PÁSSAROS DE ALTO VOO Abril de 1942: Depois de ser desmobilizado, Antoine de Saint-Exupéry viveu exilado em Nova Iorque. Deprimido, o escritor-aviador sonha apenas com o regresso ao combate para defender a França ocupada. É nesse contexto que o seu editor canadiano o convida para uma digressão promocional pelo Canadá. Sain-Exupéry desembarca em Montreal com a mulher, no momento em que o Canadá, que estava em guerra com a Alemanha, ordena o encerramento de todas as embaixadas francesas no seu território. Resultado, o escritor fica encurralado no Quebeque. Então, começa uma temporada cheia de surpresas: entre as cidades e o campo, o escritor encontra uma menina que desenha carneiros, um acendedor de candeeiros e um rapazinho de olhos claros, que faz muitas perguntas… 

Ficha técnica:
O Príncipe dos Pássaros de Alto Voo
De Philippe Girard
Capa dura, 317x240, cores, 160 páginas.
ISBN: 9789892368054
PVP: € 29,90
Editor Edições ASA