19 outubro, 2012

Autores Estrangeiros no Amadora BD

Foi divulgada a lista dos autores estrangeiros convidados do 23º Amadora BD. Permito-me a algumas considerações. Uma primeira leitura rápida sobre os nomes e, com poucas excepções, a grande maioria não me desperta qualquer entusiasmo. Talvez apenas alguma curiosidade. Acredito que alguns dos autores até estejam representados na  exposição principal, mas certamente que passarão por desconhecidos do público em geral que visita o festival. Dos autores sem qualquer obra conhecida ou editada em Portugal, depois do festival é sabido que nem a memória fica. Num ano com um tema tão interessante, e com editoras portuguesas a fazerem publicar excelentes obras associadas a esta temática, é uma oportunidade perdida a ausência de um nome sonante.  As excepções que referi anteriormente, vão para um trio de autores que pela obra e talento certamente se destacarão: o luso-francês Cyril Pedrosa, o suíço Zep e o brasileiro Mike Deodato.

Cyril Pedrosa é desenhador, colorista e argumentista. Estreou-se na banda desenhada, em 1998, com a série Ring Circus. Em 2006 criou Les Coeurs solitaires, e, um ano mais tarde, Trois Ombres. A sua presença no festival é aproveitada para o lançamento do álbum Portugal (ASA), onde conta uma história quase autobiográfica baseada na sua própria experiência e no conhecimento de um país que visita em 2006, para participar no Salão de BD da Sobreda da Caparica. Vai estar presente no 1º fim-de-semana.


Mike Deodato Jr. é um dos nomes sensação. A sua ligação a editoras americanas de comics, nomeadamente a Marvel, e o seu magnifico trabalho desenho de personagens como o Homem-Aranha ou o Hulk, entre muitos outros, dão-lhe certamente o estatuto de estrela  na edição deste ano. Vem acompanhar a exposição dedicada aos 50 anos do Homem-Aranha. Vai estar presente no 1º fim-de-semana.





Zep é o pseudónimo de Philippe Chappuis, o criador da série Titeuf. A visão das crianças sobre o mundo dos adultos com um sentido de humor implacável, em mais de 20 milhões de exemplares publicados em 27 idiomas. O seu mais conhecido trabalho, com mais de 400.000 exemplares vendidos, encontra-se publicado em Portugal. Chama-se Happy Sex (ASA) e é uma divertidissima abordagem ao mundo sexual do humanos. Vai estar presente no 3º fim-de-semana.





A lista das presenças dos autores estrangeiros é a que se segue, com a ressalva que poderá haver sempre alterações. Mas aqui fica o que para já está anunciado:

1º fim-de-semana (dias 27 e 28 de Outubro)
Mike Deodato Jr
Mathieu Sapin
Cyril Pedrosa
Vincent Vanoli

2º fim-de-semana (dias 3 e 4 de Novembro)
Fabrice Neaud
Justin Green
Carol Tyler
Antonio Altarriba
Edmond Baudoin

3º fim-de-semana (dias 10 e 11 de Novembro)
ZEP
Peter Pontiac
Caeto
Dominique Goblet

Aguarda-se agora a lista dos autores nacionais!

10 comentários:

André Azevedo disse...

Verbal,

Acho que esta é uma boa lista de autores.

O Cyril Pedrosa e o Mike Deodato Jr já se esperava, o Peter Pontiac, o Justin Green (histórico underground) e a Carol Tyler são essenciais na BD autobiográfica e sim a maioria dos leitores não os conhece mas é uma boa oportunidade para os conhecer assim com ao Antonio Altarriba, ao Baudoin e ao Fabrice Neaud. Os outros concordo que são para encher e a Goblet já cá esteve no MAB e em Guimarães.

Claro que podiam ter assegurado o Thompson, a Satrapi ou a Blecher.

Abraço

Bacchus disse...

Verbal,
Eu concordo com o André.
O Baudoin é fabuloso..
Justin Green é muito bom, Carol Tyler também.
Peter Pontiac é excelente.
O Pedrosa também..
A Goblet esteve no Mab e
Mas não devo ir á Amadora este ano..
Parece que o único festival nacional de BD que trouxe nomes de peso este ano foi o "controverso" Mab.. Estranho, não é?

andrehq disse...

Creio que a banda desenhada, ou os quadrinhos, como comumente chamamos aqui no Brasil, de onde escrevo, já sofre restrições e preconceitos por de mais. Um texto escrito a confirmar esta prática deixa-me muito triste. E a exaltação apenas de autores conhecidos do grande público não vem em nada contribuir para o desenvolvimento e discussão sobre a arte sequencial Faltou uma rápida pesquisa sobre os autores e sua adequação ao tema da exposição central e demais áreas do festival, para confirmar se os autores convidados são coerentes ao tema. Eu o fiz, e a seleção me satisfez. Uma pena ler um texto tão descuidado e com peconceito contido.

Luis Sanches disse...

andrehq

Fez a pesquisa e a selecção agradou-lhe, mas porque não agradou a outros não quer dizer que haja descuido ou preconceito no texto. Há uma opinião diferente, o que até é saudável. Eu acho que aqui o maior problema é tentar perceber qual o objectivo deste festival com a escolha de autores que faz? Agradar o publico mais generalista ou o mais conhecedor underground de Bd? Parece-me que tentaram ambos e não sei se será boa tática.

Bacchus
Discordo de todo quando dizes que só o Mab é que trouxe nomes de peso. É que ainda por cima os nomes de peso são relativos não é? Pode-se dizer que o Deodato é de peso? Se sim, não foi só o Mab. Mas penso que há mais nomes que cá vieram este ano que são de peso ou não? Não retiro importância ao Mab mas penso que é um pouco exagerada essa afirmação.

