13 janeiro, 2025

Perspectivando 2025

Novo Ano e expectativas de boas e novas leituras renovadas. E depois de um 2024 onde se bateram por cá recordes editoriais, o que podemos esperar para 2025? Pessoalmente não acredito que se repitam os números extraordinários (381) do ano anterior em termos de novos lançamentos de BD, onde algumas editoras (Devir, ASA, Levoir) tiveram uma actividade muito acima do que seria esperado. Para o presente ano, prevejo um número, mais dentro das nossas possibilidades, a rondar as 350 novidades. É um palpite. Mas vejamos o que algumas editoras já revelaram entretanto e outros lançamentos que podemos esperar para 2025. Assim, levantando a ponta de véu:

Começo pela DEVIR. À partida prepara-se para outro grande ano. Anunciou no último Amadora BD que ficou com os direitos de publicação da americana DC Comics que eram pertença da LEVOIR, e irá já publicar já em Março, Batman: Três Jokers, de Geoff Johns, Jason Fabok e Brad Anderson, o primeiro título do selo Black Label. Espera-se o regresso em força de obras do mercado americano de comics. Paralelamente, a editora prepara-se para alargar o seu catálogo ao franco-belga, publicando autores como Bilal, Comès, Juillard, Bastian Vivès, Pellejero, na sua nova Colecção Angoulême. A Trilogia Nikopol, previsto para este trimestre, é o primeiro título a sair. Tudo isto sem esquecer o mangá, como aliás já se pode medir pela avaliar pela remessa de Janeiro, que inclui sete novidades. Mas há também coisas novas no selo Tsuru. Este ano, a Devir deve manter o ritmo de lançamentos, a que já nos habituou, ainda que distribuído por diferentes géneros. Expectável que tenha um total a rondar as 60 novidades.

 
 
Segue-se a ASA. É ano de novo álbum do Asterix. Trata-se do 41º álbum de aventuras dos gauleses com lançamento previsto para Outubro. Do qual foi divulgada uma prancha inédita (ver mais abaixo), que promete uma viagem para os nosso heróis. E fica desde já identificado o best-seller de 2025. Depois das mais cinco dezenas de lançamentos do ano passado, a editora aponta agora para um número a rondar as 40 novidades. Assim, podemos contar com a continuação das séries como Airborne, Águias de Roma e 5 Terras. Já este trimestre vamos podemos encontrar nas livrarias, entre outros, Um Oceano de Amor, de Gregory Panaccione e Wilfrid Lupano, Hoka Hey, de Neyef, Bobigny 1972, de Marie Bardiaux-Vaiente e Carole Maurel, e A Detective Russa, de Carol Adlem. Acredito que Impenetrável da Alix Garin, que tem sido tão bem elogiado tem sido lá fora, seja igualmente uma das apostas do ano da editora. 

 
Na LEVOIR, também se espera um ano mais calmo. Faltam os três volumes finais da colecção Clássicos da Literatura Portuguesa em BD, e o L'intranquille Monsieur Pessoa, de Nicolas Barral já tem confirmada a sua edição em português para Abril/Maio. Em 2025, deve finalmente acontecer o lançamento do colecção As Gotas de Deus, um mangá que explora o mundos dos… vinhos. Confesso achar uma aposta arriscada da editora, sobretudo pelo compromisso de editar uma colecção com um tão elevado número de volumes (44). Vamos esperar para ver o formato de edição.  Para já anunciou o lançamento de mais uma novela gráfica, Pepe Mujica e as flores da guerrilha, a biografia gráfica de um ex-presidente do Uruguai. 
 

 
Na SEITA, a grande novidade é já conhecida, e trata-se sem margem de dúvidas, do novo álbum de Luís Louro, Os Filhos de Baba Yaga, no ano em que celebra 40 anos de carreira, e cuja belíssima capa foi já divulgada. Aguarda-se com impaciência o segundo volume de  A Fera, de Zidrou e Frank Pê, e depois da estreia dos irmãos Brizzi em 2024, vêm novo volume destes autores, desta vez a adaptação do romance Don Quixote de La Mancha. E continuando nos clássicos, a colecção Nona Literatura, deve receber O Corcunda de Notre Dame, com a assinatura do belo traço de George Bess. O número total de lançamentos da editora, este ano, deve rondar as duas dezenas.

 
 
Na DISTRITO MANGA, que teve tão bem esteve no seu primeiro ano de actividade, prepara-se já para neste primeiro trimestre, dar continuidade às suas colecções e acrescentar dois novos títulos ao seu catálogo: Blue Lock, um manga shonen passado no universo futebolístico e Sinais de Afeto, um manga shojo destinado a um publico feminino. Novos títulos implicam mais lançamentos, e é expectável que feche o ano com duas dezenas de lançamentos.
 
