Nas livrarias encontramos, finalmente, o sétimo volume da saga MONSTER, que a editora DEVIR tem paulatinamente vindo a editar. Trata-se de um manga do qual só lamento mesmo o moroso ritmo de lançamento entre cada novo volume, porque em termos de narrativa estamos perante uma história que "agarra o leitor", e onde é tratada de forma excelente a dualidade e a ambiguidade moral do ser humano, num excelente traço realista.
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Mais Monster!
quinta-feira, 30 de abril de 2026
Uma nova obra que resgata histórias do Estado Novo
A banda desenhada prepara-se para fazer a sua estreia na coleção Os Livros de Oeiras, a chancela editorial da Câmara Municipal de Oeiras, que integra a Rede de Bibliotecas Municipais daquele município.
Com efeito, tem hoje a apresentação pública da novela gráfica UM QUADRADO DE CÉU ou como escrever um livro sobre Caxias, das autoras Susana Moreira e Joana Afonso.
Uma obra que resgata memórias de pessoas que lutaram contra a ditadura e foram presas por isso. Um regresso aos muros de Caxias, uma das principais prisões políticas do Estado Novo, que convida a refletir sobre um passado marcado pela repressão e a questionar a forma como olhamos, ainda hoje, para a fragilidade da liberdade.
Por toda a parte - nas nossas ruas, tantas vezes nas nossas casas -, encontramos ainda hoje traços de um tempo em que não era seguro falar ou debater, nem seguir livremente o caminho que cada um escolhesse para si.
A apresentação do livro terá lugar no espaço cultural Templo da Poesia, situado em pleno coração do Parque dos Poetas, em Oeiras, mais logo às 21h30 numa sessão moderada por José Mário Silva, e contará com a presença das autoras.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
terça-feira, 28 de abril de 2026
Segundo álbum de A Sombra das Luzes
Após uma pequena interrupção motivada pela Comic Con, retomo aqui a divulgação das novidades, que tem sido muitos nesta recta final do mês. Um pequeno aparte para referir que Abril é agora o mês mais forte do ano em termos de lançamentos, e que os números do 1º quadrimestre do 2026 já suplantaram os do ano passado. A este ritmo, e a IMPENSÁVEL barreira das quatro centenas de livros/ano será facilmente batida pela primeira vez. Números que dão que pensar! Mas, por agora, vamos à novidade!
Temos de volta a narrativa epistolar de um libertino e trapaceiro manipulador do século XVIII, trazida com desenvoltura por Alain Ayroles (o mesmo do magnifico O Burlão nas Índias) e elegantemente desenhada por Guérineau, neste segundo volume (de três) de A SOMBRA DAS LUZES.
Neste novo álbum, RENDAS E COLARES DE CONCHAS, as reviravoltas prosseguem agora nas terras exóticas da Nova França, onde o selvagem não é quem pensamos que seja. Ladeado pelo iroquês Adario e o seu criado filósofo, Saint-Sauveur chega à Nova França, onde uma nova aposta lhe permitirá exibir os seus talentos mortais. Mas não se pode brincar com os corações impunemente, e as maquinações do libertino vão transformar-se em catástrofe. Trocando as meias de seda por perneiras de pele de veado, o cavaleiro terá que vagar pelas florestas e afastar os seus preconceitos: os selvagens têm inteligência!
Álbum há disponível nas livrarias.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Comic Con 2026: Um raro alinhamento de grandes estrelas
No rescaldo de três dias na Feira, começo pelo mais evidente: a nova casa da COMIC CON PORTUGAL (CCPT) serve o seu propósito. O Europarque tem espaço largos, bons auditórios e uma zona de restauração que não colapsa à primeira enchente. Para um evento desta dimensão, não é preciso mais. Os dois primeiros dias, quinta e sexta, diz-me a experiência que são os melhores para visitar o evento. A confirmar isto, no sábado, logo de manhã, a fila para entrar estendia-se ao longo da estrada. Mais experiência, quem vai pela banda desenhada, sai de lá sempre bem-servido.
Na edição deste ano, os astros alinharam-se de forma generosa. Dois dos argumentistas mais falados da atualidade, responsáveis por uma das mais faladas revoluções no universo da DC, marcaram presença em Portugal. Juntou-se-lhe um dos melhores desenhadores americanos, e tivemos um alinhamento perfeito de estrelas. A qualidade presente no evento foi tão boa que a ausência de Frank Miller passou de desilusão a um simples lamento. Daniel Henriques, autor português que já trabalhou com Miller, revelou em conversa que o autor americano não estava em condições de fazer a viagem, e que se sente agora em divida para com o festival. Pode ser que a próxima edição em 2028 traga surpresas.
John Romita Jr., Scott Snyder e Jason Aaron ocuparam o espaço e concentraram a atenção toda. Nas conversas, nas entrevistas, nas longas filas para autógrafos, e sempre com uma disponibilidade e simpatia que surpreenderam. Confesso que vinha preparado para um certo distanciamento, aquele gelo habitual que, por vezes, marca a presença de autores americanos no Amadora BD. Aqui, não houve nada disso, antes pelo contrário. Talvez o problema esteja na escolha que fazem dos convidados. Sugeria talvez mais atualidade e menos nostalgia.
Sendo o Homem-Aranha das minhas personagens preferidas, só a presença do enorme Romita já justificava a viagem. O resto foi bónus. Jason Aaron é só argumentista, entre muita coisa boa, do magnifico Southern Bastards, e para quem anda mergulhado na brutalidade de Absolute Batman, recomendo visualização da entrevista a Scott Snyder que publiquei aqui. A Devir que já anunciou a edição do primeiro volume, mas ficando-se pelo anúncio, perdeu aqui na Comic Con um comboio para o qual tinha bilhete.
Como é hábito, também a banda desenhada europeia marcou igualmente presença. Dos franceses, destaco Jérôme Lereculey, desenhador de As 5 Terras, disponível e generoso nos desenhos autografados que fez. Espero que regresse a Portugal. Bastien Vivès é só um dos actuais desenhadores do Corto Maltese no século XXI. Do lado espanhol, Victor Pinel (Peças) e Alicia Jaraba (Longe) confirmaram talento, enquanto Miguelanxo Prado já dispensa apresentações, afinal é, por direito próprio, “prata da casa”.
Nos portugueses, que também picaram o ponto. Finalmente consegui uma It-Girl do André Lima Araújo, tive uma óptima conversa com o Daniel Henriques e claro, visitei a muito talentosa Rita Alfaiate, das minhas autoras preferidas.
Para o fim, fica sempre a mesma pergunta: como é que se mede o sucesso de um festival de banda desenhada em Portugal?
Se for pelos convidados, a CCPT está nos píncaros. Se for pela afluência, a julgar pelos três dias que lá estive, a CCPT é certamente um dos eventos mais populares. Pessoalmente, saí com a certeza de ter vivido uma histórica edição. Ou não tivesse tido o privilégio de conhecer pessoalmente John Romita Jr.

















