Páginas

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Está feito o 1º fim-de-semana do Amadora BD!

Primeiro fim de semana de Amadora BD feito, mas ainda é cedo para balanços. A romaria vai ainda a meio. O meu tempo ocupou-se entre conversas, exposições e sessões de autógrafos. 

Nas exposições, mais uma vez, o festival não desiludiu. Muita arte original exposta, devidamente enquadrada em espaços próprios, que nos conduzem entre ambientes e universos tão diferentes, oferecendo um delírio visual que nos convida a perdemo-nos naqueles traços e cores. Só por isso já vale a visita. 

Mas, como em tudo, e não obstante o nível geral das mostras ser elevado, temos altos e baixos.

Começando pelos altos, temos o Menino Triste. Uma volta pelos seus 25 anos. Ganha-se muito se apanharem a visita guiada do autor. Seguem-se os desenhos dos 40 anos de Dylan Dog (e o Mário tem uma belíssima colecção) e o fantástico universo do Quarteto, com direito a um original de Alex Ross. Seguimos para o primoroso espaço dedicado ao cowboy mais rápido do Oeste, que assinala bem os 80 anos da personagem, e que tem inclusive umas pranchas de um Lucky Luke, desenhado pela Joana Afonso, a ser publicado em breve. Mas a cereja no topo do bolo, para mim, é a mostra de Shi, de Joseph Homs. Pranchas lindíssimas, de diferentes trabalhos, de um autor que é um virtuoso do traço. Alguns dos desenhos são absolutamente extraordinários. Mais espaço houvesse para mais obras.

No extremo oposto temos o "patinho feio" desta edição: a dedicada a Guy Delisle, um dos convidados do festival. A comparação com as demais é constrangedora. Um cenário demasiado minimalista. Temos uns quadros pendurados e pouco mais. Até a parte cenográfica, que costuma dar vida ao ambiente, é triste. Imagino que o autor, confrontado, vá ter de disfarçar o incómodo.

Entretanto este fim-de-semana foi também de entrega de prémios. O festival premiou para MELHOR OBRA NACIONAL, e sem surpresas, devo acrescentar, o Filipe Andrade e o seu trabalho americano Rare Flavours (edição KingPin). Era tão óbvio este resultado, que tenho para mim que os restantes nomeados só lá foram para encher a sala.

No que toca a MELHOR OBRA ESTRANGEIRA, entre o Blast 1 (edição Ala dos Livros) e A Fera 2 (edição A Seita), em qualquer um o prémio ficava bem atribuído. A sorte(?) sorriu a este último. Na incógnita e risível categoria que é a MELHOR EDIÇÃO, estranhando a ausência do Blast ou do Soli Deo Gloria (edição Ala dos Livros), a corrida fazia-se entre A Fera e O Grande Poder do Chninkel (edição Arte de Autor) mas não houve acumulação. Venceu este último. Para MELHOR EDIÇÃO INDEPENDENTE, não tendo sido dada qualquer atenção à publicação Umbra, a escolha recaiu sobre o único que se destacava, Palácio #5, de Francisco Sousa Lobo (edição de autor). Para finalizar temos o PREMIO REVELAÇÃO, e vá lá que não ganhou o livro ilustrado que lá caiu de paraquedas. A jovem Beatriz Bajal e o seu A Cada Sete Ondas (edição Chili com Carne) impôs-se aos demais. Face às dúbias nomeações, pode-se dizer que o resultado acabou por ser dentro do que se esperava. Parabéns aos vencedores!

O homenageado na edição deste ano com o TROFÉU DE HONRA foi o autor João Mascarenhas (o mesmo do Menino Triste). Merecido e fecha com chave de ouro os 25 anos do seu alter-ego. Faltou mesmo foi a nomeação pelo mesmo júri do seu livro Butterfly Chronicles (edição Escorpião Azul), editado em Novembro passado para Melhor Obra. 

Agora no mesmo palco do festival, a Ministra da Cultura, através da sua DGLAB, celebrou o Dia Nacional da Banda Desenhada PORTUGUESA com a premiação de uma obra brasileira como MELHOR OBRA DO ANO. Parabéns ao júri! 

Fica o registo fotográfico do primeiro fim-de-semana. 












 

 

Sem comentários: