segunda-feira, 27 de abril de 2026

Comic Con 2026: Um raro alinhamento de grandes estrelas

No rescaldo de três dias na Feira, começo pelo mais evidente: a nova casa da COMIC CON PORTUGAL (CCPT) serve o seu propósito. O Europarque tem espaço largos, bons auditórios e uma zona de restauração que não colapsa à primeira enchente. Para um evento desta dimensão, não é preciso mais. Os dois primeiros dias, quinta e sexta, diz-me a experiência que são os melhores para visitar o evento. A confirmar isto, no sábado, logo de manhã, a fila para entrar estendia-se ao longo da estrada. Mais experiência, quem vai pela banda desenhada, sai de lá sempre bem-servido. 

Na edição deste ano, os astros alinharam-se de forma generosa. Dois dos argumentistas mais falados da atualidade, responsáveis por uma das mais faladas revoluções no universo da DC, marcaram presença em Portugal. Juntou-se-lhe um dos melhores desenhadores americanos, e tivemos um alinhamento perfeito de estrelas. A qualidade presente no evento foi tão boa que a ausência de Frank Miller passou de desilusão a um simples lamento. Daniel Henriques, autor português que já trabalhou com Miller, revelou em conversa que o autor americano não estava em condições de fazer a viagem, e que se sente agora em divida para com o festival. Pode ser que a próxima edição em 2028 traga surpresas. 

John Romita Jr., Scott Snyder e Jason Aaron ocuparam o espaço e concentraram a atenção toda. Nas conversas, nas entrevistas, nas longas filas para autógrafos, e sempre com uma disponibilidade e simpatia que surpreenderam. Confesso que vinha preparado para um certo distanciamento, aquele gelo habitual que, por vezes, marca a presença de autores americanos no Amadora BD. Aqui, não houve nada disso, antes pelo contrário. Talvez o problema esteja na escolha que fazem dos convidados. Sugeria talvez mais atualidade e menos nostalgia. 

Sendo o Homem-Aranha das minhas personagens preferidas, só a presença do enorme Romita já justificava a viagem. O resto foi bónus. Jason Aaron é só argumentista, entre muita coisa boa, do magnifico Southern Bastards, e para quem anda mergulhado na brutalidade de Absolute Batman, recomendo visualização da entrevista a Scott Snyder que publiquei aqui. A Devir que já anunciou a edição do primeiro volume, mas ficando-se pelo anúncio, perdeu aqui na Comic Con um comboio para o qual tinha bilhete.

Como é hábito, também a banda desenhada europeia marcou igualmente presença. Dos franceses, destaco Jérôme Lereculey, desenhador de As 5 Terras, disponível e generoso nos desenhos autografados que fez. Espero que regresse a Portugal. Bastien Vivès é só um dos actuais desenhadores do Corto Maltese no século XXI. Do lado espanhol, Victor Pinel (Peças) e Alicia Jaraba (Longe) confirmaram talento, enquanto Miguelanxo Prado já dispensa apresentações, afinal é, por direito próprio, “prata da casa”. 

Nos portugueses, que também picaram o ponto. Finalmente consegui uma It-Girl do André Lima Araújo, tive uma óptima conversa com o Daniel Henriques e claro, visitei a muito talentosa Rita Alfaiate, das minhas autoras preferidas.

Para o fim, fica sempre a mesma pergunta: como é que se mede o sucesso de um festival de banda desenhada em Portugal? 

Se for pelos convidados, a CCPT está nos píncaros. Se for pela afluência, a julgar pelos três dias que lá estive, a CCPT é certamente um dos eventos mais populares. Pessoalmente, saí com a certeza de ter vivido uma histórica edição. Ou não tivesse tido o privilégio de conhecer pessoalmente John Romita Jr.

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