05 junho, 2011

FIBDB 2011: A crónica

Esta crónica já era para ter sido escrita, peco pelo atraso, mas redimo-me pelas palavras. Soltem-nas!


Para alguém que gosta de banda desenhada, de ser bem recebido e de petiscos, pergunto que melhor cartaz de promoção pode ter uma cidade que não um magnifico festival de banda desenhada, uma excelente hospitalidade e uns óptimos caracóis?
Na planície alentejana, Beja tem isto tudo. Eu, obviamente, fui lá pelo já incontornável festival. Gozo da hospitalidade bejense e aproveito os caracóis. O festival de Beja, abreviadamente FIBDB, que este ano celebra a sua VII edição, é actualmente para mim, e desculpe-me a Amadora, o melhor festival de banda desenhada em Portugal.

Gosto particularmente do ambiente que reina sobre o primeiro fim-de-semana do FIBDB. Por tradição marcam presença todos os artistas convidados, nacionais e estrangeiros. E é do convívio entre autores e leitores de banda desenhada que se sucede praticamente ao longo do fim-de-semana inteiro, dentro e fora do festival, que se cria uma atmosfera única. Na Casa da Cultura, abordar um autor a qualquer momento para conversar ou pedir um desenho é um acto de absoluta normalidade. É como se não existissem horas marcadas. Este ano falei com Liam Sharp (que já anteriormente tinha marcado presença no AmadoraBD) que nos intervalos da produção de poderosos desenhos (obtive um magnifico Conan para a minha colecção de desenhos autografados) gozou bem o nosso sol e as nossas minis. Com Ivo Milazzo, que não é apreciador de caracóis, ao contrário da sua simpática esposa, que usou bem o seu traço rápido para produzir Tex’s e Ken Parker's a pedido (publicarei aqui brevemente um pequeno vídeo do artista em acção). Com Loustal, que não obstante o seu desenho algo naif, não teve mãos a medir perante as solicitações. Quanto ao espanhol Pablo Auladell, tinha curiosidade, mas confesso que nem dei por ele. Eu perdi-me nas conversas, ele parece-me que se perdeu por Beja.
Os "nossos" quatros fantásticos da Marvel marcaram igualmente presença. Eu aproveitei, ainda a disponibilidade do Filipe Andrade, enquanto ainda tem agenda para participar nestes eventos em Portugal, para me desenhar um Dr. Destino; o Nuno Plati, como estava carregado de pedidos, assinou-me a Amazing Spider Man #657. Do João Lemos e do Ricardo Tércio fica para próxima, porque mais uma vez perdi-me nas conversas. Deixei igualmente escapar a oportunidade de ganhar um rabisco do meu amigo Carlos Rico, do festival de Moura. A culpa é de toda a actividade que fervilha na Casa da Cultura.
Aqui para além das exposições e das sessões de autógrafos, sucedem-se as apresentações, os lançamentos, as conversas, e funciona igualmente o mercado do livro. Gosto da palavra “mercado” porque funciona como de uma venda de rua se tratasse, com os livros e álbuns dispostos em mesas corridas, longe daquele formato informal de stand ou de loja. Torna-se um prazer vasculhar naquela oferta em busca de livros perdidos. Acreditem que os há. Encontrei os dois primeiros álbuns da colecção “O Assassino” de Jacamon e Matz, editados pela Booktree, em cuja demanda já andava há algum tempo, após descobrir esta viciante série, que é a autobiografia de assassino através das suas interrogações e angustias, na recente colecção do jornal Público que editou os álbuns 3 e 4. Outras das minhas aquisições foram dos volumes 2, 3 e 4 da desaparecida colecção “Mancha Negra” da editora VitaminaBD. Curiosamente umas horas antes, a caminho de Beja, em conversa, o meu amigo Rui Rolo tinha recomendado justamente desta colecção as histórias “A Grande Farsa” e “Iguana” de Trillo e Mandarfina. Depois disto a conclusão é que ou eu tenho muita sorte ou se existe está em Beja!

Ainda sobre a colecção “Mancha Negra”, já conhecia o 1º volume, o delicioso “Clara de Noite” que conta com o desenho de Jordi Bernett, um dos meus autores preferidos, sobre o qual vou ter de aqui escrever propositadamente, de forma a ser lembrado uma próxima lista de convidados de um qualquer festival de banda desenhada em Portugal.

