sábado, 3 de janeiro de 2026

As melhores leituras do Francisco Lyon

Para fechar o capitulo de Balanço do Ano, hoje trago aqui as melhores leituras de 2025 do amigo Francisco Lyon. Colaborador já habitual aqui do blogue, desafiei-o a apresentar a sua lista de preferências. A responsabilidade é toda dele. Passo-lhe a palavra:

As minhas BDs de eleição em 2025 e porquê

Chegados ao fim do ano de 2025, é tempo de fazer um balanço não de tudo o que li, mas do que meu deu mais prazer ler (em português). Também não vou fazer um resumo de cada livro eleito, mas dar-vos as razões que me levaram a escolhê-los. Os livros aparecem por ordem alfabética e não de preferência.

ASTÉRIX NA LUSITÂNIA

Claro que este tem de entrar na lista. Se cada nova aventura de Astérix é, por si só, um acontecimento, a vinda dele e de Obélix a terras lusitanas é um acontecimento ainda maior. Gostei da história e parece que vi mais nela do que a maioria dos críticos nacionais. Sobretudo, acho que as características principais que caracterizam a alma portuguesa estão muito bem espelhadas nesta aventura. Ver aqui

BLAKE E MORTIMER 31 – A AMEAÇA ATLANTE

Este há de merecer um texto bem mais desenvolvido da minha parte. Entretanto, o que o faz constar desta lista é o facto de me conseguir fazer recuar no tempo e colocá-lo ao lado das melhores aventuras de Blake e Mortimer. Acresce a isso a capacidade de Yves Sente de humanizar os heróis. 
 

O CASTELO DOS ANIMAIS 4 – O SANGUE DO REI

O capítulo final da magnífica série de Dorison e Delep não desilude. Leva a fábula política inspirada no Triunfo dos Porcos (ou Quinta dos Animais) de George Orwell às últimas consequências. E mostra-nos como o fanatismo e o extremismo, do lado do bem ou do mal, tem sempre consequências que nos afastam de um arremedo de felicidade.

DAKOTA 1880

Também este vai ser objecto de análise da minha parte. Era um livro que aguardava com grande expectativa e que me surpreendeu. Um Lucky Luke antes de o ser, sem o humor que caracteriza as aventuras do cowboy solitário e que aproxima a história da realidade histórica. Narrativa muito bem conseguida, por vezes quase telegráfica, que se divide por sete histórias de igual valor e com o traço inconfundível de Brüno. 



FÁBULAS DAS TERRAS PERDIDAS 2 - OS CAVALEIROS DO PERDÃO

O integral do segundo ciclo com a qualidade narrativa de Jean Dufaux e os desenhos magníficos de Delaby que morreu antes de terminar o projecto e foi substituído por Jérémy, o seu “aprendiz”. Narrativa forte e desenhos magníficos que contribuem para o adensar do universo. Ver aqui

A FERA 2

Conclusão do díptico de Zidrou e Frank Pé que nos leva a conhecer um marsupilami longe de Spirou. Uma obra muito bem narrada que tem o seu principal trunfo no humanismo.
 


OS FILHOS DE BABA YAGA

Esta talvez tenha sido a grande surpresa de 2025. Com duas edições em quatro meses, e comemorativa dos 40 anos de carreira de Luís Louro, deslumbra pelo traço e pelas cores, acompanhadas de uma narrativa poderosa e crua que não faz concessões ao politicamente correcto. Uma história envolvente que põe o leitor a pensar. Ver aqui

O GRANDE PODER DO CHNINKEL

Um clássico da fantasia publicado em edição integral. Van Hamme e Rosinski oferecem-nos uma metáfora gigantesca da história da humanidade e dos Livros Sagrados, tudo envolto num ambiente de alta fantasia. Sempre actual! 
 

HOKA HEY!

Um “romance” fenomenal, ambientado no western, mas que o ultrapassa em muito, abordando o fim de uma época, o problema das reservas e dos “refugiados” e a preservação dos costumes. Argumento, desenho e cores, tudo fenomenal!

