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domingo, 30 de agosto de 2026

Conclusão da triste história da Carlota Imperatriz!

Ainda este mês, a editora ALA DOS LIVROS fechou a tetralogia sobre a vida trágica de CARLOTA IMPERATRIZ, uma soberana e uma mulher a quem o sofrimento não poupou. O argumento tem a assinatura de Nury e o desenho conta com o elegante traço de Bonhomme. Os quatros volumes da edição original francesa foram condensados em dois volumes na edição portuguesa, reunindo este último o terceiro e quarto álbum desta trágica saga.

De leitura muito agradável, temos aqui uma narrativa bem construída, inspirada em factos reais, que nos conta a história da vida da princesa Carlota da Bélgica, que quis o destino e o coração que trocasse o pretendente e futuro Pedro V de Portugal pelo pretendente e arquiduque Maximiliano da Áustria. É a partir do seu casamento todos os sonhos se desmoronam. A oferta da coroa mexicana, um presente envenenado da parte de Napolão III, revela-se um fardo maior, um triste episódio de interesses criados, ingenuidade e desespero. 

CARLOTA IMPERATRIZ
Aproveitando-se da ausência do marido e com a ajuda do Coronel Alfred van der Smissen, cujo charme lhe é irresistível, Carlota da Bélgica assume o controlo do império mexicano. Infelizmente para ela, as coisas pioram com o regresso de Maximiliano. As rebeliões intensificam-se e, pior ainda, o exército francês prepara-se para retirar do México. Enquanto isso, Maximiliano pretende desesperadamente um herdeiro para o trono. Recusando-se a compartilhar a cama com ele, por saber que ele sofre de sífilis, Carlota é forçada a recorrer à adopção. A menos, é claro, que ela sucumba ao fascínio da carne com o enigmático van der Smissen... Após atravessar o Atlântico para interceder a favor do marido, a Imperatriz Carlota do México descobre na Europa que os seus aliados são poucos e distantes entre si... Abandonada por todos, a jovem soberana mergulha num estado de loucura — por vezes violento — que os seus inimigos exploram para prendê-la... durante sessenta anos!
 

 
 
 
Ficha técnica:
Carlota, Imperatriz - Tomos 3 e 4
De Fabien Nury e Matthieu Bonhomme
Capa dura, dimensões 243 x 317, cores, 168 páginas.
ISBN: 9789899108998
PVP: € 35,00
Editor ALA DOS LIVROS
 

sábado, 29 de agosto de 2026

O fabuloso destino de Aimé Louzeau

 

Brigada de Costumes

 


No mundo da Nona Arte, é relativamente fácil reconhecer os desenhadores pelo seu traço. Mesmo quando o seu estilo evolui, há algo da sua alma que permanece em cada desenho, permitindo-nos identifica-los como sendo este ou aquele.


O mesmo já não se pode dizer dos argumentistas. É difícil percebermos o cunho de um escritor em histórias que podem variar do policial ao western, da comédia de costumes à aventura histórica ou do romance à ficção científica. Em cada género literário que um autor aborda, parece soltar a sua criatividade esquizofrénica, tornando-se irreconhecível. E isso até é bom pois significa que o escritor tem uma invejável capacidade de se reinventar, conseguindo assim chegar a mais leitores.


Ora, estando perante uma obra escrita por Zidrou, desejo o absoluto contrário; desejo que ele mantenha o cunho que tão bem o caracteriza. Mantendo-o, sei que a obra, em termos narrativos, será sempre superlativa. É dos poucos que se reconhece pela escrita, pelos truques narrativos, pela inventividade da trama ou a capacidade de trazer para o nosso século heróis do passado. No seu palmarés contam-se mais de 100 histórias, todas diferentes e todas com a sua marca distintiva.


De Verões Felizes ao díptico A Fera, de Lydie à série A Adopção, dos novos casos de Ric Hochet à série Shi (entre outros) tudo o que é escrito por Zidrou é bom! E torna-se ainda melhor quando uma das suas parcerias habituais é com Jordi Lafebre, também ele sobejamente conhecido no nosso País e capaz de transformar em desenho os conceitos mais complexos de Zidrou.


