Na Cabeça de Sherlock Holmes (Ed. A Seita)
Bairro Distante (Ed. Devir)
O abismo do esquecimento (Ed. Ala dos Livros)
Erva (Ed. Iguana)
A Estrada (Ed. Ala dos Livros)
As Guerras de Lucas (Ed. Ala dos Livros)
Jonas Fink - O Livreiro de Praga (Ed. Arte de Autor)
Dias de Areia (Ed. Asa)
O Combate de Henry Fleming (Ed. Ala dos Livros)
Breves notas sobre as escolhas:
Devo dizer que existiram álbuns, quer pela intensidade narrativa, quer pelo desenho, não me deixaram indiferente, da primeira à ultima página, e por causa disso tiveram desde logo entrada direta no meu TOP-9 de 2024.
O primeiro, logo em Abril, foi A ESTRADA, de Manu Larcenet, edição Ala dos Livros. A minha critica pode ser lida aqui. Seguido de outro álbum que me deixou rendido, O COMBATE DE HENRY FLEMING, de Steve Cuzor, também numa edição magnifica da Ala dos Livros. Também escrevi aqui.
E de O ABISMO DO ESQUECIMENTO, de Pablo Roca, edição Ala dos Livros. É uma viagem ao passado recente de Espanha, onde o autor explora uma ferida aberta pela Guerra Civil Espanhola e os seus ecos no presente. Uma obra que aborda essa necessidade tão humana de querer despedir-nos de forma digna daqueles que nos são queridos, numa vontade que não só reforça a importância de preservar a memória dos que partem mas que também serve como um acto de resistência para que as lições da História nunca sejam esquecidas.
E numa altura em que a palavra Liberdade, e tudo que ela representa, é tão falada, ler uma obra que aborda a falta dela é um exercício que se recomenda. E a edição integral de JONAS FINK, de Vittorio Giardino em dois volumes, numa edição da Arte de Autor, é um belo exercício narrativo gráfico, numa obra que transcende o tempo e o espaço e que oferece uma janela para a luta de resistência humana contra a opressão.
E NA CABEÇA DE SHERLOCK HOLMES, numa edição de A Seita. Retomar ao universo de Conan Doyle, num dos álbuns mais originais do ano, seguindo o desfiar do fio do raciocínio lógico do melhor detective do mundo, num estética sumptuosa e elegante e enquadramentos desafiantes, foi puro deleite.
A holandesa Aimeé de Jongh chegou-nos em dose dupla. É uma belíssima autora, e foi o seu trabalho original em DIAS DE AREIA, edição da Asa, que me cativou. Uma história de resiliência humana num contexto histórico marcado pela dureza da paisagem e pelo desespero da sobrevivência, que nos transporta para o Dust Bowl, um desastre ambiental e social na década de 1930, e um dos períodos mais difíceis da história americana.
Fecho com manga. Jiro Taniguchi é dos melhores contadores de histórias em banda desenhada. Um autor com uma sensibilidade artística maravilhosa. E tem em BAIRRO DISTANTE, edição da Devir, uma bela história sobre a vida, que nos faz reflectir sobre o passado, o peso das escolhas feitas e os laços que definem a nossa existência. Mais uma narrativa profundamente humana, desenhada pelo seu traço detalhado e delicado, e uma das melhores obras que li deste autor.

2 comentários:
Olá Nuno, antes de mais, desejar um bom ano...Aproveito este post dedicado aos autores estrangeiros para expressar o quanto estou encantado com a Yermo Ediciones, esta editora espanhola tem editado uns livros com muita qualidade, que me tem enchido as medidas , provenientes de mercados como o francês, estou deliciado com" Las guerras de Arran " (Les guerres d’Arran); Conquistas(Conquêtes) e I.S.S. Sniper . Tenho pena que o nosso mercado seja pequeno, as nossas editoras tem de fazer escolhas e priorizar o seu negocio...mas é frustrante não ter acesso a muitas obras na nossa língua...Não sei se vamos cá ter obras como os "Nains" , "Elfes ", "Samurais",Space relic hunter" ou "UCC Dolores"...mas se alguém me escuta, deixo aqui o meu desejo para 2025 ,que estas obras possam ser cá editadas.... Abraço e cumprimentos
Olá José Carlos, agradeço e retribuo os votos de um Bom ano e de excelentes leituras.
Eu acredito que no bom momento que a edição nacional atravessa, todas as boas obras que são editados por essa Europa fora tem fortes possibilidade de virem a ser publicadas em edição em Portugal. E bons exemplos não faltam. Agora muitas vezes a questão complica-se devido ao valor dos direitos, com o timing da publicação e com o próprio catálogo da editora. Mas é uma questão de contactar uma ou duas editoras e sugerir-lhe. Eu faço isso muitas vezes e posso dizer que houve colecções já publicadas no nosso mercado na sequência do meu contacto. Não custa dar o primeiro passo. Abraço
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