HOMEM DE NEANDERTAL

Esta obra de André Diniz surpreendeu-me tanto pela narrativa como pelo trabalho de pesquisa envolvido. Tendo em conta as descobertas mais recentes, o autor dá-nos um fresco do que seria a vida do homem de Neandertal no tempo em que coexistia com os Cro-Magnon, de um modo lírico e fascinante. Ver aqui


MADE IN ABYSS 3

Esta é uma série manga que continua a encantar-me. Faz-me recuar aos tempos de Conan – O Rapaz do Futuro, se bem que a ambiência seja completamente diversa. Só lamento que a cadência de publicação não seja mais rápida. Ver aqui

SOU UM ANJO PERDIDO

Não sendo uma surpresa em termos de construção narrativa, cativou-me tanto como já o tinha feito Sou o Seu Silêncio. Eva Rojas é uma protagonista carismática e envolvente. A maneira como são tratados os problemas de saúde mental é extremamente inteligente e ainda tem uma trama policial a acompanhar. Ver aqui.


TRÊS JOKERS

Mergulhando no mundo dos comics, esta é a minha BD americana de eleição editada em Portugal. Geoff Johns e a sua história complexa acrescentam (e muito) ao universo de Batman, afastando-se da mera aventura mensal com um vilão de serviço para colocarem o leitor na posição de descobrir que é verdadeiramente o Joker. Depois, o desenho de Jason Fabok é absolutamente magistral dentro da linha realista. Para quem leu Piada Mortal, este é um livro que tem de constar na mesma prateleira. Ver aqui

UM OCEANO DE AMOR

Absolutamente magistral, tanto pelo desenho como pela narrativa silenciosa, esta obra de Lupano e Panaccione leva-nos a pensar no verdadeiro amor, aquele que nos obriga a atravessar oceanos, a superar incertezas e a acreditar…


UNDERTAKER 8 - O MUNDO SEGUNDO OZ

Esta é, muito provavelmente, a melhor série western da actualidade. Sem renegar os clichés do género literário, não deixa de ser inovadora pelos temas abordados e como os aborda. Desta vez, a questão do aborto e da religiosidade estão no centro da trama, mostrando-nos a américa profunda dos finais do século XIX que não difere muito da do século XXI… 

O VENTO NAS AREIAS

Sucedâneo de O Vento nos Salgueiros, este integral vale tanto pela história original de Michel Plessix como pelos seus desenhos minuciosos e pela paleta de cores. Um hino ao encontro de culturas e de religiões. Ver aqui



2025 foi um ano rico em termos da edição de BD em Portugal. Estas são apenas 16 obras às quais se poderiam juntar umas tantas outras. 

E esta lista, claro está, é apenas a minha, caro leitor. Provavelmente a sua será outra completamente diferente ou com alguns pontos de encontro com esta. O importante é que a leitura nos dê prazer e nos acrescente sempre alguma coisa. Há que alimentar o cérebro… 

Já agora, deixo-vos aqui a menção a dois grandes títulos que vão abrir o ano editorial de 2026:

  • Blast Integral 1/2, Manu Larcenet, Ala dos Livros
  • Rever Comanche, Romain Renard, Asa

Votos de um bom Ano Novo, com saúde, sucesso e… boas leituras! 

Francisco Lyon

 

3 comentários:

Z. disse...

Estou deveras curioso quanto a "Blast". Não conheço (ainda) qualquer obra do autor francês e, pelo que tenho lido, 'acho' 😊 que não irei ficar desiludido.

Nuno Neves disse...

Caro Z eu também não li o Blast e só o conheço da "fama" que traz consigo. Mas tendo já lido o magnifico O Relatório de Brodeck e o excelente A Estrada, a vontade de voltar a ler este autor é muita.

Optimus Primal disse...

3 jokers é fraco a nível de argumento como revelar a identidade do joker,ou os jogos com o Jason,a nível de arte é fabuloso,mas séria melhor como 1 elseworld.