André Azevedo disse...

andrehq,

Não vejo como é que este texto do Verbal é preconceituoso e até refere que os autores despertam curiosidade. Mas constata por outras palavras um facto que em parte concordo: este festival tem um bom orçamento e bem que podia ter aproveitado para convidar autores na temática autobiográfica mas com obra publicada em Portugal como os recentes Thompson, a Satrapi ou a Blecher.
Foi uma boa oportunidade perdida por parte da organização.
Acho sinceramente que exagerado foi o seu comentário.

Nuno Neves disse...

@André Azevedo
@Bacchus
Confesso alguma desilusão nos nomes dos autores convidados cuja obra se encontre associada à temática deste ano do festival. Digo isto porque olho para o Amadora BD como um grande palco de divulgação da BD em Portugal, e no entanto a quase maioria dos autores presentes não tem qualquer álbum editado por cá. E aqui é que o festival peca. O público generalista que visita o Amadora BD, que a organização estima todos os anos que ronde os 25.000 - 30.000, não são consumidores habituais de BD (antes fossem) e assim por muita qualidade que possam ter os convidados deste ano, falta sempre a obra que faz a ligação ente o autor e o leitor. Agora, não questiono a qualidade dos nomes convidados, porque a fazer fé nas vossas palavras e há autores interessantes a descobrir. Na falta de livro, conto com as exposições, e se me agradar, até compro importado. Mas isso sou eu, não é o publico generalista! Abraço

Nuno Neves disse...

Nota: Como me parecia mal esta troca de ideias estar a ser ser feita entre comentadores identificados e eu estar a coberto de um pseudónimo, dispensei a assinatura de "verbal" e passo a assinar com o meu nome, Nuno Neves.

Nuno Neves disse...

Viva Andréhq
Que leitura tão errada minhas palavras. Atribuo a algum desconhecimento sobre a realidade bedéfila portuguesa e sobre o papel e peso do festival Amadora BD em Portugal. Ao contrário do que foi interpretado, eu não tenho qualquer restrição ou preconceito com autores menos conhecidos por oposição à exaltação de autores conhecidos. Antes pelo contrário, é com muito agrado que sou por vezes surpreendido com autores de quem eu nunca ouvi falar. E como exemplo posso citar o autor brasileiro Luiz Gê, convidado da edição de 2011.

O que eu defendo no texto é que o Amadora BD, entre os autores que convida, deve ter algum nome que o público generalista conheça, para que este público se sinta à vontade em visitar o festival, sob o risco de um festival popular se tornar um quase-clube exclusivo para uma pequena minoria de conhecedores. A edição deste pelo temática que escolheu parecia-me uma excelente oportunidade. Recomendo uma leitura do meu texto Autobiografia na BD (disponível em http://www.notasbedefilas.blogspot.pt/2012/10/autobiografia-na-banda-desenhada.html). Igualmente neste sentido vão os comentários de esclarecimento do Luís Sanches e do André Azevedo, com as quais obviamente concordo. Abraço

Bacchus disse...

Luis Sanches,
Quando eu disse que o Mab trouxe nomes de peso era fazendo uma comparação com os nomes que o festival da Amadora lançou..
É que muita gente foi criticando o Mab pelos autores (e que eram necessários ainda mais autores ou outros autores)..
E eu vejo que um festival como o da Amadora com um budget colossal (comparado com qualquer festival nacional)...
Traz bons autores, mas que não são SUPERSTARS...
O Zep é porreiro para os miúdos (quem é que não se lembra do quase- êxito em Portugal do Titeuf:)?)
O Deodato é um bom autor de superheróis..
E o Pedrosa fez um bom álbum de BD..
Considero o Baudoin o mais forte do festival (na minha opinião)..
E gosto de mais alguns, como gostava da maioria dos do Mab, mas penso que é muito pouco para oferecer tendo em linha de conta o budget que têm para fazer este festival e o que o tema prometia..
Claro que dá sempre para fazer o do costume ...
Colocam-se para lá uma data de exposições (umas bem e outras MUITO mal amanhadas) e está a andar..
Eu fui várias vezes á Amadora e nunca me puxou muito... (tentaram fazer com a Amadora o que fizeram com Angouleme, mas Portugal não é França)..
E vi lá e senti muitas coisa estranha.. (falta de ar quando foi feito numa estação de metro entre muitas outras coisas).. e nunca ninguém pediu desculpa por nada...
Para quem como eu tem de fazer 300 e muitos kms para lá ir e saber para o que vou... Prefiro não ir mesmo..

Luis Sanches disse...

Bacchus

Eu concordo completamente contigo no que dizes em relação ao Amadora Bd. Só achei que a tua afirmação foi algo exagerada. Da mesma forma que achei exageradas as criticas que fizeram ao Mab.

Quanto ao não vires ao Amadora Bd, olha, tu não fazes 300 km, eu não faço 30. Deixa-me algo triste dizer isto mas eu sou de Lisboa e tenho quase a certeza que também não vou. O Amadora Bd tornou-se nos ultimos anos uma boa imagem do porquê de correr tanta coisa mal com a Bd em Portugal. Não sei dos 30 mil que lá vão, quantos é que vão lá por interesse genuino, visto que muitas escolas levam lá os alunos. Eu acho que independentemente dos autores que lá vão, um festival deve ser interessante para quem o visita. Quando tu vês pessoal que adora Bd a dizer que vai ao festival só para conviver com alguns amigos e ver este ou outro autor,... é porque as coisas estão muito mal.

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