Páginas

A apresentar mensagens correspondentes à consulta verões felizes ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta verões felizes ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Lançamento ARTE DE AUTOR: VERÕES FELIZES vol. 1 - Rumo ao Sul! | A Calheta

Mesmo a propósito do Verão que se aproxima rapidamente, a editora ARTE DE AUTOR acaba de lançar o primeiro volume da série «Verões Felizes» de Zidrou e Jordi. Descobrimos nesta série um registo gráfico de recordações de férias em família do autor.

Este álbum apresenta-se no formato de álbum duplo, e já está em distribuição pelas livrarias nacionais. O segundo volume está previsto para 2020.

Série «Verões Felizes»
Esta série fala da vida, da verdadeira. A vida – bonita – de pessoas que, ao longo do ano, trabalham arduamente para poderem gozar umas férias de Verão.
1973, 1969, 1980... volte atrás no tempo, entre com o Pierre, a Madô, a Julie-Jolie, a Nicole, o Louis e a Pêpete na sua 4L Vermelho Estérel, e reviva as férias da sua infância!
Instale-se na 4L vermelha dos Verões Felizes e... rumo ao Sul! No programa constam piqueniques, parques de campismo e sessões de bronzeamento na praia. Entre ataques de riso e ataques de choro, a família diverte-se à beira-mar, discute, zanga-se, mas mantém-se sempre unida, numa banda desenhada alegre e optimista.

Ficha técnica:
VERÕES FELIZES vol.1 - Rumo ao Sul! | A Calheta
De Zidrou & Jordi Lafebre
Edição cartonada, cores, 112 pags.
ISBN: 978-989-54326-4-6
PVP: 21,50€
Editora ARTE DE AUTOR



quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Lançamento ARTE DE AUTOR: Verões Felizes vol. 3 - A FUGA | AS GIESTAS

Os mais atentos verão que vivemos tempos felizes na edição de banda desenhada franco-belga em Portugal. Não falo em termos de quantidade, até porque este ano o mercado deve registar números de novidades abaixo aos dos ano passado, mas sim em termos de qualidade. As editoras atingiram um novo patamar. Não basta só editar, mas sim editar qualidade. Nota-se um cuidado especial por parte do editores na edição do álbum, no seu formato, sempre de capa dura, no gramagem do papel e na sua apresentação, e também na qualidade dos autores e das histórias seleccionadas.
 
Serviu esta apresentação para dizer que chegou um novo volume da premiada série «Verões Felizes» da dupla Zidrou e Lafebre. É o terceiro volume desta magnifica colecção da ARTE DE AUTOR, um álbum duplo que reúne os tomos 5 e 6 da série original, ficando assim a colecção portuguesa a par da francesa.
 
Para quem ainda não conhece trata-se de memórias de vida do autor, que nos leva para uma viagem no tempo, à descoberta da felicidade das férias de Verão em família, das pequenas alegrias do quotidiano e dos prazeres simples da vida que vai. 
 
A FUGA 
1979 – Os Pink Floyd arrasavam com “The Wall”.
O fim de 1979 aproxima-se lentamente. Os Faldérault não podem dizer que guardam uma boa recordação: Madeleine odeia tanto o seu trabalho de vendedora de sapatos como a mulher que a contratou, e Garin propôs a Pierre retomar a série «Zagor» a mesma que Pedro decididamente não pode ver nem pintada! De qualquer forma, o ano está a acabar! Para se distraírem, os Faldérault decidiram celebrar o Natal ao sol! No entanto, não será toda a família a participar, já que a Julie-Jolie fica em casa a preparar-se para os exames. Louis estava a planear assistir ao concerto dos Pink Floyd em Londres e vê os seus planos alterados no último segundo. E lá vão eles para umas férias que se anunciam agitadas... sobretudo quando o Louis decide fugir durante o caminho... 
 
