O Panteão Nacional foi, no final do dia de ontem, o palco de um conjunto de iniciativas culturais, nas quais a banda desenhada também marcou presença. E foi perante uma bem composta audiência, e que contou inclusive com a presença do Secretário de Estado da Cultura, que teve lugar a apresentação da edição em mirandês de Os Charutos do Faraó (Ls Xaruros de L Farao, na capa do álbum), a primeira aventura de Tintin traduzida para aquela que é a segunda língua oficial de Portugal.
Nos discursos que acompanharam o lançamento, a tónica centrou-se sobretudo na importância da defesa e divulgação da língua mirandesa. Faltou talvez mais referências à obra de Hergé e à própria aventura de Tintin, onde curiosamente uma série de personagens fizeram a sua primeira aparição, incluindo o nosso Oliveira de Figueira (Oulibera de la Figueira, de Lisboua). Depois de Astérix e Tintin, e aproveitando a sugestão deixada pelo Secretário de Estado, fica a faltar um Lucky Luke em mirandês.
O álbum em si, com a chancela da francesa Casterman (mas com ISBN português), conta com uma tiragem única e generosa de 1000 exemplares. Fica mais como uma interessante edição para colecionadores, sobretudo portugueses, e a banda desenhada fica, mais uma vez, como o veiculo de registo e salvaguarda da língua mirandesa.
Seguiu-se a inauguração de duas exposições e a visita bastante sinuosa pelo interior do edifício. A primeira, dedicada a Amália Rodrigues, é composta por um registo de apenas dez fotografias da artista tiradas logo no início da sua carreira. Bastante pequena, falta-lhe enquadramento. Algo desenxabida esta mostra. A segunda, muito mais interessante, intitulada Modos de Ver, centra-se no próprio edifício do Panteão, enquanto figura central e representado em várias artes e olhares. Desde a fotografia à pintura, da ilustração à banda desenhada. E o Panteão em BD surge em dois desenhos de Luís Louro, com imagens que podem ser encontradas nos álbuns do Corvo e do Sentinel. Vale a pena observar o Panteão como ponto referência da cidade e a forma como é visto por diferentes olhares artísticos.



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