 
 
A ALA DOS LIVROS é como uma caixa de chocolates…. não sabemos o que está lá dentro, mas sabemos que é bom. A editora não tem por norma divulgar o seu plano editorial, mas já falou na estreia de uma nova dupla de autores nacionais no seu catalogo, com lançamento muito sobrenatural e muito provável acontecer no Festival de Beja, até porque um dos autores é filho da terra. Não sei se este ano haverá um novo Larcenet para nos surpreender, mas esperam-se novos álbuns nas colecções Shi, que teve um primeiro excelente álbum, de Wild West de quem já sentimos falta, e de O Mercenário, onde só faltam quatro volumes para fechar.
 

 

Da ARTE DE AUTOR teremos a conclusão de Brigantus em finais de Fevereiro e a muito aguardada segunda parte de 1629, com o desenlace final da trágica viagem do navio Jakarta, com previsão de lançamento para Março. Para além destas conclusões, a editora prepara ainda para o 1º semestre do ano, outro integral de Michel Plessix, Vento nas Areias, e o álbum vencedor do prémio FNAC em 2021 em França, Radium Girls da autora Cy. Adicionalmente, está a trabalhar em co-edição com a editora A Seita para novos lançamentos da série Nautilus. A editora tem apresentado uma média de 15 lançamentos por ano. Deve manter.

 

Entretanto agora em finais de Janeiro acontece o festival de Angoulème, onde muitos dos nossos principais editores marcam presença, e já se sabe que trazem sempre novidades na mala de regresso. Lá para Fevereiro devemos ter novos desenvolvimento sobre o nosso ano editorial. Boas leituras!


2 comentários:

Antonio disse...

Boas Nuno. É sempre curioso e revelador saber de antemão quais as intenções editoriais do selos nacionais. Não que hajam muitas surpresas (antes pelo contrário) mas por antevermos, boa parte do que se irá passar - e falo na permanência de opções que, insisto, pecam pela falta de ousadia e pelo conservadorismo. Vamos por partes - apesar da DEVIR ter “repescado” para o mercado nacional uma das “majors” norte-americanas, a DC, continua a ser preocupante a da falta de interesse por outros selos importantes que continuam ausentes no mercado nacional - refiro-me á Dark Horse Comics, á Image Comics, á Fantagraphics, BOOM! Studios, á IDW, á Oni Press, a DSTLRY Comics, a Top Shelf, Titan Comics, entre muitas outras. A retoma de títulos franco-belgas não deixa de ser uma boa notícia, no entanto insistem em autores e títulos já por cá editados. Na mangá é o esperado, é que “alimenta” a editora hoje em dia e, espero que dediquem mais atenção á qualidade de edição no selo Tsuru, nomeadamente no que respeita á qualidade do papel. A ASA embora não descole dos títulos e linhas tradicionais poderá surpreender mas precisa de ser mais consistente e criteriosa na escolha e edição de títulos - estou curioso em relação a “Impenetrável “, uma dos 8 títulos selecionados pelo público para os Fauves / Prémios do Público de Angoulême deste ano. A LEVOIR continua a senda dos biografias / adaptação de obras literárias - daqui nada de novo. Na Seita, Arte de Autor e Ala dos Livros temos, para já, continuações e pouco mais o que não é bom sinal. Espero muito francamente que o ano nos traga surpresas agradáveis e, acima de tudo diversificação. Insisto, precisamos de FICÇÃO CIENTÍFICA nos catálogos nacionais - onde estão MOEBIUS, Druillet, Mathieu Bablet (autor dos magníficos Shangri-La e Carbone & Silicium), Frederik Peeters (Lupus e a magnifíca série Aâma…), Alejandro Jodorowsky /Juan Giménez (A Casta dos Metabarões, editados em parte pela BD Mania…), François Bourgeon e Claude Lacroix (O Ciclo de Cyann, fora de mercado há anos…), Guillaume Singelin (Frontier, um dos melhores álbuns de 2023..) etc, etc… E precisamos de trazer obras de outro mercados - italiano, espanhol, brasileiro, argentino, etc - existem muitas e boas. Editores / as façm o vosso serviço, please…

Diogo disse...

Olá Nuno, antes de mais obrigado pelo teu trabalho neste blog. Impossivel não passar por aqui todos os dias para ler o que escreves - um hino ao serviço publico bedefilo! O primeiro post que li foi relacionado à tua decisão em completar coleções em francês, já que jamais seriam completadas em português. Olha como mudou!!!!

Ainda assim, bato na mesma tecla, nunca se editou tanto, e nunca comprei tão pouco. O mercado está atolado de obras que não entendo para que público alvo são, e ficamos fora da primeira divisão das novidades BD internacional, sejam elas Comics, manga ou franco-belga. Depois, as obras que quero, custam muito dinheiro. É o que é… um abraço