AS GIESTAS
1970 – Ao ritmo de “In the Summertime” São as férias! Adeus, Mons, bom dia, sol!
Como todos os anos, a tribo dos Faldérault toma a direcção do Sul a bordo da Menina Esterel, a 4L familiar. Pierre não terminou o seu álbum? Não faz mal, ele vai finalizar as últimas pranchas à beira do Mediterrâneo. Aqui estão todos os cinco prontos para não fazer nada. Enfim, cinco e meio mais, já que a Mado está grávida. Mas na estrada um caminhão ultrapassa-os, perde sua carga e lá está o pára-brisas de Esterel que voa em estilhaços. Não acontece nada de grave, mas não podem continuar a viagem. Enquanto o mecânico repara a 4L, a família é acolhida por Esther e Estelle, duas mulheres encantadoras que dirigem a quinta «As Giestas». Enquanto Pedro pensa que é Cézanne e Nossa Senhora vê o bebé crescer, as crianças ajudam no parto das cabras e descobrem os encantos do campo. Mas também aprendem os segredos da vida... 
 
Ficha técnica:
Verões Felizes vol. 3 - A FUGA | AS GIESTAS
Argumento de Zidrou e desenhos de Jordi Lafebre
Edição cartonada, 218x295, cores, 112 págs.
ISBN: 978-989-53114-4-6
PVP: € 23,50
Edição ARTE DE AUTOR
 

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Lançamento ARTE DE AUTOR: Verões Felizes vol. 2 - Menina Esterel | O Repouso do Guerreiro

Nada melhor do que começar este novo mês de Maio, que se anuncia de reabertura da economia depois do "grande confinamento", com o anúncio do lançamento, por parte da ARTE DE AUTOR, do segundo volume de uma obra que se mostrou uma muito agradável surpresa no ano passado, tendo inclusive ganho o prémio Amadora BD na sempre muito disputada categoria de "Melhor Obra Estrangeira". «Verões Felizes» da dupla Zidrou e Jordi Lafebre, é um divertido registo gráfico de recordações de férias em família do autor, que regressam agora com histórias de outros Verões.

MENINA ESTEREL 1962 – quando se dançava “Let’s Twist Again”
1992, os anos passaram, o jovem casal está agora reformado, a pequena Pêpete tornou-se uma menina e o 4L está à venda... A oportunidade de recordar o ano de 1962, as suas primeiras férias a bordo com. os sogros. As férias com Yvette-a-perfeita e o Vovozão serão mais gastronómicas do que bucólicas... em direcção a Saint-Étienne!

O REPOUSO DO GUERREIRO 1980 – quando Lio cantava “Banana Split”
Neste livro, encontramos a família Faldérault completa: Pedro, Madeleine e os seus quatro filhos, aos quais se juntou Jean-Manu, o namorado da Nicole. Este Verão será o da grande mudança: Pedro tornou-se co-proprietário de uma casa nova, chave na mão, no campo provençal! Mais do que nunca, a aventura está no programa, e é com bom humor que a família se cerra. O Verão dos Fadérault é sagrado! E este vai ser muito memorável...

Ficha técnica:
Verões Felizes vol. 2 - MENINA ESTEREL | O REPOUSO DO GUERREIRO
De Zidrou e Jordi Lafebre
Edição cartonada, cores, 112 págs.
ISBN: 978-989-54514-6-3
PVP: 22,75 €
Editora ARTE DE AUTOR

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

Lançamento ARTE DE AUTOR / A SEITA: Lydie

Este é um lançamento que vem com boas credencias, ou não fossem os seus autores os mesmo que assinaram a bela série Verões Felizes, Zidrou e Jordi Lafebre, e este último ainda foi o responsável pelo magnifico álbum Apesar de Tudo. Trazem-nos agora este LYDIE, que chega até nós numa edição  conjunta da ARTE DE AUTOR e A SEITA.
 
Trata-se de mais uma narrativa profundamente humana, como é apanágio de Zidrou, a que se junta a enorme sensibilidade dos desenhos de Lafebre, e conta a história de uma comunidade que, perante a felicidade demonstrada pela mãe que se recusa a aceitar a morte do seu filho recém-nascido, abraça uma mentira numa dimensão proporcional à solidariedade e compaixão que por ela demonstra. 
 
Agora confesso que fiquei algo desiludido com o formato de edição  portuguesa porque esperava um álbum com dimensões generosas (23x30) à semelhança do Apesar de Tudo, mas a opção dos editores foi por um formato menor (22x29) equivalente à dos álbuns Verões Felizes. Mais uma edição em que tenho pena!  
 