Mas o festival de Beja não se esgota só com o programa oficial, dado que na programação paralela a oferta é variada. Ainda não foi desta que consegui conciliar as noites de Sábado com um copo na Galeria do Desassossego seguido da madrugada de cinema de terror na Bedeteca, que inclui caldo verde, e a manha de Domingo com a visita ao centro histórico de Beja com o Prof. Florival (ver fotografia). Tenho privilegiado esta última que é de uma riqueza cultural indescritível.

E assim passe(e)i por mais um FIBDB. Onde autores e leitores, amigos e conhecidos respiram um ambiente único, onde a simpatia e a amizade de Paulo Monteiro faz-nos sempre querer regressar todos os anos.
O festival de Beja continua de portas abertas até ao próximo dia 12 de Junho.

Uma reportagem fotográfica do festival pode ser vista aqui.

12 comentários:

Bongop disse...

Não é só para ti que passou a ser o melhor festival de banda desenhada em Portugal...

Foi um excelente fim de semana!
Onde tu pediste um prato de batata frita num dos restaurantes mais típicos de Beja... com o patrão a mostrar uma cara escandalizada e a dizer que ali não era o McDonalds!
ahahhahahahahahah priceless!

Para o ano estamos lá outra vez!
;)

Abraço

Bongop disse...

Já agora, gosto muito mais deste teu fundo de blog que do outro que estava aí!
:)

verbal disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
verbal disse...

lol... boa hospitalidade é pedir num restaurante tradicional um prato de batas fritas e ser servido com uma dose para duas pessoas! :)

O fundo ainda está em estudo! ;)

RuiR disse...

Mais uma boa crónica sobre um óptimo Festival.
Este ano aconteceu-me o mesmo que a ti, falhei algumas das actividades por causa da dispersão, ou mais concretamente da concentração no Loustal, eram muitos os albúns :-)
Em relação ao Bernet, bora aí fazer qualquer coisa, temos que pensar numa acção qualquer para promover a vinda dele a Portugal, de preferência Beja, espero que o Paulo leia estes comentários ;-). Talvez uma coisa que esteja a dar, tipo criar uma página no facebook, uma petição, um peditório,sei lá. Ouviram algúem traga o Bernet a Portugal!
Abraço.

verbal disse...

Olá Rui, quando a oferta é variada e os autores são bons uma pessoa perde-se. Eu acabei por não conseguir assistir a nenhuma das apresentação que queria ver. Para a próxima tenho de me organizar melhor!

BERNET EM PORTUGAL, JA! lol

Sharkboy disse...

Muito boa crónica.

Rodrigo

Véte disse...

Ui, essa vinda do sr. Jordi Bernet já está em estudo desde que vimos a sua exposição no Viñetas, mas são tantos autores e tantas agendas preenchidas que por vezes se torna dificil.Se fossemos anunciar o proximo, podiamos ja anunciar o Alberto Varanda, o Salvador Larroca e o Juanjo Guarnido,mas ha medida que as coisas se vao compondo alguns dos nomes vão-se desmarcando.Enfim,esperemos meus amigos, esperemos...

verbal disse...

Olá Véte, a esperança é sempre a última a morrer, até porque o FIBDB já deu provas que em termos de presença de grandes autores não fica atrás de qualquer outro festival europeu. Com nomes como Larroca ou Guarnido anunciem já! :)
Abraço

Véte disse...

Eheh, nós temos os dedos cruzados, mas pode sempre acontecer como este ano com a Melinda Gebbie, e a dupla Mills e O'Neill que estavam para vir a Beja este ano.

refemdabd disse...

Deem um toque ao Mike Carey. Uma tipo sensacional e muito acessivel. O Liam conhece-o bem e dar-lhe-á boas referências de Beja, estou seguro. Agora, Larroca, Guarnido, Bernet, fosga-se...em grande!

João Amaral disse...

É só para dizer que fui mais um dos que se divertiram bastante num fim-de-semana, onde o único defeito foi não ter tempo para tudo. Só tive pena que o Alberto Varanda não tenha vindo, ao contrário do que chegou a ser anunciado. Mas ainda não perdi a esperança. E sei que para o ano haverá mais e melhor. Um abraço.

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