Pois bem! Para quem aprecia os dois autores, o momento não pode ser melhor. A Arte de Autor e A Seita juntam-se em mais uma coedição e lançam o díptico Brigada de Costumes em um só volume. Como sempre, uma obra intensa, inteligente, com uma narrativa que nos deixa agarrados literalmente até à última página e um traço inconfundível.

 

Vamos à história!

 

Uma noite de Abril de 1944. As bombas dos ingleses caiem em Paris como uma chuvada de meteoritos primaveris. O recolher obrigatório imposto pelos nazis já não é suficiente e a população tem de se refugiar em abrigos improvisados pela cidade. E é precisamente num deles que começa a nossa história, nas profundezas de uma estação de metro. Apinhada de parisienses assustados, martirizados por cada estrondo que lhes chega do exterior, a estação parece ser agora o seu porto de abrigo.


Entre eles está um oficial da Wehrmacht que tenta encetar conversa com um jovem casal oferecendo-lhes um cigarro. O homem recusa e esclarece que não são um casal. Na verdade, ele é inspector da Brigada de Costumes e ela é uma “experiente” profissional a quem se algemou. Foi já há sete anos, em Novembro de 37, que Aimé Louzeau teve o seu primeiro dia nos “Costumes”. Lembra-se como se fosse hoje…

 


Naquela manhã chovia copiosamente. Aimé toma o pequeno-almoço preparado pela sua querida mamã e servido pela fiel Clémentine, a criada interna que os acompanha desde sempre. Depois, mete o seu chapéu de coco, despede-se da mãe e parte para o número 36 do Quai des Orfévres onde ficará sob as ordens do inspector-chefe Séverin. Ao sair de casa ainda se cruza com a porteira, a jovem senhora (perdão… menina!) Wallez, cujo peito portentoso é um imã para o seu olhar.


Chegado aos “Costumes”, rapidamente sente o ambiente onde vai trabalhar. Dois dos seus novos colegas entretêm-se a espancar El Guapito, um proxeneta bem conhecido da brigada que se divertira a talhar o mamilo de uma das suas “meninas”. Séverin irrompe nas instalações com a sua inseparável bicicleta; cumprimenta Louzeau, troca breves impressões fruto das circunstâncias e combina com o resto da brigada o almoço de iniciação do novo elemento.


Na manhã seguinte, Louzeau tenta conhecer os cantos à casa, mas é informado por um colega que vai passar mais tempo de vigia do que sentado atrás da secretária. Para além disso, deve familiarizar-se com o “pequeno dicionário ilustrado” da Brigada, que vai de “Abuso” a “Zoofilia”. Precisamente, entre uma vigia e mais uma almoçarada dos “Costumes”, Aimé Louzeau vai deparar-se com uma fotografia que irá mudar a sua vida…



Ora, aqui está uma obra que podia ter dado para o torto ou, simplesmente, ter tomado o caminho mais fácil. Sendo o tema central o dia a dia de uma “brigada de costumes”, o leitor poderia ter sido aliciado pelo correr de uma espécie de “slides” acerca dos inúmeros vícios da sociedade parisiense no período de 1937 a 1944. De qualquer modo, se espera por um livro pejado de prostituição, droga, violência doméstica e outros crimes que já foram ou ainda são, não ficará desiludido. Mas se a obra se resumisse a isso, não estaríamos perante um argumento digno de Zidrou.


Na verdade, o foco da narrativa incide sobre os estados de alma do jovem inspector Aimé Louzeau, confrontado com os desvarios sexuais perpetrados na Cidade Luz. O tema é delicado e poderia ter sido tratado com facilitismo, algo que Zidrou contorna habilmente. Em termos narrativos, as depravações parisienses passam quase a um segundo plano, dando lugar à história nada vulgar de Aimé. E como é de esperar do autor, somos apanhados de surpresa por uma narrativa desconcertante e original – algo que me remete sempre para o filme de Jean-Pierre Jeunet, O Fabuloso Destino de Amélie. Evocando com tacto, embora sem concessões, as práticas mais sórdidas, o argumentista belga alterna-as com variadas considerações humanas que criam no leitor uma dualidade de sentimentos. Para isto contribui também a ingenuidade de Aimé que não o predispõe propriamente para este tipo de investigações policiais.


