O panorama da banda desenhada em Portugal está em movimento, mas a verdade é que nem tudo são boas notícias. Se por um lado sopram bons ventos na edição, por outro lado a vitalidade num mercado também se faz de ajustes.
Quando em Outubro de 2025 a GRADIVA integrou o grupo Guerra e Paz Editores, era quase inevitável o que viria a seguir. Nos últimos anos, os números da editora já evidenciavam um claro desinvestimento no selo Gradiva BD do seu catálogo: em 2022 lançava trinta e dois títulos; em 2023 caíram para dezoito; em 2024 ficou-se pelos quinze; no ano passado foram apenas quatro. Uma queda que não deixou margem para dúvidas.
À saída de cena do editor Guilherme Valente juntou-se a integração da editora num grupo editorial que não tem experiência na edição de banda desenhada. E quando não se entende um mercado, torna-se difícil justificar um investimento. Não é assim surpresa os descontos agressivos que começaram a aparecer nas campanhas para liquidar o catálogo da Gradiva BD. O espaço físico que os álbuns ocupam em armazém são neste momento um encargo.
Apesar de não existir um comunicado oficial, consta que títulos de séries em curso como ALIX SENATOR, com altos e baixos nas histórias e custos de direitos de publicação considerados caros, e AS GRANDES BATALHAS NAVAIS, uma autêntica desilusão e vendas fracas, foram cancelados. Quanto ao TANGO, talvez por apresentar números de venda interessantes, encontra-se ainda em avaliação, mas acredito que seja difícil a sua continuação. A conclusão da adaptação de O Nome da Rosa para banda desenhada, editado em Fevereiro deste ano, ficará, em princípio, como o último título da Gradiva BD que já não terá qualquer stand no próximo Amadora BD.
Não estou aqui a considerar as enésimas reedições dos livros de Calvin & Hobbes, que será talvez o título de maior interesse do actual catálogo da Guerra e Paz em termos de banda desenhada, mas ao qual a editora já nada tem a acrescentar senão mais do mesmo.



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