sexta-feira, 13 de março de 2026

A Kiki fecha a mini-aventura da Devir!

Acaba de chegar às livrarias o último volume da ‘mini-colecção’ da DEVIR através da qual esta editora reuniu, entre álbuns inéditos e algumas reedições, um conjunto de obras premiadas no festival francês de Angoulême.

Uma bem intencionada iniciativa que pecou pela forma e consequentemente pela oportunidade perdida. Quando temos no mercado várias boas editoras (Ala, Arte, Asa) que lançam belas obras europeias em excelentes e cuidadas edições e sempre no generoso formato franco-belga, surgir agora a Devir a apostar no ‘formatinho“, é quase o mesmo que termos um carro em contra-mão numa auto-estrada. Queimar Editar autores como Enki Bilal ou André Juillard em formato reduzido é crime, e sendo crime vamos evitar. Mais vale continuarem a apostar tudo no bom trabalho que fazem na edição manga. Deixem o franco-belga para quem os sabe editar. 

KIKI DE MONTPARNASSE  da dupla Catel & Bocquet é assim o último livro desta aventura. Um biografia gráfica que presta homenagem a Kiki de Montparnasse, uma das figuras mais emblemáticas da boémia parisiense dos anos 1920. Modelo, cantora, atriz e símbolo maior da liberdade artística e feminina da sua época, famosa por frequentar os círculos boémios de Montparnasse, onde conheceu artistas como Chaim Soutine, Jean Cocteau, Amedeo Modigliani, Man Ray e Alexander Calder, entre muitos outros.
 
Nascida Alice Prin, Kiki cresceu num contexto de dificuldades económicas e instabilidade familiar. Ainda jovem, instala-se em Paris, onde rapidamente se integra no vibrante meio artístico de Montparnasse. Torna-se modelo de inúmeros pintores e fotógrafos, entre eles Man Ray, com quem viveu uma intensa relação pessoal e criativa. Muito mais do que musa, Kiki foi protagonista do seu próprio percurso: independente, irreverente e ousada, construiu uma identidade artística singular, desafiando convenções sociais e afirmando-se como uma mulher livre num tempo de profundas transformações culturais. A narrativa acompanha o seu trajeto desde a infância até à consagração como lenda viva da vida cultural parisiense, revelando uma existência marcada por excessos, vulnerabilidades, talento e resistência.

Prémio Essencial Angoulême 2008

 

Ficha técnica:
Kiki de Montparnasse
De Catel Muller e José-Louis Bocquet
(Colecção Angoulême)  
Capa dura, 181x247, cores, 406 páginas.
ISBN: 9789895598076
PVP: € 22,00
Edição DEVIR

quinta-feira, 12 de março de 2026

A Lego a tocar-nos no coração!


 

Um Tintin em mirandês!

O Panteão Nacional foi, no final do dia de ontem, o palco de um conjunto de iniciativas culturais, nas quais a banda desenhada também marcou presença. E foi perante uma bem composta audiência, e que contou inclusive com a presença do Secretário de Estado da Cultura, que teve lugar a apresentação da edição em mirandês de Os Charutos do Faraó (Ls Xaruros de L Farao, na capa do álbum), a primeira aventura de Tintin traduzida para aquela que é a segunda língua oficial de Portugal.

Nos discursos que acompanharam o lançamento, a tónica centrou-se sobretudo na importância da defesa e divulgação da língua mirandesa. Faltou talvez mais referências à obra de Hergé e à própria aventura de Tintin, onde curiosamente uma série de personagens fizeram a sua primeira aparição, incluindo o nosso Oliveira de Figueira (Oulibera de la Figueira, de Lisboua). Depois de Astérix e Tintin, e aproveitando a sugestão deixada pelo Secretário de Estado, fica a faltar um Lucky Luke em mirandês.

O álbum em si, com a chancela da francesa Casterman (mas com ISBN português), conta com uma tiragem única e generosa de 1000 exemplares. Fica mais como uma interessante edição para colecionadores, sobretudo portugueses, e a banda desenhada fica, mais uma vez, como o veiculo de registo e salvaguarda da língua mirandesa.

Seguiu-se a inauguração de duas exposições e a visita bastante sinuosa pelo interior do edifício. A primeira, dedicada a Amália Rodrigues, é composta por um registo de apenas dez fotografias da artista tiradas logo no início da sua carreira. Bastante pequena, falta-lhe enquadramento. Algo desenxabida esta mostra. A segunda, muito mais interessante, intitulada Modos de Ver, centra-se no próprio edifício do Panteão, enquanto figura central e representado em várias artes e olhares. Desde a fotografia à pintura, da ilustração à banda desenhada. E o Panteão em BD surge em dois desenhos de Luís Louro, com imagens que podem ser encontradas nos álbuns do Corvo e do Sentinel. Vale a pena observar o Panteão como ponto referência da cidade e a forma como é visto por diferentes olhares artísticos.

 

quarta-feira, 11 de março de 2026

Tintim no Panteão

O Panteão Nacional será hoje o local, em Lisboa, para a apresentação do álbum OS CHARUTOS DO FARAÓ, numa edição em mirandês com a chancela da editora francesa Casterman. Esta aventura, a quarta da cronologia, foi editada originalmente em 1932, e marcou a aparição da personagem portuguesa Oliveira da Figueira (Oulibeira de la Figueira, em mirandês) no universo Tintim. A sessão terá lugar a partir das 17h30


 

terça-feira, 10 de março de 2026

Lançamento DEVIR: O Guia do mau pai

Atenção que o título desta obra é uma armadilha! O GUIA DO MAU PAI, numa edição da DEVIR, não é um 'tratado' a ensinar como ser o pior dos progenitores. O autor é o bem-disposto Guy Delisle, que transformou o seu dia-a-dia como pai de duas crianças numa comédia doce e irónica sobre aquelas pequenas histórias da vida familiar. 

Em vez de lições de mau comportamento, encontramos aqui um relato terno satirizando os mal-entendidos, as incertezas e as aprendizagens próprias de todas as decisões dos pais. 

Delisle dispensa apresentações por cá: o seu traço já nos guiou por lugares tão improváveis como Pyongyang, Shenzhen ou Birmânia, através das suas humoradas e irónicas ‘crónicas de viagens’ em registo gráfico, todas já editadas em Portugal.

Segue-se agora o relato de uma viagem mais exigente... 

Ficha técnica:
O Guia do mau pai
De Guy Delisle
Capa dura, dimensões 174x248, p/b, 302 páginas.
ISBN: 9789895598212
PVP: € 25
Edição DEVIR