terça-feira, 3 de março de 2026

Se gostas de “mais arroz” isto não é para ti!

O que se passa aqui explica-se em poucas palavras: está em causa é uma tentativa de transformar a Feira do Livro de Lisboa num espaço quase preferencialmente de uso exclusivo dos grandes grupos editoriais. Nos últimos anos temos assistido a um forte crescimento dos espaços afectos a estes grupos. Pessoalmente nada contra, agora sendo o espaço da Feira limitado, mais crescimento para uns que se faça por uma optimização dos espaços destes e não pela “conquista” de espaços de outros. 
 
Mas a realidade é que a organização da Feira do Livro deste ano, decidiu atacar as pequenas editoras, excluindo da edição deste ano associados históricos e dezenas de editoras independentes sob o argumento de "falta de espaço". Entre as excluídas estão algumas das nossas pequenas editoras de banda desenhada. Ora, nós queremos bibliodiversidade!
 
É preciso nunca esquecer que a tentativa de nos imporem a suas vontades começa sempre por limitarem as nossas liberdades. 
 
Para lutar contra isto, o que se pede aqui é tão simples quanto isto: ASSINAR O MANIFESTO 
 
 
 

7 comentários:

Antonio disse...

O modelo da Feira do Livros necessita de ser reformulado. Num mercado em profunda transformação, quer pelos hábitos de consumo, quer pelas plataformas de distribuição entre outros, já seria tempo de diversificar e repensar o modelo. Mais feiras, mais pequenas e especializadas, 2 feiras por ano de maior dimensão, 1 de Verão outra de Inverno em espaço fechado e com outras condições? Porque não. Continuamos a aguardar uma feira de BD e Ilustração na capital do País, coisa que já tivemos. Para quando?

Nuno Neves disse...

Eu também sou da opinião que os modelos da Feira não devem ser estanques e que podem (e devem) ser pensados e reajustados às novas dinâmicas e tendências, mas a questão aqui é quem é que pode participar na Feira? Só os maiores? É preciso perceber, que por exemplo no caso da BD, cerca de 60% da oferta disponível (valores de 2025) é assegurada por editoras independentes, constituídas por pequenas e médias editoras. Este ano vão as pequenas embora, e quem garante que para o ano não vão as médias? Pessoalmente aprecio bastante a pluralidade, e a liberdade de escolher entre uma oferta variada. A título de exemplo, gosto de assistir aos eventos nos mega-espaços das grandes editoras, mas também gosto de passar pelas bancas dos pequenos alfarrabistas na Feira, como igualmente também gosto de comer uma bela fartura. Quer-me parecer que a partir de agora está tudo em causa, e que à excepção dos grupos ninguém está a salvo.

Arlete disse...

Haver espaço para bancas de farturas e não haver para pequenas editoras, numa Feira do Livro, é bastante estranho...

Antonio disse...

Esta situação já não é nova mas, como constatamos todos os anos, o espaço não "estica" e quem tem melhor dimensão pode negociar melhores condições, sempre á custa de outros. Como digo, este modelo está esgotado - ou encontram outro local, com maior área expositiva e espaço para todos os editores/distribuidores ou redistribuem o evento ao longo do ano em eventos mais curtos e com focus em temas específicos e outras parcerias. Manter as coisas como estão prejudica todos, leitores, editoras e distribuidores.

Nuno Neves disse...

Arlete, a roulote das farturas encontra-se na metade superior do passeio do parque Eduardo VII, situando-se fora do espaço da Feira propriamente dito. Aliás esta metade encontra-se praticamente desocupada, uma vez que a Feira só ocupa a metade inferior do passeio que desce até ao Marquês de Pombal. Agora o que está aqui em causa é a distribuição do espaço dentro da feira, não fora dele.

Nuno Neves disse...

O presidente da APEL é Miguel Pauseiro, representante da Bertrand Editora (Grupo Porto Editora), sendo que na direcção estão representadas apenas editoras e livreiros de grande dimensão, designadamente Leya, Editorial Presença, Penguin Random House, Edições Almedina, El Corte Inglés e Guerra & Paz. Talvez se encontre aqui a explicação para o actual modelo funcionar tão bem (para alguns) :)

Anónimo disse...

Bom dia. Ainda assim tendo em conta que só metade do espaço está ocupado não deixa de ser muito estranho. Até porque as editoras que foram (convidadas) a sair não iriam ocupar todo o espaço que resta.
Leandro