18 abril, 2009

Mattéo

Retomo a actividade aqui do blogue, após um período de ausência forçada não desejada, mas a verdade é que o tempo é cada vez mais um bem escasso!

Seja como for, estou de volta e dou (re)inicio às hostilidades (no bom sentido) para falar então no recentíssimo “Mattéo – Primeira Época (1914-1915)” do autor francês Jean-Pierre Gibrat lançado este mês pela VitaminaBD. Este álbum é o primeiro de uma série prevista de quatro tomos, que abrangerá o período compreendido entre 1914 e 1940. O fio condutor é a história da personagem que dá o nome á série: Mattéo, um jovem de 20 anos, antimilitarista, filho de um anarquista espanhol, que vive exilado em França com a sua mãe, e que por força do destino participará nos principais conflitos do século XX, desde da Primeira Grande Guerra até à Segunda, passando pela Revolução Russa e ainda pela Guerra Civil Espanhola.

Este primeiro volume, começa então em Agosto de 1914, com a declaração de guerra da Alemanha. É no exílio, numa pequena vila francesa, que encontramos o espanhol Mattéo, cujo estatuto de estrangeiro, o livra da mobilização. No entanto, não obstante os relatos, feitos pelo seu melhor amigo, dos horrores da frente de batalha, e da forte oposição de sua mãe, Mattéo, levado pelas emoções e numa tentativa de (re)conquistar a jovem Juliette, resolve alistar-se, não por convicção mas por amor.

Com "Mattéo", Gibrat afirma-se definitivamente como um autor completo. Socorre-se mais uma vez, dos tempos de guerra – já o havia feito anteriormente em “Destino Adiado” e com o díptico “O Voo do Corvo” (ambos editados entre nós pela ASA) – para contar uma história de amor, de sacrifício, onde todos os actos das personagens são condicionados pelas emoções. Apesar de reconhecidamente ser um excelente desenhador, nada o impede de utilizar (mais uma vez) como modelo para a personagem Julliette, a bela Cécile (ver “Destino Adiado”) que por sua vez já tinha servido de modelo para a bela Jeanne de “O Voo do Corvo”, dotando assim (mais uma vez) de grande sensualidade as jovens personagens femininas da história. As aguarelas em tons mornos cuidadosamente escolhidos, feitas em painéis de dimensões largas, cumprem exemplarmente a função gráfica, às quais se juntam magníficos diálogos e pensamentos, o que torna esta série num excelente registo merecedora de ser seguida com atenção. Que venha rapidamente o tomo dois!


Em resumo, um excelente álbum que é simultaneamente o primeiro lançamento da editora este ano, o que se espera que seja prenuncio de uma boa safra bedéfila.

Mattéo - Primeira Época (1914-1915)
Autor: Jean-Pierre GIBRAT, desenho e argumento
1º Volume, Cores, Cartonado
Editora: VitaminaBD, 1ª edição de Abril de 2009

A minha nota:

3 comentários:

Bongop disse...

Ainda não o vi à venda! :|
Sabia que iria sair este mês, mas também só procurei no Oeiras Parque...
Eu adoro a arte do homem, mas os textos dele têm tendência para me fazer "adormecer"! Já que toda a gente fala muito bem deste livro, vou ver se o experimento.

verbal disse...

Já vi á venda na FNAC (eu comprei na loja da BDMania). Sobre o álbum, achei tudo muito bom. Acho a ideia excelente de contar uma história que atravesse as principais guerras do sec. XX. O único problema é que penso que a série completa está prevista para um espaço temporal de 6 anos!!!

refemdabd disse...

Comprei-o no dia em que nos encontramos lá na BDMania, mas ainda não o li. Já conheço bem o trabalho do Gibrat, pois também tenho esses álbuns que mencionas, por isso sei que não me irá decepcionar. O único que achei fraquinho foi o Pinóquia, se bem que dei umas gargalhadas com a cena. Seis anos é fruta, mas sei que podemos contar com todos, pois a VitaminaBD tem sido bastante fiel ao seu público.
Temos que combinar esse almoço.
Abraço.

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