Mas o que é realmente extraordinário nesta obra, é a maneira como Zidrou vai do macro para o micro. Da Segunda Guerra Mundial passa para a Brigada de Costumes parisiense e para a caracterização social da urbe de então, centrando-se depois na vida privada e complexa do inspector Aimé. E neste ponto, o micro torna-se o principal da história. Somos sempre surpreendidos por cada caso a ser investigado, pelo tempo presente a correr na estação de metro, mas somos sobretudo envolvidos pelo fabuloso destino de Aimé Louzeau. Os pequenos episódios que rodeiam a vida do jovem inspector melancólico são absolutamente deliciosos. Atravessando a guerra sem encontrar propriamente o seu lugar no mundo, Aimé abandona os seus sonhos de infância e vai aventurar-se pelas suas próprias contradições, sobretudo quando se deixa embrenhar pelo caminho de uma paixão proibida. Ou de duas. Ou de três!



Como já se disse, a Brigada de Costumes aborda temas tão diferentes como difíceis de tratar. E vai ainda mais além quando nos confronta com o peso da religião, a saúde mental, a manipulação das perversões de cada um e até o papel da polícia durante a Ocupação nazi. Porém, todos estes assuntos são tratados pela superfície, deixando ao leitor avisado o papel de os aprofundar. Afinal, o tema central é o da humanidade.


O que contribui para uma boa história, para além de um tema interessante, é uma narrativa inteligente pontuada por diálogos de excelência. Estes, para o serem, têm de ser verosímeis, dinâmicos e sagazes, sem tons pomposos ou paternalistas. E isso, caros leitores, consegue-se com simplicidade e boas ideias, algo que sobeja nas pequenas células cinzentas de Zidrou. Por exemplo, só ele para chamar Mona Lisa a uma velha e desgastada prostituta, desenvolvendo a conversa que se segue, pontuada por várias pérolas.



E se a Brigada de Costumes tem Zidrou no seu melhor, o mesmo acontece com Jordi Lafebre. Antes de outros álbuns que lhe conhecemos, já aqui demonstra uma maturidade artística capaz de expressar os mais complexos estados de alma. E caso se estranhe a quase ausência de traços de cinismo ou perversão nos rostos dos seus personagens, optando por uma doçura nas divertidas fisionomias, não nos podemos esquecer que o tom impresso à narrativa por Zidrou é esse mesmo, o de uma certa candura. No fundo, os autores são perfeitos aliados no modo de gerar empatia para com o leitor, sendo este um dos vários charmes do álbum.



O traço semi-realista de Lafebre serve na perfeição os propósitos emocionais de Zidrou. Cada expressão facial é inequívoca, cada ruga tem a sua função, cada esgar comporta uma mensagem.


Mas não basta a um artista desenhar bem. Ao serviço da arte tem de pôr também a inteligência. E isso é evidente nos enquadramentos de Lafebre, na planificação das pranchas e na paleta de cores utilizada. Quanto a estas, oscilam maioritariamente entre as cenas dominadas pelo sépia e as envoltas nos cinzentos. A grande excepção é a “cena da felicidade”, na qual as cores ganham outra vida…



E depois há a composição de cena aliada à reconstituição meticulosa da época e dos seus ambientes. Só assim conseguimos sentir a envolvência dos cafés parisienses no período despreocupado e algo frívolo de entre guerras; o bulício no interior da esquadra ou a sofisticação dos bordéis. Para além disso, as indumentárias, os acessórios, as ruas, os transportes, tudo nos remete criteriosamente para Paris dos tempos idos.