LYDIE
Têm razão ao dizer que uma mãe não é nada sem o seu filho. Sei do que falo: não foi à toa que me apelidaram de «Nossa Senhora do filho perdido»! Por isso, quando a Camille Tirion — sabem, a filha do Augustin, o maquinista de locomotivas — pois bem, quando a Camille perdeu o seu à nascença, fiquei muito abalada. Uma menina. Era uma menina. Iria chamar-se Lydie… 
 
Ficha técnica:
Lydie
Argumento de Zidrou e desenho de Jordi Lafebre
Edição cartonada, formato 218x295, cores, 60 páginas.
ISBN: 978-989-9094-30-7
PVP: € 18,50
Edição conjunta ARTE DE AUTOR / A SEITA
 

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

30º Amadora BD: Notas finais

Fez Domingo passado uma semana que terminou o 30º Amadora BD. Por manifesta falta de tempo só agora que é que consigo aqui deixar as notas sobre a minha experiência enquanto visitante do evento. Começo pelo óbvio ululante. Deixar aqui os parabéns à Directora do festival e à sua equipa pela edição deste ano. Depois de assistir ao definhar do festival em 2018 e ver agora “casa cheia” todos os fins-de-semana foi um bálsamo. Não tenho conhecimento dos números oficiais dos visitantes, mas a certeza que superaram os eternos 30.000 de edições anteriores. No sábado, penúltimo dia, final da tarde, quando me cruzei com a Lígia (directora) e lhe dei os parabéns, ela dizia-me que estavam com “problemas” na bilheteira porque se estavam a acabar os bilhetes disponíveis para os visitantes. Não se poderia pedir melhor do que "lotação esgotada" na celebração dos 30 anos do festival!

Foram felizes as melhorias introduzidas na edição deste ano. Destaco particularmente duas. A redução do número de dias do festival, que passou de três fins-de-semana para apenas dois. Há muito que se justificava porque o festival, regra geral, sem muitos convidados ficava sem pujança a meio da viagem e arrastava-se penosamente até ao último dia. E uma maior concentração das actividades e autores dá uma diferente dinâmica ao festival. O Paulo Monteiro já descobriu isto à muito em Beja.

Aconteceu também uma melhoria que parece tão óbvia que não se percebe como demorou tanto tempo a ser implementada. Falo da reunião de todas as exposições no núcleo central (agora núcleo único) do festival, no Fórum. Antes dispersas por vários espaços na cidade da Amadora, resultava que muitas passavam despercebidas à quase maioria dos visitantes. Temos agora tudo a que temos direito no mesmo espaço.

E por falar em EXPOSIÇÕES, posso dizer que foram um regalo para a vista. Não posso deixar de destacar algumas. O primeiro destaque é obviamente para a dedicada ao autor convidado do festival: Jorge Coelho. Sou suspeito, para estes lados este artista é o melhor entre os melhores. A mostra «O Traço é o Caminho» bem arrumada no piso principal, deu para confirmar a excelência do seu traço. E o bónus que foi a exibição de pranchas datadas de 2012, de um trabalho praticamente desconhecido entre nós, intitulado “Odisea Nera”. Um absoluto delírio visual!

Interessante a galeria de pranchas com o trabalho de «Stan Lee» e bastante generosa a colecção de originais pelos «80 Anos de Batman». «Geraldes Lino» esteve presente numa bem preenchida mostra com a sua memória. «Vasco Granja» revelou uma pequena parte da fabulosa a riqueza do seu espólio. Entre outras pérolas, autógrafos desenhados de Hergé, Morris e Pratt. Não posso deixar igualmente de citar a representação franco-belga com «XIII» e a dedicada à arte de «Alfonso Font». The last but not the least, Andrómeda de Zé Burnay. Visualmente fantástica.


Único senão nas exposições foi o trabalho cénico. Em geral, achei as cenografias pouco conseguidas, sem conseguir captar as atmosferas e ambientes dos trabalhos que acolhiam, ao contrário do que sucedia em anos anteriores. Bem, já vi fazerem muito melhor.

Os  PNBD

Aqui encontra-se a nota mais negativa que atribuo à edição deste ano. Nos Prémios Nacionais de Banda Desenhada, vulgo PNBD, reinou mais uma vez a desorganização. Ainda que os vencedores tenham sido conhecidos logo no primeiro fim-de-semana, os nomeados foram anunciados apenas na véspera. O resultado foi que muitos nem tiveram presentes na cerimónia de entrega dos prémios. Os autores e os próprios prémios mereciam melhor atenção.

O grande vencedor foi a obra Mar de Aral que ganhou nas categorias de Melhor Argumento (José Carlos Fernandes) e Melhor Obra de Autor Português, repetindo assim o feito que já tinha alcançado nos Galardões da BD da Comic-Con. O português Alberto Varanda, é verdade que nasceu cá, ganhou na categoria de Melhor Desenho (A Morte Viva). A Arte de Autor ganhou (finalmente) um prémio de Melhor Obra Estrangeira como livro Verões Felizes. E o primeiro volume de Akira (primeiro e  único?) da editora JBC venceu como Melhor BD Clássica. O Troféu de Honra foi atribuído ao "grande" Filipe Melo. O novo prémio «FNAC - Escolha do público», veio reparar a gritante omissão do júri nos nomeados para a categoria de Melhor Obra de Autor Português. Uma expressiva (e mais que esperada) vitória foi obtida pelo álbum Watchers de Luís Louro.

No campo da Ilustração, os vencedores foram Joana Estrela com “Aqui é um bom lugar” na categoria de Melhor Ilustradora Portuguesa e JiHyeon Lee com “A Piscina” para Melhor Ilustrador Estrangeiro.

Portanto, bons autores, onde nomes como Alfonso Font, Ruben Pellejero e Michele Cropera foram os cabeças de cartaz, excelentes exposições, e muitos lançamentos e tudo sem sair do mesmo sítio, foi a fórmula do sucesso da edição deste ano, e que se espera que se possa repetir na edição de 2020.







quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Próximas publicações

 
Não obstante estes tempos incertos, algumas editoras vão revelando as suas intenções editoriais para o corrente ano, como é o caso da ARTE DE AUTOR, das poucas que editou em Janeiro, e que agora divulgou o seu plano para o 1º semestre de 2021.
 
Percebe-se que a ideia é de uma novidade por mês, o que me parece certo. A começar logo pelo segundo volume de «O Castelo dos Animais» (já lançado este mês). «Duke» e «Spaghetti Bros» são duas séries das quais teremos a sua continuação. E para os muitos leitores, que aquando do edição do álbum duplo que reunia os volumes 4 e 5 da série «Armazém Central», perguntavam se a editora iria recuperar os volumes anteriores, a resposta chega em Março com a (re)ediçao do primeiro volume «Marie». E mais, os volumes 2-3 e 6-7 estão previstos para o 2º semestre do ano.
 
Para Maio, teremos «Léna» numa edição integral que reúne os três álbuns já publicados em França, e o último título, «Apesar de tudo» traz-nos de novo Jordi Lafebre, o desenhador da série «Verões Felizes», e que aqui se estreia como autor completo. Digamos que caem todos muito bem numa boa bedeteca.
 
Outra editora que igualmente revelou o seu plano editorial, foi A SEITA. E se tenho a sensação que este ano será um "ano de westerns" (já sabem que foi aqui que leram primeiro), esta editora dá um forte contributo para tal.
 
A começar porque teremos o inicio daquela que será pela grande novidade que será uma colecção de álbuns «Tex» em formato franco-belga. O volume que marca a entrada do Ranger no catalogo da editora tem como titulo «A Chicotada» e conta com o argumento de Pasquale Ruju e desenhos de Mario Milano. O segundo volume da colecção, «O Homem das Pistolas de Ouro» assinado por Pasquale Ruju e desenhado por r.m. Guéra encontra-se igualmente previsto para este semestre.
 
Continuando com westerns, em Abril recebemos de braços abertos, «Procura-se Lucky Luke» o novo álbum de Mathieu Bonhomme (a capa, mais uma vez, está belíssima). Continuando nos franco-belgas, que já se sabe é uma das forte aposta da editora para este ano, teremos também «Drácula de Bram Stoker», uma adaptação do clássico literário, pelo autor Georges Bess.
 
Na colecção Aleph vai entrar «O Detective e o Caçador» uma saga em dois volumes e que reúne Dampyr e Dylan Dog, duas das mais populares personagens da Casa Bonelli.
 
Também não faltará BD portuguesa, com «Umbigo do Mundo» o primeiro volume da série de ficção-cientifica, assinado por Penim Loureiro e Carlos Silva. Para fechar o semestre, segue-se mais adaptação de um dos grandes textos universais, «Apocalipse: O Livro da Revelação de São João», adaptado à BD por dois grandes dos fumetti italianos, Alfredo Castelli e Corrado Roi.

Chamo só a atenção que alguns estes lançamentos poderão eventualmente sofrer alguns atrasos face ao previsto, motivado pelo estado de emergência a que o país se encontra sujeito.
 

sábado, 29 de agosto de 2026

O fabuloso destino de Aimé Louzeau

 

Brigada de Costumes

 


No mundo da Nona Arte, é relativamente fácil reconhecer os desenhadores pelo seu traço. Mesmo quando o seu estilo evolui, há algo da sua alma que permanece em cada desenho, permitindo-nos identifica-los como sendo este ou aquele.


O mesmo já não se pode dizer dos argumentistas. É difícil percebermos o cunho de um escritor em histórias que podem variar do policial ao western, da comédia de costumes à aventura histórica ou do romance à ficção científica. Em cada género literário que um autor aborda, parece soltar a sua criatividade esquizofrénica, tornando-se irreconhecível. E isso até é bom pois significa que o escritor tem uma invejável capacidade de se reinventar, conseguindo assim chegar a mais leitores.


Ora, estando perante uma obra escrita por Zidrou, desejo o absoluto contrário; desejo que ele mantenha o cunho que tão bem o caracteriza. Mantendo-o, sei que a obra, em termos narrativos, será sempre superlativa. É dos poucos que se reconhece pela escrita, pelos truques narrativos, pela inventividade da trama ou a capacidade de trazer para o nosso século heróis do passado. No seu palmarés contam-se mais de 100 histórias, todas diferentes e todas com a sua marca distintiva.


De Verões Felizes ao díptico A Fera, de Lydie à série A Adopção, dos novos casos de Ric Hochet à série Shi (entre outros) tudo o que é escrito por Zidrou é bom! E torna-se ainda melhor quando uma das suas parcerias habituais é com Jordi Lafebre, também ele sobejamente conhecido no nosso País e capaz de transformar em desenho os conceitos mais complexos de Zidrou.


Pois bem! Para quem aprecia os dois autores, o momento não pode ser melhor. A Arte de Autor e A Seita juntam-se em mais uma coedição e lançam o díptico Brigada de Costumes em um só volume. Como sempre, uma obra intensa, inteligente, com uma narrativa que nos deixa agarrados literalmente até à última página e um traço inconfundível.

 

Vamos à história!

 

Uma noite de Abril de 1944. As bombas dos ingleses caiem em Paris como uma chuvada de meteoritos primaveris. O recolher obrigatório imposto pelos nazis já não é suficiente e a população tem de se refugiar em abrigos improvisados pela cidade. E é precisamente num deles que começa a nossa história, nas profundezas de uma estação de metro. Apinhada de parisienses assustados, martirizados por cada estrondo que lhes chega do exterior, a estação parece ser agora o seu porto de abrigo.


Entre eles está um oficial da Wehrmacht que tenta encetar conversa com um jovem casal oferecendo-lhes um cigarro. O homem recusa e esclarece que não são um casal. Na verdade, ele é inspector da Brigada de Costumes e ela é uma “experiente” profissional a quem se algemou. Foi já há sete anos, em Novembro de 37, que Aimé Louzeau teve o seu primeiro dia nos “Costumes”. Lembra-se como se fosse hoje…

 


Naquela manhã chovia copiosamente. Aimé toma o pequeno-almoço preparado pela sua querida mamã e servido pela fiel Clémentine, a criada interna que os acompanha desde sempre. Depois, mete o seu chapéu de coco, despede-se da mãe e parte para o número 36 do Quai des Orfévres onde ficará sob as ordens do inspector-chefe Séverin. Ao sair de casa ainda se cruza com a porteira, a jovem senhora (perdão… menina!) Wallez, cujo peito portentoso é um imã para o seu olhar.


Chegado aos “Costumes”, rapidamente sente o ambiente onde vai trabalhar. Dois dos seus novos colegas entretêm-se a espancar El Guapito, um proxeneta bem conhecido da brigada que se divertira a talhar o mamilo de uma das suas “meninas”. Séverin irrompe nas instalações com a sua inseparável bicicleta; cumprimenta Louzeau, troca breves impressões fruto das circunstâncias e combina com o resto da brigada o almoço de iniciação do novo elemento.


Na manhã seguinte, Louzeau tenta conhecer os cantos à casa, mas é informado por um colega que vai passar mais tempo de vigia do que sentado atrás da secretária. Para além disso, deve familiarizar-se com o “pequeno dicionário ilustrado” da Brigada, que vai de “Abuso” a “Zoofilia”. Precisamente, entre uma vigia e mais uma almoçarada dos “Costumes”, Aimé Louzeau vai deparar-se com uma fotografia que irá mudar a sua vida…



Ora, aqui está uma obra que podia ter dado para o torto ou, simplesmente, ter tomado o caminho mais fácil. Sendo o tema central o dia a dia de uma “brigada de costumes”, o leitor poderia ter sido aliciado pelo correr de uma espécie de “slides” acerca dos inúmeros vícios da sociedade parisiense no período de 1937 a 1944. De qualquer modo, se espera por um livro pejado de prostituição, droga, violência doméstica e outros crimes que já foram ou ainda são, não ficará desiludido. Mas se a obra se resumisse a isso, não estaríamos perante um argumento digno de Zidrou.


Na verdade, o foco da narrativa incide sobre os estados de alma do jovem inspector Aimé Louzeau, confrontado com os desvarios sexuais perpetrados na Cidade Luz. O tema é delicado e poderia ter sido tratado com facilitismo, algo que Zidrou contorna habilmente. Em termos narrativos, as depravações parisienses passam quase a um segundo plano, dando lugar à história nada vulgar de Aimé. E como é de esperar do autor, somos apanhados de surpresa por uma narrativa desconcertante e original – algo que me remete sempre para o filme de Jean-Pierre Jeunet, O Fabuloso Destino de Amélie. Evocando com tacto, embora sem concessões, as práticas mais sórdidas, o argumentista belga alterna-as com variadas considerações humanas que criam no leitor uma dualidade de sentimentos. Para isto contribui também a ingenuidade de Aimé que não o predispõe propriamente para este tipo de investigações policiais.


Mas o que é realmente extraordinário nesta obra, é a maneira como Zidrou vai do macro para o micro. Da Segunda Guerra Mundial passa para a Brigada de Costumes parisiense e para a caracterização social da urbe de então, centrando-se depois na vida privada e complexa do inspector Aimé. E neste ponto, o micro torna-se o principal da história. Somos sempre surpreendidos por cada caso a ser investigado, pelo tempo presente a correr na estação de metro, mas somos sobretudo envolvidos pelo fabuloso destino de Aimé Louzeau. Os pequenos episódios que rodeiam a vida do jovem inspector melancólico são absolutamente deliciosos. Atravessando a guerra sem encontrar propriamente o seu lugar no mundo, Aimé abandona os seus sonhos de infância e vai aventurar-se pelas suas próprias contradições, sobretudo quando se deixa embrenhar pelo caminho de uma paixão proibida. Ou de duas. Ou de três!



Como já se disse, a Brigada de Costumes aborda temas tão diferentes como difíceis de tratar. E vai ainda mais além quando nos confronta com o peso da religião, a saúde mental, a manipulação das perversões de cada um e até o papel da polícia durante a Ocupação nazi. Porém, todos estes assuntos são tratados pela superfície, deixando ao leitor avisado o papel de os aprofundar. Afinal, o tema central é o da humanidade.


O que contribui para uma boa história, para além de um tema interessante, é uma narrativa inteligente pontuada por diálogos de excelência. Estes, para o serem, têm de ser verosímeis, dinâmicos e sagazes, sem tons pomposos ou paternalistas. E isso, caros leitores, consegue-se com simplicidade e boas ideias, algo que sobeja nas pequenas células cinzentas de Zidrou. Por exemplo, só ele para chamar Mona Lisa a uma velha e desgastada prostituta, desenvolvendo a conversa que se segue, pontuada por várias pérolas.



E se a Brigada de Costumes tem Zidrou no seu melhor, o mesmo acontece com Jordi Lafebre. Antes de outros álbuns que lhe conhecemos, já aqui demonstra uma maturidade artística capaz de expressar os mais complexos estados de alma. E caso se estranhe a quase ausência de traços de cinismo ou perversão nos rostos dos seus personagens, optando por uma doçura nas divertidas fisionomias, não nos podemos esquecer que o tom impresso à narrativa por Zidrou é esse mesmo, o de uma certa candura. No fundo, os autores são perfeitos aliados no modo de gerar empatia para com o leitor, sendo este um dos vários charmes do álbum.



O traço semi-realista de Lafebre serve na perfeição os propósitos emocionais de Zidrou. Cada expressão facial é inequívoca, cada ruga tem a sua função, cada esgar comporta uma mensagem.


Mas não basta a um artista desenhar bem. Ao serviço da arte tem de pôr também a inteligência. E isso é evidente nos enquadramentos de Lafebre, na planificação das pranchas e na paleta de cores utilizada. Quanto a estas, oscilam maioritariamente entre as cenas dominadas pelo sépia e as envoltas nos cinzentos. A grande excepção é a “cena da felicidade”, na qual as cores ganham outra vida…



E depois há a composição de cena aliada à reconstituição meticulosa da época e dos seus ambientes. Só assim conseguimos sentir a envolvência dos cafés parisienses no período despreocupado e algo frívolo de entre guerras; o bulício no interior da esquadra ou a sofisticação dos bordéis. Para além disso, as indumentárias, os acessórios, as ruas, os transportes, tudo nos remete criteriosamente para Paris dos tempos idos.



 

Brigada de Costumes começa com um bombardeamento, um abrigo, uma noite de Abril de 1944, uma taça de champanhe e as memórias que se reavivam e nos levam numa viagem de sete anos pela vida do inspector Aimé Louzeau – entre a sua família, as suas aventuras e a Brigada de Costumes ou, como era conhecida, La Mondaine.


História algo desconcertante, na qual Zidrou aborda com mestria temas sensíveis, não deixa de estar impregnada de uma ternura que faz, aqui e ali, acreditar na espécie humana. Embora a realidade seja bem menos idílica nos “Costumes”. Por vezes, o destino troca as voltas aos protagonistas e a candura dá o seu lugar à tragédia, desconcertando o leitor.

 

A galeria de personagens é invejável e meticulosamente construída. Sejam os personagens principais como Aimé Louzeau, o inspector-chefe Séverin e os colegas Duglu e Grapin “monocelha”, a mãe, a Clémentine (a velha criada interna) e a porteira, a bem constituída menina Wallez ou os infindáveis personagens secundários, todos eles têm algo a dizer-nos, algo a ficar gravado na nossa memória.


Um romance gráfico de contornos raros, Brigada de Costumes aborda temas tão diversos como a loucura, o peso da religião, o papel da polícia durante a Ocupação, a perversidade, a vida sexual secreta da sociedade, tudo com uma grande subtileza. Mas afinal, depois de tudo, os casos da Brigada não serão mais do que uma evocação ou um cenário para preparar o leitor para o estado psicológico do personagem principal e a sua relação com o mundo, sendo este o verdadeiro motor da intriga. Ao mesmo tempo, perante a seriedade dos inúmeros acontecimentos, Zidrou polvilha a obra com o seu humor inteligente, os seus diálogos realistas e desconcertantes reviravoltas numa narrativa que não deixa o leitor indiferente.


Ao longo dos sete anos em que decorre a história, acompanhamos a evolução de Aimé e presenciamos a sua inocência a transformar-se em algo mais sórdido que é, afinal, o que o torna um ser profundamente humano, fustigado pelas circunstâncias.


Tudo isto daria um extraordinário romance. Contudo, não nos podemos esquecer que estamos perante um duo talentoso de autores e um deles, Lafebre, faz acrescentar ao romance o termo “gráfico”. O seu traço semi-realista é, mais uma vez, impecável e funciona como uma segunda pele do argumento, igualmente com a capacidade de nos tocar irremediavelmente e de conferir ao conjunto da obra uma incrível sensibilidade.


Para finalizar, devo dizer-vos que, para o meu gosto literário, o final é daqueles que me enche as medidas. Seja o final expresso na última cena, seja aquele que nos surge na derradeira página com um longo recitativo que não permite que fiquemos sem saber o desfecho de cada personagem.


E quanto ao nosso jovem inspector, é-lhe reservada a frase final que, com a cena anterior, permite a cada um de vós, caros leitores, decidirem do fabuloso destino de Aimé Louzeau.

 


 Por Francisco Lyon.