Apesar do ano editorial de 2026 ainda não estar fechado, até porque faltar chegar às livrarias uma meia-dúzia de novidades, entre as quais o novo Lucky Luke de Achdé e os Casos Arquivados de Blake & Mortimer, decorreu no final da tarde de Quinta mais um sempre agradável encontro informal promovido pelo editor da ASA, Luís Saraiva, que junta divulgadores e livreiros, para falar acerca das novidades que a editora já tem preparadas para o primeiro semestre de 2027.
A editora vai repetir a mesma fórmula já seguida em 2026, de apostar em títulos mais fortes para os primeiros meses do ano, e deixar as apostas mais comerciais para o segundo semestre. E assim, meus amigos, preparem-se porque a fasquia vai ficar muito alta.
Logo a abrir em Janeiro, a ASA vai finalmente pôr em ordem o universo criado por Morris, que se encontra actualmente disperso em diferentes edições, colecções, editoras. Tem início a publicação dos INTEGRAIS LUCKY LUKE, seguindo a ordem cronológica dos álbuns. Cada um destes volumes irá reunir três a quatro(!) álbuns, para além de integrar um vasto caderno de extras. A ideia é fazer publicar dois integrais por ano. A edição será igual à da francesa Dupuis.
A pensar num público mais jovem, até porque como o editor referiu as “bd’s de princesas” vendem-se bem, terá início a colecção RAVEN SAGA, mais uma saga que chega à banda desenhada originária do universo webtoon.
E depois chega aquele, que para mim será certamente dos grandes álbuns do próximo ano: SILENT JENNY de Mathieu Bablet. Para quem se queixa, e a meu ver justificadamente, de pouca ficção-científica, temos aqui um colosso com as suas 320 páginas numa belíssima edição em capa dura. A premissa do “álbum das abelhas” é uma Terra sem insetos polinizadores varridos pelas alterações climáticas. Foi o que me gerou a maior expectativa.
Para Fevereiro.
Seguiu-se o anúncio do regresso de David Sala com a sua adaptação de FRANKENSTEIN. Se a história já é sobejamente conhecida, a arte de Sala aqui é uma explosão de cores e texturas admirável. Mais uma edição no belo formato 235x312 igual à da Casterman. Seduziu-me. Previsto para Março.
A novidade seguinte parece daqueles segredos mal guardados. Depois de um Hoka Hey que tão boa impressão deixou, e que colocou o seu autor Neyef debaixo do radar, não só nosso, mas também do editor, era previsível que o seu mais recente álbum, OS MENINOS PERDIDOS DE PETER PAN, chegasse cá. O universo criado por J. M. Barrie serve de inspiração para uma adaptação livre por parte do autor francês. Lançamento em Abril.
Outro anúncio que não (me) surpreendeu, quase pelas mesmas razões do anterior, é SAMIR da holandesa Aimée de Jongh. Confesso que o seu Senhor das Moscas não me entusiasmou assim muito, mas esta nova história sai do campo das adaptações, e com a autora talvez resulte melhor. Na história, Samir, é um jovem sírio, que vive na Grécia com a sua família, num campo a que os refugiados chamam a “sala de espera da Europa”.
A sessão estava já animada com os títulos anunciados, e foi a altura do editor mostrar aqueles que eu dira que talvez se apresentem com maior risco comercial. O primeiro foi A RUÍNA de Lizzy Stewart. É descrito como um emaranhado confuso de amor, inveja e desejo que sustenta as nossas relações mais preciosas, e os caminhos difíceis que temos de percorrer para descobrir o nosso verdadeiro eu.
Seguiu-se AS OLIVEIRAS DE NEGUS, de David Prudhomme e Laurent Gaudé. Apesar de visualmente cativante, não me senti tocado. É esperar por Maio para uma segunda oportunidade.
Se até aqui as surpresas já eram boas, então o anúncio seguinte foi a cereja. Uma aposta na banda desenhada nacional com a obra original VILA ALGARVE. A argumentista de serviço é Ana Bárbara Pedrosa, que durante uma estadia em Maputo, apaixonou-se por uma antiga casa dos tempos coloniais, e que se encontra actualmente em estado de completo abandono. Que histórias contariam aquelas paredes nuas, que serviram de sede da PIDE naquela cidade? A ideia passou para o papel, e o plano passou por mostrar a construção do edifício, de nome Vila Algarve (podem pesquisar imagens no google) ao mesmo tempo que se vai contando a história de Moçambique, incluindo as relações coloniais com Portugal. À cabeça, estarão duas personagens, através das quais serão criados os eixos de ação. O desenhador Micky de seu nome é um perfeito desconhecido por cá, mas já se fez publicar em Inglaterra (com Charlie's London: From East Lane to the Limelight), e pela amostra de pranchas que tivemos oportunidade de observar, diria que temos aqui talento do bom. Vila Algarve tem o seu lançamento previsto para Maio. Só um aparte para referir que em 2027 teremos um novo álbum do Luís Louro, um do Filipe Melo e um da Rita Alfaite. Promete.
E ainda…. estão garantidos os novos álbuns de Águias de Roma, Murena e o final de Slava. Um novo Gaston e mais dois volumes de Michel Vaillant (que celebra 70 anos), a continuação dos Integrais Tintin e muito quase certo o novo Asterix. Eu não disse isto, mas de Nanbanjin do Cyril Pedrosa devemos também ter novidades!
Portanto, temos aqui a ASA marcar uma posição, e a colocar a fasquia das edições em 2027 num patamar diria superior ao de 2026. Confesso que gostei bastante do compromisso do editor com a edição. Formatos generosos como um bom franco-belga deve ser publicado. Mas isto é uma cena minha!