 

Brigada de Costumes começa com um bombardeamento, um abrigo, uma noite de Abril de 1944, uma taça de champanhe e as memórias que se reavivam e nos levam numa viagem de sete anos pela vida do inspector Aimé Louzeau – entre a sua família, as suas aventuras e a Brigada de Costumes ou, como era conhecida, La Mondaine.


História algo desconcertante, na qual Zidrou aborda com mestria temas sensíveis, não deixa de estar impregnada de uma ternura que faz, aqui e ali, acreditar na espécie humana. Embora a realidade seja bem menos idílica nos “Costumes”. Por vezes, o destino troca as voltas aos protagonistas e a candura dá o seu lugar à tragédia, desconcertando o leitor.

 

A galeria de personagens é invejável e meticulosamente construída. Sejam os personagens principais como Aimé Louzeau, o inspector-chefe Séverin e os colegas Duglu e Grapin “monocelha”, a mãe, a Clémentine (a velha criada interna) e a porteira, a bem constituída menina Wallez ou os infindáveis personagens secundários, todos eles têm algo a dizer-nos, algo a ficar gravado na nossa memória.


Um romance gráfico de contornos raros, Brigada de Costumes aborda temas tão diversos como a loucura, o peso da religião, o papel da polícia durante a Ocupação, a perversidade, a vida sexual secreta da sociedade, tudo com uma grande subtileza. Mas afinal, depois de tudo, os casos da Brigada não serão mais do que uma evocação ou um cenário para preparar o leitor para o estado psicológico do personagem principal e a sua relação com o mundo, sendo este o verdadeiro motor da intriga. Ao mesmo tempo, perante a seriedade dos inúmeros acontecimentos, Zidrou polvilha a obra com o seu humor inteligente, os seus diálogos realistas e desconcertantes reviravoltas numa narrativa que não deixa o leitor indiferente.


Ao longo dos sete anos em que decorre a história, acompanhamos a evolução de Aimé e presenciamos a sua inocência a transformar-se em algo mais sórdido que é, afinal, o que o torna um ser profundamente humano, fustigado pelas circunstâncias.


Tudo isto daria um extraordinário romance. Contudo, não nos podemos esquecer que estamos perante um duo talentoso de autores e um deles, Lafebre, faz acrescentar ao romance o termo “gráfico”. O seu traço semi-realista é, mais uma vez, impecável e funciona como uma segunda pele do argumento, igualmente com a capacidade de nos tocar irremediavelmente e de conferir ao conjunto da obra uma incrível sensibilidade.


Para finalizar, devo dizer-vos que, para o meu gosto literário, o final é daqueles que me enche as medidas. Seja o final expresso na última cena, seja aquele que nos surge na derradeira página com um longo recitativo que não permite que fiquemos sem saber o desfecho de cada personagem.


E quanto ao nosso jovem inspector, é-lhe reservada a frase final que, com a cena anterior, permite a cada um de vós, caros leitores, decidirem do fabuloso destino de Aimé Louzeau.

 


 Por Francisco Lyon.

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O Homem-Aranha no USOpen!

Começou nos Estados Unidos o USOpen, o último torneio do Grand Slam da temporada de ténis profissional. Até aqui tudo bem. Para os adeptos de ténis, entre os quais eu me incluo, vão ser umas semanas animadas, mas para os leitores do Homem-Aranha também. É que numa grande acção de marketing por parte da Marvel, encontram-se a ser distribuídas diariamente, aos primeiros 1000 adeptos, revistas do Amazing Spider-Man, lançadas em seis capas diferentes, onde estão identificados os cinco bairros da cidade de Nova Iorque. São tiragens muito limitadas numa edição especial para o evento. Obviamente que o eBay já se encheu de anúncios de venda! Eu continuo à espera que venha Setembro, mês em que o número #1000 do ASM chega às lojas portuguesas da especialidade.

Ficam as capas da edição #1 do ASM USOPEN2026:

 


Ana Penyas é a autora do oitavo volume da colecção Novela Gráfica!

Hoje em distribuição pelas bancas encontramos o oitavo volume da colecção Novela Gráfica IX, que nos apresenta a autora espanhola, Ana Penyas com a sua obra biográfica ESTAMOS TODAS BEM. O sub-titulo "martelado" na capa resume bem o livro. Através das memórias das suas avós, Maruja e Hermínia, Ana Penyas constrói um retrato profundamente humano e emocional de uma geração que atravessou o franquismo e as primeiras décadas da democracia espanhola sem nunca ocupar o centro da narrativa. Estamos Todas Bem revela os afectos, os silêncios, os sacrifícios e a experiência de toda uma geração de mulheres cujas vidas quase não foram contadas, ilustrando através de fotografias, colagens e ilustrações gráficas, o quotidiano daquela época com uma visão decididamente feminista. Uma obra sobre memória, família e o papel das mulheres na construção da sociedade. Ana Penyas contrasta o passado com o presente da rotina diária de Maruja: a solidão, o envelhecimento e a consequente dificuldade de se deslocar num ambiente pouco favorável aos peões como o retrata nas primeiras páginas. A longa caminhada de regresso a casa a partir do parque, que antes demorava apenas alguns segundos, leva-lhe agora vários minutos. As memórias misturam-se com os acontecimentos actuais através de imagens e vozes. 

Ficha técnica:
Estamos Todas Bem
De Ana Penyas
Colecção Novela Gráfica IX – vol. 08
Capa dura, formato italiano 195x270, cores, 120 páginas.
PVP: € 16,90
Edição LEVOIR
 


   

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Um belissimo lançamento da Ala dos Livros!

Diria que temos aqui, uma vez mais, uma aposta arriscada por parte da ALA DOS LIVROS. Já não nos devíamos surpreender na verdade, porque é apanágio da editora em trazer, de vez em quando, obras que quase se confundem com objectos de arte. Foi o livro-mistério no pequeno jogo que a editora costuma promover junto dos seus seguidores nas redes sociais, e começa a chegar agora às livrarias. 

SOLI DEO GLORIA, da autoria de Jean-Christophe Deveney e Édouard Cour é mais que uma boa e premiada obra de banda desenhada. É uma história com uma grande sensibilidade artística, não só pela narrativa que flui seguindo o ritmo de uma partitura musical, contada através de uma reconstrução imaginária de uma Europa no tempo de Vivaldi e Bach, como graficamente pelo belíssimo traço imersivo que funde o desenho com a música. Agora a dimensão física do livro, pelo seu luxuoso formato e peso, temática e preço, não será certamente uma obra para todos. Mas por outro lado, a editora já deu sinais de que sabe que os livros que mais exigem do leitor são igualmente aqueles que mais generosamente o recompensam

SOLO DEO GLORIA
Nascidos sob o céu sombrio do Sacro Império Romano-Germânico, Hans e Helma estavam destinados a uma vida de dificuldades e pobreza. O seu talento para a música e seu amor por ela ofereciam-lhes esperança; um vislumbre de luz na sua existência escura e desoladora. Após o desaparecimento da sua família, foram acolhidos por um músico eremita que os apresentou aos ricos sons da natureza. Mais tarde, acolhidos num internato religioso, aprenderam o básico da leitura e da teoria musical, o que lhes permitiu decifrar as mais belas partituras da época. Adoptados por um margrave, um senhor da guerra, descobririam então a beleza dos instrumentos musicais. Os palácios de diversas cidades europeias tornar-se-iam, por fim, testemunhas silenciosas dos seus sucessos, mas também das suas mais amargas decepções.
 

 
Ficha técnica:
Soli Deo Gloria
De Jean-Christophe Deveney e Edouard Cour
Capa dura, dimensões 23,5x31 cm, p/b, 280 páginas.
ISBN 9789899363038
PVP: € 37,50  |   Editor ALA DOS LIVROS
 


terça-feira, 25 de agosto de 2026

A enésima edição de O Regresso do Cavaleiro das Trevas

Quem também já chegou de férias foi a editora DEVIR que acaba de lançar mais sete(!) novas novidades no mercado. Claro que o seu catálogo de manga continua a dominar a oferta, mas encontramos algumas coisas oriundas do mercado americano. Um delas é este BATMAN: O Regresso do Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. Trata-se da enésima reedição deste grande clássico – confesso que já lhe perdi a conta – mas não se iludam pela capa, o formato disto é de bolso.

Trata-se de mais um volume da malfadada colecção DC Pocket que continua sem trazer qualquer lufada de ar fresco. Escuda-se no preço de capa: dez paus e a julgar pelo número de páginas penso tratar-se da versão integral. Ao menos isso. Mas quem puder procure pelas edições em capa dura, que ainda se encontram no mercado, e num formato de leitura minimamente aceitável!

Sobre a obra, pouco tenho a acrescentar ao que foi dito sobre este clássico, que veio transformar a imagem do Homem-Morcego, apresentando-o envelhecido, mas como uma força da natureza obcecada e violenta, cuja autoridade é imposta através da força.

Mas sinceramente, a DEVIR tem atualmente nas mãos, um novo Batman, reinventado e revigorado, por Scott Snyder, que funciona muitíssimo bem como porta de entrada para novos leitores, uma vez que não exige qualquer conhecimento prévio anterior da cronologia, e continua a apostar nestes revivalismos que já não puxam por ninguém. Em vez de apostar já no segundo volume do Absolute Batman, para depois no Amadora BD lançar o terceiro, dá-nos mais arroz. Enfim!

Ficha técnica:
Batman – O Regresso do Cavaleiro das Trevas [DC Pocket] 
De Frank Miller, Klaus Janson, Lynn Varley
Capa mole, dimensões 14,8 x 21, cores, 200 páginas.
ISBN 9789895598298
PVP: € 10
Editor Edições DEVIR 
 


segunda-feira, 24 de agosto de 2026

(Re)lançamento em nova edição de Amarillo

Vamos ter uma semana rica em lançamentos! A editora ALA DOS LIVROS tem feito de 2026 um ano em que em nada defrauda os seus leitores. Depois de fechar a publicação integral de Mattéo e de O Mercenário, chegou agora a vez de Blacksad. Para aqueles que tem feito a magnifica (e definitiva) colecção dos novos volumes em edição especial, que incluem o magnifico dossier A História das Aguarelas, está aí o volume que faltava. AMARILLO, cronologicamente o quinto álbum da série, está a a partir de amanhã disponível nas livrarias.

Recordo que este álbum já tinha sido anteriormente editado por cá pela editora Arcádia. 

Em Amarillo as estradas americanas tomam conta da narrativa, numa história de perseguições. Este álbum é apontado como o menos policial da série, mas aquele onde a palete de cores de Guarnido explode. As sombras e os azuis frios do noir das grandes cidades são trocados por tons quentes e amarelos de um road-trip nas estradas do Texas numa evocação da Geração Beat americana. 

AMARILLO
Weekly precisa de sair da cidade, separando-se de John Blacksad, que prefere ficar e procurar emprego. John encontra, por acaso, um texano rico que lhe propõe um trabalho simples e bem remunerado! O detective aceita, mas, num posto de gasolina, o carro de que é depositário é roubado por Chad Lowell e Abe Greenberg — dois escritores da Geração Beat que tentam chegar a Amarillo, Texas. Em breve, uma luta entre os dois rivais torna-se trágica: Chad, levado ao limite, dispara sobre Abe, que morre instantaneamente. Forçado a fugir, Chad encontra refúgio num circo. John inicia então uma perseguição pelas estradas americanas do Novo México, Colorado, Texas e Illinois. 
 
Ficha técnica:
Blacksad (tomo 5) - Amarillo (inclui a História das Aguarelas)
De Díaz Canales e Juanjo Guarnido
Capa dura, dimensões 241 x 318, cores, 88 páginas.
ISBN: 9789899108950
PVP: € 29,90   |    Editor: ALA DOS LIVROS